Natal

Felizmente no dia 24 já me sentia um bocadinho melhor, apesar de continuar doente. Fomos para casa dos meus tios mais cedo do que é habitual para poder ver o meu irmão e família antes deles irem para Borba e trocarmos as nossas prendas.

O Tiago voltou a ter o comportamento habitual com o Gabriel e todos os meninos mais pequenos, que é empurrá-los assim que se aproximam demasiado. Não me parece que seja um empurrar por maldade. É mais um gesto de protecção para ele próprio porque na escola já foi mordido e empurrado e aprendeu finalmente a defender-se. O problema é que agora não deixa que ninguém se aproxime sem ter esse instinto de os afastar imediatamente. Não quer com isso dizer que não se note um certo gozo no facto de conseguir efectivamente afastar ou fazer cair os outros. O Tiaguinho gosta obviamente de se sentir grande e forte e não há forma melhor do que empurrar os mais pequenos. E os miúdos mais pequenos têm sempre uma atracção pelos mais crescidos mas não compreendem essa coisa do espaço pessoal. Como estão com pouco mais de um ano e ainda não se equilibram bem em pé, também é mais fácil irem parar ao chão.

Passadas umas horas, depois do Gabriel se ir embora, foi a vez do Tiago ser o mais pequeno. O Daniel, que estava muito feliz a exibir os seus dotes de artes marciais, a certa altura encostou o Tiago à parede agarrando-lhe pelo pescoço. O Pedro estava lá e explicou que não se podia fazer aquilo e o Daniel, que é mais crescido, compreendeu e parou. O Tiago estava feliz da vida porque os meninos mais crescidos estavam a brincar com ele e não se importou nada, apesar das brincadeiras serem sempre do estilo fecharem-se todos num quarto menos o Tiago que não podia entrar. Enfim, são todos iguais.

Mas como digo, o Tiago não se preocupou minimamente com a segregação e fartou-se de correr e brincar às escondidas e à apanhada, principalmente com a Francisca que esteve sempre com muita paciencia. Cada vez que paravam lá vinha o Tiago ‘anda, Francisca!’ e iam os dois outra vez correr pela casa. A certa altura deixei de me preocupar e deixei-os em paz. Como não ouvi ninguém chorar parecia estar tudo bem.

Estive sempre um bocado enjoada e não comi grande coisa. O Tiago aguentou-se até às prendas mas depois começou a ficar demasiado cansado e as últimas já nem abriu. Acho que com ele o gozo é maior se tiver uma prenda de vez em quando e tempo para brincar com ela do que cinco ou seis de seguida.

Levei-o para o carro ao colo, já com a cabecinha encostada no meu ombro e adormeceu assim que o carro começou a andar.

No dia 25 acordámos tarde e fomos almoçar a casa dos meus sogros. Foi um ambiente mais calmo e com menos gente e até o número de prendas foi bastante menor este ano, o que facilita o transporte para casa.

Demos ao Tiago uma cozinha porque eu acho que não pode ser só carros e esse preconceito de que as cozinhas são só para meninas tem de acabar. É claro que também teve carros e helicópteros e toda a espécie de veículos mas assim é mais equilibrado 🙂

No domingo a Carla e a Elsa vieram visitar-nos e trocar as nossas prendas. O Tiago, com duas meninas para quem se exibir, começou a tentar levantar a mesa da sala e a dizer ‘Tiago, forte!’. Foi hilariante 😀

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