Acordem-me quando acabar

Estou a ter um daqueles dias de cansaço extremo que resultam em muito pouca paciência. Detesto sentir-me assim. Estou toda moída e cheia de dores de costas porque ontem tive que ir aos correios e depois esperar na fila nas finanças para pagar o PEC e foi preciso levar o Tiago ao colo porque aquilo é num primeiro andar só com escadas e nem tinham uma única cadeira. Como o Tiago pesa quase 10 kilos passei o resto do dia com dores de cabeça por causa da compressão dos musculos dos ombros. Enfim. Hoje ainda estou a pagar por isso mas não vejo outra solução enquanto ele não andar.

Hoje o Tiago dormiu até tarde como já vem sendo costume. Ele recusa-se a dormir as duas sestas diárias que devia para a idade dele e como fica cansado acabou por começar a dormir mais horas seguidas durante a noite e depois faz apenas uma sesta depois do almoço. Já tentei acordá-lo mais cedo e tentar voltar a instituir as duas sestas mas ele volta sempre ao mesmo esquema. Quando o ponho na cama para a primeira sesta passa o tempo todo a berrar até eu desistir e sinceramente não tenho paciencia para isso. No fundo, desde que durma o suficiente não me faz diferença a que horas é.

Eu levantei-me às 9 e aproveitei o bocadinho damanhã para alimentar os gatos, tomar o pequeno almoço e começar a arrumar a cozinha. Mas hoje era dia de lavar roupa porque o Pedro está a ficar sem underwear e isso já não deu. Ficou para depois do pequeno almoço do Tiago. Como ele não gosta de ficar sozinho nem um segundo, mesmo conseguindo ver onde estou (porque temos uma grade na porta da sala para a cozinha) não foi uma tarefa propriamente descansada. Nunca é. E por mais tempo que passe, aquela choradeira típica de chamar a atenção continua a roer-me o sistema nervoso. Será que alguma vez me vou habituar?

Como a choradeira não funcionava o Tiago começou a carregar em botões e desligou o computador da sala que estava a meio de um download. Agarrei nele e fui mete-lo na cama para poder acabar as tarefas domésticas em paz. Ele ficou alegremente e nem chorou. Só quando voltei a po-lo no chão e tive que regressar à cozinha é que começou a choramingar outra vez.

Por um lado isto é bom sinal. Quer dizer que considera a cama um sítio seguro e já não se aborrece de estar lá. Também quer dizer que vou ter de montar o parque para poder ter uma zona segura onde o por quando preciso de fazer qualquer coisa ou quanto tiver que o por de castigo, algo que tem de começar brevemente porque ele entrou definitivamente na fase de fazer coisas que sabe que não deve só para ver até onde consegue safar-se.

O que me deixa muito cansada. Detesto passar o dia a dizer não enquanto ele me ignora alegremente, detesto ter de começar a instituir o time-out 20 vezes por dia mas sei que tem de ser. Só que saber que os próximos dois anos só vão piorar e que a disciplina depende de mim quando no fundo só me apetece deitar no chão, fechar os olhos e deixá-lo fazer o que quiser, vai ser complicado.

E não ajuda o facto de estar a tentar resolver a minha vida profissional, tendo de actualizar o curriculo, resolver questões penduradas da nitro, deicdir se invisto apenas numa área ou se tento várias vertentes e depois se vê. Tudo isto está a fazer com que o tempo das sestas seja passado ao computador a fazer pesquisa e a tomar notas em vez de ser passado calmamente a fazer os meus colares que era a minha terapia ocupacional – algo que me ajudava a fazer reset, acabar com o stress e preparar-me para o round 2. Sem isso começo a ficar cada vez mais cansada e irritável mas ao mesmo tempo sei que tem de ser feito.

É o problema do costume. Eu demoro tempo mas eventualmente chego a uma decisão. E depois da decisão consigo ver a coisas a funcionar. Mas o processo entre uma coisa e outra é sempre uma tortura. No fundo gostava de poder adormecer e só acordar quando estivesse tudo feito. Mas como tenho de ser eu a dar os passos intermédios não pode ser nada. Seca.

É um bocado como a aprendizagem do Tiago. Está agora a aprender a usar a colher para comer mas por enquanto limita-se a abaná-la dentro do prato sem conseguir agarrar em comida. É um passo importante mas frustrante. Só que sem esses passos não se aprende.

Ainda sobre os progressos do Tiago, hoje tentou pela primeira vez por um cubo em cima de outro. Continua a preferir destruir as torres mas se já começa a tentar reconstruí-las não é mau. Mais um processo que vai demorar meses mas que pelo menos sei como vai acabar. As minhas tentativas, porém, podem resultar num enorme fracasso e tempo e energia desperdiçados. Mas como nunca se sabe de antemão, é sempre preciso tentar (agora se eu conseguisse verdadeiramente acreditar no que acabei de dizer aposto que correria tudo lindamente).

6 Comment

  1. Olá… já há algum tempo que visito o http://www.dee-dee.net mas a propósito do que referiu acerca da dor de costas por causa de andar com o Tiago ao colo, lembrei-me de sugerir a utilização de um sling (como os da Rosa Pomar) – toda a gente diz maravilhas… é capaz de ajudar.

    Beijinhos,
    Joana.

  2. Eu tenho um canguru para transportar o Tiago e quando ele era mais pequeno usava um sling para ele poder ir deitado a dormir mas o problema agora é mesmo o peso. É que mesmo essas coisas só vão até aos 12 kilos. Não há muito a fazer.

  3. Olá Dee… sabes que cada vez mais me apercebo que nós como mães, donas de casa e trabalhadoras independentes tudo ao mesmo tempo e no mesmo espaço físico, deveriamos MESMO receber um belo ordenado!!!
    Às vezes o cansaço e a frustração de não conseguir fazer praticamente nada durante um dia inteiro, ou de andar a fazer tudo aos bochechos é de deixar os nervos em franja. Compreendo-te perfeitamente e já vi que não estou sozinha neste processo. Creio que consegues estar até um bocadito pior, porque agora começas a adicionar à mãe, dona de casa e trabalhadora… também a educadora. Caramba quando é que este país acorda e cria verdadeiras políticas de natalidade e de apoio à maternidade???
    Beijinhos cúmplices

  4. Pois… em relação ao peso não há nada a fazer, não é mesmo?! 🙂

    Beijinhos,
    Joana.

  5. obrigada por escreveres um blog de bébés “real”, mencionando as dificuldades…o cansaço,etc….os outros são tão “cor de rosa” que me sinto deprimida depois de os ler, penso “serei só eu que acho isto tão duro'” 🙂

  6. Grávidas e pessoas com bebés de colo tem prioridade em locais de atendimento público, independentemente de terem dístico visível.
    Há dias, também esperava na fila dos correios e o sengor, do balcão chamou-me para me atender antes.
    Na segurança social já tinha utilizado a prioridade porque tem um dístico bem visivel mas nos correios não me tinha lembrado. Nas finanças as regras devem ser iguais.

    Temos tão poucas “regalias” que devemos usar aquelas a que temos direito 🙂

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