O cidadão Tiago

Esta manhã levei o Tiago à  conservatória para fazer o cartão de cidadão, como primeiro passo necessário para a eventual inscrição na escola primária.

O Tiago portou-se muito bem, não fez nenhuma careta à  Calvin e até assinou o seu nome mas acabou por não ser usado porque aquilo é pouco sensà­vel à  pressão e nas ultimas duas letras ele carregou pouco e a imagem não passou.

Ao contrário do que se passava na altura em que tive de fazer o meu cartão, estivemos pouco tempo à  espera e havia apenas 3 pessoas à  nossa frente. A senhora que nos atendeu foi simpática e paciente e a introdução dos restantes dados também foi muito rápida. Acho que demorou um máximo de 45 minutos desde tirar senha até sair porta fora. É bom saber que os serviços sempre vão melhorando alguma coisa com o tempo.

Coughing and turning all night long

Achava eu que o problema era ter-me deitado tarde. Afinal podia ter passado a noite toda a fazer qualquer coisa útil ou divertida porque deitar-me foi muito pouco produtivo.
à€s 3 da manhã, ainda acordada, estava com demasiados sentimentos de culpa por acordar o Pedro de 10 em 10 minutos com ataques de tosse. Agarrei na almofada e fui dormir para o sofá. Ou melhor, fui tossir para o sofá durante mais duas horas até o meu corpo finalmente se render à  exaustão.
Hoje vai ser bonito…

A mãe de todas as gripes

Na semana passada o Tiago esteve doente com amigdalite. Ao fim de uns dias de antibiótico voltou à  escola para não perder a visita de estudo ao teatro e o dia de carnaval da escola, onde foi pelo terceiro ano vestido de Spider-man (pelo menos nos fatos de carnaval sai-nos barato).

No sábado estava com febre outra vez, queixava-se de dores de cabeça, dores de garganta e náuseas. Piorou no domingo e eu também me comecei a sentir mal, principalmente cheia de uma tosse incessante – se há coisa certa é que apanho os và­rus dos miúdos todos. As infecções nem por isso, mas os và­rus não falham. A febre do Tiago esteve altà­ssima durante todo o domingo e foi preciso ir alternando o Benuron com o Brufen. Eu à  noite comecei também com febre e por volta das 6 da manhã acordei a tremer de frio e temperatura acima do 39. Como a minha temperatura normal é 35.5, 37 já é febre, quanto mais 39. Lá tomei qualquer coisa e estive para ali a bater o dente uma eternidade até começar outra vez a sentir-me mais normal. Dormir é que se tornou impossível.

Quando foi hora de levantar estava um zombie. Doà­a-me tudo e só o esforço de me vestir fez com que quisesse voltar para a cama. No such luck. Dia de limpezas implica que pelo menos durante a manhã tenho que estar vertical. OK, vertical era pedir muito, mas fiz os possà­veis.

Com dores de cabeça permanentes, tosse constante e a certeza de que me tinham largado uma casa em cima durante a noite, arrastei-me pelos cantos até poder finalmente enfiar-me na cama. Como não estava sequer em condições de lidar com os miúdos, o Pedro ficou a trabalhar em casa para estar de olho neles e a minha mãe apareceu a meio da tarde para fazer baby-sitting enquanto eu estava basicamente knock-out. Ocasionalmente ouvia a gritaria do Tiago, que ao terceiro dia já estava bastante recuperado, e depois apagava outra vez. Não sei se é da idade ou da frustração de não estar a conseguir  cumprir as minhas obrigações de mãe mas não me consigo lembrar de alguma vez ter estado assim tão mal.

Na terça mandei o Pedro trabalhar e resolvi que já me safava apesar de continuar com febre e com a maldita dor de cabeça que não passava com medicamento nenhum, mas pelo menos já conseguia andar. A minha mãe voltou cheia de boa vontade para ajudar a tomar conta dos miúdos mas sinceramente a ajuda foi pouca porque em vez de eu estar quietinha no sofá acabei de pé de um lado para o outro, fiquei cheia de dores de garganta do esforço de falar e ainda tive que arrumar a cozinha porque os meus pais resolveram almoçar cá em casa. Oh well… É a intenção que conta, certo?

à€ noite foi a Joana que começou com febre e eu passei o tempo a acordar ou com tosse ou febre.

Na quarta de manhã achava que estava finalmente a melhorar. Consegui brincar com as crianças de manhã mas à  hora de almoço comecei a sentir-me pior outra vez. Quando a Joana acordou da sesta estava com 39.3 e eu lá perto, com 38.8. Estive na cozinha a preparar comida para eles a sentir-me a ferver e cheia de arrepios e tonturas. Cheguei ao ponto de meter o número de telefone do Pedro em speed dial e explicar ao Tiago como ligar se eu por acaso caà­sse para o lado e batesse com a cabeça. OK, se calhar foi um bocado demais mas da maneira como me sentia naquele momento achei que mais valia prevenir.

Esta noite foi mais do mesmo, com a minha tosse a não deixar ninguém dormir e febre à  1 da manhã. 4 dias de febre alta para uma simples gripe? Nunca na vida!

Hoje senti-me finalmente melhor mas aprendi a lição: é só de manhã portanto mais vale aproveitar. Estive a por em dia as tarefas em atraso de uma semana – mudar lençóis das camas, por os babetes da Joana de molho e lavar, mudar as pedras dos gatos, etc.

Tal como previsto, ao meio dia voltaram as dores várias e a tosse parece ter decidido que ainda não estava irritante o suficiente e multiplicou os seus esforços. Pelo menos não voltei a ter febre.

Na sexta feira passada tinha decidido qual o rumo a seguir no que diz respeito a trabalho e mudança de carreira (ou tentativa de mudança, pelo menos – vamos ver se funciona). Entretanto já perdi uma semana em que não consegui fazer absolutamente nada. O universo anda a gozar comigo.

Farta da crise

Estou farta da conversa da crise. Estou farta de ter a vida completamente lixada por causa de uma cambada de incompetentes que nem são capazes de gerir um orçamento doméstico quanto mais um paà­s, apesar de muitos terem curso de economia. Estou farta de polà­ticos a defender leis que não fazem sentido nenhum porque não percebem minimamente do que estão a falar – ver a história da PL118 e afins. Estou farta de aumentos constantes de impostos e taxas aqui e ali, sempre aos mesmos, que estão a destruir ainda mais a economia, numa tentativa vã de cobrir o buraco criado pelos acima referidos incompetentes ao longo das últimas décadas.

Toda a gente gosta de culpar o Sócrates. Eu percebo porquê – o gajo é altamente arrogante e aquele ar superior irrita as pessoas. O facto de ter passado o tempo todo a dizer que estava a resolver a situação enquanto o buraco abria cada vez mais também não ajudou. Mas faz-me impressão como a memória da população é tão curta ou a falta de interesse tão pequena que acreditem que a situação actual se possa dever inteiramente ao governo anterior. O problema começou com o Cavaco como primeiro ministro que esbanjou rios de dinheiro e ninguém se lembra ao ponto de elegerem o gajo uns anos mais tarde para Presidente – e depois voltarem a eleger. Que população tão parvinha que nós temos. É mesmo caso para dizer que temos os lideres que merecemos senão tinham mandado o gajo para casa com o rabo entre as pernas com a mensagem clara ‘já estragaste o que podias, não te queremos cá mais’.

Será que ninguém vê que a governação do nosso paà­s é feita pelos mesmos gajos, rotativamente, desde que acabou a ditadura? Se já desapareceram alguns foi porque morreram de velhos ou reformaram-se, senão ainda estavam agarrados ao tacho. É que nem os que são claramente criminosos são impedidos de se voltar a candidatar e ser eleitos para novos cargos polà­ticos. Como é que isto é sequer possível!

Governar um paà­s é uma tarefa difà­cil. É um trabalho chato e ingrato e nunca se consegue agradar a toda a gente. Logo, a maioria das  pessoas decentes e inteligentes não querem ir para uma carreira polà­tica. Para quê? Para se estarem sempre a chatear e a ser insultados? Quem é que tem paciência para isso? É simples. Os gajos que querem dinheiro e poder acima de tudo o resto. Para esses, governar um paà­s é uma delà­cia, especialmente em paà­ses como Portugal em que o assassinato polà­tico não passa de uma fantasia ocasional em conversas de café.

Desviar uns fundozitos, dar trabalho aos amigos e fazer passar leis que facilitem a roubalheira mesmo depois de saà­rem dos cargos que ocupam é a principal função dos polà­ticos. Depois constroem umas rotundas para calar a malta e poderem falar de obras públicas e ninguém abre o bico. E reclamar para quê? Não há alternativas no actual sistema. Os partidos são sempre os mesmos e não representam ninguém a não ser eles próprios. Vamos votar em quem?

E entretanto as empresas pequenas vão à  falência porque não conseguem ter trabalho a um preço minimamente justo e vai tudo para os impostos – o PEC continua-me atravessado – as empresas grandes não contratam mais ninguém e a maior parte dos empregados que têm é a recibos verdes e a ganhar mal. As pessoas não têm emprego ou são mal pagas, as que estão a recibos verdes, apesar de estarem efectivamente a trabalhar por conta de outrem, largam grande parte em impostos e segurança social mas depois não têm direito a subsidio de desemprego, nem maternidade, nem doença, nem férias nem porra nenhuma. O IVA aumenta nos bens essenciais e o dinheiro da população em geral deixa de ser suficiente para pagar as mesmas despesas que tinha há um ano atrás.

Cá em casa aguentámos os últimos cinco anos sem grandes problemas. O dinheiro não dava para grandes luxos mas como não à­amos de férias para lado nenhum sempre dava para poupar algum ocasionalmente. Neste ultimo ano, apesar de termos feito muito bem as contas, acabou-se. Não só deixámos de conseguir poupar um tostão que seja como passámos a gastar mais do que o dinheiro que entra mensalmente. O que eu ganho é pouco e irregular e sinto que preciso de arranjar um emprego mais estável mas a minha profissão não é geralmente bem paga e não encontro nada que pague sequer perto do necessário para cobrir os custos de ir trabalhar  – transportes, almoços, etc – e que ainda sobre o suficiente para cobrir o nosso buraco orçamental. Já para não falar no facto de ir piorar o nà­vel de vida dos meus filhos que não têm culpa nenhuma e que vão passar a ter de ficar na escola até à s 8 da noite ou mudar para uma escola diferente que não seja tão cara onde terão de se adaptar novamente e perder os amigos que já têm.

Começa a apetecer ir buscar a caçadeira mas nem saberia por onde começar.

Nut Factory

Ecran principal

Há cerca de um ano o meu irmão começou a fazer um jogo chamado Nut Factory para ipod e iphone. Pediu ajuda para os gráficos e a música. Eu fiz um ritmozinho e gravei umas melodias e uns primeiros sons para o fogo e pregos mas o meu envolvimento ficou um bocado por aà­ porque aquilo precisava de mais do que eu era capaz de fazer. O meu marido, por essa altura, atirou-se ao trabalho afincadamente, fazendo toda a parte gráfica, música, sons e ajudando também o meu irmão na definição dos detalhes do jogo. Tudo isto em horário pós-laboral, geralmente entre as 10 da noite e as 3 da manhã. Dormir, aparentemente, é para os fracos.

O jogo foi tomando forma e acho que o resultado ficou fantástico visualmente e bastante viciante a nà­vel de jogo. O jogo em si é simples – trabalhamos numa fábrica, numa linha de montagem, e a nossa função é cortar troncos antes destes chegarem ao fogo. à€ medida que vamos subindo de nà­vel, a coisa vai-se complicando. Há pregos espetados nos troncos que é preciso tirar, pinhas que explodem e até um castor malandreco que não quer largar os troncos e precisa de uns abanões (suaves).

Artsy cut

Quem gosta dos achievements também deve ficar feliz porque há uma série deles, assim como artsy cuts, ou seja, quando se corta um grupo de troncos formando uma determinada figura (um triangulo, por exemplo) ganhamos pontos por isso.

Ou seja, o Nut Factory é um jogo simples mas muito bem pensado e com muitos pormenores que nos fazem querer jogar de novo para conseguir chegar ao jogo perfeito. Como cada nà­vel tem um look fixo, é possível ir aprendendo e melhorando cada vez que se joga.

É bom ver portugueses provar que por cá sempre se conseguem fazer coisas giras com trabalho e força de vontade.

O jogo tem uma página de facebook onde podem ir acompanhando as novidades. Podem ver o trailer do jogo no fórum, onde se podem colocar questões ou dar sugestões para os updates do jogo, e que também tem alguns screen shots e depois espero que vão fazer o download na App Store.

Acabaram-se os aniversários dos amigos

No sábado levámos o Tiago à  festa de aniversário de um amigo da escola. Assim que entrou na sala parou, amuou e não se mexeu mais, não brincou nem falou com ninguém durante quase 3 horas até finalmente dizer que se queria ir embora enquanto nós esperávamos de pé no meio da confusão e barulho. Felizmente estavam lá uns pais simpáticos com quem conversar porque de outra forma tinha sido uma seca monumental para toda a gente. Quando penso que os meus sogros se ofereceram para ficar com os miúdos e podia ter tido uma tarde sossegada fico pior que estragada.

Eu pensava que esta atitude tinha acabado, mas aparentemente, quando confrontado com um local que não conhece, o Tiago continua a fazer shut-down e não há nada que consiga dizer ou fazer para ele reagir. Uns dias mais tarde disse que viu um barco dos piratas e que não gostou. Eu não vi piratas em lado nenhum, mas OK. De qualquer forma, no momento, não nos diz absolutamente nada e é impossível lidar com ele. Já me andavam a perguntar se ele não estava doente, se não teria febre, mas ele gosta é da atenção. Se não tivesse já feito isto tantas vezes antes até era capaz de me preocupar mas já percebi que ele é assim e o melhor é não ligar.

Assim sendo, acabaram-se as festas de aniversário para o Tiago. Já não tenho paciência para perder um dia do fim de semana para ir não sei para onde e depois ter de aturar o meu filho amuado e ainda acabar por ter de pedir desculpa aos pais do aniversariante. Ele que vá à s festas dos amigos quando fizer 15 anos e já não precisar de companhia dos papás.

Ruth Rendell’s Chief Inspector Wexford

Ruth Rendell’s Chief Inspector Wexford series started in 1964 and is ongoing to this day with 23 books at present, the last one having been published just last year. I’ve been reading this series for may years now but only recently did I find some of the books I was missing so I decided to start from the beginning all over again. It’s not a requirement to read them in order because each is a stand-alone mystery novel, but the characters do evolve and there is the occasional mention of a previous case on some of the books. I decided to read them again because i don’t remember many of them anymore and also because, to me, the best thing about the books is the description of the two main characters – Wexford and Burden. They are flawed and not always nice but I can’t help liking them and admire their dedication to job and family.

Because it is an on-going series and the books I remember best are her latest, it was a shock to read those earlier novels again. The social mindset about women – response to a suspect washing his clothes: ‘you washed them? What d’you have a wife for?’ or how a young girl feels she’s not good enough to marry because her father was a murderer – freaked me out at times. The value of money has also changed so much that it was hard to understand why it was such a big deal for someone to have 100 pounds in their wallet. Not until you realize the average worker made about 20 pounds a week.

Ruth Rendell is a British mystery writer so there is some common ground with other authors in the genre but she has some very unique characteristics as well. The similarities are obvious: the stories are set in a fairly small town and there’s the class element, but, as seen in the previous paragraph, for books written by a woman before or around 1970, it’s quite odd and refreshing to find out the killer is actually a jilted lesbian or a sexual sadist with a fetish for cutting up his bed partners rather than the typical jealous husband or the vicar. That’s what Ruth Rendell is so good at: the shock value. Also, if there’s a romantic story somewhere in the book you KNOW it’s going to end badly. It’s a sure thing. And even though I like romantic novels and like happy endings, Rendell’s unhappy endings are done in such a way that you feel it really couldn’t work out any other way.

Another great thing about these books is that Ruth Rendell is obviously a smart and well educated woman and her books are filled with poetry quotes and unusual words so you can actually expand your vocabulary as you’re enjoying your murder mystery 🙂

The only negative note I’ve made is that there seem to be way too many observations on the weather, a British obsession, that sometimes goes on for pages. The point of these descriptions is to set the atmosphere and to give extra insight into the characters but late at night it sometimes makes me doze off a bit.

I’m now on the fifth book – a new one – and have 18 more to go, ending with ‘The Vault’ that I have never read. It’s a completely different mindset from the previous books I’ve been reading and it took me a bit to get into it but by now I’m completely immersed in this world and loving it once more.