Reparação do cano: dia 2

New pipesHoje de manhã tive de ligar para 3 números diferentes até conseguir que enviassem cá novamente os canalizadores.

Ficou marcado para as duas da tarde mas apareceram um pouco antes. Perceberam finalmente onde o cano estava partido e começaram por planear partir mais o chão para conseguir tirar o cano. Como eu disse logo que havia a possibilidade de partirem o tecto da vizinha, porque a placa é muito fina, mudaram de ideias e tentaram retirar a secção partida de cano sem esburacar mais nada. Ao cortar fora o cano perceberam que o T da prumada do prédio estava todo estragado e um dos homens foi comprar um novo enquanto o outro ficou a partir a parede até mais acima porque por esta altura já era necessário cortar uma secção substancial do cano.

Por um lado prefiro assim porque estão a renovar uma zona fragilizada da canalização que tem já mais de 40 anos. Por outro lado estou a ver que isto vai demorar ainda mais.

Pelo meio descobri que o bidé da segunda casa de banho, a única que podemos usar neste momento, também tem um cano roto e o chão fica todo inundado quando se abre a água. Liguei para a seguradora a perguntar como é que funcionava a questão da assistência ao lar, porque como isto não causou dados a mais ninguém não vale a pena estar a abrir outro processo, e disseram-me para falar com os homens que já estão cá, com a ressalva de pagar eu essa reparação.

O problema é que não tenho o mà­nimo conhecimento das condições do seguro, das situações em que vale a pena accioná-lo e do que mais vale tratar eu. Se não tivesse que pagar obras aos vizinhos, provavelmente nunca me teria sequer lembrado de contactar a seguradora, o que não faz sentido nenhum porque estou a pagar. É daquelas coisas que nem me lembro que existe a maior parte do tempo. Considerando a quantidade de coisas que têm corrido mal nesta casa, quase que precisava de contactar a seguradora todas as semanas…

à€s quatro e meia acabaram finalmente de substituir os canos. Espero que desta vez esteja tudo bem. Pelo menos até prova em contrário já posso usar a casa de banho outra vez. Agora só falta virem montar a banheira.

Cartão de cidadão

O meu BI está quase a expirar por isso fui hoje fazer o cartão de cidadão.

Tentei pela primeira vez na segunda feira, indo à  conservatória de Almada depois de deixar o Tiago na escola. Cheguei à  conservatória antes das 10 da manhã e já não estavam a dar senhas. A máquina das senhas tinha um papel a dizer que davam mais senhas ao meio dia e meia. Fui ao cabeleireiro. Já que tinha de ser fotografada para um documento oficial e tinha umas horas de espera, resolvi ser vaidosa e ir acabar com as raizes de dois meses e as riscas vermelhas. Pintei o cabelo de preto.

Voltei à  conservatória à  hora indicada e, depois de esperar juntamente com mais 20 ou 30 pessoas, fui informada que as senhas eram só para entregar os cartões. Para fazer não davam mais porque tinha aparecido muita gente logo de manhã.

Acima de tudo isto parece-me uma falha do serviço, que tem pouca gente e é incapaz de lidar com a quantidade de pedidos que aparecem diariamente. Não faz sentido que para algo que é obrigatório e pode ser feito numa série de locais diferentes se tenha de estar à  porta da conservatória duas horas antes desta abrir para conseguir uma senha que nem sequer assegura que se seja atendido.

Desisti e resolvi ir antes a Lisboa. Primeiro pensei em ir à  Loja do Cidadão mas o Pedro disse-me que o melhor era mesmo ir ao edificio das conservatórias porque, como são uma série delas no mesmo edifà­cio, bastava andar de piso em piso e escolher aquela que tivesse menos gente. Assim fiz.

A maior parte das conservatórias tinham bastante gente mas uma ou outra estava mais vazia. Entrei, tirei senha e esperei apenas cerca de meia hora antes de ser atendida.

Fazer o cartão também foi rápido (suponho que se as pessoas quiserem tentar a foto 5 ou 10 vezes demore mais) e agora é só esperar que chegue a cartinha para o ir levantar.

Sem banheira outra vez

Bathtub 2O nosso administrador de condominio veio ter comigo a dizer que a minha vizinha de baixo se continuava a queixar das manchas que tem na parede da casa de banho. Achei que já chegava e liguei para a seguradora.

Hoje de manhã apareceu o técnico enviado pela seguradora para pesquisar o problema. Depois da visita obrigatória à  vizinha, concluiram que tinha de haver de facto uma ruptura e começaram a partir. Destruiram o muro que sustenta a banheira, tiraram a dita e depois começaram a partir o chão e parede até destapar os canos do esgoto.

O homem não encontrava nada ao principio mas depois lá descobriu o problema. Era na parte de baixo do cano, mesmo na ligação com a prumada do prédio. A solução proposta foi uma espécie de cola, tipo silicone. Eu fiquei muito desconfiada e perguntei se ele achava que isso chegava e o homem disse que sim. Lá o deixei avançar com aquilo a pensar que depois logo se via.

à€ noite, quando finalmente tive um momento, fui lá meter a mãozinha por baixo do cano e concluà­o que não ficou nada arranjado. O problema não é na junta entre os dois canos. O cano está mesmo partido e continua a deitar água. Ainda por cima, o homem não chegou sequer a por a tal cola na zona que está partida, portanto parece que nem percebeu efectivamente de onde estava a sair a água.

Amanhã tenho de ligar novamente para a seguradora a dizer que o problema não ficou resolvido. Acho que não aceito solução nenhuma que não passe pela substituição do cano porque essa coisa dos remendos parece-me toda uma grande tanga e não quero estar a partir tudo outra vez daqui a dois meses.

No fundo é um alà­vio saber que pelo menos se encontrou o problema e posso parar de ter que aturar a vizinha. É que se não encontrassem problema nenhum depois de partir a casa de banho ficava mesmo muito irritada.

Por outro lado, não estou nada feliz com o facto de ficar sem casa de banho durante sei lá quanto tempo. Agora só devem voltar para a semana para tentar resolver o problema outra vez, depois ainda têm de enviar o orçamento para a seguradora que tem de o aprovar antes de virem por a banheira no sí­tio. Não acredito que seja menos de duas semanas.

Beijinhos

Na quarta feira, depois do lanche, o Tiago estava a brincar com os seus ursinhos de peluche quando reparei que os estava a por frente a frente e depois aproximava-os como se estivessem a dar beijinhos, tudo acompanhado com o som correspondente. Fiquei derretida 🙂

Tentei filmar mas o miúdo fica logo todo tà­mido em frente à  camara. Só consegui filmar ontem, com o telemóvel, quando ele fez o mesmo a caminho de casa. Pode ser que o Pedro ponha o video online um dia destes.

Entretanto a obcessão televisiva parece ter mudado do Mickey para os Little Einsteins. Agora não quer outra coisa. Já bate nas pernas e diz ‘pat pat’, bate palmas com os personagens, responde à s perguntas (sempre não, mas OK) e no outro dia pos-se a abanar o braço no ar ao som da música como se estivesse a dirigir a orquestra. Cada vez que ele faz uma coisa destas apercebemo-nos que ele está a crescer e a evoluir mas é sempre uma surpresa.

De volta à  escola

Na terça o Tiago voltou à  escola, depois de uma semana em casa. Felizmente a ausencia não parece ter feito muito mal e ele tem ficado bem todas as manhãs.

Voltámos à  nossa rotina de ir ao escorrega depois da escola e o Tiago está a começar a fazer amigos entre as crianças que também andam por ali todos os dias.

Um deles é um miúdo de 8 anos que tem umas brincadeiras um bocado agressivas mas que põe o Tiago a rir à s gargalhadas. Por outro lado também começou a aparecer um miúdo da escola do Tiago (conhecem-se porque sabia o nome do Tiago), que é apenas um ou dois meses mais velho mas que está numa de bully. Na quarta feira desatou a gritar na cara do Tiago e ele assustou-se, começou a chorar e não queria brincar mais. Ontem bloqueou o topo da escada do escorrega e tentou dar um pontapé quando o Tiago ia a subir. Tive de ralhar com ele, mesmo em frente ao avà´, e tenho de ter mais cuidado daqui para a frente.

O pobre do Tiago é que de facto não se defende. Fica ali a olhar para mim enquanto o outro o empurra, à  espera que eu faça qualquer coisa. Não sei como ensiná-lo a reagir porque pelos vistos na escola ele só empurra os mais pequenos (apesar de nunca mais ter tido queixas desse tipo de comportamento).

Não quero estar a meter-me demais porque eles têm de aprender a entender-se mas também não quero que o Tiago pense que vou deixar que lhe façam mal sem fazer nada. Isto de ser mãe é lixado…

Visita à  Pediatra

Na segunda levei o Tiago à  pediatra para ver se o ouvido já estava bom. Tinha passado uma semana desde o inà­cio do antibiótico mas o Tiago continuava a queixar-se do ouvido.

Por não ter conseguido carregar no botão para abrir a porta do metro o Tiago foi o caminho todo a berrar. Uma daquelas birras com muito barulho e sem uma única lágrima que são tão tà­picas dos terrible twos. Só quando saà­mos da carruagem e me recusei a pegar-lhe ao colo até se calar é que se acalmou finalmente.

Esperámos imenso tempo pela consulta mas a sala de espera tinha bastantes brinquedos e o Tiago esteve entretido.

O ouvido ainda estava vermelho o que implicou mais uns dias de antibiótico e umas gotinhas directamente no ouvido a ver se ajuda. De resto está tudo OK e o Tiago já pesa mais meio quilo do que na última consulta, estando agora com 11,5kg.

O que me continua a espantar é a forma como ele fica calmo nestas consultas. foi possível despi-lo, pesá-lo e ver-lhe os ouvidos sem ele chorar ou espernear.

Depois da consulta fomos ao parque infantil que existe nas traseiras da clà­nica para o Tiago brincar um bocado e depois voltámos para casa, desta vez sem crise. Finalmente o Tiago começou a dar a mão quando vamos na rua o que torna tudo muito mais simples.

Incompatibilidades

As famà­lias existem para nos lixar a vida. É uma daquelas verdades incontornáveis.

Desde que saà­ de casa dos meus pais senti que a nossa relação melhorou mas agora com o Tiago começo a ter novamente dificuldade em lidar com os meus pais.

Quando o Tiago era pequenino a minha mãe visitava-o frequentemente e chegou a ficar cá em casa a fazer babysitting enquanto eu tinha que ir tratar de algumas coisas. Mas à  medida que o Tiago cresceu e deixou de ser o bonequinho de colo, as visitas começaram a ser mais espaçadas até chegar a passar-se um mês ou mais sem qualquer contacto. Recentemente, como o Tiago desatava a berrar cada vez que via a minha mãe, acho que ela começou a tentar visitá-lo e levá-lo a passear mais frequentemente para ver se ele pelo menos se lembra quem ela é.

No domingo de manhã a minha mãe ligou a dizer que ia à  praia e a perguntar se podia levar o Tiago (na verdade ela pergunta se eu quero que ela leve o Tiago, sugerindo subtilmente que me está a fazer um favor e não algo que ela quer, mas ok). Eu disse que sim, claro, podia levá-lo a passear. Ela virou-se então para o meu pai para lhe perguntar o que ele achava de levarem o Tiago e oiço o meu pai responder, no seu usual tom de voz levemente irritado ‘Tu já decidiste, para que é me estás a perguntar?’

Para mim este tipo de situação é muito comum mas não inspira grande confiança. Quer dizer que não foi nada planeado e como tal é melhor eu informar-me melhor, só que quando comecei a fazer perguntas caiu a chamada. Voltei a ligar para perguntar se planeavam almoçar na costa ou se iam só de manhã e a minha mãe garantiu-me que iam só um bocadinho e depois voltavam. OK, então.

Aà­ apercebi-me que já tinham saà­do de casa e que a minha mãe estava a voltar para ir buscar antes a chave do outro carro que tem a cadeirinha pelo Tiago, o que confirma que o telefonema foi um after-thought e não um plano. Isto deixa-me sempre um bocadinho nervosa porque levar uma criança pequena a passear não é bem o mesmo que sair com os amigos para ir ao café. É preciso preparar um saco com fraldas, muda de roupa, água, fruta ou bolachas para o caso de haver um atraso insperado, e no caso da praia ainda é preciso barrar o miúdo com protector solar, levar chapéu e óculos escuros. Enfim, não é algo que fique feito em cinco minutos. Mas a minha mãe nunca pensa nestas coisas. Reage por impulso, sempre em cima da hora e o resto do mundo é que tem de se ajustar aos seus mood swings.

Não me passou pela cabeça dizer que não podia levar o Tiago a passear porque acho importante que o Tiago se relacione com os avós mas gostava que quisessem estar com ele porque querem mesmo estar com ele e não que fosse algo que só lhes ocorre quando já estão a entrar para o carro. A ideia que me deu foi que a minha mãe achava que eu ia dizer que não e que portanto não precisava de pensar muito nisso. Mas nesse caso porquê ligar? Há coisas que nunca vou conseguir compreender.

Aliás, à s vezes manda o meu pai ligar porque acha que se for ela eu digo que não mas se for o meu pai já digo que sim. Não sei onde foi buscar essa ideia, mas ok. A última vez que fez uma destas foi a semana passada – o meu pai liga a dizer que estão a sair para à‰vora e se quero ir com o Tiago. O que raio é que lhes passa pela cabeça? Sim, vou mesmo meter-me no carro com o miúdo durante horas assim sem mais nem menos. Enfim.

Preparei o Tiago o mais depressa que pude e a minha mãe veio buscá-lo. Esperava que regressassem à  hora de almoço mas à  uma da tarde liga a minha mãe a dizer que estão no fórum, porque resolveram ir ter com o meu irmão, e se devia dar sopa ao Tiago porque já estava na hora dele almoçar. O que raio é que eu podia dizer? Ela já tinha alterado o plano, resolvendo ir para outro lado em vez de trazer o miúdo a casa. A única coisa que me preocupou nesse momento foi o facto do Tiago ter de comer portanto disse que sim, claro, vê lá se ele come sopa. Sei que é muito complicado convencer o Tiago a comer por isso esperei que o viessem trazer pouco depois para ele almoçar o resto em casa.

Passaram-se duas horas. Voltei a ligar. Estava a mudar a fralda e vinha já.

Apareceram à s 3 e meia da tarde. O Tiago vinha sem calças – apesar do vento e de ter uma muda de roupa no saco – cheio de fome e sem ter dormido a sesta. Expressei o meu descontentamento mas é o mesmo que falar com uma parede.

Acho que nunca serei capaz de comunicar com a minha mãe porque as nossas personalidades são demasiado diferentes. Para ela está sempre tudo bem, corre sempre tudo bem, não é preciso planear ou prever nada. Eu gosto de saber o que me espera, dentro dos possà­veis para poder aproveitar bem o pouco tempo que tenho e ter a certeza que não escapa nada importante. Acho que ela já ganhou o direito de fazer o que lhe apetece mas gostava que fosse capaz de respeitar a forma como eu faço as coisas, especialmente no que diz respeito ao Tiago.

Nós sempre tentámos manter uma rotina estável na vida do Tiago e acho que isso tem sido benéfico porque há muito que ele dorme toda a noite, evitando assim que passe os dias rabujento. A sesta é igualmente importante para que ele esteja acordado o suficiente à  hora do jantar. Quando há um dia em que não consegue dormir a sesta na escola passa o resto do dia insuportável e quando nos sentamos para jantar e ele tem muito sono já não come nada. Mas a minha mãe parece achar que ele já está crescido e não precisa de sesta para nada. Acha que tudo isto é paranoia da minha personalidade controladora (que não é inteiramente incorrecto – sou de facto control-freak mas faço as coisas por um motivo lógico).

A questão aqui é que o Tiago é meu filho e como tal eu tenho o direito, enquanto ele está a crescer, de decidir como tomar conta dele e gostava que ela conseguisse respeitar isso em vez de agir como lhe apetece à  espera que ninguém repare que está a ignorar completamente tudo aquilo que foi acordado e aquilo que sabe que eu considero importante.

Para além disso parece que é incapaz de se lembrar que eu podia ter outros planos. Fui obrigada a ficar em casa o dia inteiro à  espera dela, tive que dar o almoço ao Tiago à s 4 da tarde, ele ainda foi dormir a seguir e só acordou quase à  hora de jantar o que nos impediu de sair de casa um bocadinho que fosse. É o problema das pessoas egocêntricas. O mundo gira à  volta delas e o resto que se lixe.

Sei que nada disto é assim tão importante e a razão pela qual estas coisas me irritam é impossível de explicar coerentemente. Vem de anos e anos de atrasos, imprevistos, esquecimentos e promessas quebradas, pequenas coisas que somadas deram origem a uma desconfiança constante que infelizmente parece continuar a ser justificada.

Finalmente sol

Depois de uma semana em casa com o Tiago, que estava doente mas felizmente andou muito bem disposto, o maior inconveniente foi o tempo. A semana esteve toda cinzenta e não deu para levar o Tiago a passear.

Finalmente, na sexta feira o tempo melhorou e fomos passear os dois. Resolvi arriscar e deixar o carrinho em casa e correu tudo bem. Fomos de metro e depois a pé até ao jardim para o Tiago andar de escorrega. Pediu colo uma ou duas vezes pelo caminho mas a maior parte do tempo até foi a andar.

Quando chegámos ao parque infantil, o escorrega estava cheio de areia. Eu comecei a tirar a areia do escorrega para o Tiago e outra menina pequenina que lá estava poderem descer e a resmungar sobre o imbecil que fez aquilo. Os restantes miúdos mais crescidos que andavam por ali aparentemente sentiram-se responsáveis pela confusão e desapareceram rapidamente. É natural que os miúdos queiram brincar e nem sempre se apercebam que estão a impedir os outros de usar os equipamentos públicos mas também nunca é cedo demais para começar a perceber essas coisas.

A parte mais complicada foi quando o Tiago resolveu ir para o escorrega dos mais crescidos. Aquilo é um perigo e não o pude deixar subir porque tem aberturas laterais nas plataformas que estão a cerca de dois metros de altura e o escorrega é a pique. Acabou por trepar uma espécie de gaiola de ferro e depois não conseguia descer e tive que o ajudar, tendo que enfiar os braços pelo meio dos arames e esticar-me toda para o conseguir por no chão sem ele cair.

Mas pronto, acho que de vez em quando ele precisa de experimentar umas coisas diferentes, nem que seja para se aperceber que há coisas perigosas e perder um bocado a teimosia de ir para ali. No entanto à s vezes ainda fico espantada com o que ele já consegue fazer e entre duas visitas a diferença em termos de capacidades  é enorme.

26 meses

No último mês as preferencias do Tiago tornaram-se bastante mais definidas.

No que toca a comida deixou mesmo de comer peixe mas gosta de almondegas, bifinho de vaca do lombo e carne de porco assada, apesar de nem sempre lhe apetecer. Deixou de comer sopa em casa mas na escola continua a comer e tem comido melhor desde que começámos a fazer um esforço para jantar à  mesa todos juntos, apesar de nem sempre funcionar.

Também deixou de comer fruta em papa passando a preferir maçãs, peras e bananas à  dentada. Não costumava gostar de bananas mas já começou a comer.

Uma alteração recente muito óbvia é que começou a brincar com outros meninos, mesmo mais velhos, sem se sentir intimidado. Vejo isso quando o levo ao escorrega e aparecem outras crianças. Tem alguma hesitação inicial e depois lá vai ele, com um grande sorriso, aceitando até algum contacto fà­sico com os outros, algo que até aqui era impensável. Na escola também notaram o mesmo portanto não é só quando está comigo.

Nos brinquedos, anda com uma preferencia obvia por comboios. Também gosta de carros mas os comboios é que são o delirio do momento. Já encaixa sozinho as peças da pista de carros, que têm encaixe tipo puzzle, mas é para fazer andar o comboio 🙂

Começou também a ver o Thomas the Tank Engine, que eu sempre achei que fosse uma seca mas ele gosta e passa o tempo a fazer sons de comboio.

Quanto à  televisão, continua fascinado com o Mickey e também gosta dos Little Einsteins. No entanto é bom ver que não fica horas agarrado à  TV. Mesmo que esteja ligada a manhã inteira ele só fica a ver o que lhe interessa e depois vai para o quarto brincar até ouvir o som de outro desenho animado que goste. É muito bom saber que já tem sentido crà­tico e não fica ali a aturar qualquer porcaria.

Como tem estado em casa esta semana, tenho tido mais tempo para o observar e é interessante notar que já brinca com mais intensão e que se concentra mais tempo em cada actividade antes de passar à  seguinte. Continua a gostar muito de desenhar com lápis de cor, de pintar, carimbar e brincar com plasticina e é sempre ele que decide quando é que lhe apetece cada uma dessas coisas.

Em termos de comunicação continua a ser principalmente não-verbal ou através de grunhidos, mas a mà­mica é muito expressiva e não deixa grandes dúvidas sobre o que quer.

No entanto, temos notado que já começa a dizer palavras novas e a imitar as palavras que nós dizemos assim como o que ouve na televisão. Já disse peixe, até logo e pera, não completamente articulados mas sem deixar dúvidas sobre o que estava a dizer.

Hoje fui buscar os carros que o Pedro tinha guardado de quando era miúdo e estive a dar-lhes uma boa escovadela com água e sabão para tirar o pó acumulado ao longo de anos. O mais giro é que o carro que o Tiago preferiu logo foi um de lata, daqueles mesmo antigos. Também temos uns robots de lata, daqueles que andam quando se dá corda, e ele gosta de brincar com aquilo por isso pode ter feito a ligação.

Ainda vou ter de escolher porque ele não precisa de 30 carros mas queria ver quais é que ele escolhia antes de guardar os outros.

A otite parece ter passado sem grandes problemas. Nunca mais voltou a ter febre e tem andado completamente normal e bem disposto. Só é azar que o tempo ande tão cinzento porque nem dá para o levar ao parque e acaba fechado em casa a semana toda.

A primeira otite

Ontem, quando fui buscar o Tiago à  escola, dei com ele muito choroso. Aparentemente esteve assim o dia todo e desconfiavam de dor no ouvido esquerdo.

De facto ele parecia mesmo doente e até fiquei espantada por não me dizerem nada mais cedo mas não estava inteiramente convencida que fosse o ouvido porque já tinham sugerido isso antes e não era nada. O Tiago tem o hábito de mexer nas orelhas quando tem sono e quando não quer que lhe mexam farta-se de gritar, o que nem sempre implica dor. Mas obviamente que fiquei preocupada e achei que ele devia ser visto o mais depressa possível.

Telefonei para a clà­nica da pediatra e perguntei se era possível uma consulta de urgencia mas disseram-me que estava tudo cheio e só com autorização da médica. Fiacaram com o meu contacto e esperei que ela ligasse. Entretanto levei o Tiago para casa, sentei-o no sofá a ver o Mickey para se distrair um bocado e fui vendo a temperatura e tentando examinar a zona do ouvido para ver se se queixava. Não se queixou e comecei a achar que não devia ser o ouvido afinal. No entanto, por volta das cinco e meia a temperatura começou a subir.

à€s seis ele já se estava a queixar muito outra vez e como a pediatra não ligava optei por lhe dar um benuron. Pouco depois ele deitou-se no sofá e acabou por adormecer. Dormiu duas horas e nada de telefonema.

A pediatra acabou por ligar já depois das oito da noite, quando já tinha saido do consultório. Eu por esta altura já achava que ele estava só com uma gripe mas fiquei de marcar consulta se por acaso ele voltasse a queixar-se dos ouvidos.

à€ hora de jantar o Pedro voltou a fazer o teste de por-lhe o dedo no ouvido e, se no lado direito ele não reagia, no lado esquerdo queixava-se de facto. Resolveu ligar aos meus sogros que vieram imediatamente ver o ouvido do Tiago e comprovaram que de facto está todo vermelho. Receitaram antibiótico que o Pedro foi comprar à  farmácia de serviço (como sempre) e ainda tomou a primeira dose ontem à  noite.

Durante a noite fomos vendo se voltava a ter febre mas não passou dos 37. Só já de manhã, depois de comer e tomar o antibiótico é que a temperatura voltou a subir. Dei-lhe o Brufen e ele em estado bastante bem disposto toda a manhã.

No meio disto tudo o mais chato é que fomos arranjar uma pediatra para os avós não terem de ser os maus que andam sempre a ver os ouvidos e a garganta e acabaram por ter de o fazer à  mesma. Já percebi que ligar para a clà­nica não adianta e da próxima vez tenho que ir logo para lá e acampar na sala de espera até o miúdo ser visto. É que uma coisa é ser uma mãe histérica que está sempre caà­da no médico sem razão, mas deixar o miúdo em sofrimento um dia ou dois quando isso é desnecessário também não é correcto. Là  porque é o primeiro dia de sintomas não quer dizer que não valha a pena tirar a dúvida.

Enfim, lá fica o Tiago em casa mais uma semana. Aposto que vai chegar montes de trabalho só para dificultar as coisas…

– Doces em FimoDoces em Fimo

Cake earringsDesde miúda que gosto de casas de bonecas com todos aqueles fantásticos pormenores em miniatura. A comida, e especialmente os doces, sempre foram das minhas miniaturas favoritas e como tal sempre quis experimentar fazer algumas.

Depois de passar uns dias a brincar com a plasticina do Tiago resolvi finalmente agarrar no caderno onde tenho vindo a acumular esboços de ideias e comecei a moldar algumas peças em Fimo. Já tinha todos os materiais necessários e ferramentas mas pouco tinha experimentado até aqui a não ser para fazer algumas contas e anéis relativamente simples. Este tipo de miniaturas realistas dão muito mais trabalho mas também são um gozo de fazer.

O resultado está no Flickr e algumas peças também já estão na loja.

Agora ando ocupada com outros projectos mas assim que puder ainda tenho mais umas ideias para acrescentar à  lista.Cake earringsDesde miúda que gosto de casas de bonecas com todos aqueles fantásticos pormenores em miniatura. A comida, e especialmente os doces, sempre foram das minhas miniaturas favoritas e como tal sempre quis experimentar fazer algumas.

Depois de passar uns dias a brincar com a plasticina do Tiago resolvi finalmente agarrar no caderno onde tenho vindo a acumular esboços de ideias e comecei a moldar algumas peças em Fimo. Já tinha todos os materiais necessários e ferramentas mas pouco tinha experimentado até aqui a não ser para fazer algumas contas e anéis relativamente simples. Este tipo de miniaturas realistas dão muito mais trabalho mas também são um gozo de fazer.

O resultado está no Flickr e algumas peças também já estão na loja.

Agora ando ocupada com outros projectos mas assim que puder ainda tenho mais umas ideias para acrescentar à  lista.

Mais uma reunião de condomà­nio

No espaço de um mês esta já é a quarta reunião de condomà­nio do prédio. A primeira foi porque os inquilinos não estavam satisfeitos com o trabalho da empresa que geria o condomà­nio e resolveram votar acabar com o contrato e quem é que os iria substituir. A segunda foi para os mandar embora. A terceira foi para eleger oficialmente o substituto e decidir o que era preciso fazer este ano e a quarta foi ontem.

Como o Pedro foi à s 3 primeiras para ter a certeza que o problema da chaminé ficava como prioridade ontem fui eu. Agora que as reuniões são só vizinhos a discutir uns com os outros, tornaram-se brutalmente longas e muito pouco eficientes. Acaba por se votar a mesma coisa duas e três vezes e ninguém se entende.

Ontem ficou decidido que se vai avançar com a obra das chaminés, partindo os andares todos um a um para trocar os actuais tubos de plástico por tubos novos. Vai ser coisa para durar o resto do ano, se ficar pronto este ano e entretanto continuamos em risco de um dia destes morrer intoxicados. Mas pronto, se se fizer já não á mau.

Entretanto as vizinhas de baixo continuam a moer-me o juizo com a história da infiltração. Uma diz que tem a parede amarela mas que parece seco e a outra tem fungos e uma mancha amarela no sí­tio do tubo de esgoto do prédio mas continua a insistir que vem de cima porque não quer voltar a partir a sua casa de banho. Pelo meio recusa-se a admitir que quem lhe fez a obra era nabo porque devia ter partido ali para confirmar se havia ruptura e também se recusa a admitir que me mentiram descaradamente dizendo que não havia canos naquele sí­tio. Ainda por cima receberam quase 500 euros do meu seguro, que era para estucar e pintar a parede, e em vez disso meteram uma placa de pladur que deve custar uns 50 e usaram o resto para pagar a remodelação que decidiram fazer porque lhes apeteceu.

Ontem aproveitei para esclarecer a questão o mais que pude mas estas pessoas vivem na sua cabeça e estão completamente em negação. Por mais lógicos e racionais que sejam os argumentos a reação é sempre meter os dedos nos ouvidos e gritar ‘lalala não fui eu’ (metaforicamente falando, claro).

Pelo menos deixei claro que enquanto não me provarem que o problema vem mesmo da minha casa não parto nada e agora façam o que entenderem.

Com tudo isto cheguei a casa bastante depois da meia noite, muito irritada e sem tempo para me sentar um bocadinho a acalmar.

Odeio ter vizinhos.