Nasceu o Tiago

Domingo de manhã. Acordámos cedo e chegámos ao hospital pouco depois das 8. Fui fazer o CTG e depois levaram-me para a sala de partos para fazer a indução e ligaram-me novamente ao CTG. Por qualquer falha de comunicação esqueceram-se de me dar os comprimidos e só por volta das onze é que começou finalmente o processo. Ao fim de 20 minutos tive as primeiras contracções fraquinhas. O Pedro estava comigo. O maior incómodo era a dor de costas e a dor na anca constantes que me obrigavam a mudar de posição, o que fazia o bebé mudar de sítio e o CTG perdia o sinal.

Assim fiquei o dia inteiro. Pelo meio deram-me mais uma droga qualquer pelo soro para ver se a indução acelerava mas apesar de ter provocado contracções mais frequentes durante um bocadinho, e de terem passado a ser mais dolorosas, a cabeça ainda não estava encaixada e passado um bocado os intervalos começaram a espaçar mais outra vez. O Dr. Saraiva resolveu romper a bolsa para ver se isso ajudava. Fiquei encharcada porque tinha uma quantidade de liquido amniotico bastante grande mas de resto continuou tudo na mesma.

Às sete da tarde começou a conversa da opção da cesariana porque deu para perceber que aquilo por indução ia demorar mais um dia pelo menos e acho que o Dr. Saraiva queria ver a situação resolvida. Para além disso, com o rompimento da bolsa, o risco de infecções entre outros era já maior e penso que não convinha esperar muito. Acabámos por avançar com a cesariana.

Enquanto que o parto era uma coisa familiar, a cesariana foi uma experiencia diferente, o que, psicologicamente, ajudou a distingir os dois partos.

Levaram-me para o bloco operatório e assim que vi as luzes e a extenção para o braço senti-me subitamente num episódio do Nip/Tuck. Deram-me a epidural e comecei logo a ficar com a perna direita dormente. Depois deitei-me de costas e a outra também começou a receber os efeitos da anestesia. É uma sensação muito estranha. O meu cérebro estava convencido o tempo todo que tinha a perna direita dobrada quando obviamente não estava. Fiquei com um braço para cada lado, tipo Jesus Christ, cada um amarrado a um suporte. De um lado estava ligada a uma máquina que media a tensão arterial (e fazia ping) e do outro tinha o soro.

Depois taparam-me a visão da cena montando uma espécie de tenta por cima do meu peito. A minha mãe conseguiu convencer os médicos a deixarem-na assistir e estava ao meu lado a fazer comentários ocasionais. Mas quando se começou a entusiasmar com a conversa tive de lhe dizer para deixar de distrair os senhores que me estavam a cortar às postas. Foi a única altura em que posso dizer que fiquei verdadeiramente nervosa.

De resto não dei por nada. Sentia mexer mas não podia dizer se estavam a cortar, coser ou a jogar xadrez.

Parece que foi complicado sacar o Tiago cá para fora porque entre a sala de partos e o bloco operatório a cabeça tinha finalmente encaixado. Quando o ouvi chorar pela primeira vez tive de fazer um esforço enorme para não desatar a chorar também. Por estranho que seja estar acordada numa situação destas acho que a anestesia geral mata completamente aquela sensação de alivio que se sente quando se sabe finalmente que chegou ao fim e que agora vai estar tudo bem. O que eu só soube depois é que não se limitaram a tirar o Tiago – sacaram-me o utero todo para fora. Não fazia ideia que era assim que se fazia mas agora percebo porque é que não me deixaram ver 🙂

Trouxeram o Tiago ao pé da minha cara para o ver. Eram 7.40 e nasceu com 2800g. Estava todo roxo mas não era tão feioso como eu pensava que os recem nascidos costumam ser. É claro que sempre tive a dúvida de se é possivel ter sentido crítico suficiente para reconhecer quando se tem um filho feio. Acho que vou continuar a ter essa duvida para todo o sempre porque me apaixonei imediatamente por aquela coisinha minuscula.

Levaram-no embora para o limpar e depois vieram com ele mais um bocadinho. Eu não lhe podia tocar porque ainda estava amarrada à mesa mas consegui dar-lhe uns beijinhos. Depois tiveram de o levar embora novamente para o aquecer.

Eu fiquei a ser cosida e tive duas quebras de tensão grandinhas. Fiquei completamente nauseada e cheguei a ter vómitos, mas claro que não tinha nada para vomitar. Foi a pior parte.

Depois iam levar-me para um quarto onde poderia ter visitas mas acabaram por mudar de ideias porque estava lá uma grávida com pré-eclampsia e não nos quiseram misturar. Acabei por ficar 4 horas à espera no bloco operatório, a olhar para o tecto, sem poder ver o Pedro nem o Tiago. A tensão tinha entretanto estabilizado mas os médicos tinham ido jantar sem ter terminado o processo e por isso nunca mais me levavam para o quarto definitivo.

Quando finalmente me levaram para cima tinha 14 pessoas à espera no corredor. A hora das visitas já tinha acabado e depois de uns cinco minutinhos lá fui eu passar a minha primeira noite com o Tiago nos braços. É claro que não dormi nem cinco minutos, apesar de estar exausta. Mas não consegui evitar passar o tempo a verificar se estava a respirar, se tinha frio e a memorizar a sua cara e expressões faciais.

Foi uma sensação muito estranha, saber que agora era inteiramente responsável por esta criatura indefesa e que tinha de aprender a desenrascar-me muito rapidamente. Mas ao mesmo tempo foi um alivio tão grande chegar finalmente a este dia que perdi grande parte das dúvidas e inseguranças que tinha muito rapidamente.

5 Comment

  1. Olá Dee! Muitos parabéns pelo Tiago. Decerto és neste momento a mãe mais feliz do mundo! Bjs e felicidades!

  2. Parabéns!!! O Tiago é lindo e desejo aos três muitas felicidades.
    Abraços

  3. Parabéns Dee! Muitas felicidades aos três.
    Vais ver que serás a melhor mãe do mundo.
    Avança, sem medos! 🙂

  4. Estranho!! Parece que estou a escrever num terminal de um portal do tempo, uma vez que já fiz comentários para datas posteriores a este teu texto, Dalila 😉
    O nosso Pedro também nasceu de cesariana porque, sacaninha como é, deu dois mortais encarpados com flick-flack à retaguarda no último momento e… com tal manobra, fez duas circulares!! Para quem não percebe destas nomenclaturas médicas, são, em termos leigos, duas voltas do cordão umbilical em volta do pescoço. Resultado: a Graça, ao fim de várias horas, não fazia mais do que 3 cm de dilatação. Como o liquido amniótico já tinha escoado todo, ao fim dessas horas todas, optou-se pela cesariana. Bem, nessa altura não se sabia porque é que o corpo dela tinha retraído e não dilatava mais. Só quando tiraram o Pedro cá para fora é que se percebeu a situação em que se tinha metido. A Natureza é realmente muito sábia. Se se tivesse forçado o parto natural, o nosso Pedrito quinava!
    Quando a achares que o Tiago, apesar de vir em PANTONE 658 C, não vinha tão feio como estarias à espera, partilho dessa opinião quanto ao Pedro (o nosso). Mas a razão até é óbvia 🙂 É que, com cesariana, os “piquenos” não são espremidos ao longo de um canalzinho estreito, assim tipo bisnaga 😉
    A cesariana, apesar de ter um pós-parto bem mais chato, é muito menos traumática para os bebés. Também foste agrafada? A Graça parecia uma versão mal amanhada do Frankenstein 😉

    p.s. Mais uma vez sublinho, relembro, evidencio, o pedido de me mandarem o vosso contacto. Tenho saudadinhas vossas e agora até já temos mais coisas em comum para podermos esparveirar 🙂

  5. Olá Dee!

    Andava eu a seguir-vos os blogs para ver s n perdia este momento, e n é q o pc decidiu dar o “berro” pouco tempo antes? 😕 ..só agora consegui voltar, mas mesmo assim quero deixar os meus Parabens a toda a familia!

    Ainda bem q (desta vez) correu tudo bem, voces merecem! Sejam felizes!!

    Eu que nem sou nada de lamechices, fiquei com os olhos molhados ao ler este post…

    PARABENS!

    Agora vou aguardar o nascimento da minha sobrinha .. em Junho 😀

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