Para onde foi o bebé?

O Tiago fez ontem 11 meses.

Ainda custa a acreditar que já nasceu há quase um ano. E é muito difícil habituar-me à velocidade com que ele cresce e se modifica. Ocasionalmente, quando estou a aproveitar a sesta do Tiago para trabalhar e estou absolutamente concentrada no que estou a fazer, quando ele acorda e o vou buscar à cama estou ainda à espera de encontrar um bebé deitado de costas com um ar indefeso. Em vez disso vou dar com um rapazinho alto e esguio de pé na cama, com os cotovelos apoiados no topo das grades e um ar muito determinado que parece dizer ‘até que enfim! Tira-me daqui depressa que eu tenho muito que fazer hoje’.

Para mim o Tiago já não é um bebé. Os bebés limitam-se a comer e dormir. Por outro lado o Tiago já sabe o que quer e o que gosta (que pode mudar de dia para dia mas no momento não deixa de ser verdade), já se desloca sozinho, já brinca interagindo com outras pessoas, já reconhece palavras como ‘fruta’ e está com uma vontade desgraçada de começar a falar perceptivelmente.

Continua a ser um desafio diário estar em casa com ele. Tem partes divertidas mas é também muito cansativo. É muito frustrante não conseguir fazer nada quando ele está acordado porque quer toda a atenção para si. Tem todo o direito de a exigir mas isso implica que tenho de abdicar de muito de mim para estar sempre presente com boa disposição e paciencia. A maior frustração é a sensação de estar constantemente a dizer ‘não’. Por mais que se proteja a casa parece que há tanta coisa em que ele não pode mexer! Eu tento explicar porque é que não deve brincar com fios eléctricos, porque é que não pode arrancar as teclas do computador, por o comando da televisão na boca, subir para cima da passadeira ou comer os discos de algodão na esperança que ao fim de umas quantas repetições ele compreenda e páre de fazer, mas é claro que ele gosta muito mais de mexer no que não deve porque é a desafiar a autoridade que vai conquistando a sua independencia e que se lixe o perigo.

Quanto às birras para comer e dormir, vão variando. Uns dias está tudo bem outros é uma guerra. Mas parece que é mesmo suposto ser assim por isso deixei de me chatear. O Pedro é que anda um bocado lixado com o banho porque o Tiago agora só quer estar de pé na banheira o que torna coisas como lavar o cabelo muito complicadas. Mas pronto. são fases. Quando chegar a hora do treino de bacio vai ser outro grande desafio de paciencia e por aí fora.

Uma das coisas que reparei no comportamento do Tiago, que não sei se é típico da personalidade dele ou algo comum a todos os bebés é que ele está sempre muito mais interessado na parte de trás dos brinquedos do que na parte da frente com todas as luzes e botões. A primeira coisa que faz é virar o brinquedo para ver como é do outro lado e passa muito mais tempo a explorar aquilo que para nós parece ser a parte menos interessante. Será curiosidade sobre como aquilo funciona?

Mas o mais interessante é que, apesar de por vezes estar distraidamente ainda à espera de encontrar o bebé que ele era quando o vou buscar ao quarto, a verdade é que não tenho pena nenhuma que ele esteja a crescer. Muito pelo contrário. Apesar de dar cada vez mais trabalho acho que quanto mais crescido e interactivo ele se torna, mais interessante fica. Gosto muito de ter um ser humano novo cá em casa com quem possa comunicar e a quem possa ensinar coisas ocasionalmente. De outra forma arranjava outro gato e pronto.

Estou aos poucos a habituar-me ao papel de mãe e a perceber o que é que isso implica verdadeiramente. Não há dúvida que o nível de responsabilidade mudou radicalmente. E com responsabilidade quero dizer coisas que tenho mesmo de fazer por mais que não me apeteça. É a maior diferença entre ser só o casal ou ser responsável por outro ser humano totalmente dependente de nós que precisa de comer e dormir a horas certas, ser limpo, entretido e ensinado.

De momento estou à espera que hegue uma fase em que ele se consiga concentrar em qualquer coisa por mais de 15 segundos de cada vez. E apesar de saber que vou ficar com o chão, paredes e moveis todos riscados, estou desejosa de o ver de lápis e papel a riscar alegremente. Já não falta muito.

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