Natal 2007: caos e um bebé doente

Tive alguma dificuldade em entrar no espírito da coisa, como já vem sendo costume. Aliás, acho que natal e aniversários perdem a piada ao fim de uns anos e deve ser muito dificil voltar a sentir algum interesse. Achei que por ter um bebé que podia voltar a ser interessante porque ele poderia achar alguma piada à coisa, nomeadamente ser bombardeado por presentes.

Infelizmente o Tiago é ainda demasiado novo para se aperceber do que se está a passar e, como eu e o Pedro temos ambos extensas famílias, em vez de uma noite de Natal temos a noite de 24 com a minha família, todo o dia de 25 com a do Pedro e se deixasse a minha mãe insistir ainda tinha a noite de 25 com os meus pais e o meu irmão. Mas eu já não aguentava mais, o Tiago estava irritado porque não dormia convenientemente há dois dias e se alguém me voltasse a falar em Natal acho que ia comprar uma caçadeira.

No dia 24 esperámos que o Tiago acordasse da sesta, demos-lhe o lanche e fomos para Palmela. Chegámos por volta das 6.30 e o Tiago portou-se lindamente durante umas horas. Esteve a brincar num dos quartos com os brinquedos antigos dos primos que já são bastante mais crescidinhos (e que estavam todos doentes e a tossir). Demos-lhe jantar e depois comemos nós. A meio do jantar (que dura sempre umas horas por causa da conversa), o Tiago começou a ficar com sono e foi preciso andar a distraí-lo. Fui trocando com o Pedro e a minha mãe e lá conseguimos acabar de comer. Infelizmente o resto da malta continuou calmamente à mesa durante mais uma hora e as coisas começaram a complicar-se. O Tiago estava cheio de sono mas eu também não queria estar a estragar a festa indo embora antes das prendas. Fomos aguentando. Tentei levar o Tiago para um dos quartos e dar-lhe de mamar para ver se ele adormecia mas os outros miúdos estavam aos gritos a fazer corridas no corredor e o Tiago estava demasiado distraído. Desisti e levei-o para a sala e passado pouco tempo começou finalmente.

Nestas ocasiões há sempre quem queira que as prendas sejam distribuidas mais depressa e quem queira mais devagar para poder ver tudo. Normalmente não me interessa mas este ano queria mesmo é que se despachassem com aquilo e pareceu demorar uma eternidade.

O Tiago só achou piada ao papel de embrulho que desatou a comer furiosamente (tive que lhe tirar diversos bocados de papel molhado da boca) até chegar ao ponto em que já não havia distracção possível e acabámos por vir embora. Ainda consegui apressar as coisas distribuindo eu as prendas que tinha trazido para os meus pais e avós e voltámos para casa por volta das 11 horas. Ainda me custa a acreditar que ele tenha aguentado tanto tempo.

O Tiago adormeceu no carro e pela primeira vez estava tão cansado que nem acordou quando o mudei para o carrinho. Só quando chegámos a casa é que acordou, muito irritado, mas felizmente voltou a adormecer depressa.

Eu ainda estive a montar o carrinho que a minha mãe deu ao Tiago para ele poder pelo menos ver as prendas no dia seguinte.

Na manhã de 25 acordámos às 9 como sempre, porque aparentemente o miúdo acorda sempre à mesma hora independentemente da hora a que se deita. Eu só queria ficar na cama mais um bocadinho mas essa fase da minha vida acabou, pelo menos até o Tiago ter idade para preparar o seu próprio pequeno almoço. Tenho a impressão que ainda vai demorar.

Mas o cansaço do dia anterior fez-se notar e fomos prendados com a sesta do meio dia. Quando o Tiago acordou fomos para casa dos meus sogros para o segundo round. Dei o almoço ao Tiago quando chegámos e depois foi toda a gente comer. A minha sogra ficou o com Tiago enquanto eu preparava o meu prato mas assim que me sentei para comer, o Tiago engasgou-se num pedaço de frango com arroz e vomitou tudo o que tinha comido. Fiquei completamente arrasada. O raio do miúdo consegue sempre arranjar maneira de vomitar cada vez que lhe consigo dar o almoço sem birra.

Fui a casa buscar roupa limpa, mais sopa, outro babete, etc, e voltei. A minha sogra estava toda preocupada porque ele vomitou quando ela lhe estava a dar comida mas eu não acho que a culpa seja dela já que o Tiago parece adorar vomitar. Não interessa o que está a comer ou quem lhe dá. É sempre preciso ter muito cuidado, dar-lhe logo uma palmadinha nas costas ao primeiro sinal, e mesmo assim nada é garantido. Achei de facto que o arroz era capaz de ser perigoso porque ele nem sempre mastiga bem mas é porque já conheço o sistema e vejo potencial vómito em todo o lado. Tenho é a impressão que se calhar não acreditavam inteiramente na facilidade com que o Tiago vomita. Nada como ver ao vivo.

Acho que reagi exageradamente à situação porque estava ainda muito cansada do dia anterior e a prever mais uma tarde com um bebé rabujento a querer dormir a sesta com uma sala cheia de gente a distribuir prenda. E claro, foi o que aconteceu.

A meio da tarde fui tentar alimentar o miúdo novamente. Ele não queria comer por isso fui dar de mamar. O Tiago estava já no seu limite e fartou-se de berrar furioso até eu conseguir finalmente ficar sozinha com ele um bocadinho. Ainda demorou a acalmar mas depois esteve a mamar e adormeceu. Passei um bocado a tentar decidir se ficava no quarto com ele até acordar mas resolvi arriscar a tentar ir deitá-lo no carrinho. Dormiu mais ou menos meia hora e depois aguentou outro grande bocado até acabar a troca de prendas, já que grande parte eram para ele.

Como tinha prometido à minha mãe que ainda passava por casa dela, já que o meu irmão ia lá jantar e ainda tinha umas prendinhas para ele, levámos o que pudemos para casa, com a ajuda da minha sogra, e depois fomos até lá. A minha mãe insistiu que nos sentássemos e tentou dar-nos jantar 4 vezes em 10 minutos mas eu já não aguentava mais e precisava de meter o Tiago na cama e descansar.

Quando chegámos o Pedro foi dar jantar ao miúdo (ultimamente parece que não fazemos mais nada a não ser preparar e dar-lhe comida) e eu fui buscar mais uma dose de prendas e a seguir trocámos e o Pedro foi buscar a última leva, que incluia um móvel.

Quando o Tiago foi finalmente dormir ainda estive mais umas horas a retirar os brinquedos das embalagens, a ensacar todo o lixo, a tirar etiquetas da roupa que tem de ser lavada… Fun, fun, fun!

O mais divertido foi essa noite. O Tiago, como seria de esperar, ficou doente. Passou a noite a acordar de hora a hora e com o nariz a pingar.

Ontem, dia 27, depois de uma noite quase sem dormir, foi preciso deitar montes de sacos fora e arrumar a casa. Ao fim do dia resolvi abrir a embalagem do móvel, que foi a minha prenda de natal dos meus sogros, para ver se estava muito estragado, já que caiu durante o transporte. Como não podia falhar saltou um bocado do canto de uma das portas. É claro que podia ser o lado de dentro, mas não. Isso era demasiada sorte. Oh well.

Comecei a tentar montar o móvel, sem grande vonmtade porque os móveis do IKEA são uma dor de cabeça graças às instruções mais imbecis da história – é preciso contar os furinhos da ilustração de uma tábua para se saber se está na posição certa e os parafusos têm umcódigo nas instruções mas não no parafus. Quanto muito podiam vir separados em saquinhos com o código, mas isso facilitava demasiado a vida às pessoas.

O que quer dizer que comecei a montar uma peça com os parafusos errados. E como estes gajos poupam dinheiro em coisas pouco importantes, como o metal dos parafusos, estes ficaram tão moídos com o simples acto de aparafusar que foi quase impossível voltar a tirá-los e absolutamente ridículo pensar sequer em reutilizá-los.

Tive um pequeno ataque de raiva neste ponto e o Pedro resolveu montar ele o móvel. Eu só ajudei no final quando foi altura de ajustar as dobradiças das portas. Tirando a lasca até nem ficou mal e realmente dá um ar muito mais arrumado do que o que tinha antes.

É claro que agora é preciso tirar da sala a minha antiga secretária para poder usar o novo móvel para trabalhar e guardar as minhas caixinhas, mas suponho que isso vai ter de esperar porque é algo que não consigo fazer sozinha e entretanto o Pedro também ficou doente. Estou à espera da minha vez.

Maldito Natal. Acho que para o ano que vem fico em casa.

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