Natal, fim de ano e stress

As últimas semanas têm sido emocionalmente difíceis. Primeiro foi o funeral da minha avó Luisa depois a visita à minha avó Cãndida no hospital na véspera de Natal. Estava com um ar tão frágil e custou-me imenso não poder fazer nada para melhorar a situação. O Tiago também não ajudou ao espirito natalício porque fez uma birra tremenda e foi complicado aguentar aquele dia.

O dia 25 já correu melhor, com almoço em casa dos meus sogros e prendas na nossa casa. O Tiago deixou metade das dele por abrir porque gosta mesmo é de explorar cada novo brinquedo antes de passar ao seguinte e acho que para o ano faz mais sentido dar-lhe uma prenda por dia do que todas no mesmo.

A passagem de ano foi em casa e à meia noite já estava a dormir. Foi a primeira vez que não esperei pela meia noite e sinceramente nem me interessa. Ando cansada e sem grande vontade de celebrar. Costumamos passar o ano com os meus sogros mas este ano eles achavam que iam estar de serviço e com a Joana pequenina achámos que não valia a pena o sacrifício.

No sábado passado tivemos a visita do Nelson e da Catarina, que já não viamos há imenso tempo. Vieram conhecer a Joana e a casa nova e o Nelson deu-nos uma cópia do seu livro de BD que foi publicado recentemente. Ele sempre desenhou muito bem e merece ter um album publicado mas é um grande feito conseguir efectivamente concretizar algo deste tipo.

No domingo fui visitar a minha avó que já saiu do hospital. Levei os miúdos porque sei que ver as crianças da família é das poucas coisas que ainda lhe fazem aparecer um sorriso na cara. Parece estar a recuperar, para sua aparente surpressa porque esteve tão mal que ficoucompletamente convencida que ia morrer. Para mim foi importante vê-la em casa, a falar normalmente e sem aqueles tubos todos. Quando se chega à idade dela nunca se sabe quando vai ser a última vez que vejo a minha avó e se o pior acontecer antes da próxima visita, não queria que a última recordação que tinha dela fosse aquela imagem na cama do hospital na véspera de Natal.

Depois de almoço foi a vez da família do Pedro nos fazer uma visita. O Tiago diverte-se sempre imenso com os tios, o avô Sousa esteve a jogar ténis com a Playstation move até ficar cansado e eu estive a dobrar roupa porque domingo é o dia de tratar da roupa do Tiago.

Depois de por ambas as crianças na cama, o Pedro e eu ainda tivemos que ir perceber o que se passava com a máquina da loiça que estava a dar um erro qualquer e depois conseguimos finalmente sentarmo-nos no sofá a ver um episódio do How I met your mother.

Esta sexta feira a Joana faz seis meses. São seis meses de noites imterropidas e de ser mãe 24 horas por dia, literalmente. Ela dorme ao meu lado e acordo ao mais pequeno sintoma de movimento, dou-lhe de mamar pelo menos duas vezes por noite – 2 e 5 da manhã, por exemplo – passo os dias a tomar conta dela, entretê-la, ler-lhe histórias, suportá-la enquanto aprende a sentar-se, mudar fraldas, etc, etc. Quando ela dorme é geralmente por periodos curtos, tipo meia hora, em que eu tenho de trabalhar ou vestir-me ou arrumar a casa. Em cima disso apareceu uma nova preocupação que se prende com o facto da Joana ter começado a vomitar cada vez que come papa. É possível que seja uma reação ao leite que usam na papa e preciso de testar com uma papa feita com o meu leite mas desde a mudança que não sei onde está a bomba de leite.

A minha memória é inexistente neste momento e ando a deixar passar coisas importantes como o prazo de pagamento da escola do Tiago ou esquecer-me em que dia é que os meus sogros vão buscar o Tiago à escola. Para uma pessoa que sempre foi muito certinha e cumpridora isto causa-me pânico. Nunca mais consegui fazer nada só para mim ou ter tempo para estar sozinha com o Pedro. Tenho compensado o stress com comida e no último mês e meio ganhei 3 kg portanto preciso de adicionar um stress adicional que é parar de comer e arranjar tempo para fazer exercício.

Na sexta feira é também o dia da reunião de condomínio, algo que pode dar origem a novos conflitos porque sabemos que a questão das obras da nossa casa e do uso do sótão não são coisas inteiramente pacíficas no prédio e receamos o que possa surgir daí. Andamos há meses a pensar em respostas, argumentos e atitudes a tomar para cada possível cenário e estou desejosa que essa data passe, de preferencia sem surgir nenhuma situação problemática.

Continuamos com a outra casa à venda sem noção de quanto tempo demorará até essa questão se resolver, o que é complicado para as nossas finanças.

Passo o tempo a fazer listas e nada fica feito e não vejo grande possibilidade de mudança no futuro. Resta-me ter paciencia e respirar fundo.

2 Comment

  1. Gosto de te ler 🙂
    Sempre muito realista e sucinta q.b. Tenho a noção de que não escreves para “nós”, mas para ti. No entanto, partilhas e isso é fantástico.
    Parabéns por este espacinho e que 2011 traga boas vibrações para vocês.
    Natacha

  2. nada posso dizer que possa trazer alívio ou resolver a situação, infelizmente porque gosto muito de vocês porque são acima de tudo really real people e isso é raro nos dias que correm e já chega porra!

    espero que a coisa amaine, que haja um pouco menos de stress, mais paz e serenidade, ultimamente parece mesmo que anda tudo ao rubro e manter a calma e algum estado zen é um teste à alma e em vez de acalmar é mais isto e aquilo, por estes lados também. é um passo de cada vez, um dia de cada vez.

    hang in there, i’m always blown away by your attitude and your fortitude, my dear angel!

    love, light & cosmic kisses

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