Woof woof

Ontem à  tarde o Tiago andava a empurrar o seu carrinho de compras pela casa. Foi até à  varanda e pouco tempo depois veio ter comigo a pedir colo. Peguei-lhe e ele disse oof oof. Eu fiquei uns momentos a perguntar o que ele queria dizer com isso e de repente fez-se luz: queria que eu o levasse ao colo à  varanda para ver o cão dos vizinhos que passa a sua triste vida fechado na varanda. É uma pena para o pobre do cão mas o Tiago, que não comprrende ainda essas coisas, diverte-se a espreitar o bicho e a tentar comunicar com ele na sua linguagem oof oof.
O que acho mais giro é que ele tenha aprendido a dizer woof woof para cão em vez de au au.
Aliás, ficámos recentemente impressionados com o facto dele já imitar as vozes dos animais todos, incluindo elefantes e outros seres mais improváveis. E pelos vistos começou a usar esses sons como forma de comunicação temporária até aprender palavras mais complexas. É muito giro ver como se vai desenrascando com as limitações que ainda tem.

Meiguices

Estavamos nós a tentar convencer o Tiago que estava muito cansado e era hora de ir para a cama quando, no meio de um grande monologo, se virou para mim, me deu um grande abraço, seguido de um beijinho e depois fez o mesmo ao pai.
No meio de mais uma cena de ‘lá vamos nós ficar aqui duas horas a ver se ele dorme’ acontece uma coisa destas e ficamos todos derretidos.
Como é que eles aprendem a ser tão manipuladores tão depressa? Raio dos miúdos!

Dobragens

Nunca gostei de dobragens. Também nunca gostei muito de ler livros traduzidos. à s vezes tem de ser porque sei muito poucas linguas, mas quando posso prefiro sempre ver e ler na lingua de origem.

Não é um preconceito contra a nossa lingua. É apenas uma sensação de que está alguém a meter-se entre mim e o autor do livro ou filme. Isso é muito óbvio em situações em que é necessário traduzir certas expressões que não existem na nossa lingua e para as quais os tradutores inventam algo que lhes parece equivalente. Isso é muito comum quando é preciso traduzir letras de musicas em livros de BD, por exemplo, em que muitas vezes preferem substituir pela letra de uma música portuguesa em vez de traduzir a letra original.

O tradutor toma estas decisões para adaptar o conteúdo ao público nacional mas ao faze-lo está a mudar o conteúdo original, tornando-se parcialmente autor da obra pela sua interferencia. Por isso, eu prefiro sempre que possivel, ter uma conversa mais directa com o autor, sem intermediários.

No que diz respeito à  dobragem de filmes a interferência é ainda maior do que na tradução de livros porque para além do texto, o timbre e entoação da voz são extremamente importantes. É por isso que até para os desenhos animados são escolhidos bons actores para fazer as vozes (sim, também é para angariar público, mas não só).

Os actores portugueses não são grande coisa. São pouco naturais e parece que estão sempre a fazer teatro, mesmo quando é para televisão: têm alguma tendencia para declamar (especialmente os mais velhos), são bastante monotónicos e tornam-se pouco convincentes impedindo que consigamos mergulhar na história em vez de passar o tempo a pensar ‘este gajo é mesmo mauzinho’. Se compararmos com os actores das novelas brasileiras, por exemplo, a diferença é tão obvia que se torna chocante. Os brasileiros também têm maus actores, claro, mas já fazem novelas há tanto tempo que desenvolveram um estilo de televisão muito mais natural e convincente e a maior parte dos actores são bastante naturais. Os portugueses, porém, ainda têm muito que aprender.

Assim sendo, quando chegamos à  dobragem dos desenhos animados, perde-se muito. As vozes são geralmente esganiçadas, gritadas e pouco variadas. Algumas são verdadeiramente irritantes.

No último ano tenho visto muitos desenhos animados dobrados e alguns são muito dificeis de aturar por causa da dobragem. Nalguns casos é porque embirrei com a voz que accho irritante, como é o caso do Noddy e do Leo dos Little Einsteins. É a mania de usar gajas para dobrar as vozes de crianças. O Tiago nunca ligou ao Noddy mas por acaso até gosta dos Little Einsteins e eu tenho que gramar aquilo. Estou a considerar arranjar o original para não ter de aturar aquela voz.

Por outro lado as dobragens do Mickey Mouse Club House ou do Handy Manny não me chateiam nada. Mas a entoação de muitos dos desenhos animados é sempre a mesma e torna-se monótono e repetitivo. Os miúdos não ligam mas eu também tenho de aturar aquilo portanto custa um bocado.

Pior do que dobragens com vozes irritantes é dobragem das músicas infantis por pessoas que não sabem cantar. Já alguém ouviu a música de um programa chamado a Dinossaura Doroteia ou algo do estilo? Que coisa tão desafinada! Como é que alguém deixa aquela gaja cantar fora do duche? Cada vez que aquilo começa tenho de ir a correr mudar de canal antes que o meu cérebro derreta. Eu também não canto muito bem mas pelo menos consigo perceber onde é que desafinei e tentar vezes sem conta melhorar até conseguir. Estes gajos fazem uma música para a TV e ficam-se pelo primeiro take que a mulher das limpezas arranhou ao microfone? Poupem-me

Por tudo isto o Tiago anda a ver muito mais o Baby TV do que os outros canais de bonecos. Ele gosta, vai aprendendo inglês e eu não sofro tanto.

à€s pintas

Depois de 3 dias de febre, na terça feira o Tiago acordou com manchas vermelhas na cara. Resolvi ir espreitar e tinha manchas no corpo todo, apesar de menos óbvias. Lá vieram os coitados dos meus sogros fazer mais uma consulta ao domicilio e determinaram que era uma virose da familia da rubeola mas que não era nada de grave e deveria passar daà­ a uns dias.

Ontem as manchas da cara ficaram ainda mais óbvias mas no resto do corpo continuam na mesma. Hoje já estavam outra vez menos vermelhas e, como o Tiago não voltou a ter febre, parece que está a passar.

Acho é que a energia que não foi gasta nos ultimos dias por causa da doença ficou acumulada para hoje porque o miúdo recusou-se a dormir a sesta e passou o dia todo aos pinotes enquanto eu só queria ir dormir ou pelo menos ter um momento de paz e sossego. No such luck.

A minha garganta está melhor, graças ao antibiótico, mas ando com uma tosse irritante e constante que não me deixa dormir e que se torna extremamente cansativa. É uma daquelas que começa com uma comichão na garganta que nos obriga a tossir. Normalmente isso indica uma tosse alérgica mas já tomei xyzal e não fez diferença nenhuma.

Como última esperança de conseguir dormir esta noite, o Pedro foi à  farmácia comprar-me um xarope para a tosse, depois de termos finalmente conseguido enfiar o Tiago na cama. Ele já estava para lá de exausto, como seria de esperar, e fez uma birra brutal tà­pica de sobre-estimulação. Acabámos por ter de saltar o banho e limitarmo-nos a vestir-lhe o pijama e deitá-lo no colo à s escuras e sem falar até ele se acalmar e adormecer. Só isso já foi uma tortura, ao som de uns gritos que parecia que o estavamos a tentar matar.

Não sei muito bem como lidar com isto. Ele não quer dormir durante a tarde e por mais que tente criar um ambiente calmo e confortável ele não parece ter qualquer espécie de sono. Ao fim de umas horas disto acabo por desistir e à  noite é o fim do mundo. Como também estou doente e precisava de poder descansar um bocadinho para conseguir aguentar o ritmo do resto do dia, estou a desesperar.

Doente

Na sexta feira comecei com dor de garganta e aquela sensação de pressão na cabeça. Depois começaram os espirros, a tosse e tudo o resto. O Tiago começou na mesma, passando o dia muito rabujento e molinho e acabando a adormecer na minha cama enquanto eu via o An Ideal Husband.

Hoje os meus sogros vieram fazer uma house-call e confirmaram que tenho uma infecção na garganta. Já comecei a tomar antibiótico e espero estar melhor amanhã porque tenho um workshop de tarde. Como o antibiótico é só 3 dias é possível que já tenha melhorado até lá.

O Tiago não queria dormir a sesta mas parece que finalmente acalmou, depois de muito tempo ao colo e alguns protestos quando finalmente o deixei na cama. Tenho de aproveitar o momento de calma para comer qualquer coisa antes de começar tudo de novo.

– New chain maille pieces

– I continue to try out different designs in chain maille. I’ve made some more byzantine chain bracelets, incorporating beads into the design, like the one pictured, and a pouch in european 4-1 that was great fun to make. It’s like making a glove finger except that you close it on the other side instead of doing the whole glove.

There’s a lot more I want to try but I’m running out of silver wire in the right gauge. Must buy more soon…

– Viking knit

– When it comes to making jewelry I tend to like classic and elegant designs and seem to be very attracted to ancient techniques. From Celtic knots to Egyptian coils, chain maille or viking knit, designs and techniques that have been around for ages and are still just as beautiful as when they were invented, these are the kind of things that fascinate me the most.

I find it interesting to make something pretty much the same way it was made before electricity was ever invented and eventually finding new variations for the same ancient designs.

I had tried spool knitting some time ago and I liked the result but I didn’t like working with the spool at all. Viking knit is not the same as spool knit even though it created the same kind of wire sleeve but the result is tidier and it doesn’t require any specific tools. All you need is wire and a mandrel that can be anything from a pencil to an allen wrench.

Viking knit also allows the incorporation of small beads into the weave, something that I always find positive because I like a bit of color in my jewelry.

The hardest thing to figure out with viking knit is the length you need because since you pull it through a draw-plate at the end, it stretches a bit so it’s easy to make it too long. But since you can always cut the excess, the only problem with that is some wasted wire (that you can probably use to start a new piece if you leave a longer tail at the end, so that’s OK too.

It does take a lot of time to make a bracelet or necklace in viking knit but I think it’s beautiful enough to be worth it.

Creative Freedom

Normalmente não me meto nestas coisas porque sou demasiado desligada da realidade para saber destes assuntos, não tenho grande interesse em questões polà­ticas ou simplesmente porque tenho mais que fazer nesse dia – um pouco como todos nós – mas por acaso fui dar a este site hoje e como estas coisas me irritam não custa nada divulgar.

Basicamente está prestes a entrar em vigor na Nova Zelandia uma lei que permite cortar a ligação de internet ou fechar um site apenas porque alguém é acusado de estar a infringir copyright. Não é preciso provas nem provar o crime em tribunal, basta a acusação.

Como é obvio isto é uma situação altamente injusta e um grande abuso de poder, causado pelas editoras, principalmente as de cds e dvds, que andam há anos a tentar convencer os diversos governos que são uns coitadinhos, que está sempre toda a gente a ir-lhes ao bolso e que isso tem de acabar.

O mais curioso é que muitos dos artistas que produzem as obras sobre as quais recai o copyright, e que esta lei é suposto proteger, também estão a aderir ao protesto porque, como pessoas inteligentes que se interessam por mais do que o lucro, conseguem ver que leis deste tipo são perigosas e atacam a liberdade e os direitos de todos nós.

A criação deste tipo de precedentes, independentemente do paà­s onde começa, terá tendencia para se espalhar e tornar pratica comum em todo o mundo, afectando-nos a todos.

Por isso, quem quiser participar no protesto pode ir visitar o site, assinar a petição e aderir ao blackout.

Carnaval na creche

Como a creche vai estar fechada segunda e terça feira, hoje é a festa de Carnaval da escola.

Eu nunca liguei ao carnaval. Quando era pequena e tinha idade para me interessar por estas coisas acabava todos os anos vestida com o vestido de espanhola que já tinha sido da minha mãe quando queria mesmo era ser princesa. A decepção e repetição das mesma cena ano após ano deu-me uma raiva infinita ao carnaval. Durante a adolescência o Carnaval era um mês infernal de corridas por campos minados a evitar levar com ovos e balõs de água, nem sempre bem sucedidas, o que só intensificou o meu desagrado. Com os anos tornei-me meramente indiferente à  data.

De repente encontrei-me na posição ingrata de ter que decidir se vou ou não mascarar o meu filho, que ainda nem tem dois anos e não percebe minimamente o que se está a passar, por uma questão de peer-pressure: não quero que ele se sinta excluido da festa se os outros meninos estão todos vestidos com fatos de carnaval e ele não.

Acabei por chegar a um meio termo. A educadora disse que nesta idade poucos miúdos costumam ir mascarados por isso levei-o vestido normalmente mas com um fato de backup no saco.

Quando cheguei à  escola estavam TODOS mascarados. Sapos, princesas, dragões e até um bebé vestido de homem-aranha. Achei que de facto era pena ele destoar dos outros por isso saquei do fato que os meus sogros compraram na sua viagem à  China e que por acaso é mesmo para dois anos, meti-lhe o chapéu de cowboy na cabeça (que não condiz com o fato, obviamente, mas e depois?) e lá foi ele.

Como dormiu mal esta noite – acordou à  uma e meia e o Pedro esteve com ele ao colo quase meia hora até ele aceitar voltar para a cama – estava muito rabujento. Espero que com a aula de dança e os trabalhos manuais fique mais bem disposto.

Para o ano ele já deve ter idade suficiente para escolher que fato quer usar, por isso tenho de começar a prever estas coisas. Por mim tudo bem, desde que ele se divirta.

Cinderella

Ontem estive a ver um bocado da Cinderella da Disney com o Tiago. Acho que foi o único filme do estilo que fui ver ao cinema em criança e gostei muito. Anos mais tarde voltei a ver e fiquei muito decepcionada por causa da dobragem. Agora arranjei o filme no original e tem efectivamente muito mais piada por causa do estilo das vozes usadas nas músicas que são muito tà­picas da época.

Acho que continuo a preferir estas animações mais antigas à s versões recentes 3D porque sempre gostei muito deste tipo de desenho, semelhante à  ilustração de publicidade dos anos 40 e 50. As mulheres têm uma grande elegância, e o desenho das mãos em particular sempre me fascinou.

O Tiago obviamente não ligou nada à  Cinderella mas adorou as cenas de perseguição com o gato e os ratos. Em vez de estar no sofá a vegetar esteve o tempo todo de pé a dar grandes saltos de entusiasmo e a dizer olá cada vez que aparecia um dos animais no ecrã. Giro 🙂

Quando começou a parte do baile o Tiago perdeu o interesse e fomos para o quarto brincar.

A melhor fase

Fiquei com o Tiago dois dias no principio da semana e estava com medo que fosse um pesadelo porque há 6 meses, antes dele entrar para a escola, eu já estava perto de dar em doida. Ele estava já muito independente mas tinha imensos problemas a concentrar-se numa actividade mais do que 5 minutos e era preciso uma ginastica enorme para o manter entretido sem grandes birras.

Ao fim de semana não é tao complicado porque está cá o Pedro para ajudar e também podemos ir passear mais, o que reduz o tempo de potencial aborrecimento para o Tiago.

Felizmente o miúdo mudou muito nestes 6 meses e agora já consegue sentar-se a fazer colagens ou a brincar com qualquer coisa durante mais tempo e consegui passar grande parte do tempo a mostrar-lhe pormenores dos vários jogos e a sugerir para ele experimentar certas coisas com bastante sucesso e sem ele se irritar de frustração tantas vezes como costumava acontecer.

Mas os brinquedos favoritos dele continuam a ser os pais e eu tentei dar-lhe o máximo de brincadeiras fà­sicas que consegui. Ele gosta de ser perseguido, virado de cabeça para baixo, adora brincar com o meu cabelo, especialmente puxá-lo para me tapar a cara e depois ver-me soprar, fazendo o cabelo ondular. Também gosta de me meter um boneco, bolacha, chucha ou outra coisa na boca para eu cuspir fora, de preferencia com um som tipo ‘ptui’. Farta-se de rir e repete até à  exaustão. De vez em quando anda a distribuir chuchas por toda a gente, que temos mesmo que por na boca.

Acho que esta deve ser a melhor fase de ter um bebé. Ainda é pequenino o suficiente para ser fofinho mas já dá para comunicar com ele e para começar a fazer brincadeiras em conjunto. E como se diverte com coisas simples, como as descritas acima, tenho o gozo de ouvir aquelas gargalhadas maravilhosas com muito pouco esforço 🙂

Resolvemos deixar de nos preocupar com a questão da televisão porque o Tiago já aprendeu a ligar aquilo e não vale a pena fazer de conta que pertence a uma familia tradicional que come à  mesa e não vê tv. Eu vejo televisão enquanto faço as minhas peças de bijutaria (ou melhor, oiço – porque raramente consigo olhar para lá) e o resto do tempo estou ao computador, tal como o pai. Comemos no sofá, de tabuleiro no colo e não vale a pena ser hipócrita e tentar convencer o nosso filho que não pode fazer o que nós fazemos.

É claro que não sento o Tiago no sofá para comer. Ele tem a sua cadeira e uma mesa. Só que a meio da refeição levanta-se, passa-me o prato para as mãos e senta-se no sofá a ver televisão enquanto espera que eu lhe dê as últimas colheradas que já não teve paciencia para comer sozinho. Resolvemos então adiar a compra do novo sofá até ele parar de entornar comida 🙂

Ainda referente à  televisão, começámos a reparar que ele diz olá ao Mickey e bate palmas nas cenas certas do Little Einsteins. Manda beijinhos a todos os gatos que veja na TV, já que os nossos são geralmente muito rápidos para se conseguir aproximar (mas ainda dá uns abracinhos ao Jones de vez em quando). No fundo acha piada aos bichos, principalmente gatos e cães, mas demasiada proximidade ainda o deixa um pouco desconfortável à s vezes.

A rotina da cama também parece ter-se alterado permanentemente. Anda a precisar de muitos mimos e já não dá para o por na cama depois de ler a história e sair. Agora tenho de ficar com ele ao colo um bocado, no escuro, até ele começar a fechar os olhinhos e só depois é que me deixa deitá-lo na cama. Mas pronto, é preciso ir adaptando as rotinas à s necessidades dele e se ele se sente mais confortado assim melhor. Temos é que começar a preparar a ida para a cama mais cedo a contar com isto.

Na sexta feira tivemos uma reunião da escola, que consistiu em quase duas horas de filmagens do que eles fazem quando não estamos lá para ver.
Ficámos um bocadinho apreensivos ao reparar que em diversas actividades de grupo o Tiago, em vez de participar, estava algures no fundo da sala a vaguear sozinho. Hoje fui perguntar à  educadora se isso era comum e se seria motivo para preocupação. Ela garantiu-me que não. Diz que nas actividades de trabalhos manuais e com música ele participa e gosta e que até segue instruções como ajudar a arrumar, etc. à€s vezes pode não lhe apetecer, o que é normal. Em certas coisas como quando estão a ler livros é que se distrai com facilidade porque prefere estar ao colo (como quando está em casa) do que sentado no tapete com os outros meninos a ver o livro ao longe.

Acho que mesmo as birras não têm andado tão más ultimamente. Vou tentando conversar com ele e explicar-lhe porque é que não pode fazer qualquer coisa e quando tudo falha vou para outra sala durante um bocadinho para lhe dar tempo de acalmar. Ou ele vem ter comigo e fica tudo bem ou eu volto passado um bocadinho e geralmente já consigo falar com ele e levar as coisas para a normalidade.

O pior continuam a ser as birras na rua, quando se atira para o chão e se recusa a andar mais. Está muito pesado para andar com ele ao colo, não posso deixá-lo fazer birra e afastar-me porque ele pode correr para a estrada e sou obrigada a continuar a levá-lo de carrinho para todo o lado em vez dele andar mais a pé. É frustrante mas ainda não consegui arranjar uma solução mais prática.

Acho que ao fim de quase dois anos já consigo lidar com esta guerra constante que é educar uma criança com muito mais calma. Já não me irrito facilmente e à s vezes o problema maior é conseguir não me rir com algumas das birras. Acho que é uma grande vitória para alguém com tendencia natural para gritar e partir a loiça sempre que as coisas correm mal. No fundo precisei de aprender a parar de fazer birra para poder agora ensinar ao Tiago como é que se faz 🙂

Conspiração radiofónica

O Pedro já fez um post sobre isto mas não resisto a insistir no tema porque começa a ser ridiculo. Já me farto de rir quando o alarme liga o rádio de manhã e está a dar, sem falha, uma música portuguesa. Será que os apresentadores de rádio que gostam de musica portuguesa trabalham todos de manhã? Nas estações todas? Preciso de uma explicação para este facto que me intriga. Porque é que, em estações de rádio que passam todo o tipo de música, entre as 7.40 e as 8.30 passam quase exclusivamente músicas nacionais?

O Pedro já tentou mudar de estação imensas vezes e o resultado é sempre o mesmo. Mesmo numa estação que normalmente passa musica clássica e jazz (não sei qual é e não me interessa o suficiente para ir descobrir) levámos com uma espécie de ópera – wait for it! – cantada em português!

Enfim. Não há dúvida que nos arranca da cama depressa porque ninguém aguenta ficar a gramar aquilo.

E aqui sinto algumas pessoas a perguntar, mas o que é que têm contra a música portuguesa? A resposta é: muita coisa.

Primeiro acho que a lingua portuguesa é pouco melodiosa. Tem demasiados esses e xis para soar bem. Aliás, é tanto assim que há por aà­ uma gaja (será dos clã? Mais uma vez, não tenho paciencia para ir confirmar) que canta com sotaque a atirar para o inglês para ver se disfarça. Nunca deram por isso? É ridiculo.

Depois acho que muita da música que se faz por cá não passa de cópia ranhosa da música internacional, só que cantando em português tem público garantido e não é preciso esforçarem-se muito mais em termos de qualidade. Não quero com isto dizer que nunca ninguém fez uma única música boa, estou a falar da média geral.

Finalmente, muitos dos cantores pop nacionais não sabem cantar. Entretanto já apareceram uns grupos com umas meninas com umas vozes melhorzinhas mas continuam a ser a excepção à  regra e o Tim e o Rui Reininho e companhia não deixaram ainda de ser o protótipo do cantor nacional que teima em acordar-me todas as manhãs com os dentes a ranger.

Lembro-me do primeiro Chuva de Estrelas em que apareceu uma menina chamada Sara que tinha uma voz sem comparação com ninguém no panorama pop nacional da época. Já na altura me pareceu uma vergonha que não tivessemos profissionais a conseguir fazer aquilo que uma mera amadora conseguia sem esforço aparente. Entretanto passaram-se mais de 10 anos e muita coisa mudou mas muito se manteve na mesma.

Acho que gostar de uma música é algo quase fà­sico. A musica consegue fazer chorar e fazer rir mais facilmente do que qualquer outra arte e a razão pela qual gostamos de uma música é muito pessoal e dificil de explicar. Por isso mesmo não conseguiria nunca aderir à quela pressão que parece existir por aà­ de ter de gostar de uma música só porque é nacional. Não compreendo a onda de nacionalismo ferrenho que parece envolver tanto o futebol como a música. O gosto não é algo que possa ser controlado e se oiço qualquer coisa que me arranha os ouvidos como garras num vidro ninguém me vai conseguir convencer que aquilo afinal é muito bom.

Gostaria então de pedir à s estações de rádio para passar a música portuguesa para mais tarde – tipo, à s 9 da manhã já não chateiam ninguém! E se tem de ser música portuguesa, pelo menos passem umas coisas dos Gift ou Mesa, que não me dão tantas tendencias homicidas logo de manhã.