A 2 dias de ir para a escola

Esta semana fiquei verdadeiramente espantada ao aperceber-me do que o Tiago já compreende. Há poucos dias ainda ficava a olhar para mim quando lhe dizia certas coisas e de repente pergunto-lhe se ele sabe onde está o outro sapato e ele vai buscá-lo. Ou seja, não só já compreende o significado da frase – em vez de apenas uma ou outra palavra ocasional – como está a tornar-se bastante mais cooperante. Dou com ele a arrumar os brinquedos no balde que tem para o efeito e a por os livros de volta na estante, na prateleira correcta.

Ontem fiquei ainda mais espantada: ele estava a brincar com o meu relógio pondo-o dentro do barco de brincar. Quando se fartou da brincadeira foi arrumar o barco no balde dos brinquedos. Eu disse-lhe ‘então Tiago, se já não queres o relógio podes dar-me-o de volta’. Ele foi buscar o barco, tirou o relógio e veio entregar-mo. Para um miúdo que não diz uma palavra não esperava tanto.

Hoje passei o dia a imprimir fotos do Tiago. Apercebi-me que o album dele parou nos 3 meses – é o que o Pedro diz: dá para perceber quando é que ele começou verdadeiramente a dar trabalho que eu deixei de ter tempo para fazer coisas como albuns de fotos 🙂

Como tinha que imprimir fotos dele para a escola – fotos tipo passe, etc – aproveitei e escolhi mais umas quantas. Demorou mesmo o dia inteiro a imprimir – a ‘torradeira’ da epson faz fotos com boa qualidade mas demora uma eternidade a imprimir cada uma. Desta vez dei-me ao trabalho de escrever a data de cada foto para ser mais facil fazer o album depois (um dia destes, quem sabe, quando tiver tempo).

Entretanto já tenho a mochila do Tiago pronta ir para a escola na segunda feira. Estava a pensar deixá-lo lá e ir ao cabeleireiro para não vir para casa roer as unhas o resto da manhã mas não sei se consigo. Estou desesperadamente a precisar de cortar o cabelo e fazer qualquer coisa para disfarçar o look bicolor de quem não pinta há mais de 6 meses mas já sei que me ponho a pensar ‘então e se corre alguma coisa mal e me ligam para ir lá buscá-lo e não estou despachada?’. Sei que isso não vai acontecer mas não conseguiria estar à  vontade.

Nestas últimas duas semanas tenho andado mesmo muito ansiosa e um bocado deprimida por causa do infantário. Imagino aquele primeiro dia em que tenho de o deixar a chorar e ir-me embora e estive quase a desistir. Passei noites sem dormir e tenho por vezes a sensação completamente irracional de que quando o deixar lá nunca mais o volto a ver. Esta altura do ano já não é fácil para mim há uns anos e como agora tenho mais uma fonte de inquietação, os sentimentos acabam por se misturar todos resultando em ligações absurdas mas perturbantes. Da mesma forma como não consigo pensar no parto do Tiago sem pensar no parto do Alex agora também sinto que estou a ‘perder’ o Tiago na mesma altura do ano em que perdi o Alex. É uma coincidencia infeliz, esta sobreposição de datas a marcar uma nova etapa e mudança inevitável na nossa vida.

Com tudo isto vem também a ansiedade relacionada com o trabalho, com a pressão extra de ter agora que arranjar mais trabalho que compense o facto de continuar em casa. Eu até me farto de trabalhar só que infelizmente não é o tipo de trabalho que dê grandes contrapartidas financeiras. Mas se tiver que arranjar um emprego convencional o Tiago vai ter de ficar no infantário 12 horas por dia ou mais e eu passo de acompanhá-lo todo o dia a limitar-me a levantá-lo de manhã e deitá-lo à  noite. Sei que temos de fazer muita coisa pelo dinheiro mas ficarei verdadeiramente deprimida se for obrigada a tomar uma decisão com este tipo de limitações. O Tiago é a minha primeira prioridade e eu quero acompanhar o seu crescimento. É egoà­sta, talvez, e sinto-me mal por ser o Pedro a carregar a maior parte da responsabilidade financeira da famà­lia. É um dilema que espero conseguir resolver brevemente sem ter de abdicar completamente de estar presente na vida do meu filho.

Musicas infernais

Como o Tiago já conhece de cor os episódios do Pocoyo que tem cá em casa comecei a gravar episódios do Ruca para ele ver. Infelizmente este programa infantil tem uma daquelas músicas que se entranham no cérebro e nunca mais nos largam levando-nos lentamente à  loucura. Diáriamente, em todos aqueles momentos do dia em que estou a fazer coisas automáticas e não preciso de pensar como no banho ou a preparar o almoço do Tiago, dou comigo a cantarolar mentalmente aquela música infernal. Logo agora que já me tinha livrado da praga anterior que eram as músicas dos ratinhos do Baby First – não há nada pior do que estar a entrar para o carro e começar a pensar ‘a sailor went to sea to see…’

Não sei porque é que é tão mau quando não nos conseguimos livrar de uma praga musical mas para mim é muio mas muito irritante. Acho que as piores são as músicas com letra porque tenho uma grande facilidade em memorizar as palavras (especialmente destas músicas infantis que são muito simples) e daà­ para a frente preciso de me obrigar constantemente a pensar noutra música para tentar quebrar o feitiço. A minha música de eleição para este efeito é a mesma há muitos anos: Here in my head da Tori Amos – achei que era apropriada 🙂

Enfim. Fiquei sem grande vontade de continuar a deixar o Tiago ver o Ruca. Pelo menos a música do Pocoyo não me assombra os miolos apesar de a ouvir constantemente.

Dr Horrible

Consegui finalmente ver o filme do Dr Horrible’s sing-along blog. No site oficial o video só está disponà­vel para quem viver nos US mas felizmente uma alma caridosa colocou os videos no youtube.

Para quem não sabe, o Dr Horrible é um pequeno filme em 3 actos escrito e realizado pelo Joss Whedon, criador da Buffy the Vampire Slayer. O filme é um músical feito exclusivamente para a internet como forma de mostrar que se podem fazer coisas com piada com um baixo orçamento. É sobre um geek que se auto-intitula Dr Horrible e que quer, obviamente, dominar o mundo. As músicas são muito na linha do episódio musical da Buffy e o filme tem bastante sentido de humor à  mistura.

A história é tà­picamente Joss Whedon, com um lado romantico, um herói irritante e um final tipicamente “you should be careful what you wish for”. O personagem do Dr Horrible tem muito em comum com o trio maléfico da Buffy e a menina tem bastantes parecenças com a Willow original – tà­mida, ruiva e com uma vozinha nasalada.

Se fosse uma série de televisão eu via. Aliás, já estou à  tanto tempo à  espera de algo do género que fiquei com apetite para mais.
Estou à  espera da nova série do Joss Whedon, Dollhouse, mas pela descrição e o trailer não estou convencida. É claro que as séries do Joss Whedon nunca são ‘good on paper’ – uma menina loura que caça vampiros? Um vampiro detective? Um western no espaço? Só por isso nunca teria visto nenhuma delas.
Espero então que o humor que caracteriza as outras séries do Whedon tenha lugar nesta senão pode ser uma seca (especialmente porque não acho grande piada à  Eliza Dushku como atriz. Acho que é pouco versátil. Faz sempre a mesma coisa). Mas pronto. Como sempre é preciso esperar para ver.

Furiosa

O Tiago aprendeu a subir para o carrinho de passeio quando quer ir à  rua. Quando fez isso esta tarde eu agarrei na bola e levei-o ao campo de jogos que existe aqui perto. Ele estava feliz da vida a correr de um lado para o outro quando senti uma dor no braço esquerdo. Olhei para o chão, onde o objecto que me tinha atingido caiu e vi que era uma daquelas pilhas ciculares achatadas do tamanho de uma moeda de euro. Olhei para cima e vi que o projéctil só podia ter vindo de um grupo de miúdos de uns 10-12 anos que estava sentado na praceta que fica acima do campo. Aliás, eles nem tentaram disfarçar já que estavam a olhar e a rir-se.

Fiquei imediatamente furiosa e pronta a atacar. Afinal podiam ter acertado no Tiago o que seria suficiente para eu lhes arrancar os bracinhos.

Agarrei no Tiago e fui ter com eles. Perguntei quem tinha atirado aquilo e, como em qualquer grupo a reacção foi ‘não fomos nós’. Um deles ainda começou ‘se calhar foi de um dos prédios’. Eu estava cada vez mais irritada mas com o Tiago nos braços não podia fazer nada, o que só serviu para aumentar a minha irritação. Fui-me embora com algumas ameaças vagas sobre chamar a polà­cia e como estavam a fazer um excelente treino para criminosos – patético, eu sei – e regressei a casa com visões de voltar lá com o nosso taco de softball ou algo pior.

Para me acalmar liguei ao Pedro. Não ajudou muito mas deu-me tempo para cimentar a noção de que nestes casos não há mesmo nada a fazer. Eles são menores e por mais que se comportem como bestas se eu fizer alguma coisa o problema será sempre meu e não deles.

A única coisa que poderia tentar fazer era descobrir quem é que são os pais deles, mas como é obvio isso não é tarefa fácil e de qualquer forma não iria resolver grande coisa.

Eu sei que é normal as crianças portares-se mal, especialmente em grupo. Mas eu que sempre fui và­tima de perseguição de grupos destes não consigo deixar de sentir que em algum ponto da minha vida deveria ganhar o direito de começar a defender-me ou a vingar-me de ataques directos. É incompreensà­vel ter de aceitar, engolir e não fazer nada porque ‘são crianças’. A verdade é que se me tivessem acertado num olho ou na cabeça do Tiago podiam ter feitop estragos graves e nem sequer pensam nisso. Limitam-se a rir e a continuar o seu dia como se nada fosse.

E eu fico aqui a fritar com o impulso de voltar lá abaixo a cada 10 segundos, como se ganhasse alguma coisa com isso. Só espero que os miúdos apanhem montes de porrada em casa mas provavelmente nem isso. O mundo é injusto.

Toda partida

Eu e o Pedro continuamos a fazer exercí­cio. Ontem cumpri o programa todo: meia hora a fazer abdominais e exercí­cios com pesos e meia hora de passadeira com variações de velocidade e inclinação.

Hoje sinto-me toda dorida. O Pedro diz que isso quer dizer que estamos a fazer alguma coisa bem mas a verdade é que me tira um bocado a energia necessária para brincar à  apanhada com o Tiago 🙂

Enfim. Há-de passar.

Odeio telemarketing

Estava eu a fazer o almoço quando toca o telemóvel de trabalho. Fui atender porque podia ser um cliente e apanhei, mais uma vez, uma senhora da optimus a tentar vender os seus serviços.

Já estou farta destes gajos todos. É sempre um ‘private number’, muitas vezes nem se identificam no inicio da conversa forçando-me a ter de perguntar quem fala e recusam-se a deixar-me em paz quando respondo que não estou interessada em mudar de serviço. A gaja de hoje é uma daquelas que não vai demorar muito neste tipo de trabalho. Insistiu dizendo que o nome que tinha para o ‘responsável pelas telecomunicações’ não era eu (insinuando portanto que eu não tinha qualquer espécie de poder para decidir sobre o assunto) e quando eu dei a volta à  questão já bastante escamada, ela ainda estava a tentar seguir o guião e perguntar porque é que não queria mudar de serviço. Respondi que tinha mais que fazer, para pararem de me ligar e para retirarem o meu número da lista. Teve a lata de responder que ‘como eu podia imaginar não era ela que me tinha ligado antes’, como se eu tivesse alguma obrigação de conhecer como funciona o sistema interno de marketing da empresa onde ela trabalha. Ainda respondi que não queria saber e pedi novamente para tirarem o número da lista e ela desligou-me o telefone a meio da frase.

Neste momento quase que anseio que me voltem a ligar porque vão ter uma surpresa desagradável. Sei que da próxima vez não será a mesma pessoa mas uma vitima inocente mas não quero saber.

A verdade é que estão a ligar para o meu telemóvel pessoal com a convicção de que é um telemóvel de uma empresa e por isso estão a tentar vender uma ‘solução empresarial’. Só que o telefone foi comprado por mim, as chamadas são pagas por mim e não pela empresa. Só que, como entretanto tenho outro telefone, aquele ficou apenas para tratar de questões profissionais – é o número que dou aos clientes para quando é preciso contactar-me.

Sendo assim, ligarem para o meu telemóvel a pedir para falar com outra pessoa é completamente absurdo. E virem incomodar-me na minha hora de almoço e depois ficarem muito chateados quando os mando passear – de uma forma talvez um pouco irritada mas nunca insultuosa apesar de me apetecer bastante à s vezes – é inadmissà­vel.

Com tudo isto tenho o almoço frio, já tive que vir baixar o volume do telefone para não correr o risco de acordar o Tiago quando toca e fiquei com uma grande vontade de bater em alguém.

Acho que telemarketing devia ser ilegal e devia poder processar as empresas que me incomodam com essa prática ilicita, incómoda e de violação de privacidade já que nunca lhes dei o meu número nem os conheço de lado nenhum para me andarem a ligar de dois em dois dias. No mà­nimo tinham a obrigação de me pagar um almoço.

– creativity, copyright, inspiration and design theft

– I have a college degree in communication design which basically means I’ve studied and have had an interest in the visual arts for most of my life. And for as long as I can remember, whenever the students were supposed to do any creative work, there was always someone talking about how wrong it was to copy and how much better it was to be creative and original. Now, I don’t think anyone will disagree with that statement except for one small detail: in order to have the technique and experience required to create your own work you first need to study and indeed copy other people’s work as part of the learning process. If that wasn’t true, tutorials wouldn’t be such a large business.

Where I draw the line (and everyone else should too) is when someone then decides to sell this copy. It’s one thing to copy as a learning tool but to profit from someone else’s work, design, whatever, without permission is obviously wrong.

Now that that little disclaimer is out of the way, let me carry on with the point.

So the point is that we are all inspired and influenced by what we see. To believe you can live in a vacuum and that everything you do is going to be completely original is just fooling yourself.

I believe that copying – and this can be done by following instructions, such as tutorials or lessons, or by trying to figure out a technique by replicating something you like – is part of the learning process. But unfortunately, not a lot of people will tell you this, preferring instead to make you believe that creativity is something that you either have or you don’t have, even tell you that it can’t be taught.

Personally I think that’s bullshit. You can learn almost anything you decide to learn if you take the time to practice and have the necessary drive to succeed. A large part of any art form is technique and most of the techniques used in jewellery making have been around for centuries.

And sure, some people have the ‘inspiration’ to take that technique and make something wonderful and some people simply become skilled at the technical side but not artists in the true sense of the word. Still, when you look at it like that, not everyone can become a top surgeon, lawyer or plumber either, no matter how much you study. It doesn’t mean they can’t learn the basics though.

People have certain areas of vocation or preference that lead them down their path, but when it comes to art a lot of people stop before they even try because there’s so much mysticism about artistic ability. There’s talk of ‘muses’ and ‘divine inspiration’ which, in my opinion, takes a lot away from all the hard work the artists actually go through.

Sure, when you come up with a certain design, song, whatever, it’s hard to explain how it came to you. It can be something you dreamt, it can come to you in a flash when you look at something or it can be something you were working on for ages but only comes together when you finally figure out the missing piece. And so, because we don’t really know how our brain works, the words used to describe the process always fail to do it properly and end up sounding religious or new-agey.

But I digress. What I meant to talk about is the controversy regarding copies of other people’s work. I started off by stating that in order to learn a certain craft or artistic technique you shouldn’t be afraid to copy. Usually there is someone whose work you admire and you try and see if you can draw, paint, sculpt, play, write, whatever, just like them.

But some people, in all artistic fields, go so far as to state that if you make any derivative work – work based or inspired by someone else – you shouldn’t even show it to anyone. Really? Not even show it? Just hide it in a drawer like it’s your own personal shame? Come on! The design may not be yours but you made it, with your hands and your technical skill and it’s natural to be proud of it and want to show it off. Are you also going to tell your 6 year old son he can’t draw superman because it’s copyrighted? Somehow I doubt that very much.

In fact, drawing is a good example of of what I’m saying. Some of the best illustrators working today were kids who started off trying to copy their favorite comics and learned to draw in the process. They have also, in time, developed their own styles, sometimes precisely because there were certain things they could not copy exactly or could never quite figure out how to do, and they had to come up with a solution that worked for them.

This is where creativity finally comes into play. It’s a long process and it needs dedication and persistence to pay off. But until you go through the learning process for a long time only very few people manage to develop their own style and create something fairly original. I’m not saying it can’t be done but it’s more the exception than the rule.

To try and make something completely original the first time around generally results in disappointing work and is one of the frustrations that lead many people to give up before they had time to develop their craft properly.

If you don’t believe me, brush up on your art history. Historically speaking, artists would start as apprentices to a master who would teach them to draw or paint, like he did. The apprentices would copy the master’s style sometimes to a point where it would be difficult to tell exactly who had done the work.

Later we have artistic movements where the style of each artist is different but they have common elements and the artists influence each other (think cubism, impressionism, etc).

Today it’s very difficult to come up with something new. Every time some artistic ‘innovation’ is talked about, if you look at it from a critical point of view you are forced to admit that it consists on taking elements from the past and mixing them up in a different way. It’s how you mix them that’s creative and new.

When you talk about a field like jewellery, in which certain ergonomic rules apply and give you limited parameters in which to conduct your work if it’s to remain wearable, this question of originality becomes very difficult indeed, unless you’re an established artist. Unless someone uses the exact same design of an elaborate piece, it’s probably very difficult to claim ownership of the design. I guess it just comes down to who can prove they did it first, but even two people who’ve never seen each other’s work can come up with very similar designs, especially if they are simple ones.

Once in a while someone may come along and steal designs to make a quick profit and have no interest in artistic integrity. This is wrong and I don’t condone it. No one should. Even if your work is merely inspired by someone else’s you should mention your influences and your teachers. Visual and musical artists do this, so why should jewellery be exempt?

But in certain areas, like wire wrapping, I see people butting heads all the time and refusing to teach technique because that would give someone the tools to copy a design or because they make a living selling tutorials so anyone teaching something for free is a threat. It feels like calling everyone a criminal before they even had the chance to think about whether or not they would ever commit a crime and people get caught up in petty, demeaning arguments.

There’s certainly lots of forgeries about in today’s markets, from fake designer clothes and bags to bootleg CDs and DVDs. There’s also people drawing Snoopy, Hello Kitty, etc, which are recognisable and copyrighted characters without permission and that is a clear copy and copyright violation – actually I was recently asked to make polymer clay pins shaped as the heads of Noddy or Bob the Builder and refused because it would be copyright infringement, but I’m not sure the person who asked for the pins even thought about that.

I recently found a curious case. Because I have a small child, I became reacquainted with certain cartoon characters like Musti the cat and then Miffy the bunny. I couldn’t help but notice how similar the two characters were, to the point where I thought they must surely be drawn by the same person. They’re not. Not only that but after doing a quick search on the internet I could find hardly any mention linking the two and none noticing the similarities between them. If such a thing is possible and not even questioned, then how is anyone able to claim a certainty that someone else’s work is based on their own unless they have several items that look exactly like yours?

The bottom line is that people are afraid that someone will come along, steal their designs and make a lot of money selling them while the original designer gets nothing. They probably don’t mind if they inspire someone else, but everyone needs to make a living, and unfortunately you always have to watch your back and try to get ahead of the competition, especially those who prefer to copy exactly what is already done rather than have to think about how to make a certain technique or piece their own.

This fear reduces the will to share experience and knowledge that would benefit people who have a sincere wish to learn and to develop their own skills and creativity.

I have learned from books, tutorials and teachers and I acknowledge them whenever I can. I won’t, however, lose sleep over whether or not a certain piece I make reminds me of this or that artist because my goal is to create my style, not be stuck making the same as other people. I try out things to see what I like, discard what I don’t, pair what I learned with something else I come up with and build my knowledge in technique and design with each piece, always striving to do better. So should everyone.

Just take it one step at a time, don’t try to take credit for something you know you didn’t create, give credit to your teachers but feel free to explore without fear because that’s where the spark of creativity comes from.

Visita ao infantário

Esta tarde levei o Tiago a fazer uma visita ao seu futuro infantário. Precisava de ir buscar a lista dos materiais que preciso de comprar e tinham-me dito que era boa ideia levá-lo a passar uns minutos umas quantas vezes antes de começar a ir a manhã ou o dia inteiro em Setembro.

Deram-me a lista de material e por sorte estava na secretaria a educadora que vai ficar com o Tiago e aproveitei para falar com ela. Ela acha que mais vale levá-lo no primeiro dia e pronto e que ir aumentando o tempo aos bocadinhos não adianta nada em termos de habituação. É obvio que há opiniões diferentes no que diz respeito a estas coisas mas como ela é que vai tratar do miúdo resolvi aceitar a sua opinião.

De qualquer forma, antes de sair, resolvi levar o Tiago à  sala onde vai ficar. Ele nem sequer queria ir para o chão apesar dos outros miúdos se mostrarem muito simpáticos – uma menina foi logo buscar um triciclo para o Tiago e tudo. A educadora conseguiu interessá-lo por uma bola, que é o brinquedo preferido do momento e ele lá andou com a bola na mão durante um bocado, mas sempre a choramingar e a tentar voltar para o colo. Percebi que de facto comigo lá não vale a pena e deixá-lo cinco minutos e voltar parece ser apenas um exercí­cio cruel sem grande resultado prático. Suponho que o primeiro dia será um choque mas ficou combinado que se ele não parar de chorar me avisam e depois logo se vê.

Tudo isto fez-me lembrar o tempo que eu passei no infantário, mais precisamente no externato Frei Luis de Sousa. Acho que até gostava de lá andar mas a memória mais và­vida que tenho é do dia em que a minha mãe se atrasou de tal forma que eu e o meu irmão fomos transferidos para o refeitório do liceu porque era a única parte da escola que ainda tinha funcionários porque o pessoal do infantário já tinha saà­do todo. O refeitório estava aberto porque serviam jantar na parte do liceu. O meu irmão, que devia ter 3 anos, estava muito calmo mas eu, que teria 4 ou 5, à  medida que o tempo passava fui ficando cada vez mais convencida que tinhamos sido abandonados e nunca mais voltaria a ver os meus pais. Por um lado é uma memória boa porque pode ser que me impeça de fazer o mesmo ao Tiago.

Cá por casa temos brincado principalmente a fazer torres de cubos. O Tiago gosta de empilhar os 6 cubos, por vezes ainda põe um copinho ou uma cabeça de urso no topo e depois deita tudo ao chão e começa outra vez. Está a tornar-se mais colaborativo e já ouve quando eu aponto e digo onde é que está um dos cubos e ele vai buscar.

As refeições continuam uns dias bem e uns dias mal. Hoje por exemplo não comeu nada ao almoço por isso fui forçada a dar-lhe a sopa e o peixe ao lanche.

E preciso de escrever isto porque o Pedro pode não se lembrar de passar o video para o computador durante uns tempos: a música favorita do Tiago neste momento é o March of the pigs dos NIN. Cada vez que ouve a música começa a dançar frenéticamente. É absolutamente fantástico de ver. Será que foi por ter ido ao concerto dentro da minha barriga?

Feeling blue

Recently I woke up in the middle of the night thinking, once again, about all the time I spent in the hospital for both deliveries. The more I thought the more upset I got and I just couldn’t let it go. The feeling those thoughts have left behind has tainted my mood for the past couple of days. On top of that I’m concerned about how my kid will respond to going to kindergarten, knowing I should start taking him this very week for short periods of time so he can adjust better. It will be a big change but I believe he will adjust.

My anxiety comes mostly from my own childhood memories and the fact that I wish to protect him from some of the things I went through. I probably can’t but that desperate need to try has been making me feel very protective and a bit depressed.

I began thinking about all the times in my life where I felt lost, bullied, alone, an outcast and also some occasions where my parents – especially my mother (since mothers are always more involved in the upbringing and so have lots more chances to screw up) – made mistakes that have left severe scars that have conditioned unhealthy behavior and created fear and distrust.

It’s not their fault, really. I’m perfectly aware they never meant anything bad by any of it and most of the time their goal was to try and protect me from getting hurt, but sometimes it’s better not to interfere. Only as a parent, it’s really difficult to know when you should take a back seat and let your kids figure it out on their own no matter how much it hurts.

From my past experience as a daughter I want to try and save my child from physical pain whenever possible but am hoping I’ve learned enough to let him get his emotional scars on his own. I believe people have to learn by themselves who to trust and that only happens when you’ve been stepped on, hurt and betrayed a few times.

My mother tried to interfere in my relationships with friends too many times and I truly wish she hadn’t because the bad effects she feared never came true and I became a lot more cautious about who I befriended, a lot more cynical and a lot lonelier because of her warnings, some of them, in my opinion, quite misguided. I was told to stop seeing one girl because she was too silly and might ‘lead me’ into being just as silly. Never mind that she was the only girl at the time who took the trouble to actually be my friend. The fact that I had no self esteem and no friends never seemed to bother her as much as whether or not other people she knew made comments about my behavior which, unless people lied, could only consist on giggling hysterically while walking down the street just like any other young teenage girl.

There were two other times my mother told me not to get attached to people I liked being with. One was a girl that had suffered from leukemia as a child. She thought the girl might get sick again and it would be painful for me to lose a friend. It didn’t occur to her that once again she was my only friend at the time and it was just as painful to hear such a death sentence announced. The other time was regarding a girl with learning difficulties. Mom said I might find her fun to hang out with then but she would always have the brain of a 12 year old while I would grow up and then what?

It’s hard to express in how many ways both these remarks were wrong and how damaging they were. I found them extremely cruel and at the same time they made me feel like I had done something wrong by being friends with these people when I hadn’t. It was a terribly cruel and selfish attitude to make a kid feel like people who are different or ill do not deserve your friendship just like everyone else.

I understand my mother was trying to spare me the pain of discovering at some future stage that I might lose a friend, for whatever reason, but I still feel she had no right to interfere and I don’t believe she ever fully understood what a profound mark she made with those words. Kids want the approval of their parents and so I felt I had to become cold towards these people she singled out. One of the girls eventually moved away and I haven’t heard from her since and I started avoiding the other as a direct result of that conversation and have regretted my behavior ever since.

Another incident that comes to mind happened when I was about 7. There was a girl at school that I disliked because she was a pathological liar. Even when she was caught in a lie she would just make up another one on the spot to cover it up. One day I caught her stealing something from my desk. I told the teacher but the girl denied everything, like she always did. Since nobody else had seen anything, the teacher did nothing. I got home really upset about it all. My parents response was to tell me that she probably stole because she was poor and couldn’t afford pretty things.
Teaching a kid that some people are less fortunate and that kids especially may feel jealous of what other kids have is a perfectly acceptable response and enough to appease any anger I might have.
What I didn’t find so acceptable was what they did next: they decided I should take to school to give to this girl a bag with clothes, coloring pencils and other items. To me this was thoroughly humiliating and this gesture actually gave her power over me because it said she was excused from what she did. I didn’t want to have to deal with her since I didn’t like her even before, much less be forced to be nice to her after she stole from me and then lied about it making me look bad in front of the teacher for accusing her.
I get that they were trying to teach charity but they picked a lousy way to do it. To them they were doing a good thing by being charitable to a small child but I was the one who had to present the bag and explain the situation and they did not stop to consider what my feelings were. My sense of justice was severely shaken since not even my own parents seemed to get how I felt. As to the girl it sent the message that what she had done was perfectly fine and she was even being rewarded for it. That’s seriously bad parenting from where I stand. To explain that people have different situations in life is one thing. To act like it excuses any kind of anti-social behavior is something else altogether. I still don’t believe that being poor is an excuse to lie and steal. I know it’s one of the reasons that leads to criminal behavior but it’s not an excuse for it. If it was then all poor people would be criminals and they’re not.

These things have been on my mind because I don’t want to repeat mistakes that were made with me. I’m sure I’m already making completely new ones, just as misguided. It can’t be helped. Parents bring up their kids and then become a permanent embarrassment. Which brings me to another recollection – a parent embarrassment recollection. I was maybe ten or eleven and had developed a crush on a boy in my building who was a few years older. We would occasionally go up in the elevator at the same time and I would hide in a corner and try to become invisible because I was too shy and knew perfectly well I was just a kid in his eyes. But my mother thought it was so funny that I had an obvious crush on the boy that one day she decided to go talk to his mother and ask him to my birthday party – without even asking me first. Need I say more? Do mothers still do this sort of thing? Because if they do they should be shot.

The boy came because his mother made him go and he sat in a corner completely bored the whole time surrounded by screaming little girls running around everywhere. I was mortified and from that point on started a ‘deny everything’ policy with my mother.

I could go on. Even by the time I turned 18 there was absolutely no privacy in that house. They would walk into my room without knocking and even into the bathroom and thought that was perfectly normal. Who the hell thinks that? Privacy is a basic human right, damn it!
I had to come up with an early warning system: I would leave the closet door open cause it overlapped the bedroom door, so when the room door open it would bang into it. They hated that but it worked for a while.

I’m not saying that these occasions and others like it are solely responsible for my crippled social behaviour but I am fairly sure they didn’t help. And I’m scared to death that I’ll do the same.

Sexta feira no alentejo

Na passada sexta feira de manhã enfiámos um monte de comida e vários acessórios no carro e fomos a caminho do Alentejo.

Como é obvio isso seria demasiado simples, portanto ao fim de 15 minutos, já na auto-estrada, descobrimos que as braçadeiras do Tiago tinham ficado em casa por isso demos meia volta e regressámos a casa. Ainda parámos numa estação de serviço para ver se teriam braçadeiras mas como não havia nada lá voltámos tudo para trás.

Quando finalmente arrancámos de vez eram já 11 horas – 1 hora mais tarde do que o previsto. Chegámos à  casa quase ao meio dia e meia. A Carla o o Jónatas já tinham chegado e a minha mãe tinha andado a fazer uma visita guiada, já que adora exibir a sua casinha. Pouco tempo depois chegaram o Nelson e a Catarina. O Filipe e a Marta ainda andaram perdidos durante um bocado graças a uma bifurcação na estrada que nunca tinhamos reparado que existia. O Gustavo e a Xana foram os últimos a chegar, mesmo a tempo do almoço.

Apesar de sermos nós a convidar, quem acabou por cozinhar tudo foi o Jonatas e a caitada da Carla ainda foi obrigada a levar o seu próprio almoço porque não come carne. Fez umas espetadas vegetarianas com muito bom aspecto e levou também um bolo de limão e sementes e papoila para a sobremesa. As saladas foram fornecidas pela Marta e pela Xana, O Nelson e a Catarina levaram salada de frutas e um bruto camião para o Tiago (com que ele se tem divertido imenso porque dá para por outros brinquedos lá dentro que é o que ele gosta de fazer agora).

A única parte chata do almoço foi a enorme quantidade de moscas. A minha mãe tem lá umas velas para afugentar insectos mas esqueceu-se de mencionar o assunto.

Durante a tarde estivemos todos na zona da piscina. O Tiago estava cheio de medo da água e não consentiu mais do que estar de pé no primeiro degrau a chapinhar num centimetro de água, muito agarradinho ao pai. Ainda andei com ele ao colo dentro da água mas ele não estava nada à  vontade por isso não insisti.

Por volta das seis voltaram os meus pais e a minha mãe foi fazer chá e estivemos a lanchar. Depois as pessoas começaram a ir embora e nós por fim também, pouco antes das 8 horas.

O Tiago, que se aguentou acordado o dia inteiro, apesar de dar sinais de estar exausto, lá adormeceu finalmente, no carro, mas só dormiu meia hora.

Quando chegámos a casa foi preciso dar-lhe o jantar e metê-lo na cama antes de conseguirmos pensar em descansar um bocadinnho.

No sábado eu estava de rastos. Não me custava tanto sair da cama desde que o Tiago tinha uns 3 meses. Ao fim de uma semana a fazer exercí­cio a culminar com o esforço do dia anterior, incluindo o exercí­cio de nadar na piscina, passei o sábado quase sem me conseguir mexer.

Em compensação o Pedro passou o sábado a tomar conta do Tiago e a limpar a casa. Coitado.

Ao fim do dia já me sentia um bocado melhor por isso acabei por fazer o exercí­cio do costume, apesar de ter eliminado a parte de correr. Se não tivesse visto o Pedro de calções a preparar-se para subir para a passadeira nunca teria ganho coragem, mas assim até parecia mal por isso lá fiz o esforço. Decididamente é mais fácil quando não tenho de convencer-me a fazer exercí­cio sozinha.

Nessa noite não consegui dormir muito bem. Acho que comecei a ficar ansiosa com o facto do Tiago estar quase a entrar para o infantário e dei por mim completamente acordada à s 4 da manhã. Agarrei no livro que tenho andado a ler e que estava quase no fim (Jane Eyre de Charlotte Bronte) e fui para a sala acabar de o ler até à s 6 da manhã, altura em que voltei para a cama.

Música e exercí­cio

Recentemente tive uma daquelas sensações que me atingem ocasionalmente. Senti que estava na altura de mudar para uma nova fase. O Tiago está cada vez mais independente e isso começou a dar-me espaço para retomar algumas daquelas pequenas coisas que faziam parte da minha vida antes dele nascer e que foram interrompidas por falta de tempo, energia e disponibilidade mental.

Tudo começou com algo que costumava ser quase vulgar: comecei a escrever uma música nova no duche. É um cliché, eu sei. Mas é-o porque faz todo o sentido. Uma pessoa está ali sem mais nada em que pensar e há uma certa tendencia para começar a cantarolar e de repente aparece uma música nova. Esta começou com uma frase bastante cliché também, ‘love is blind’, e evoluiu a partir daà­. Não é nem tem de ser uma obra-prima mas é algo que já não acontecia há tanto tempo que me surpreendeu.

Graças a isso fiquei com imensa vontade de rever as músicas que deveriam ter formado o meu ‘segundo album’ caseiro se alguma tivessem sido terminadas. Há uma em particular que continua a fascinar-me (e me faz sempre pensar ‘como é que eu alguma vez consegui escrever isto?’) e fiquei com vontade de aprender a tocá-la (porque eu escrevo as músicas no piano, toco-as uma vez para gravar e depois esqueço-me como são – um bocado como estudar para os exames na escola 🙂 – e por isso depois tenho de as reaprender do princà­pio).

Sentei-me então ao piano e aprendi a tocar essa música. Acho que pela primeira vez na vida senti verdadeiro gozo em praticar. Dantes queria era saber tocar a música e a repetição necessária para chegar lá era um tédio. Mas agora gostei de repetir até à  exaustão a mudança de acorder e insistir nas partes mais difà­ceis. O Pedro diz que é por estar mais velha mas acho que é simplesmente por não fazer aquilo há tanto tempo e ter saudades.

Nos dias que se seguiram continuei a tocar a mesma música e ainda não está perfeita mas já a sei de cor o que é optimo porque assim posso sentar-me em quaisquer cinco minutos livres e praticar mais um bocadinho sem precisar de ter a pauta à  frente.

Na terça feira de manhã fui ao dentista e qualquer coisa pelo caminho fez disparar mais um pequeno interruptor. Não sei se foi o facto de poder andar pela cidade sem estar a empurrar um carrinho de bebé ou o simples facto de me sentir bem a andar depressa fez-me pensar em desdobrar novamente a passadeira (que tem estado fechada porque o Tiago gostava de subir lá para cima e depois cair) e voltar a tentar fazer exercí­cio.

Os últimos anos têm sido brutais para o meu corpo. Eu conseguia passar anos com o mesmo peso e agora em 3 anos aumentei 5 quilos que não estou a conseguir perder. Convenhamos que estou mais velha, com um metabolismo ligeiramente mais lento, praticamente não saio de casa e o único exercí­cio que fiz no último ano tem sido andar com o Tiago ao colo. Sei que podia e devia ter feito mais mas sentia-me demasiado cansada e sinceramente cheguei a um ponto em que já não queria saber.

Só que a sensação de cansaço constante também se deve ao facto de não fazer exercí­cio suficiente e como tal é um ciclo vicioso. Por isso resolvi tentar outra vez.

Normalmente a minha boa vontade relativamente ao exercí­cio fà­sico esvai-se em cerca de uma semana. Se estiver particularmente motivada sou capaz de durar um mês mas raramente passa disso. Isto porque para mim fazer exercí­cio é ligeiramente mais desagradável do que espetar alfinetes por baixo das unhas. Não consigo explicar porque detesto assim tanto mexer-me de forma organizada mas a verdade é que desde a educação fà­sica do secundário que jurei nunca mais praticar qualquer tipo de desporto se o pudesse evitar.

Andar na passadeira ainda suporto porque é um exercí­cio natural. Correr, por outro lado, é um tormento. Estou a tentar. Não faço promessas mas estou a tentar. Pelo menos desta vez eu e o Pedro estamos a fazer exercí­cio ao mesmo tempo para ver se conseguimos puxar um pelo outro. Espero que funcione.