Conta a história do Tiago

O Tiago está agora com 3 anos e 8 meses e é um miúdo muito imaginativo. Gosta muito de ouvir e contar histórias, mistura elementos de diversas histórias e acrescenta os seus para contar novas histórias.Gosta de ver filmes de desenhos animados mas quer o pai ou a mãe sentados ao lado a contar à história ao mesmo tempo. Quer perceber o que se está a passar e sentir que tem quem lhe responda às dúvidas que o filme vai suscitando. Isso para mim é óptimo porque posso por-lhe filmes em inglês e explicar a história. Ele vai-se habituando a outra lingua mas percebe o que se passa e eu não tenho que aturar tantas dobragens.

Os brinquedos também vão mudando de função de acordo com a história do momento. Uma casinha de brincar pode ser muitas coisas diferentes – é uma garagem, uma casota de cão, uma nava espacial, um Wall-E que guarda lixo lá dentro, um robot…

Mas o mais giro nesta fase é quando ele diz ‘mãe (ou pai), conta a hisória do Tiago’. Aí nós começamos ‘era uma vez um menino chamado Tiago que gostava muito de brincar. Neste dia estava a beber o seu sumo /inserir actividade do momento/ quando apareceu um robot que disse: olá Tiago, o que estás a fazer?’ e continuamos a descrever o que ele faz, fez ou vai fazer e vamos entrando num mundo imaginário com elementos reais e outros fictícios. Acho fantástico ele perceber que pode inventar histórias novas e que pode ser o personagem central.

Nas suas brincadeiras o Tiago está a demonstrar ser um bocado control freak como a mãe. Ele é que decide em que brinquedos podemos mexer e escreve-nos o diálogo e tudo. ‘Mãe, toma o robot amarelo. Agora dizes ‘Wall-e, o que estás a fazer?’ e o Wall-e diz ‘estou a apanhar lixo.’ Está bem mãe?’ e eu tenho de seguir as instruções à risca.

Também gosta muito de recrear fisicamente cenas de filmes, coisas que viu na rua ou na escola – acho que se continuar, para o ano vai para o teatro…

Em termos da linguagem, continua com alguma dificuldade com as letras do costume – L e R – mas não em todas as palavras. No entanto tem um discurso muito pormenorizado e descritivo. Às vezes tem dificuldade a fazer sair uma palavra e tenta começar a frase diversas vezes até sair bem mas não desiste enquanto não soa ao que ele quer. É um pouco irritante para quem está à espera de perceber o que raio é que ele quer mas admiro a persistencia.

Para terminar, não resisto a catalogar as gracinhas do momento. No outro dia viu-me com a escova de cabelo na mão e perguntou o que era. Eu disse que era para pentear o cabelo e comecei a escovar o cabelo dele. Ele afastou-se e disse ‘não mãe, não preciso. Sou lindo assim!’ 🙂

Outro dia, sentado á mesa disse ‘isto é uma bolinha de chocolate (ou algo semelhante – já não me lembro o que estava a comer). Gosto de chocolate.’ Pausa. ‘E de sumo, e de robots, e de naves e de botões.’ Fartei-me de rir e fez-me lembrar a lista de coisas de que o Monk tem medo.

Ontem esteve a brincar com o Pedro a nomear objectos da cozinha. Quando o Pedro apontou para algo que não pertencia à cozinha levou com um ‘não, pai. Só coisas da cozinha’. De facto já sabe o nome de tudo e para que servem as coisas. A nossa favorita é o ‘frigorisco’.

Deixe uma resposta