Only Lovers Left Alive

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Como fã de longa data do sobrenatural, é certo que vou ver qualquer filme com vampiros. O facto deste filme ser com a Tilda Swinton, uma actriz que considero bastante especial, foi o incentivo adicional.

Only Lovers Left Alive é um filme do realizador Jim Jarmusch, que se integra no grupo dos cineastas-artistas. Este filme é certamente muito ‘artsy’, com um ritmo de desenvolvimento lento, um ambiente intimista e levemente melancólico, cores pouco saturadas e diálogos minimalistas que deixam o espectador em suspense durante uns instantes, a tentar descodificar a situação, o tema da conversa e os intervenientes, antes de surgir a resposta – um pouco forçada, por necessidade de dar ao público a informação necessária. Numa conversa normal entre pessoas que se conhecem há muito tempo, os assuntos não necessitam de ser expressos directamente para ambas as partes compreenderem a conversa. Infelizmente,é algo que acontece constantemente em filmes e séries – é necessário clarificar para a a audiência se sentir parte da história. Pelo menos aqui foi feito um esforço de manter essa naturalidade antes de soltar a chave que descodifica a situação.

O filme tem basicamente seis actores – os dois principais – Tilda Swinton como Eve e Tom Hiddleston como Adam – e quatro secundários que nos dão algumas pistas sobre a personalidade e história passada destes dois, através das breves cenas que partilham com eles.

O filme está cheio de clichés de vampiros e até a história do Marlowe não é nada de original. Para mim, aquilo que me fez continuar a ver o filme com interesse foi principalmente a personagem feminina. A Tilda Swinton compõe uma personagem interessante. É feminina, gentil e capaz de apreciar a vida e a beleza da natureza mas dá pistas que nos levam a desconfiar também de um lado mais negro que se diverte com destruição e caos. Tem algo de curiosidade infantil.

A escolha de vestuário torna óbvia a contradição entre os dois personagens principais – Eve veste-se de cores claras e Adam anda sempre de preto. Ela vê o lado bom da vida e ele está deprimido e farto de tudo. A única ligação que Adam ainda tem com o mundo é a sua relação com Eve. O filme não revela a origem dos personagens nem do vampirismo mas os nomes bíblicos dos mesmos não serão um acaso.

O contraste entre o ambiente urbano escuro e em abandono de Detroit, onde vive Adam, com o sépia de Tânger são outro elemento que define a diferença e complemento entre os dois personagem. A visita guiada a Detroit e em particularmente a cena sobre o Michigan Theatre foi outra das partes que gostei em particular. é um fim trágico para um edifício daqueles. A música é outro dos elementos centrais do filme que ajuda o ambiente e ao mesmo tempo faz avançar a história.

Basicamente, se acham que filmes sem tiros e explosões são uma seca, não vejam. Se gostam de algo mais na onda do cinema europeu, cinema independente, com bons actores em cenários algo caóticos e escuros mas com uma estética cuidada, experimentem.

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