Brinquedos infernais

Até agora o ano 2008 tem sido passado ao som da colecção completa de brinquedos-que-fazem-barulho da chicco que deram ao Tiago este natal. Devia mandar cartões de agradecimento artilhados aos membros da família culpados desta atrocidade mas não o faço porque sei que a intenção até era boa. O problema é conseguir tirar a música das abelhas da cabeça depois de a ouvir 300 vezes num dia. Especialmente quando o Tiago se deita em cima dos brinquedos, activando o botão consecutivamente durante meia hora.

Os brinquedos até são giros e espero que sirvam o seu propósito de incentivar o uso de linguagem. E como são em Português e Inglês, é uma continuação do que já tenho andado a fazer desde que o Tiago nasceu que é falar com ele e ler-lhe nas duas linguas.

Mas há duas falhas com os brinquedos. A primeira é que aparentemente só interessa às pessoas que fazem brinquedos para crianças ensinar nomes de animais, alguns dos quais os miúdos provavelmente nunca vão ver na vida, como girafas. Então e ensinar coisas mais práticas? Sapato, prato, tenho fome, porta, janela, isso doi? Compreendo que essa é a função dos pais, mas então deixem-se de tretas com essa conversa dos brinquedos didácticos.

A segunda falha é bastante mais grave: a senhora que faz a voz em Português fala mal. Diz coisas como ‘eu xou a lagarta’ em vez de ‘eu sou a lagarta’. Então o objectivo desta porra não é ensinar os miúdos a falar? Quem é que foi o imbecil que fez esta adaptação para português?

Mas pronto. Decidi dar ao Tiago apenas um brinquedo sonoro de cada vez para poupar a cabecinha. Vamos ver se funciona.

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