Dias maus

Ontem foi um dia mau. Não por ter acontecido alguma coisa desagradável ou até invulgar. Apenas porque estava muito cansada o que resulta em muito pouca paciência.

Depois de uma manhã a fazer os possíveis por arrumar a casa antes de chegar a Augusta que afinal não apareceu e a preparar comida naquilo que parece ser uma tarefa interminável desde que o Tiago começou a ter 4 refeições de sólidos por dia e me comecei a esforçar por comer ao mesmo tempo que ele, o resto do dia, passado a impedir o Tiago de partir bocados do leitor de DVD e puxar fios de candeeiros e afins, começou a parecer-me um verdadeiro inferno. Queria descansar, queria pelo menos conseguir sentar-me mais de 5 minutos, queria parar de gritar ‘Tiago não!’ e queria acima de tudo conseguir ser a mãe perfeita que não perde a paciência e faz tudo de acordo com o que dizem os livros de pedagogia.

Infelizmente há dias em que isso é completamente impossível e ontem foi um deles. Fui aguentando o dia o melhor que pude, fazendo um esforço monumental para não perder a pouca paciência que ainda me restava, fechando os olhos e respirando fundo muitas vezes e telefonando ao Pedro quando achei que estava mesmo a ficar maluquinha. O Tiago continuava alegremente na sua, claro. Essa história de que eles sentem o nosso stress é um bocado tanga. E eu, apesar de sentir que o mundo vai acabar se não tiver dois minutos de silencio continuo a pegar-lhe ao colo e a dar-lhe muitos abraçinhos porque no fundo ele não tem culpa nenhuma da psicótica da mãe estar a ter um mau dia.

Mas tenho aqueles de momentos de pensar ‘em que é que eu me fui meter? O que é que me fez pensar que conseguia ficar em casa a tomar conta de um miúdo sozinha? Eu não tenho jeito nenhum para isto!’

Tentei metê-lo no parque 5 minutos para poder escrever um mail a um cliente e ele passou o tempo a gritar histéricamente. Ao fim de uns minutos não aguentei mais, porque também não me conseguia concentrar, e acabei de escrever o mail com o Tiago ao colo enquanto tentava impedi-lo de arrancar mais teclas do meu mac.

Felizmente quando o Tiago foi para a cama à noite e finalmente adormeceu, depois de uma mais uma birra, consegui ir tomar um banho à luz das velas e depois dormi convenientemente esta noite por isso o dia de hoje já encaixa novamente na programação habitual.

É incrível como deixo de funcionar quando não consigo dormir. Ainda me custa a acreditar que consegui sobreviver àqueles primeiros meses depois do Tiago nascer sem magoar ninguém, mas também sei que o Pedro teve de aturar muito do meu mau humor quando tinha que me levantar às 3 da manhã.

Sempre fui um bocado perfeccionista e gostava de ser perfeita, ou quase, mas ando muito longe disso. O máximo que posso dizer é que faz-se o que se pode…

2 Comment

  1. Ana Paula Miraldo says: Responder

    Compreendo totalmente a sensação de ir aguentando, o problema é qd já não se aguenta mais and you snap. I, too, wanted to be a perfect mom, but I’ve come to realize I am only human and some days are better than others. And you acknowledge it and you go to bed and get up and do it all over again. You are entirely right, we do the best we can.

    Wish you all three the best.

  2. Alexandra Cardoso says: Responder

    Ser mãe a tempo inteiro é extraordinariamente desgastante e muitissimo pouco reconhecido, só quem passa por lá se apercebe da solidão, do cansaço e da luta contra as nossas próprias imperfeições, uma forcinha com um abraço de quem sabe o que estás a passar.

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