Drama infantil

Ontem, quando fui buscar o Tiago à  escola, ele veio a correr para mim com um ar todo feliz. Levou-me até ao cacifo para me mostrar que uma colega lhe tinha dado uma pulseira de elástico, daquelas que têm uma forma, neste caso era um saxofone – eu nem sabia que tal coisa existia, aliás, e o Tiago insistia que era um cão 🙂 . Veio o caminho todo com a pulseira no braço e eu sugeri que ele deveria oferecer algo de volta à  menina. Ele perguntou se podiamos fazer também uma pulseira de elástico e eu concordei.

Depois do jantar, fui buscar os materiais e o Tiago escolheu umas contas de madeira que eu enfiei num fio elástico. Hoje levou a pulseira para a escola para dar à  menina. Quando o fui buscar vinha com um ar muito triste a dizer que outra menina tinha tirado a pulseira e se recusava a devolver.

Eu queria fazer qualquer coisa, para ele não ficar com aquele ar triste mas a educadora está de férias. Ainda falei com duas das auxiliares, que não sabiam de nada e não cheguei longe. A menina a quem a pulseira era destinada confirmou que não a tinha dado à  outra de livre vontade mas o pai não deu imporancia nenhuma à  situação e ficámos por aà­. O Tiago começou a dizer que queria ir para casa.

Como forma de resolver a situação sem ele ficar triste por a sua primeira tentativa de oferecer uma prenda ter corrido mal, disse-lhe que faziamos outra pulseira. Começo a achar que vou ter de fazer uma para as meninas todas da sala antes de ficar toda a gente satisfeita 🙂

No meio disto acho piada à  insistencia do Tiago em querer dar a prenda e a meiguice de tudo isto. Mas mesmo nas coisas mais simples parece que estamos sempre a aprender que as coisas nunca correm como queremos.

Atitude feminina

Todos os dias faço o mesmo percurso a pé, para ir buscar o Tiago à  escola. Vou a empurrar o carrinho da Joana e tenho de atravessar várias estradas, sempre na passadeira, claro.

Apesar das passadeiras, alguns carros param para me deixar passar e outros continuam como se não fosse nada com eles. Comecei a reparar nos condutores em ambas as situações e cheguei a uma conclusão interessante. Na maioria das vezes, quem pára me deixar passar são os homens e as mulheres continuam, fazendo uma expressão que identifico como ‘isto não é nada comigo, ah pronto, já passei’.

Sendo mulher, era mais lógico para mim que fosse ao contrário – afinal muitas daquelas mulheres também são mães e devem saber como é complicado navegar as nossas ruas e estradas com um bebé – carros estacionados no passeio que não deixam espaço para o carrinho passar, o facto de não podermos simplesmente atirar-nos para a estrada para atravessar porque não podemos correr o risco dos carros não pararem, etc. Mas pelos vistos não. Em vez de empatia encontro apenas egoà­smo e indiferença e são os homens, que geralmente são acusados de ser egocentricos e umas bestas ao volante, que se dão ao trabalho de parar e me indicar que posso avançar em segurança. É no mà­nimo curioso.

Custa-me imenso ter coisas negativas a dizer sobre o meu género mas ao fim de mais de 6 meses de observação não tenho grandes dúvidas sobre este fenómeno.

Parece-me que a atitude destas mulheres é que se algo não lhes diz directamente respeito não querem saber. Os homens ao volante têm outras falhas, nomeadamente a tendência para o excesso de velocidade e manobras perigosas, mas parecem observar melhor o que os rodeia. As mulheres dentro do seu carro agem como se estivessem isoladas do mundo e nada as afecta nem lhes diz respeito. Pior que isso – fazem de conta que não estão a ver. É uma atitude falsa e maldosa que tenho pena de presenciar tantas vezes.

De certeza que já ouviram muitas mulheres com a conversa do ‘se o mundo fosse dominado por mulheres não havia guerras’. A minha opinião hoje em diz é que se calhar não havia de facto muitas gerras como elas existem agora mas não sei se a alternativa era melhor. Acho que iamos viver num mundo de intrigas mesquinhas, facadas nas costas e veneno no copo da vizinha.

Joana, 1 ano

A Joana completa amanhã um ano de vida. Eu não tenho tido muito tempo para me sentar a escrever e já deixei passar uma série de detalhes que gostava de registar.

Nos últimos dois meses a evolução da Joana continuou dentro do que seria de esperar. Passou a querer comer sozinha e já lhe posso dar um prato com carne, peixe ou massa e ela come sozinha sem problemas. Mastiga bem e raramente se engasga. Ainda não usa os talheres e faz uma porcaria indescrità­vel, porque é tão divertido atirar a comida ao chão como por na boca, mas safa-se bem.

O desmame correu bem, já que ela está mais interessada em comida sólida do que leitinho. Também passou a aceitar beber água, algo que há uns meses atrás não ia sem grandes caretas, e começou a comer quantidades maiores. Acho que continua a ser mais fácil alimentar a Joana do que foi o Tiago. Desde que tenha o prato à  frente, uma colher ou um brinquedo para se distrair, não costuma reclamar muito e come bem.

Em termos de mobilidade, aprendeu a trepar – camas, sofás, etc – e a descer de costas, pondo primeiro os pés no chão, sem cair. Foi de um dia para o outro e aprendeu a subir e a descer na mesma altura. Acho que o Tiago aprendeu a subir mas depois queria atirar-se de cabeça e com ela isso não aconteceu. à‰  claro que este desenvolvimento torna a vigilancia ainda mais importante, assim como a necessidade de ter certas portas sempre fechadas. Ela tem uma velocidade tal a gatinhar e trepar que se me distrair já está em cima da cama no tempo que eu demoro a levar um prato da sala para a cozinha. Lá porque percebeu como se desce não quer dizer que não possa cair ocasionalmente se eu não estiver lá para ver. E por mais que se fale em vigilancia, não é possível estar a olhar para eles 24 horas por dia e a prevenção é mesmo o mais importante.

A Joana ainda não anda sozinha mas já fica imenso tempo em pé, só com as costas encostadas ao sofá para ajudar o equilibrio, sem ter de se segurar com as mãos, pelo que já não deve faltar muito para os primeiros passos.

Já escolheu o seu bonequinho de dormir – uma daquelas mantinhas com a cabeça de um coelho – e não aceita substituições. O problema é que ela chucha no boneco (nunca se habituou a usas chuchas) e aquilo fica a cheirar mal em pouco tempo e tem de estar a ser constantemente lavado. Tenho e comprar mais 2 ou 3 para ir trocando mas não consigo encontrar aquilo à  venda cá.

O desenvolvimento da linguagem continua mais ou menos na mesma. A Joana diz olá a toda a gente e acena com as mãos, repete alguns sons e nota-se que alguns deles são claramente tentativas de dizer certas palavras mas por enquanto não passa disso. Está é a comunicar mais por gestos, apontando para o que lhe interessa e mostrando-se interessada quando lhe digo o nome das coisas.

A Joana continua a ser muito bem disposta mas passou por uma fase em que só queria a mamã – ao ponto de nem o colo do pai ser muito bem aceite. Felizmente acho que já passou um bocado. No entanto desenvolveu umas fúrias súbitas quando não tem aquilo que quer. Berra e bate no chão com toda a raiva não deixando dúvidas sobre o protesto. Felizmente passa depressa, pelo menos por enquanto. Daqui a um ano é que vai ser bonito…

Entretanto, e depois de um inicio lento, a Joana já tem os 4 dentes da frente. Só falta saber se o problema com o leite de vaca se mantém, mas pelo menos já confirmei que não tem qualquer reação à  soja, que é sempre uma boa alternativa nestes casos.

Daqui a mês e meio vai para a escola mas penso que vai ser mais fácil do que foi com o Tiago. Primeiro porque ela já vai à  escola todos os dias buscar o irmão, portanto é já um espaço familiar, e até já encontrou a sua futura educadora algumas vezes. E depois porque tem uma personalidade muito mais sociável do que o irmão e cresceu logo com outra criança em casa, o que faz muita diferença.