Avaliação do Tiago

Fomos à reunião de final do ano do Tiago. Não teve grandes surpresas e não sabia que tinha de levar uma pen para ficar com as fotos que a educadora andou a tirar durante o ano.

No geral é o que já sabiamos. O Tiago começou o ano muito isolado, sem interagir com as outras crianças e mesmo sem grande confiança nos adultos. Nos últimos meses, porém, já está mais bem integrado e até já tem um ou dois colegas com quem brinca regularmente e de quem parece gostar.

Acho tudo isso perfeitamente normal para quem esteve em casa sozinho com a mãe durante 18 meses. Se não tivesse evoluído é que seria estranho mas eu própria tenho notado uma grande modificação no seu comportamento para com os outros nos últimos meses.

Já não reage mal quando se aproxima alguém que não conhece, cumprimenta as pessoas e começou a gostar de brincar com outros miúdos quando vamos ao parque infantil. Também começou a puxar-me e ao pai quando quer companhia nas brincadeiras e eu ultimamente também tenho que descer pelo escorrega depois dele. Nota-se então que começa a achar mais piada brincar com alguém do que sozinho.

Gosta muito de pintar, colagens e todo esse tipo de actividades de expressão plástica, que também faz em casa. Também gosta muito de música e de fazer barulho com instrumentos musicais e reparei recentemente que começou a tentar cantar, senão as notas certas, pelo menos o ritmo das músicas que acho absurdamente giro 🙂

O treino de bacio não vai muito bem, nem na escola nem em casa. Tem de se despir todo em vez de se limitar a baixar as calças e na escola faz xixi no bacio mas depois entorna tudo, pisa, etc. Acaba sempre por ter de tomar banho. Em casa dá pontapés no bacio e, apesar de já ter usado a sanita algumas vezes, é só à noite antes de banho e às vezes ainda prefere fazer para o chão ou esperar até estar no banho. Já me sugeriram tirar-lhe a fralda mas ele nem se queixa quando tem a fralda suja. Não sei se iria funcionar.

A educadora também disse que a atenção do Tiago é de curta duração e que não é capaz de ficar sentado no tapete como os outros, algo que eu já previa. O Tiago é extremamente mexido e raramente se concentra na mesma actividade durante um periodo longo. Ultimamente já acontece mais mas não é muito frequente. Não sei se há grande coisa a fazer em relação a isso.

Acho que ele se farta das coisas quando deixam de ter desafio e vai à procura de algo mais estimulante. Quando consegue finalmente encaixar uma peça, resolver um puzzle, etc, faz aquilo imensas vezes mas passado algum tempo percebe que é sempre a mesma coisa e aquilo deixa de lhe interessar.

O problema é que se não lhe apetece ouvir uma história, por exemplo, não há nada a fazer e até vem fechar-me o livro porque não é o que ele quer. Isso na escola deve dar alguns problemas porque têm alturas especificas para cada actividade e não está dependente do que lhe apetece. Mas o que é estranho é que a educadora diz que se ele estiver ao colo já fica quieto e com atenção, o que me leva a crer que não é propriamente um problema de concentração.

Por fim falámos na questão da linguagem que, obviamente continua a ser uma barreira. O Tiago comunica muito bem mas por não falar dá origem a algumas situações de birra que podiam ser evitadas porque nem sempre conseguimos adivinhar o que ele quer.

As birras tornaram-se muito mais óbvias nos últimos tempos. Felizmente não são violentas. Pelo contrário, o Tiago é sempre muito meigo, dá beijinhos e abraços, tem empatia e vai um abraço ao pai quando se magoa ou ao leão do livro que tem um espinho na pata.

As birras dele consistem em atirar-se para o chão e berrar muito. Fica mole e não deixa que lhe peguem ao colo pelo que é impossível confortá-lo ou acalmá-lo. A educadora, depois de ter tentado todos os truques chegou à mesma conclusão que nós: temos de o deixar berrar tudo sozinho e vir ter connosco quando se fartar.

Do que tenho observado no comportamento do Tiago, aquilo que mais me diverte é vê-lo a por os brinquedos a dar beijinhos. É mesmo fofinho 🙂 E já não são só os ursinhos – são os carros, as girafas, em que uma é a mamã ou o papá e a outra é o bebé, etc.

O ursinho também passou a ser o bebé e no fim de semana ficou todo feliz quando fomos por uma fralda no seu bebé.

As brincadeiras são cada vez mais imaginativas e os bonecos já falam uns com os outros e imagina situações para eles (que não compreendo porque a sua linguagem é incompreensível para mim). Também já consegue montar sozinho as pistas de carros e do comboio, cujas peças ancaixam tipo puzzle, e brinca imenso tempo com aquilo.

1 Comment

  1. desculpa estar a meter a colher, mas a história do desfralde tem alguns contornos semelhantes ao desfralde da minha miúda 🙂

    ela tb nunca se queixou, ou incomodou, ou disse ou o que quer que fosse qd tinha cocó ou xixi. no verão dos 2 anos tentei tirar a fralda por insistência dela, que queria um bacio…

    não resultou. não conseguia controlar-se nem pedir a tempo nem nada.

    cada um tem o seu ritmo (pensei eu, a consolar-me do dinheiro que gastava em fraldas, e que pelos vistos ia continuar a gastar…).

    e o que é certo é que, já com outro tipo de autonomia e desenvolvimento, aos 2 anos e 3/4, num inverno qs primavera, me disse muito firmemente que queria usar cuecas e mais nada.
    do dia para a noite começou a ir ao bacio e só na primeira manhã teve descuidos. de resto, nunca mais!!!!!!!

    para quem nunca me dizia se estava suja ou se tinha vontade, bem, que espanto.

    afinal, era mesmo só esperar que isto vai qd tiver de ir. assim.

    🙂

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