Fim de semana atribulado

Tudo começou na sexta à  noite, com os vizinhos de cima a fazer mais uma festa que terminou com gritaria à s 4 da manhã. Ninguém dormiu, como é obvio.

Por isso mesmo, no sábado de manhã o Tiago dormiu até à s 10.30h e nós à s onze ainda andávamos pela casa de pijama com um ar de quem não sabe bem onde está quando telefona a Fátima a dizer que afinal sempre podia ir ao parque essa manhã mas só estava lá mais 45 minutos. Fizemos os possà­veis por nos despachar e acho mesmo que batemos o nosso record. Mesmo assim só conseguimos chegar à  hora em que eles se deviam estar a ir embora. Felizmente foram muito simpáticos e aguentaram mais um bocadinho. A conversa foi curta mas o Tiago ficou assim a conhecer mais um menino quase da sua idade de quem parece ter gostado porque fartou-se de sorrir. Por mim gostei de rever a Fátima que foi uma das poucas pessoas do secundário de quem eu gostava, e espero que um dia destes dê para nos encontrarmos com mais tempo.

Eles tiveram que ir embora e nós ficámos um bocado na relva onde o Tiago esteve a praticar os seus passinhos, agarrado à  minha mão e a observar os patinhos.

Voltámos para casa, demos o almoço ao Tiago que depois foi dormir. Nós estávamos muito cansados e sem energia nenhuma por isso encomendámos uma pizza e estivemos no sofá a ver o princà­pio do I heart Huckabees que eu nunca tinha visto. É um filme estranho mas tem alguma piada.

Quando o Tiago acordou foi passear com os meus sogros para nós podermos fazer o IRS – nada como umas horinhas livres completamente lixadas pela obrigação de sermos sugados pelo estado. O Tiago voltou antes de conseguirmos acabar e ainda foi preciso estar com ele ao colo a fazer o resto, com papeis por todo o lado num escritório tão apertado e cheio de tralha que neste momento sinto que a única salvação seria pegar fogo a tudo e começar de novo.

Depois de muito investigar e agoniar, resolvi que aminha única hipotese é mesmo voltar ao design, tentando fazer as outras coisas – tradução, artesanato… – como um extra até, talvez um dia, ter hipótese de transformar essas coisas numa profissão legitima que pague as contas. O que quer dizer que vou precisar de voltar a trabalhar no PC e isso implica voltar a criar um ambiente de trabalho decente, onde eu não tenha de estar toda torta para conseguir chegar ao teclado.

No sábado à  noite, para grande sofrimento nosso, os vizinhos tinham novamente música alta a tocar e só se ouvia a mulher aos gritos. Quando fui para a cama à  meia noite achei que era demais e fui finalmente ligar para a polà­cia. Por azar, ou graças ao nosso familiar deus dos pequenos incómodos, parece que liguei mesmo à  hora da mudança de turno e por isso os polà­cias só apareceram quase uma hora depois, já a vizinha tinha acalmado um bocado e estava a preparar-se para ir para a cama. Eu expliquei a situação e os policias foram lá acima avisar a senhora que tinha de fazer menos barulho apesar de não terem ouvido nenhum, mas ela, claro, não percebe a que barulho é que se estavam a referir. Enfim. Devia ter chamado a polà­cia na noite anterior assim que a festarola começou.

Pelo menos a senhora foi avisada que se lhe forem bater à  porta outra vez por causa de barulho arrisca-se a pagar uma multa de 500 euros por isso espero que sirva de alguma coisa.  Pelo menos não bateu tanto com as portas o resto da noite nem voltou a berrar.

No domingo não nos apetecia fazer nada e o tempo não estava grande coisa para ir passear. Ficámos por casa. Eu tinha uma encomenda por acabar e até deu jeito.

De tarde os meus pais vieram cá a casa seguidos da Carla e da Elsa. O Tiago esteve assim muito entretido com as visitas até à  hora de jantar.

A noite passada foi outra vez horrà­vel, com o Tiago a acordar aos gritos à s 4 da manhã. Ele parecia tão aflito que eu fui logo ao quarto dele ver se o conseguia acalmar. Estive com ele ao colo imenso tempo e ele estava calmo mas acordado e quando tentei deitá-lo novamente recomeçou a chorar. Ao fimd e duas ou três vezes desisti e passado um bocado foi a vez do Pedro. Acabámos por ter de o deixar protestar tudo até adormecer enquanto esperávamos, sentados na nossa cama, de luz acesa, cheios de fome mas sem coragem de sair do quarto porque quando o Tiago ouve movimento ainda grita mais.

Hoje foi então outro daqueles dias em que passei o tempo a querer voltar para a cama. Mas como também é fim de mês tenho trabalho administrativo a fazer e se não começo logo nunca mais fica feito. Tratei de uma série de coisas chatas mas necessárias mas não consegui começar seguer a organizar a contabilidade do trimestre porque só posso contar com as sestas do Tiago e isso não dá para nada.

Por outro lado, a questão do desmame que me estava a preocupar resolveu-se sozinha. Na sexta feira o Tiago em vez de começar a mamar mordeu-me. Como me queixei ele começou a chorar e desde então nunca mais quiz mamar. Voltei a tentar nas duas noites seguidas e nada. Dou assim o assunto por resolvido. Pelo menos não fico com muitos sentimentos de culpa. Se ele não quer não obrigo.

É claro que  isto dele acordar a meio da noite pode ser uma consequencia da adaptação ao desmame, mas espero que seja só uma fase e que passe depressa.

Os primeiros passos – take 2

Já tentei escrever isto uma vez, no computador da sala, mas o Tiago não gostou de ser ignorado e desligou o computador (Pedro tens mesmo de desligar essa opção do botão, raios!!!)

Anyways, queria deixar registado que o Tiago deu os seus primeiros passos hoje, dia 26 de Março de 2008 pelas 15.30h.

Estava agarrado à  mesa da sala e foi-se esticando para chegar à  menha secretária, onde está um colar muito colorido a meio, e como não chegava, soltou a mão e deu dois passinhos até se conseguir agarrar à  secretária. E quando me baixei para o felicitar deu mais dois passos da secretária até mim. Fabuloso!

É nestas alturas que dava jeito ter uma máquina de filmar que funcionasse (não que eu tivesse tido tempo mas da próxima vez já estaria preparada).

Bom, tenho que ir antes que ele comece a fazer planos para o meu assassinato.

O desmame

O Tiago mamou durante um ano mas a quantidade foi decrescendo naturalmente à  medida que começou a comer sólidos, indo substituindo o leitinho por carne, peixe, papa, etc. Só sobraram duas doses diárias de maminha, uma antes da sesta da tarde e outra à  noite antes de dormir. Já há algum tempo que é mais por muma questão de conforto do que nutrição. Ajuda a acalmá-lo, adormece mais depressa e dorme mais tempo e melhor.

Só que acho que já chega e quero o meu corpo de volta. Por isso desde a segunda feira da semana passada que comecei a tentar desmamar o Tiago.

Mentira, já andava a tentar há mais tempo mas só na segunda feira passada é que consegui efectivamente retirar a mamada do dia, que era sempre antes da sesta. Devo dizer que tem sido complicado. O Tiag, que sempre foi complicado de adormecer, agora passa ainda mais tempo a chorar antes de desistir.

O ritual da sesta é sempre feito de maneira a acalmá-lo ao máximo e até é relativamente eficaz. Fecho as cortinas, deito-o ao colo, dou-lhe o ursinho e conto-lhe uma história numa voz suave. Também ponho a tocar um CD de lullabys que fica mesmo depois de eu sair do quarto. Quando ele está quase a adormecer ou percebo que o choro é de sobre-estrimulação e não vai parar, deito-o na cama. Ele rebola até ficar de lado ou de barriga para baixo, sempre agarrado ao ursinho. Mantenho-lhe a mão nas costas até se acalmar e depois saio do quarto desejando-lhe uma boa sesta. Até aqui tudo bem.

O problema é que assim que ele percebe que eu vou sair e não teve a sua dose de leitinho, começa a chorar e não se cala durante 20 minutos pelo menos. Já tentei voltar lá mas só faz pior, nalguns dias fui buscá-lo outra vez mas ele está mesmo a cair de sono e não serve de nada. Tenho mesmo que o deixar berrar a sua frustração até adormecer.

Há dias em que estar a ouvir aquele choro me causa um stress indescrità­vel. Outros dias sento-me a fazer qualquer coisa e consigo quase ignorar (enquanto vou contando o tempo, claro). Enfim. Não está a ser um processo fácil.

Num dos livros que tenho sobre bebés sugerem retirar uma mamada a cada duas semanas. Parece-me pouco. à€ noite então vai ser muito complicado e vai implicar novamente muitas noites sem dormir. Provavelmente vou ter que decrescer primeiro para dia sim dia não ou começar a tentar dar-lhe leite por um copo para ver se ele se começa a render.

Finalmente no colo

Nem acredito! Ao fim de ano e meio de viver nesta casa, depois de ter sido recolhido em bastante mau estado em Outubro de 2006, o House veio hoje pela primeira vez deitar-se no meu colo. Andava a fazer umas aproximações tà­midas há umas semanas mas nunca se tinha instalado ao colo.

Coitado. Depois de 2 anos a viver na rua, um atropelamento ou algo do estilo que lhe fracturou a anca e vir viver para uma casa com uma gata que não o pode ver sem lhe dar um tareão, o pobre bicho tem bastantes razões para não se sentir muito confiante.

Tenho feito os possà­veis para que se sinta seguro mas acho que nunca conseguirei pegá-lo ao colo sem ficar cortada à s postas. Mesmo assim isto já é um grande avanço.

– Copper kickCopper kick

– Ando um bocado viciada em fazer coisas em arame de cobre grosso. A desvantagem é que magoei o pulso, graças aos movimentos repetitivos com os alicates, e agora só posso fazer coisas mais levezinhas por uns tempos. Mas aqui ficam as peças da semana.

Aneis:

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anel_ying.jpg

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Pulseira:

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Colar:

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E mais umas coisas de feltro para descansar do cobre:

c_flores_roxo.jpg

Pregadeiras:

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pin_cogumelo.jpg

pin_flor.jpg

Brincos:

brincos_cogumelos.jpg

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Mais informações em www.stuffedsquares.comAndo um bocado viciada em fazer coisas em arame de cobre grosso. A desvantagem é que magoei o pulso, graças aos movimentos repetitivos com os alicates, e agora só posso fazer coisas mais levezinhas por uns tempos. Mas aqui ficam as peças da semana.

Aneis:

anel_espiraldupla.jpg

anel_ying.jpg

anel_cameo.jpg

anel_doubleloop.jpg

Pulseira:

pulseira_cobre.jpg

Colar:

c_cobre_loop.jpg

E mais umas coisas de feltro para descansar do cobre:

c_flores_roxo.jpg

Pregadeiras:

pin_morango.jpg

pin_cogumelo.jpg

pin_flor.jpg

Brincos:

brincos_cogumelos.jpg

brincos_morangos.jpg

Mais informações em www.stuffedsquares.com

O trepador

Apanhei hoje o Tiago a trepar para cima da minha cama. Até filmei para enviar ao Pedro. O miúdo está mesmo a desenvolver-se depressa. No sábado começou a aguentar-se em pé sem apoio e agora começou a trepar. E pelo meio aprendeu também a beber por uma palhinha o que ajudou a perceber finalmente como se bebe pela sippy-cup, que é suposto dar muito jeito porque não entorna. Pois, de facto não entorna, mas como o Tiago prefere deixar a água escorrer-lhe pelo queixo do que bebê-la, o resultado é molhado na mesma. O miúdo precisa de uma capa de chuva para beber là­quidos.

Na sexta feira aproveitámos o bom tempo para ir ao parque de manhã e ele passou o tempo a usar o pai como apoio para se por de pé e depois levantava o tronco e ficava assente apenas nos seus pezinhos. Fez isto uma série de vezes de seguida e nos dias seguintes continuou o treino. Agora vamos ver quanto tempo demora até ao primeiro passo. Prevejo cerca de um mês, que até agora tem sido o ritmo para aprendizagens anteriores. Vamos ver.

E isto deve ter mesmo coincidido com um salto de crescimento porque durante toda a semana o Tiago andou a dormir 13 horas seguidas durante a noite mais a sesta. Agora já normalizou e começou a acordar outra vez ao fim de 11 horas o que espero que me permita voltar a instituir as duas sestas diárias.

Quanto à  linguagem acho que tem vindo a progredir. Um dia destes estavamos a ver o livro dos frutos e o Tiago apontou para o desenho da banana, de dedinho espetado e disse algo muito parecido com ‘a banana’. é claro que podia ser ‘a bawawa’ ou ‘a bawana’. Não posso provar nada porque ele recusou-se a repetir e infelizmente não filmo todos os segundos da sua vida. E não consigo ser uma daquelas mães que tem a certeza que o filho disse ‘quero ir à  rua’ quanto toda a gente ouve ‘wawigua’ ou algo semelhante.

O que consigo dizer com certeza é que ele diz ‘olá’, diz ‘mamã’, especialmente quando tem fome, e por vezes ‘mamã dá’. Hoje era capaz de jurar que disse ‘mama dá papa’ quando me viu com o prato na mão, mas mais uma vez acredito que foi completamente ao acaso porque ele é muito novo para começar a fazer frases e nós geralmente ouvimos o que queremos. Mas ‘mama dá’, é muito comum. E também começou a imitar expressões que uso muitas vezes como ‘então’ e ‘até já’.

De resto gosta muito dedesligar a luz da casa de banho quando vai lavar as mãos, saindo já da casa de banho de dedinho espetado. É tão giro 🙂

Novo và­cio

Graças à  minha amiga Carla descobri finalmente uma série para substituir a cancelada Gilmore Girls.

Chama-se Men in Trees, é com a Anne Heche e não é tão cor de rosa como a Gilmore Girls e tem bastante mais sexo mas tem o mesmo ambiente de pequena cidade com uma série de personagens divertidos.

Também é comparável ao Everwood mas menos irritante e bastante mais feminina.

Vamos ver quanto tempo resiste até ser cancelada…

Acordem-me quando acabar

Estou a ter um daqueles dias de cansaço extremo que resultam em muito pouca paciência. Detesto sentir-me assim. Estou toda moà­da e cheia de dores de costas porque ontem tive que ir aos correios e depois esperar na fila nas finanças para pagar o PEC e foi preciso levar o Tiago ao colo porque aquilo é num primeiro andar só com escadas e nem tinham uma única cadeira. Como o Tiago pesa quase 10 kilos passei o resto do dia com dores de cabeça por causa da compressão dos musculos dos ombros. Enfim. Hoje ainda estou a pagar por isso mas não vejo outra solução enquanto ele não andar.

Hoje o Tiago dormiu até tarde como já vem sendo costume. Ele recusa-se a dormir as duas sestas diárias que devia para a idade dele e como fica cansado acabou por começar a dormir mais horas seguidas durante a noite e depois faz apenas uma sesta depois do almoço. Já tentei acordá-lo mais cedo e tentar voltar a instituir as duas sestas mas ele volta sempre ao mesmo esquema. Quando o ponho na cama para a primeira sesta passa o tempo todo a berrar até eu desistir e sinceramente não tenho paciencia para isso. No fundo, desde que durma o suficiente não me faz diferença a que horas é.

Eu levantei-me à s 9 e aproveitei o bocadinho damanhã para alimentar os gatos, tomar o pequeno almoço e começar a arrumar a cozinha. Mas hoje era dia de lavar roupa porque o Pedro está a ficar sem underwear e isso já não deu. Ficou para depois do pequeno almoço do Tiago. Como ele não gosta de ficar sozinho nem um segundo, mesmo conseguindo ver onde estou (porque temos uma grade na porta da sala para a cozinha) não foi uma tarefa propriamente descansada. Nunca é. E por mais tempo que passe, aquela choradeira tà­pica de chamar a atenção continua a roer-me o sistema nervoso. Será que alguma vez me vou habituar?

Como a choradeira não funcionava o Tiago começou a carregar em botões e desligou o computador da sala que estava a meio de um download. Agarrei nele e fui mete-lo na cama para poder acabar as tarefas domésticas em paz. Ele ficou alegremente e nem chorou. Só quando voltei a po-lo no chão e tive que regressar à  cozinha é que começou a choramingar outra vez.

Por um lado isto é bom sinal. Quer dizer que considera a cama um sí­tio seguro e já não se aborrece de estar lá. Também quer dizer que vou ter de montar o parque para poder ter uma zona segura onde o por quando preciso de fazer qualquer coisa ou quanto tiver que o por de castigo, algo que tem de começar brevemente porque ele entrou definitivamente na fase de fazer coisas que sabe que não deve só para ver até onde consegue safar-se.

O que me deixa muito cansada. Detesto passar o dia a dizer não enquanto ele me ignora alegremente, detesto ter de começar a instituir o time-out 20 vezes por dia mas sei que tem de ser. Só que saber que os próximos dois anos só vão piorar e que a disciplina depende de mim quando no fundo só me apetece deitar no chão, fechar os olhos e deixá-lo fazer o que quiser, vai ser complicado.

E não ajuda o facto de estar a tentar resolver a minha vida profissional, tendo de actualizar o curriculo, resolver questões penduradas da nitro, deicdir se invisto apenas numa área ou se tento várias vertentes e depois se vê. Tudo isto está a fazer com que o tempo das sestas seja passado ao computador a fazer pesquisa e a tomar notas em vez de ser passado calmamente a fazer os meus colares que era a minha terapia ocupacional – algo que me ajudava a fazer reset, acabar com o stress e preparar-me para o round 2. Sem isso começo a ficar cada vez mais cansada e irritável mas ao mesmo tempo sei que tem de ser feito.

É o problema do costume. Eu demoro tempo mas eventualmente chego a uma decisão. E depois da decisão consigo ver a coisas a funcionar. Mas o processo entre uma coisa e outra é sempre uma tortura. No fundo gostava de poder adormecer e só acordar quando estivesse tudo feito. Mas como tenho de ser eu a dar os passos intermédios não pode ser nada. Seca.

É um bocado como a aprendizagem do Tiago. Está agora a aprender a usar a colher para comer mas por enquanto limita-se a abaná-la dentro do prato sem conseguir agarrar em comida. É um passo importante mas frustrante. Só que sem esses passos não se aprende.

Ainda sobre os progressos do Tiago, hoje tentou pela primeira vez por um cubo em cima de outro. Continua a preferir destruir as torres mas se já começa a tentar reconstruà­-las não é mau. Mais um processo que vai demorar meses mas que pelo menos sei como vai acabar. As minhas tentativas, porém, podem resultar num enorme fracasso e tempo e energia desperdiçados. Mas como nunca se sabe de antemão, é sempre preciso tentar (agora se eu conseguisse verdadeiramente acreditar no que acabei de dizer aposto que correria tudo lindamente).

O primeiro risco

O Pedro comprou lápis de cera para o Tiago. Depois de algum esforço consegui finalmente que ele parasse de roer ou atirar ao chão os lápis e percebesse para que servem. Com o papel no chão não serviu de nada e nem ligava ao que eu estava a fazer. Foi preciso sentá-lo ao meu colo para ele prestrar atenção e começar a fazer o movimento de riscar com o braço. Acabou por por umas linhas no papel, se bem que ainda muito timidamente. É um skill completamente novo e vai demorar. O que eu gostava era de conseguir que ele percebesse que é divertido, mesmo que isso implique riscos no chão e nas paredes. Vamos ver como evolui.

É claro que passado um bocado dei com o Tiago a comer alegremente um dos lápis de cera como se estivesse cheio de fome. E era suposto estes serem mais dificeis de comer mas nada pára aqueles dentinhos. Tive que lhe limpar o interior da boca com um lenço de papel, algo que ele adorou, como se pode imaginar. Entre os gatos e o Tiago já não há nada sem marcas de dentes cá em casa.

Reunião de condomà­nio

Já me queixei muitas vezes dos vizinhos de cima, especialmente da mulher que é uma histérica. Ora na noite de domingo para segunda voltou a ter uma das suas crises de gritaria à  uma da manhã. Eu já estava na cama e demasiado cansada para me chatear muito com o assunto, mas o Pedro que tem vindo a ficar cada vez mais furioso com a situação foi finalmente lá acima bater à  porta a ver se conseguia convencer a mulher a calar-se para podermos dormir. O resultado foi ser insultado de todas as maneiras possà­veis e por a gaja ainda mais histérica, isto sem sequer lhe ter dirigido uma única palavra porque a mulher nem abriu a porta – foi a correr até à  porta, desatou a berrar insultos que ecoaram pela escada mesmo através da porta, e retomou a gritaria com as filhas logo a seguir. Eu acho que numa situação destas provavelmente ficava tão irritada que desatava aos pontapés à  porta ou voltava a casa para ir buscar uma faca de cozinha just in case, mas o Pedro passa o tempo a insistir que não é boa ideia porque não quer ter de criar o Tiago sozinho. Oh well.

No dia 13, quando voltámos do jantar de aniversário do meu irmão, estava a decorrer a reunião de condomà­nio do prédio. Por isso o Pedro subiu com o Tiago e foi dar-lhe o banho e eu fiquei. Foi decidido finalmente avançar com a impermeabilização do prédio para ver se se acabam as infiltrações e no final, quando perguntam se há mais alguma coisa a acrescentar, começou toda a gente a falar dos vizinhos do 9º andar. Fiquei muito feliz por descobrir que não sou a única pessoa do prédio com raiva a estes gajos. Aparentemente, para além de serem barulhentos, está toda a gente farta dos pequenos actos de vandalismos que as miúdas  (gémeas adolescentes) gostam de cometer e pior ainda, a mulher atira comida pela janela. Eu pensava que era por sacudir a toalha depois das refeições mas aparentemente é mais que isso porque estiveram a descrever, entre outras coisas, uma vez em qua atirou um saco cheio de arroz cozido, que acabou por rebentar quando atingiu uma árvore, bombardeando o carro que estava por baixo. Isto juntamente com pessoas fartas de ter a sua roupa lavada atingida por bocados de esparguete e molho de tomate é mais do que suficiente para os aldeões irem buscar as tochas (onde será que se arranjam tochas hoje em dia?).

Mas pronto, o administrador comentou que não pode ensinar civismo a ninguém, e claro que tem razão, mas ficou de falar com o dono do apartamento sempre que lhe chegar uma queixa, o que já não é mau.

Agora resta saber se aquela coisa de eles se irem mudar sempre era verdade porque o Pedro todos os dias fala em mudar de casa para fugir a estas bestinhas.