Tiago no segundo ano

O meu filho cresce a uma velocidade alucinante. De tal forma que sem dar por isso já está no segundo ano do ensino básico, anteriormente conhecido por segunda classe – o que, diga-se de passagem, era muito mais rápido.

IMG_0337.JPGInfelizmente, por diversos motivos, o primeiro ano não correu da melhor maneira. Passou de uma escola privada onde era apaparicado, para uma escola pública onde teve o azar de calhar numa turma com cinco meninos bastante problemáticos. Um deles fazia birras de se atirar para o chão e batia em todos, os outros eram incapazes de se comportar na sala, e o nível de ruído e confusão eram de tal ordem que a professora passou o ano a fazer relatórios e lá conseguiu que este ano dois dos meninos fossem transferidos para outra escola.

Espero que este ano corra melhor, mas o princípio está a ser complicado. Na primeira semana a professora fez fichas de diagnóstico e o Tiago teve negativa a Português. Fui avisada logo no dia da ficha porque a professora não gostou, e com razão, da atitude do Tiago, que lhe entregou a ficha dizendo ‘toma, podes-me dar negativa, não quero saber.”

Não querendo desculpar um comportamento indesculpável, acho que a atitude dele passa mais por sentir que não consegue estar a tentar adiantar-se ao falhanço do que efectivamente não querer saber. De qualquer forma era uma atitude e resultado preocupante, pelo que foi castigado, ficando sem jogos durante uma semana, e instituímos a leitura e escrita diária obrigatória, independentemente dos trabalhos de casa.

Já deviamos ter feito isto há mais tempo e o resultado actual é tanto culpa nossa como dele, mas ele reagia tão mal quando puxávamos um pouco mais por ele, ficava a tremer e a chorar, que eu não tinha coragem para prolongar aquele sofrimento por muito tempo.

No fim de semana passado ele tinha como TPC um ditado para estudar. Por azar coincidiu com duas festas de aniversário a que tive de levar a Joana e tive pouco tempo com ele. O pai ajudou-o mas mesmo assim foi pouco o tempo passado a estudar o texto. Como resultado, na segunda feira veio para casa o ditado com 14 erros.

O exercício desse dia foi escrever no quadro cada uma das palavras com erros até acertar, mas já percebi que ele tem certas falhas que faz constantemente, por mais que eu explique como é e a lógica da coisa, ele não parece ser capaz de fixar. No momento corrige mas no dia seguinte já está a fazer o mesmo erro outra vez.

Este fim de semana tinha novo ditado para estudar. Desta vez fui impiedosa e repetimos ditado seguido de correcção das palavras, vezes sem conta. Repetia o ditado, estava quase tudo na mesma outra vez, voltávamos a fazer.

Às cinco da tarde de domingo, o melhor que consegui foi que descesse de 17 erros para 6 mas continuo pouco confiante no resultado de amanhã. Ainda vamos repetir a coisa mais uma ou duas vezes, mas duvido que melhore muito mais. Um dia não dá para tudo.

Vamos continuar a treinar, diariamente, repetir as palavras mais problemáticas e espero que a coisa ainda melhore antes do teste do primeiro período, senão vai ser complicado recuperar mais tarde. Ser mãe, nestas alturas é tramado. É preciso ser a má enquanto estamos todas cheias de nós por dentro ao ver o esforço e a frustração, a ouvir “sou um falhado” e outras demonstrações de auto-confiança sem saber bem como ajudar. Pode ser que se vir as notas a melhorar isso o convença finalmente que consegue.

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