Intolerante

Fizemos a experiencia: uma semana de papa não láctea seguida de um dia de papa láctea. Aguentou duas horas e vomitou. Está então confirmada a intolerancia ao leite de vaca.

De todas as chatices que podem acontecer com um bebé, não é das piores nem nada que se pareça, mas vai ser complicado desmamar a miúda e arranjar-lhe substitutos para o leitinho. Implica nada de iogurtes, sobremesas lácteas e muito cuidado com os ingredientes de uma série de produtos daqui para a frente.

O susbtituto obvio é o leite de soja mas a minha sogra já avisou que os bebés não costumam gostar por isso estou a ver que a dificuldade das refeições não deve melhorar tão cedo.

Por outro lado a sopa já vai melhor mas em pequena quantidade. A fruta já é pedir muito e acaba geralmente em choradeira.

Desastrada

O sábado passado foi uma grande confusão. A minha mãe tinha combinado ir buscar o Tiago depois de almoço e eu fiquei logo a antecipar uma tarde calma para descansar um bocadinho. Para conseguirmos aproveitar a tarde, eu e o Pedro passámos a manhã a tratar das tarefas que têm de ser feitas diariamente – dar comida aos gatos, limpar os caixotes, deitar lixo fora, por roupa na máquina, fazer compras, etc. Foi precisamente nesta última tarefa que se deu o primeiro acidente.

O Pedro tinha saà­do para ir ao supermercado e eu estava sentada a por a roupa na máquina. Abri o armário para tirar o tira-nódoas, distraà­-me com a conversa do Tiago e deixei o armário aberto. Depois ele disse que queria comer já não sei o quê, levantei-me para ir buscar o que ele pediu e bati com o topo da cabeça na esquina da porta do armário. Acho que nunca tinha dado uma cabeçada com tanta força.

Fiquei um bocado sentada, agarrada à  cabeça e o Tiago pergunta ‘mãe, não te consegues levantar?’. Por momentos pensei que estivesse preocupado comigo mas rapidamente mudei de ideias porque quando fui buscar gelo para por na cabeça ele começou a dizer que queria chazinho. Chazinho? Mas o que é que o fez lembrar disso de repente? Depois lembrei-me: costumamos por cubos de gelo no chá, brincadeira que o Tiago adora. OK, não está preocupado com a mãe, está só a precisar de qualquer coisa com que se entreter. Engoli os primeiros insultos que me vieram à  cabeça e fui fazer chá e deixá-lo por cubos de gelo lá dentro. Pelo menos enquanto o gelo derretia conseguia estar sentada um bocado a recuperar.

Quando fui espreitar tinha uma pequena ferida mas nada mais. Voltei ao trabalho.

Infelizmente o dia acabou por não correr como esperava. Todo o esforço adicional para ter a casa arrumada de manhã foi em vão porque a minha mãe atrasou-se e acabou por não levar o Tiago e, pelo contrário, acabei com a casa cheia de gente a tarde toda. Se não estivesse tão cansada não me importava nada mas numa altura em que ando a adormecer pelos cantos e cuja única ambição que tenho na vida é conseguir estender-me na cama cinco minutos que seja, trocar uma tarde de sábado calma por uma casa cheia de gente, por mais simpáticas que sejam as pessoas, é o suficiente para me dar vontade de chorar. Oh well…

Na segunda feira fui buscar o Tiago à  escola e caà­. Como esta cidade é um mar de escadas, incluindo a entrada do nosso prédio, costumo optar por levar a Joana presa ao peito em vez de levar o carrinho que é um pesadelo com degraus. Infelizmente, ter uma criança ao peito limita bastante o campo de visão e ando sempre com imenso cuidado, especialmente a subir e descer escadas.

O Tiago estava precisamente a subir uma escada, e eu a prestar-lhe atenção para ele não cair. Distraà­-me um segundo e não vi um degrau que estava num dà­tio estúpido – não era uma escada, era um patamar mas que tem um pequeno desnivel com um único degrau. Coloquei o pé demasiado à  frente e desiquilibrei-me.

Foi uma daquelas situações em que tudo desacelera e parece que temos imenso tempo para pensar apesar de não conseguirmos controlar a situação. Algures ali no meio aceitei que cair era inevitável e fiz o esforço de me segurar de forma a tentar evitar que a Joana batesse no chão. Estiquei os braços para aparar a queda e consegui. Sentei-me no chão para a examinar o mais que consegui mas vieram logo umas dez pessoas, um homem agarrou-me debaixo dos braços para me por de pé e nem tive tempo para perceber se estava magoada ou não. As pessoas foram todas muito prestáveis e acabaram por dispersar excepto duas senhoras que insistiam que eu me devia sentar e não pareciam querem aceitar não como resposta. Fui o mais simpática que consegui mas expliquei que tinha o meu filho e que morava perto e lá fui andando.

Algures aà­ pelo meio apercebi-me que me doà­a o tornozelo mas não era nada de insuportável. Um pequeno entorse. Liguei ao Pedro e depois à  minha mãe, deixando toda a gente em pânico. Aquilo que me preocupava era o abanão que a Joana levou com a queda, mesmo sem ter batido. Queria saber que sinais devia procurar na miúda para confirmar se estava tudo bem.

A minha mãe foi ter comigo a casa, examinou a Joana e confirmou que ela estava bem. O meu tornozelo tem uns tendões um bocado amarrotados mas não é nada que um anti-inflamatório, meia elástica e uns dias de descanso não curem.

Como o pé não doi o tempo todo sequer, convenci-me que hoje já estaria boa. Ontem a  minha mãe foi buscar o Tiago à  escola mas hoje tenho de ser eu e isso implica carregar o carrinho da Joana escadas abaixo o que não é muito compatà­vel com passar o dia de perna no ar. Convenci-me que estava bem de tal forma que passei novamente a manhã nas arrumações do costume – loiça na máquina, tratar dos gatos, etc – mas à s 11 comecei com dores no pé outra vez. Raios. Tenho a casa toda para arrumar, o amigo do Tiago devia vir cá hoje brincar com ele e assim não me safo. Só me apetece dar estalos a mim mesma por ser tão desastrada.

Joana, 6 meses

Na passada sexta feira a Joana completou 6 meses. Foi à  pediatra de manhã e continua a crescer bem mas não aumentou tanto de peso como até aqui, tendo descido para o percentil 25. Não tem nada de estranho, é apenas indicador de que o leitinho já não lhe chega e precisa de começar a comer outras coisas. Temos então o plano alimentar da Joana para os próximos 3 meses e agora é respirar fundo e insistir naqueli que para mim é a pior parte de ter um bebé – ensiná-la a comer à  colher.

Se gostam de jogos dà­ficeis, experimentem um dia destes dar as primeiras refeições à  colher a um bebé. É mais lixado do que parece. Primeiro passa-se montes de tempo a preparar a comida e depois é meia hora a dar a mesma colherada, que a criança cospe repetidamente. É das coisas mais frustrantes que alguma vez tive de fazer e quando o Tiago começou a comer sozinho foi um alà­vio.

Como a Joana vomitou a papa duas vezes, agora estamos a dar uma sem leite e tenho de tirar o meu leite para fazer a papa. Como não encontro a bomba tem de ser à  mão, o que demora imenso tempo. Depois deste esforço todo acaba por ir tudo para o lixo porque ela faz caretas cada vez que se aproxima a colher, vira a cara ou faz ‘brrrrrr’ salpicando papa por todo o lado. Tudo para evitar abrir a boca.

Consegui que abrisse a boca algumas vezes, fazendo-a sorrir com barulhos ou caretas mas assim que lhe enfio a colher na boca, à  traição, claro, empurra com a lingua, baba-se ou cospe mesmo tudo fora. A outra hipotese é deixar escorrer a papa até à  garganta engasgando-se e desatando a tossir, o que é ainda pior. Que parte disto é que é divertido?

Mas pronto, tem de ser e daqui a uns meses a coisa melhora.

Ontem conesgui que comesse o equivalente a uma colher de sopa – de sopa, precisamente. Foi uma grande vitória que duvido conseguir repetir tão cedo.

Fora isso a miúda continua super gira, simpática e bem disposta. Começou a dormir na sua própria cama porque me apercebi que estava programada para acordar a certas horas da noite mas isso não queria dizer que tivesse mesmo fome porque ocasionalmente voltava a adormecer antes de eu ter tempo de a alimentar. Agora espero um bocado antes de ir ao quarto dela para ver se começa mesmo a chorar, sinal de fome, ou se se limita a resmungar 5 minutos e volta a adormecer. à€ conta disso esta noite só tive de me levantar à s 5 da manhã porque à s 3 ela adormeceu novamente. Mesmo assim continuo a acordar várias vezes durante a noite o que é muito cansativo, especialmente com a acumulação de muitos meses.

O Tiago também foi à  consulta porque tinha acordado a meio da noite a gritar que lhe doia o ouvido e foi lá para ver se não seria uma otite. Afinal parece que não. É só o nariz entupido que faz muita pressão no canal auditivo e que lhe dá dores. Isto só acontece quando está deitado e muito graças à  famosa teimosia do Tiago que nem sequer aceita assoar o nariz antes de se deitar sem luta. É claro que em frente à  pediatra até foi buscar um lenço de papel para mostrar que o sabia fazer, mas depois em casa nem por isso.

O Tiago está a adaptar-se devagarinho à  irmã mas continua muito mimado, pede colo constantemente, quer que sejamos nós a dar-lhe a comida à  boca e choraminga muito em vez de falar quando quer qualquer coisa. Nós temos de arranjar um equilà­brio entre ensiná-lo que não pode ser assim e dar-lhe atenção positiva sem estar sempre a ralhar. É complicado.

O mais positivo foi ver que o Tiago começou a perceber que a Joana sorri quando ele lhe dá atenção e faz caretas, portanto ocasionalmente faz um grande show para ela, que o segue muito concentrada e vai sorrindo. É daqueles momentos que eu gostava de conseguir filmar mas sei que se tento estrago tudo.

Natal, fim de ano e stress

As últimas semanas têm sido emocionalmente difà­ceis. Primeiro foi o funeral da minha avó Luisa depois a visita à  minha avó Cãndida no hospital na véspera de Natal. Estava com um ar tão frágil e custou-me imenso não poder fazer nada para melhorar a situação. O Tiago também não ajudou ao espirito natalà­cio porque fez uma birra tremenda e foi complicado aguentar aquele dia.

O dia 25 já correu melhor, com almoço em casa dos meus sogros e prendas na nossa casa. O Tiago deixou metade das dele por abrir porque gosta mesmo é de explorar cada novo brinquedo antes de passar ao seguinte e acho que para o ano faz mais sentido dar-lhe uma prenda por dia do que todas no mesmo.

A passagem de ano foi em casa e à  meia noite já estava a dormir. Foi a primeira vez que não esperei pela meia noite e sinceramente nem me interessa. Ando cansada e sem grande vontade de celebrar. Costumamos passar o ano com os meus sogros mas este ano eles achavam que iam estar de serviço e com a Joana pequenina achámos que não valia a pena o sacrifà­cio.

No sábado passado tivemos a visita do Nelson e da Catarina, que já não viamos há imenso tempo. Vieram conhecer a Joana e a casa nova e o Nelson deu-nos uma cópia do seu livro de BD que foi publicado recentemente. Ele sempre desenhou muito bem e merece ter um album publicado mas é um grande feito conseguir efectivamente concretizar algo deste tipo.

No domingo fui visitar a minha avó que já saiu do hospital. Levei os miúdos porque sei que ver as crianças da famà­lia é das poucas coisas que ainda lhe fazem aparecer um sorriso na cara. Parece estar a recuperar, para sua aparente surpressa porque esteve tão mal que ficoucompletamente convencida que ia morrer. Para mim foi importante vê-la em casa, a falar normalmente e sem aqueles tubos todos. Quando se chega à  idade dela nunca se sabe quando vai ser a última vez que vejo a minha avó e se o pior acontecer antes da próxima visita, não queria que a última recordação que tinha dela fosse aquela imagem na cama do hospital na véspera de Natal.

Depois de almoço foi a vez da famà­lia do Pedro nos fazer uma visita. O Tiago diverte-se sempre imenso com os tios, o avà´ Sousa esteve a jogar ténis com a Playstation move até ficar cansado e eu estive a dobrar roupa porque domingo é o dia de tratar da roupa do Tiago.

Depois de por ambas as crianças na cama, o Pedro e eu ainda tivemos que ir perceber o que se passava com a máquina da loiça que estava a dar um erro qualquer e depois conseguimos finalmente sentarmo-nos no sofá a ver um episódio do How I met your mother.

Esta sexta feira a Joana faz seis meses. São seis meses de noites imterropidas e de ser mãe 24 horas por dia, literalmente. Ela dorme ao meu lado e acordo ao mais pequeno sintoma de movimento, dou-lhe de mamar pelo menos duas vezes por noite – 2 e 5 da manhã, por exemplo – passo os dias a tomar conta dela, entretê-la, ler-lhe histórias, suportá-la enquanto aprende a sentar-se, mudar fraldas, etc, etc. Quando ela dorme é geralmente por periodos curtos, tipo meia hora, em que eu tenho de trabalhar ou vestir-me ou arrumar a casa. Em cima disso apareceu uma nova preocupação que se prende com o facto da Joana ter começado a vomitar cada vez que come papa. É possível que seja uma reação ao leite que usam na papa e preciso de testar com uma papa feita com o meu leite mas desde a mudança que não sei onde está a bomba de leite.

A minha memória é inexistente neste momento e ando a deixar passar coisas importantes como o prazo de pagamento da escola do Tiago ou esquecer-me em que dia é que os meus sogros vão buscar o Tiago à  escola. Para uma pessoa que sempre foi muito certinha e cumpridora isto causa-me pânico. Nunca mais consegui fazer nada só para mim ou ter tempo para estar sozinha com o Pedro. Tenho compensado o stress com comida e no último mês e meio ganhei 3 kg portanto preciso de adicionar um stress adicional que é parar de comer e arranjar tempo para fazer exercí­cio.

Na sexta feira é também o dia da reunião de condomà­nio, algo que pode dar origem a novos conflitos porque sabemos que a questão das obras da nossa casa e do uso do sótão não são coisas inteiramente pacà­ficas no prédio e receamos o que possa surgir daà­. Andamos há meses a pensar em respostas, argumentos e atitudes a tomar para cada possível cenário e estou desejosa que essa data passe, de preferencia sem surgir nenhuma situação problemática.

Continuamos com a outra casa à  venda sem noção de quanto tempo demorará até essa questão se resolver, o que é complicado para as nossas finanças.

Passo o tempo a fazer listas e nada fica feito e não vejo grande possibilidade de mudança no futuro. Resta-me ter paciencia e respirar fundo.