Primeiro dia de escola

Depois de uma noite mal dormida levantei-me, vesti-me, fui acordar o Tiago que por qualquer motivo resolveu dormir mais hoje, dei-lhe a papa e fomos os três levar o Tiago ao seu primeiro dia de escola.

Ele entrou para a sala muito calmo e foi directo a um brinquedo. Depois de falar um bocadinho com a educadora dissemos adeus e saimos. Ele ficou a olhar para nós com um ar levemente apreensivo mas não chegou a chorar.

Eu é que saí quase a chorar. Na verdade não estava à espera mas foi muito complicado controlar-me. Saí com o Pedro até me sentir novamente mais normal, até porque na rua tinha desculpa para usar os óculos escuros. Depois voltei à escola porque tinha de pagar a mensalidade mas como havia pessoas a fazer inscrições que demoram mais tempo resolvi tratar disso quando fosse buscar o Tiago.

Como tinha material para comprar para uma encomenda, dirigi-me à loja mas só abria às 10 da manhã por isso desisti. Ficou mais uma coisa para tratar mais tarde. Como não estava ainda pronta para voltar para casa acabei por ir mesmo ao cabeleireiro. Acho que a última vez que fui cortar o cabelo foi há quase um ano, depois do desastre das madeixas, por isso estava mesmo a precisar. A cabeleireira entusiasmou-se um bocado demais, porque as pontas pintadas estavam mesmo com muito mau aspecto, e por isso ficou ligeiramente mais curto do que eu queria mas que se lixe. Como agora só volto a cortar daqui a mais um ano vai ter muito tempo para crescer 🙂

Fui finalmente para casa mas estive ocupada a fazer coisas como pagar a segurança social, por isso não tive muito tempo para pensar no assunto.

Quando se acabaram as tarefas mais obvias em casa, fui tratar das outras coisas que tinha na lista – pagar a garagem, ir à farmácia, comprar papel para a impressora de fotos, encomendar lentes de contacto e comprar os materiais que precisava para uma encomenda. Nada de emocionante mas manteve-me ocupada até serem horas de ir buscar o Tiago.

Cheguei um pouco antes da hora porque ainda queria ir tratar do pagamento e ele estava a almoçar. Quando acabou fui buscá-lo. Estava a choramingar mas nada de muito grave. Perguntei como tinha corrido a manhã mas não me deram muitos pormenores. Disseram só que não tinha comido muita sopa nem fruta e só quando eu perguntei como tinha sido com os outros miúdos é que a educadora disse que ele tinha passado o tempo todo num canto agarrado ao ursinho, afastado dos outros. Era o que eu estava à espera. Ele sente-se intimidado pelos outros miúdos porque não está habituado mas pelo menos não me disseram que passou o tempo todo a gritar.

No geral, para primeiro dia, acho que não correu muito mal. Suponho que amanhã seja mais complicado vir-me embora mas espero que mais para o final do mês ele comece a ver aquilo como uma coisa normal. Custa-me deixá-lo mas penso que ele vai aprender coisas importantes com a experiencia, mesmo sendo um bocado angustiante de inicio.

Viemos então para casa. Dei-lhe sopa e fruta e deitei-o para a sesta. Reagiu normalmente, sem qualquer problema.

Durante a sesta dele ainda consegui começar uma gargantilha que tenho encomendada e que vai demorar dias a fazer mas pelo menos está começada.

Durante o resto da tarde estivemos a brincar como normalmente e o Tiago começou a subir para as cadeiras sem ajuda. É mais perigoso do que subir para o sofá por isso agora tenho que ter muita atençao durante os próximos dias.

Continuo muito nervosa e já a pensar em como será amanhã.

3 Comment

  1. Olá Dee. A angústia do primeiro dia realmente é horrorosa. Passei por isso duas vezes, na primeira desisti de deixar minha filha na escola, deixando que ela ficasse ao meu lado por mais um ano, agora a mais nova quase me deixa a chorar pois nem olhou para trás… rs…

  2. Não resisti e depois de ler o relato do primeiro dia no blogue do pai, vim aqui dar-lhe também o meu apoio.
    Sei como são estas coisas, passei por isso em julho.
    Já sei também que todos avisam que é pior para os pais e que depois acostuma-se. Mas é para dizer que também fiquei a me ocupar demasiado para não ter tempo de pensar no assunto, que também fiquei com o coração na mão etc.
    Beijocas e que o terceiro dia, seja melhor.
    Se precisar de qualquer coisa é só contactar 😉 Muita Força!

  3. Engraçado, faz também 8 anos que passei pelo mesmo. Quem chorou fui eu e ainda fui repreendida pela directora que disse que não admitia que os pais se portassem assim…enfim…só não o tirei de lá no mesmo instante porque o colégio pertencia ao patrão do meu marido…
    Mas percebo a tua angústia…é muitíssimo difícil deixar “voar” os nossos filhotes para fora da nossa asa protectora.
    Bjs e força.

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