Malas e sapatos

Ao fim de anos a lutar contra a ridicula moda das malas gigantes, acabei finalmente por ceder e comprar uma. Não por uma questão de moda mas porque agora realmente começou a dar jeito ter uma mala maior.

Comecei por andar com uma mala da Furla que comprei na viagem a Milão. Cabia tudo e era aberta em cima ma as alças eram curtas e não dava muito jeito para perseguir o Tiago no jardim infantil. Mudei então para uma CK com alça comprida que permitia usar a tiracolo mas que acabou por ter um tamanho insuficiente e perdi umas luvas e uns óculos escuros porque não cabia tudo lá dentro.

Com a necessidade de arranjar uma mala com um tamanho suficientemente grande para as coisas do costume – chaves, carteira, óculos, bloco de notas, etc – mais as coisas do Tiago que passei a ter de carregar todos os dias – água, bolachas, chapéu, óculos escuros, brinquedos, fruta…. – fui ver o que havia nas lojas.

A conclusão a que cheguei é que comprar uma mala com o tamanho certo, a alça comprida, uma cor neutra e um aspecto que não provoque vómito é muito complicado. Vi umas que gostei mas não tinham a alça, outras custavam perto de 500 euros e finalmente acabei por me render a uma mala da Sisley que até nem era feia, em azul escuro e com alça, só que bastante maior do que seria necessário.

Já percebi que o maior problema das malas grandes é que acabo por carregar muito mais do que o necessário. Dantes estava sempre a trocar o que tinha na mala para levar apenas o essencial. Agora, como cabe tudo ando com a casa ao ombro. E é ainda mais impossível encontrar alguma coisa na mala sem deitar tudo fora e começar de novo – procurar a carteira no café enquanto prendo o Tiago entre as pernas para não sair a correr para a rua é um grande desafio –  mas pronto, pelo menos nunca mais me esqueci de nada essencial, o que é bom.

Haverá alguns homens a ler isto e a pensar – mas que raio! Para quê dar tanta conversa por causa de uma mala! – mas é porque ainda não compreenderam que uma mulher está completamente perdida sem a sua mala. Acho que saimos mais facilmente de casa sem cuecas do que sem mala. É uma espécie de boia de salvação, é o nosso mundo em miniatura.

Para além disso, quando uma mulher vê outra acho que as primeiras coisas em que repara são os sapatos e a mala. Posso usar roupa nova todos os dias sem ouvir qualquer comentário mas se tenho uma mala nova é mais que certo que outras mulheres com quem converse vão falar sobre ela. Acho que é porque andamos sempre à procura do modelo perfeito, aquele que leva tudo ser ser pesada, que combina com toda a nossa roupa, o objecto impossível.

Uma amiga da minha mãe, como não conseguia encontrar ‘a mala’ que dava com tudo arranjou uma solução fabulosa para não perder muito tempo quando precisava de mudar as suas coisas de uma mala para outra: tinha uma bolsa de plástico transparente com todas as suas coisas lá dentro para mudar tudo de uma só vez – uma espécie de mala dentro da mala.

E das malas para os sapatos, outra obcessão feminina.

Agora que já passou algum tempo não posso deixar de mencionar que os sapatos da Fly London que comprei há cerca de um mês são de facto fenomenais. O modelo chama-se Yuna e estou com vontade de ir à procura dos azuis para poder usar alternadamente.

Para além de serem super bonitos, a sola é almofadada e como o salto é compensado são quase tão confortáveis como sapatos rasos. O salto de cunha é o único salto que vale a pena usar se queremos evitar torturar os nossos pés e em conjunto com o cabedal super mole do sapato, este é tão confortável que o consigo usar o dia todo sem magoar. O único problema é a minha tendência para torcer os pés, que num salto compensado pode magoar a sério.

De resto, os sapatos magoaram-me o calcanhar da primeira vez que os usei, mas foi porque fui um bocado burra e usei-os logo sem meias. Depois de mais dois dias com meias não voltaram a magoar.

É bom saber que há marcas portuguesas capazes de fazer coisas verdadeiramente excelentes e estou desejosa de ver a colecção de inverno porque quero umas botas com o mesmo salto em cunha. Havia umas muito giras o ano passado mas já não fui a tempo. Espero que as deste ano sejam igualmente fabulosas.

Nota mental: tive que comprar o número acima do normal nos sapatos. Será só deste modelo ou de todos?

3 Comment

  1. Em relação aos Fly, totalmente de acordo!! Maravilha!!!!!

  2. Eu também gosto muito da Fly London – dá-me um gozo tremendo usar algo que é tão giro e made in portugal. Eu adoro as minhas sandálias Viola, são muito confortáveis e mandei vir em 38, que é o meu tamanho normalmente. Apesar de serem sandálias já experimentei outros modelos em loja e o 38 (UK 5) serviu-me igualmente, mas a tua observação já li em várias reviews, que têm que pedir o número acima, logo deve depender dos modelos.
    Vai espreitando na amazon.co.uk, que agora também já entrega sapatos em Portugal, às vezes faz uns saldos loucos nos Fly London.

  3. Andei imenso tempo à procura dos sapatos da Fly e descobri que as lojas onde costumava comprá-los fecharam todas e nessa altura considerei encomendar da Amazon, mas entretanto já encontrei 3 onde passo de vez em quando por isso não cheguei a encomendar online.
    Se a marca é Portuguesa parece um bocado ridículo ter de encomendar os sapatos de inglaterra 🙂

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