As birras do fim de semana

Este fim de semana o Tiago atingiu um novo nível de agressividade nas suas birras. Teimoso sempre foi e tem uma resistencia muito baixa à frustração que resulta diversas vezes em atitudes como atirar com os brinquedos que não se portam como ele quer.

Nós vamos tentando o discurso racional sobre como a culpa não é o brinquedo alternado com o ralhar porque ‘não se atira com as coisas porque pode magoar’ e em casos extremos é posto de castigo, ou seja, deixado no seu quarto durante um bocado – a duração depende da gritaria e gravidade do comportamento – seguido de uma conversa calma sobre o que se passou. Ele geralmente pede desculpa e diz que não faz mais mas por vezes pouco tempo depois está outra vez a testar os limites e é preciso dar-lhe tempo outra vez para se aperceber que não é sendo irritante que consegue o que quer.

Este fim de semana, porém, as coisas chegaram a um ponto em que nunca tinham chegado antes. De manhã fez a sua dança do costume com o pequeno almoço – primeiro diz que quer uma coisa mas afinal quer outra, choraminga, etc. Ao almoço o pai perguntou se ele queria batatas ou esparguete. A sua resposta foi ‘esparguete comi ontem’ e por isso o pai fez batatas. Quando o almoço estava pronto afinal queria esparguete. Empurrou o prato e recusou-se a comer.

Ao fim de um bocado fui dar com ele a espetar o garfo em plasticina e sem qualquer interesse na comida, por isso tirei-lhe o prato. Passados uns minutos o Tiago agarrou num banco (daqueles de plástico do IKEA para crianças) e atirou-o com toda a força. Os pés saltaram e um deles passou por mim mesmo a razar e o Tiago lá estava com um ar extremamente satisfeito. Fartei-me de gritar com ele e ficou no quarto de castigo, onde aproveitou para desfazer a cama e atirar o colchão para o chão.

Ficámos numa situação complicada porque os meus sogros tinham ficado de vir buscar o Tiago depois do almoço e ele nem comeu nem merecia ir passear. Era uma luta entre disciplina e egoísmo. O egoísmo ganhou, claro. Que se lixe, vai lá passear que pelo menos assim temos uma tarde calma. Se calhar somos péssimos pais mas é tão raro termos um bocadinho ao fim de semana sozinhos que não eramos capazes de abdicar dele só para sermos mais teimosos que o nosso filho de 3 anos.

O Pedro conseguiu que o Tiago se vestisse e enquanto esperavamos pelos meus sogros eu consegui convencer o Tiago a comer a carne usando o truque do ‘já que não comes, como eu’, sempre muito eficaz nestas idades.

Pelos vistos voltou a fazer birra na praia, com os avós – acho que resolveu comer areia, recusou-se a vestir ou limpar a areia do corpo ao sair da praia e ainda teve a lata de exigir um gelado como se fosse um direito irrevogável (obviamente os avós não lhe deram o gelado devido ao mau comportamento).

À noite tivemos mais uma cena. O Tiago pediu sumo, depois do jantar. Eu levei-lhe o sumo num copo. Ele disse que não queria o copo, queria um dos pacotes pequeninos. Eu disse que o sumo era o mesmo mas que ele não tinha que beber se não queria e pousei o copo na mesa. Ele continuou sentado a ver os desenhos animados sem dizer mais nada mas a certa altura, já uns bons minutos depois, agarrou no copo e atirou-o com toda a força para o chão. O copo era de plástico e mesmo assim ficou feito em bocados. O sumo ficou espalhado por todo o chõ da sala e foi preciso lavar três vezes até deixar de se agarrar à sola dos sapatos.

O Tiago voltou para o seu quarto mas não ficou. Esteve no hall, encostado à porta da sala a dizer que queria água repetidamente até eu não aguentar mais. Fui ter com ele, ele pediu desculpa e disse que não voltava a atirar o copo. Fui com ele par a casa de banho lavar os dentes e ele começou a ser teimoso outra vez. Mais uma sessão de gritos seguidos de explicações racionais – a única técnica até agora que funciona para acabar com as crises porque ele fica um bocado confuso e não sabe bem como reagir – e consegui vestir-lhe o pijama e mete-lo na cama e adormeceu pouco tempo depois.

Fiquei um bocado preocupada com a agressividade destas birras e espero sinceramente que seja uma coisa passageira. Se as coisas estão assim agora, nem quero imaginar como será a reacção ao nascimento da irmã e à mudança de casa. O facto da educadora ir de férias em breve também não vai ajudar…

7 Comment

  1. acabo de ler no blog do Pedro a outra faceta do Tiago. 😉

    Estas birras são normais, é ele a testar os vossos limites, por isso vcs tem de ter mais força do que ele, e muita calma, mesmo muita calma. Experiências de uma vida passada.

  2. aaaaaaiiiiiiiiiiii como eu me revejo nestas palavras!! é um desespero! mas depois vêm os beijinhos e os dias em que se portam bem e esquecemos tudo. bj

  3. Um pouco antes da Oriana nascer uma colega de faculdade que já tem um miúdo e uma miúda mais nova deixou-me este comentário: “Prepara-te, vai ficar ainda pior.”
    Obviamente que não gostei nada de receber o comentário, o que nós queremos ouvir é sempre “é normal”, “são fases”, “vai passar”, “o meu é ainda pior”. A verdade é que tinha sempre aquele comentáriozinho a ressoar na cabeça e ajudou a sentir-me um pouco mais preparada para o que aí vinha.
    O Gabriel depois de nascer a irmã foi / tem sido assim: Teve um pequeno retrocesso nos xixis, durou pouco tempo e agora até vai sempre à casa de banho assim que precisa e sozinho. Sempre adorou a irmã e nunca notamos qualquer atitude de ciúmes. As maiores birras são para comer e arrumar os brinquedos. Está constantemente a exigir atenção, quer tudo agora já, neste preciso segundo. Sempre que precisa esperar um bocadinho ou é contrariado começa numa choraminguice imediata.
    Continuou sempre a vir dormir para a cama dos pais durante a noite e só adormece com companhia do pai ou mãe no quarto. Agora que a irmã partilha o quarto com ele começou finalmente a de vez em quando dormir toda a noite na cama dele. (isto do dormir começou cerca de mês e meio antes da irmã nascer, antes disso sempre adormeceu sozinho e dormia bem a noite toda)
    Os castigos cá em casa consistem em sentá-lo, afastá-lo da origem da birra, dizer que descanse um bocadinho, esperar que acalme e depois ele conta até 20 devagarinho.

  4. Tudo normal,cá em casa é a mesma coisa e quanto mais velhos vão ficando mais requintadas são as birras,o meu de 4 anos leva-me ao desespero e faz-me contar até 2550 “n” vezes ao dia,mas não podemos ceder nunca,eles vão continuar a testar-nos até ao limite e quando pensamos que acabou eles inventam outra and so on and so on….haja paciência,muita paciência!

  5. Peço desculpa por discordar de algumas coisas e dos comentários…no meu caso, se a coisa cá em casa chega a esse ponto, é uma palmada e mais nada. Primeiro a palmada. Depois sim, pergunto porque a mereceu. Já são três filhotes e a coisa funciona.
    Um bj

  6. O Tiago raramente reage a palmadas, mesmo não levando muitas. Deve variar muito com os miúdos mas das poucas vezes que apanhou alguma, já por desespero nosso, não parece ter dado grande efeito. Deixá-lo sozinho um bocado, sim, costuma ter resultados. Mas como digo, deve depender da criança, e possivelmente dos pais 🙂

  7. Pois, secalhar será isso. Nós tb não temos prazer nenhum em bater mas, de vez em quando é preciso e fazemos sempre questão de perguntar se perceberam a razão da palmada. Acho graça é à resposta deles, que é sempre certeira.
    Boa sorte por aí!
    Bjs

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