A minha cama

Tenho uma relação muito especial com a minha cama.

Todas as noites quando entro no quarto e a vejo, tenho a sensação de reencontrar uma velha amiga muito querida de quem não me tinha apercebido as saudades que tinha.

Mentalmente digo-lhe “oh, é tão bom ver-te novamente. Só tu me compreendes.” Espalha-se pelo meu corpo uma enorme sensação de alívio ao saber que vou finalmente poder deitar-me e dormir longas horas.

A minha relação com o sono e com a minha cama é semelhante à relação que outras pessoas têm com a comida. Dormir é um dos grandes prazeres da vida. Nāo o considero uma perda de tempo. Muitas das minhas melhores ideias surgem durante o sono. Dormir ajuda-me a por as ideias em ordem, a ver o trabalho e as situações de uma nova forma. Aquilo que parece o fim do mundo quando estou cansada, passa a ser suportável na manhã seguinte. Se não durmo o suficiente transformo-me no Hulk, pelo menos em temperamento, assim como outras pessoas se tornam insuportáveis quando têm fome.

Quando oiço alguém dizer que o tamanho ou disposição do quarto não interessa para nada porque é só para dormir e de olhos fechados não ligam a essas coisas, fico chocada. Ou o mais próximo de chocada que uma pessoa seriamente cínica consegue ficar. Enfim, levanto levemente uma sobrancelha, vá.

Como é possível não dar a máxima importância ao ninho, ao nosso refúgio? À ultima imagem que vemos antes de adormecer e a primeira que enfrentamos ao acordar? O quarto tem de ser uma área que emane calma e segurança, que nos faça sentir bem e felizes por estarmos na nossa casa, no nosso espaço.

Se calhar é coisa de gajas. Isso explicaria como o meu irmão conseguiu dormir durante meses num colchão no chão, a um canto, com roupa espalhada por todo o lado. Essa imagem ainda hoje povoa os meus pesadelos.

Mas não vamos pensar em coisas más porque agora estou quentinha, na minha caminha, e demasiado depressa será manhã. Boa noite e bons sonhos.

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