Dia da mãe

A propósito do dia da mãe tive de escrever um texto para a escola da Joana.

Era sobre o que é ser mãe e algumas características da minha filha. Ao princípio custou-me um bocado porque estava mesmo a ver o tipo de texto lamechas que seria esperado e não é mesmo nada o meu estilo mas, quando comecei a escrever, entrei em modo de blogpost e a coisa saiu naturalmente. Nunca poderia ser o texto cor de rosa que algumas mães conseguem debitar sem pestanejar, porque isso não sou eu. A maternidade é difícil e nunca consigo ignorar esse lado da questão, mas acho que consegui encontrar o equilíbrio.

O mais difícil foi escrever algo sobre a maternidade exclusivamente baseado na Joana. As minhas memórias mais vívidas são sobre o Tiago, já que a primeira vez que nos dão uma criatura indefesa para os braços tem um impacto tremendo.

Aqui fica então o resultado:

A maternidade muda uma pessoa para sempre. Significa por os nossos filhos à frente das nossas necessidades e desejos mas também nos permite ver o mundo de novo como se fosse a primeira vez, através dos seus olhos e curiosidade. Mesmo quando os nossos filhos crescerem, vão continuar a ser os nossos bebés e vamos continuar a preocupar-nos com eles. É como se existisse um interruptor invisível que se ligou no dia em que eles nasceram e que nunca mais será possível desligar.

É um grande desafio encontrar aquele equilíbrio entre tentar protegê-los e deixá-los explorar o mundo sozinhos. Sem dúvida que irei falhar muitas vezes mas será sempre com as melhores intenções. Ninguém é perfeito e cada um faz o melhor que consegue.

A Joana tem desde sempre uma personalidade forte. É teimosa porque sabe muito bem o que quer e não descansa enquanto não o obtém. Do ponto de vista de uma mãe isso é um grande desafio que implica muitas confrontações, mas sei que a persistência é algo que lhe vai dar vantagens no futuro.

Por outro lado, é uma criança muito meiga e comunicativa e por cada birra há sempre dois ou três momentos em que me faz rir com as suas histórias e explicações sobre a sua visão do mundo. O seu gosto pela brincadeira e mimos é sem dúvida contagioso.

Aquilo que mais aprendi com os meus filhos foi a ter paciência, e a perceber quando vale mais a pena entrar na brincadeira do que criar conflito porque há uma tarefa a cumprir e estamos com pressa. Nem sempre funciona, nem sempre é fácil, mas não há dúvida que muito mudou na minha atitude do dia a dia.

Acima de tudo estou curiosa para ver o que vem a seguir, agora que os meus filhos deixaram de ser bebés e se tornaram pequenos humanos com preferências, capacidade de expressar opiniões e argumentar. Tornam a vida muito mais interessante.
————–

Este ano ambos os meus filhos me ofereceram colares feitos por eles e o Tiago deu-me também um cartão que fez na aula de inglês com um dos seus divertidos desenhos. O colar do Tiago era feito com capsulas de café espalmadas (um dos materiais preferidos das escolas nos últimos tempos)e faz uma barulheira tremenda, mas a Joana insistiu que usasse ambos durante o fim de semana, por isso lá teve que ser 🙂

Para terminar aqui fica o cartão de dia da mãe que fiz para a minha mãezinha.

mother_child_card_2


 

2 Comment

  1. Sempre admirei em ti a capacidade de ser honesta, e não pintar as coisas de forma a parecer melhor do que são. A vida não são tudo facilidades, não corre sempre tudo bem, há momentos bons mas também há maus, e sempre disseste as coisas como são, ao invés de pessoas, principalmente mulheres e mães, que escrevem sobre realidades alternativas em que tudo é perfeito – as relações, o casamento, a maternidade. Acho que a verdadeira razão pela qual, principalmente mulheres, nos sentimos inadequadas e insuficientes por vezes é vermos cenários em que tudo corre bem e é fácil e sem esforço para, o que parece, toda a gente. Com o tempo vamos percebendo que as coisas não são o que parecem, às vezes as pessoas nem fazem por mal, querem mesmo convencer-se que tudo é perfeito.
    O que eu quero dizer que prefiro que sejas assim, o teu realismo não te impede de veres as coisas boas e bonitas como o que são, não és pessimista. Do que sei, és uma mãe maravilhosa e generosa, estes anos todos tenho gostado de te ler, e estou a gostar de ver os teus filhos lindos a crescer. Sei que se lerem um dia o blog da mãe, vão sentir orgulho de ti. Feliz dia de Mãe, atrasado – mas não é todos os dias, mesmo?

    1. Obrigada Rita.
      Na verdade teria muito mais sucesso se conseguisse fazer passar a ideia de que sou fabulosa, perfeita e que tudo o que faço é fantástico. Infelizmente sou uma péssima mentirosa por isso mais vale não tentar 🙂
      Acho que as dificuldades fazem os momentos bons ter mais valor. A vida custa mas o importante é sentir e continuar em frente, sabendo que nem sempre é tudo bom nem tudo mau.

Deixe uma resposta