Dia de vómito

Ontem foi um dia horrà­vel. Acordei à s cinco da manhã enjoada e cheia de fome. à€s seis e meia, depois de sonhar que estava num comboio a distribuir comprimidos para o enjoo pelos outros passageiros, resolvi levantar-me e beber um iogurte só para ver se o està´mago acalmava um bocado. Infelizmente assim que voltei para a cama tive de me levantar outra vez e ir vomitar.

Resolvi então tentar uma coisa mais sólida e comi uma bolacha de água e sal. Desta vez aguentei duas horas mas à s nove da manhã estava de novo de joelhos no chão da casa de banho a decorar o interior da sanita.

Resolvi não voltar a comer e tentar dormir mais um bocadinho. à€s onze acordei com o telefone e como estava levantada, fui corajosamente comer uns corn flakes. Desta vez foi a barriga que se começou a portar mal e a meio da refeição tive de ir outra vez à  casa de banho constatar que estava com diarreia e vomitar novamente. E pronto. Estou doente.

O Pedro levantou-se e levou-me ao centro de saúde onde me deram uma injecção para parar os vómitos. Funcionou mas passei o dia a morrer de sono mas sem conseguir dormir.

Tive que beber meio litro de soro que apesar de cheirar a limão não sabia muito bem (em parte porque cheiro a limão num liquido salgado é um bocado contraditório) e não comi nada o dia todo. Só à  noite é que consegui engolir alguma coisa sólida.

à€ noite comecei sentir-me melhor do està´mago mas comecei a ter febre. Aliás, eu acho que já tinha um bocadinho de febre só que em mim não se nota até ser a sério. É que como a minha temperatura normal anda mais à  volta dos 35º do que dos 36º da maioria das pessoas, quando passa dos 36.5º já é o suficiente para me sentir quente e desconfortável mas ainda não é considerado febril. Mas foi só uma questão de tempo até chegar aos 37º, acomoanhado de uma dor de cabeça e grande sensibilidade à  luz.

Mas Felizmente o està´mago estava melhor e já consegui comer mais qualquer coisa. Estava com uma fome fenomenal por esta altura.

Tanto quanto percebo, o culpado mais óbvio é um queijo fresco que comi no dia anterior e que já não devia estar grande coisa. Mas hoje já acordei melhor e apesar de ainda estar um bocadinho enjoada não voltei a ter vómitos nem febre, por isso pode ser que o virus se tenha ficado pelas 12 horas de inferno e esteja devidamente morto e enterrado.

Férias

O Pedro tirou uns dias de férias e em vez de ficarmos em casa como é costume, marcámos uns dias nas termas de Monchique. O Pedro foi todo feliz com o seu novo GPS e acabámos por fazer grande parte da viagem por estradas secundárias e pelo meio da serra em vez de ir pela autoestrada até ao fim. Não é o mais indicado para o està´mago mas ele até preferiu assim porque pelo menos não corria o risco de adormecer pelo caminho.

A chegada não foi exactamente sem obstáculos: não tinham toalhas nem fronhas, as termas estão fechadas à  segunda feira e o elevador não estava a funcionar.

Felizmente há já uma piscina exterior mas estava rodeada de malta e mal havia um espacinho livre na relva, quanto mais cadeiras disponà­veis. Aliás, apercebi-me mais tarde que a territorialidade das cadeiras da piscina era tal que as pessoas deixavam as suas toalhinhas na cadeira durante a hora de almoço para poderem voltar ao mesmo sí­tio. Que se lixe o facto de durante duas horas mais ninguém poder usar a cadeira. É tà­pico comportamento português em acção. Isto porque os hospedes do hotel eram todos portugas.

Quando quisemos ir tomar banho depois de sair da piscina ainda não havia toalhas e por isso tivemos de abdicar desse pequeno luxo e fomos até Portimão jantar com os tios do Pedro. Apanhámos montes de trânsito mas demos facilmente com a casa. Não sei bem como é que eles conseguem enfiar tanta gente lá em casa uma vez que para além da Rita e da Inês e do Gustava também lá estavam a Marta e o Filipe e a Joana, todos a dormir na sala uma vez que o apartamente só tem um quarto.

O jantar estava optimo, composto de diversos tipos de marisco, e tivemos o bónus da companhia dos 4 gatos que também foram de férias com eles.

Depois do jantar e de um geladinho estiveram todos a jogar na playstation até eu estar completamente a morrer de sono e ter de arrastar o Pedro de volta ao hotel.

No dia seguinte fomos para a piscina exterior de manhã, apanhar algum sol, e de tarde fomos à  nossa massagem, que tinhamos marcado previamente, e depois estivemos uma hora na piscina de hidromassagem. Foi óptimo porque não estava muita gente.

Ainda demos uma volta a pé até ao por do sol e tirámos algumas fotos mas que não devem ter ficado grande coisa porque estava já muito pouca luz.

Na quarta feira o tempo já não esteve tão bom por isso passeámos de manhã e por volta do meio dia, quando a piscina abriu, fomos ainda tentar apanhar algum sol mas começou a chover pouco tempo depois.

Fomos almoçar no restaurante do hotel cujo serviço é uma lentidão inacreditável mas em que a comida até nem era má e depois fomos para o duche vichy que é uma massagem e duche em simultâneo, algo que seria mais confortável se não me fisesse tanta impressão ter água a escorrer pela cara, e depois fomos para a piscina de hidromassagem novamente. Desta vez estava montes de gente e acabei por me fartar.

Entetanto recebemos um telefonema da minha sogra, que ficou encarregue de alimentar os gatos, a informar que os bichos estão com parasitas, por isso no dia seguinte voltámos o mais depressa possível em vez de passar em Sagres como o Pedro tinha planeado. Como ainda por cima o tempo estava outra vez chuvoso, penso que não perdemos grande coisa.

Fomos ao veterinário com as pequeninas e voltámos com comprimidos para todos. Ao fim de 6 dias não voltámos a ver nada de suspeito por isso é possível que tenha resultado.

Entretanto o computador do Pedro e o router pifaram – há sempre peças dos computadores a estoirar com este calor, tudo porque não podemos deixar o ar condicionado ligado durante a noite já que os vizinhos não podem ver umas gotinhas de água a escorrer pela parede do prédio sem fazer fita – o que quer dizer que fiquei sem ligação internética durante uns dias e só estou a escrever isto agora porque o Pedro está na sala a ver futebol 🙂

Os gajos do lado, que era suposto estarem já nos acabamentos, parece que arranjaram mais coisas para partir. O Pedro sugere que se engaranaram e estão a destruir o que fizeram antes. É que realmente não compreendo o que é qe eles podem ter para partir mais ao fim de dois meses. E como agora é ao sábado é impossível descansar em casa.

Por isso, ontem e hoje fomos até à  praia mas aquilo está cheio de gente e torna-se um bocado desagradável. É o problema de ter pessoas tão perto que não se consegue desligar as conversas por mais que se queira. Mas pronto. Ou se atura ou se fica em casa. É mesmo assim.

Nada como ser milionário e ter uma praia privada. É interessante a quantidade de problemas que se resolviam sendo milionário 🙂

Acabou-se o descanso

As nossas duas gatas em miniatura conseguem finalmente saltar para a bancada da cozinha. Era a última barreira. Isto quer dizer que agora chegam a qualquer lado e nada está seguro.

Como os gatos pequenos não são particularmente intuitivos no que diz respeito à  sua segurança pessoal (leia-se tendência para roer fios eléctricos) tudo o que tinhamos passado para a prateleira de cima deixou de ter protecção garantida. É geralmente nesta faze que me partem os snow globes, arrancam e comem posters pendurados nas paredes, etc.

A segunda mania é que ao contrário dos outros gatos todos estas gostam de ver televião. A Scully também acha piada ocasionalmente quando há uma bolinha a mexer no ecrã, mas estas é com tudo. Sentam-se em frente ao plasma e vão dando patadas no ecrã.

Aliás, a Buffy está neste preciso momento sentada em frente ao meyu monitor a seguir as letrinhas que vão aparecendo enquanto escrevo. Como só vejo orelhas de gato, perdoem-me se o texto estiver todo trocado.

A pior parte é que estão a ficar muito mal educadas. São tão giras mesmo a fazer asneira que não me consigo chatear com elas. Grito ‘não’ de vez em quando mas acho que elas percebem que é só ameaça e não ligam nenhuma.

O barulho das obras continua na mesma. Todos os dias à s oito e meia começam a martelar, etc. Hoje está impossível no escritório. Parece que estão a destruir a parede que separa as nossas duas casas e vão entrar por aqui fora a qualquer momento. O chão treme, a mesa também e só me apetece gritar (o que chego a fazer ocasionalmente). Ainda só os vi uma vez e já odeio os nossos novos vizinhos profundamente.

Para fugir ao barulho fui dar as voltas burocráticas do costume, já que estamos novamente em mês de pagar o IVA. Estava montes de gente nas finanças. Eu até esperei pelo final do prazo para comprar o selo do carro mas há sempre uns atrasadinhos e depois há as pessoas que, como eu, resolveram esperar pelo fim do mês para ir lá tratar de coisas. Eu até podia pagar isto no multibanco mas gosto mais do selinho que eles colam na declaração a dizer que paguei do que ter que agrafar um papel do multibanco. É menos uma porcaria e geralmente não costuma estar lá ninguém. Depois fui pagar a garagem onde me deram uma chave nova e fui ao correio levantar uma encomenda.

Quando entrei no correio estava uma senhora de 80 anos sentada. Informou-me imediatamente que era ‘a seguir à quela senhora’. Disse ‘ok’ e fiquei na fila. Quando só faltavam duas pessoas a senhora começou a ficar nervosa e levantou-se para ocupar o seu lugar. Tive de lhe garantir que não ia passar à  frente e até lhe disse que a chamava quando fosse a sua vez. Na realidade irritam-me pessoas que passam à  frente. Estão sempre com muita pressa e são sempre mais importantes do que o resto do mundo. Eu não tenho problemas nenhuns em esperar a minha vez e também não vejo mal nenhum em ter a senhora de 80 anos sentadinha até chegar a vez dela. Mas acho que devo ser a excepção à  regra num mundo em que é cada um por si.

Acho que era bom podermos confiar nos outros, sentir que somos da mesma espécie e como tal podemos contar com outras pessoas. Mas a prova é sempre em contrário, razão pela qual é mais fácil desconfiar primeiro e só dar o benefà­cio da dúvida quando alguém prova que o merece. É triste mas é assim que o nosso mundo funciona.