Quinzena de compras

O Pedro tinha uns dias de férias do ano passado por tirar por isso marcou-as para o final de Março. Como já fizemos o contrato de promessa de compra e venda da nossa antiga casa, avistando-se assim o final das nossas despesas a dobrar, resolvemos anteciparmo-nos e ir comprar os moveis que faltavam para a nossa sala, a única divisão que ainda tinha um ar pobrezinho e inacabado.

Na segunda começámos por algo mais mundano mas necessário, as compras de supermercado.

Na terça fui a Lisboa levar novas peças à loja da Rua da Rosa. Já não ia lá há um ano e tinha de aproveitar a disponibilidade do Pedro para babysitting. No caminho de volta para o metro, apanhando-me sozinha na rua desde que a Joana nasceu, ainda por cima no Chiado, rodeada de lojas, não resistir a entrar numa ou duas e comprar umas camisolas.

Na quarta foi a vez do IKEA. Passámos lá 5 horas às voltas, com a coitada da Joana a precisar desesperadamente de dormir mas a recusar-se a adormecer no carrinho. Se tomar decisões sobre moveis que vão ficar na nossa casa durante anos já é complicado, com a banda sonora de um bebé a chorar a coisa complica-se bastante, até porque não conseguimos desligar completamente o instinto que nos diz que deviamos sair imediatamente dali e ir para um sítio mais calmo onde o bebé se sentisse mais confortável.

Depois de muita discussão escolhemos os moveis de TV e uma secretária para a sala. Não estavamos convencidos com o sofá e estavamos quase a cometer o nosso erro usual de levar uma coisa que não gostamos só porque naquela loja não encontramos nada melhor mas ainda fomos a tempo de desistir antes de chegar à caixa. Como no IKEA temos de andar pelo armazém à procura das coisas, dá tempo para ouvir os nossos instintos e mudar de ideias.

Na sexta fomos à Moviflor ver sofás mas não ficámos convencidos com nada. Pelo caminho passámos noutra loja que tinha uns sofás giros. Um deles ficou marcado como uma possíbilidade pelos gadgets – tinha encostos móveis que se podem colocar em várias posições, braços que sobem, permitindo apoiar a cabeça quando se está deitado no sofá e assentos deslizantes, transformando o sofá numa chaise-longue curta (um bocado contraditório, eu sei). O preço é que era um bocado alto, mais precisamente o dobro do outro sofá que tinham sem essas cromices. Para além disso não gostei do tecido e pareceu-me que a senhora da loja estava a ser um bocado snob em relação aos tecidos que nos queria mostrar – tipo, ‘é um crime fazer aquele sofá com este tecido’ – algo que eu não tenho muita paciencia para aturar.

O fim de semana foi passado a acabar de montar os móveis que tinhamos comprado. Um bocado de serradura entrou-me para o olho e tive de passar uns dias a fazer tratamento e sem poder usar as lentes de contacto. Quando cheguei a segunda feira estava não só moída por causa da montagem dos móveis como também com dores de cabeça constantes porque os meus óculos já não têm a graduação certa. Na segunda fui ao consultório da minha mãe para ela ver o meu olho e confirmar que de facto estava arranhado. Quando saí resolvi dar um salto a uma loja de moveis mesmo em frente, que já conhecia da época em que vivemos ali perto. Não gostei particularmente de nada do que tinham em exposição mas tinham um em catálogo muito parecido com o que tinhamos visto na sexta feira, com os assentos deslizantes. A maior diferença eram os braços e o preço, que aqui era bastante mais baixo. Fui para casa pensar no assunto.

Na terça feira foi a voz de ir comprar roupa para mim. No Natal, em vez de uma prenda, o Pedro deu-me uma carta que dizia mais ou menos ‘gostava de te ter comprado roupa mas provavelmente não ias gostar do que eu escolhesse por isso vai tu às compras’ – de forma mais simpática, obviamente, mas no geral a ideia era esta. Entretanto passaram-se 3 meses e nada de tempo para compras por isso era agora ou nunca.

Pelo que tinha comprado na semana anterior, por impulso, apercebi-me que a tendencia é para peças básicas, confortáveis, aborrecidas. por isso desta vez fiz um esforço para escolher aquelas coisas que gosto mas acho que nunca vou usar. Ignorei o preço, o facto de ter gatos, filhos pequenos, pouca paciencia para passar a ferro e nenhum sítio onde ir a não ser ao supermercado e  buscar o Tiago à escola, e escolhi camisas acetinadas, vestidos e outras peças bonitas. Escolhi umas 20 peças de uma vez, experimentei todas, achei que a maior parte me ficavam mal e que preciso de perder 10 kg (coisa que já sei há muito tempo) e acabei por escolher só mesmo aquelas que não me fizeram torcer o nariz. Mesmo assim, entrando apenas em 3 lojas, somei um total jeitoso e achei que era altura de parar – a parte mais complicada quando se entra em modo shopaholic.

Na quarta fomos então encomendar o sofá: 250 cm, 3 assentos deslizantes, encostos móveis, braços direitos, tecido simples preto e um puff da largura das almofadas e altura do sofá para por os pezinhos ou servir de assento extra, tudo com impermeabilização. Nada disto era standard e o preço acabou por ser pouco mais do que o sofá do IKEA que tinhamos pensado comprar, por isso às vezes até compensa visitar as lojas de moveis tradicionais. Agora é esperar que façam, mas pelo que percebi, as fábricas andam com pouco trabalho e há a possibilidade de ser bastante rápido.

Na sexta, para terminar, fomos comprar roupa para o Pedro. Ele estava muito indeciso mas acabou por encontrar algumas coisas que gostou. O problema da roupa de homem é que há lojas ‘jovens’, com jeans e t-shirts e depois há fato e gravata. É um bocado complicado encontrar qualquer coisa aí no meio.

1 Comment

  1. Eu só já não preciso de perder 10Kgs porque entretanto já perdi 3 e picos, mas a balança só mexeu aproximadamente um ano depois do nascimento do meu filho. Enquanto amamentei, nicles… Preciso muito de roupa, já não compro nada que jeito tenha há muito tempo, mas não consigo abstrair-me das contas e acabo sempre por comprar só para o garoto. Além disso, fico eternamente na expectativa de voltar a vestir a minha roupa pré-gravidez (alguma até visto, mas não me sinto bem lá dentro). Estou farta de ver as mesmas peças nos armário, sinto que ando sempre com a mesma roupa, as coisas que comprei entretanto são básicas (e baratas) e eu precisava mesmo de um desses momentos de “que-se-lixe-o-dinheiro”. Pode ser que me inspire 🙂

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