Tecnologia não é o demónio

Vi recentemente mais um daqueles artigos que saem de tempos a tempos sobre os “perigos” da tecnologia para as crianças. Metem-me nojo.

Tanta conversa de treta. Dantes era só a televisão mas agora há muito mais coisas para meter medo aos pais. E isso vende revistas.

É claro que se deve controlar o que os filhos fazem e durante quanto tempo o fazem. Se metem a criança em frente à tv um dia inteiro porque não têm paciência para a aturar devem seriamente repensar a técnica parental. No entanto a tv, as tablets, os jogos de computador, playstation, etc, não fazem, só por si, mal nenhum às crianças. Muito pelo contrário. Estimulam a imaginação, dão-lhe a conhecer mundos interessantes, estimulam a inteligência e melhoram a coordenação olho-mão.

Não é o meio mas sim o conteúdo que deve ser controlado pelos pais. Procurem programas de tv didáticos em vez de os deixar ver qualquer porcaria só porque é o que está a dar. Deixem-nos jogar angry birds mas instalem também um app de fazer contas que dá pontuação como qualquer jogo. Há imensas opções.

É preciso também perceber que no que diz respeito a este assunto não se podem estabelecer regras e tabelas como se as crianças fossem todas iguais. Cada um tem de lidar com a personalidade e tendências dos seus filhos e adaptar as regras e o acesso ao comportamento que vê. Eu nunca tive problemas com o meu filho. Há crianças com mais tendência para comportamentos viciantes que quando encontram algo que gostam não querem mais nada. Se uma criança é capaz de passar horas a fio com a tablet na mão a ver videos no youtube, dia após dia, é capaz de ser boa ideia tentar introduzir jogos familiares ou ler-lhe um livro, tentar perceber se há alguma actividade no mundo real que o entusiasme e que sirva de intervalo.

Mas prestem atenção antes de entrar em pânico e desatar a proibir tudo porque por vezes eles estão só a absorver uma informação nova que lhes interessou e passado um dia ou dois largam aquilo e vão antes fazer desenhos sobre o novo assunto que descobriram ou construir esse novo mundo em lego ou plasticina. Dêem-lhes algum tempo para explorar o vasto mundo que a tecnologia lhes permite aceder. Não se descartem do papel de pais mas não culpem a tecnologia dos males do mundo. O importante é encontrar o equilíbrio adequado para cada criança em vez de aplicar regras absurdas.

Se não os deixam brincar com a tecnologia mas não brincam com eles ou lhes dão alternativas interessantes não podem esperar que as crianças percam o interesse em algo que é tão fascinante até para os adultos.

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