Um post deprimente sobre o Natal

A época do Natal tem um efeito curioso em mim. Quando se aproxima sinto ainda um pouco daquele entusiasmo que tinha em criança. Gosto das luzes, de montar a árvore, gosto de embrulhar as prendas. Gosto particularmente de escolher o que vou dar aos meus filhos. No entanto a realidade da coisa fica sempre um bocadinho aquém das expectativas. Não é culpa de ninguém. Acho que é apenas o facto de eu não conseguir ignorar o lado negativo da coisa por mais que tente. Não está na minha personalidade.

É difícil encontrar prendas que as pessoas gostem e não tenham já. Acho que essa coisa das prendas só faz mesmo sentido para as crianças, que não têm dinheiro próprio, porque os adultos quando querem algo compram eles mesmos, não ficam à espera do Natal. Torna o esforço um bocado inútil e resulta em muitos sorrisos amarelos e agradecimentos forçados. É um esforço de boa vontade mas que na prática resulta apenas em muito “regifting”. Por essa razão sou grande defensora das listas de natal mas pouca gente colabora. É sempre “ah, deixa estar, não te incomodes” e depois acabam por receber uma coisa que não gostam, que implicaram mesmo assim horas e horas de indecisão nas lojas.

Quanto à noite de natal propriamente dia, é geralmente uma grande complicação porque toda a gente tem duas famílias e não dá para juntar todos num só dia. Ou seja, há sempre pelo menos dois natais. Este ano foram três.

Nem me posso queixar muito porque não sou eu que conduzo, nem cozinho, nem tenho que limpar a tralha toda no fim. Até gostava de fazer a festa cá em casa mas a geração anterior ainda está à frente da coisa por enquanto e fazem um trabalho muito melhor do que eu alguma vez poderia fazer, já que nem sequer tenho mesa de jantar.

Gosto de estar com a família mas muita gente ao mesmo tempo causa-me desconforto. Só consigo prestar atenção a uma pessoa de cada vez e tenho mais tendência a ficar num cantinho a observar a cena do que a participar activamente. Acho que vem do facto de ser naturalmente introvertida mas receio que isso seja visto como arrogância, aborrecimento ou altivez. Não é. É apenas uma incapacidade de lidar com demasiado estímulo.

Ao fim de uma semana de almoços, prendas, conversa e ruído constante (não só nas festas mas também em casa, com as crianças no expoente máximo do entusiasmo e volume), sinto-me mentalmente exausta. E depois vem o ano novo e só me apetece gritar.

Sei que parece um exagero enorme, uma parvoíce, mas eu não sou um ser social por natureza. Gosto de conversar com pessoas, desde que sejam uma ou duas de cada vez, mas também passo bem semanas inteiras sem falar com ninguém e não sinto falta. Mas pronto, faz parte. Aquilo que me aguenta durante este período é saber que não é sobre mim. Divirto-me a ver a alegria dos miúdos e isso faz-me feliz.

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