Pregadeira de paua (madrepérola) – bata com luz

O novo exercício do curso avançado de joalharia consistiu em fazer uma peça com bata com luz.

A bata é o nome que se dá à chapa que dá altura às peças. É a “parede” que transforma uma chapa fininha numa peça tridimensional. No projecto que escolhi, a bata é também a base da pedra. Bata com luz significa apenas que é uma bata com um desenho que permite a passagem da luz, ou seja, não é uma “parede” sólida.

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A “pedra” que escolhi para esta peça foi um fragmento de concha chamado abalone ou paua. É uma espécie de madrepérola com umas cores lindas. A paua foi-me dada pela minha tia Elisabete e achei que merecia uma peça especial. Também escolhi esta “pedra” porque tenho tendência para projectos muito geométricos e queria explorar um desenho algo mais irregular. Cada um tem coisas boas e más. Por exemplo, é mais fácil fazer uma cravação para uma pedra regular mas muito mais complicado manter o rigor que um desenho geométrico requer. O design foi inspirado numa peça de Stacy Perry (hodgepodgery) mas penso que o resultado é bem diferente, graças à tridimensionalidade criada pela bata.

A madrepérola tinha uma base muito irregular, em que um lado era muito mais alto do que o outro. A zona mais espessa era até alta demais para ficar bem na peça, por isso limei a base até chegar a uma medida que permitia ter uma base mais estável e direita, e também ter uma altura mais fácil de integrar na peça.

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Comecei então por moldar um fio quadrado de 1 mm à forma da pedra, para fazer a base da cravação. Isto implicou moldar o fio tanto na vertical como na horizontal, para acompanhar a diferença de alturas da base. Com um segundo fio quadrado, fiz o mesmo desenho mas desta vez todo plano. A bata com luz ficaria entre estes dois fios quadrados.

Na zona mais alta da pedra, entre a base plana e o suporte da pedra, inseri uns fios rectangulares para criar alguma distância entre os dois fios quadrados e deixar entrar alguma luz. Esta é a forma mais simples de fazer uma bata com luz, e se a base da pedra fosse regular, poderia ter feito isto a toda a volta.

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Como tinha uma altura muito grande no outro lado, e porque o projecto incluía uns elementos decorativos triangulares, resolvi fazer a bata também com triângulos. Para tal, usei fio quadrado com 0,8mm no qual fiz um pequeno cortes para o dobrar ao meio, formando assim duas faces do triângulo. Estas pecinhas foram limadas até caber entre as bases da pedra e soldadas.

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Depois fiz o segundo elemento do projecto, uma espécie de ponte curva, com uma chapa com 1mm de espessura e os mesmos triângulos da bata entre a base e a chapa curva do topo.

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Em cima dessa “ponte” soldei uns pauzinhos meramente decorativos, para dar mais textura à peça, e por baixo da “ponte” soldei uns fios para fazerem a ligação entre os dois elementos – a cravação da pedra e a “ponte”. Um desses fios de ligação prolonga-se para além da cravação para servir de suporte a uma pequena pérolas. Esse suporte consistiu em criar uma virola com o tamanho da pérola com um espigão soldado no meio, uma vez que a pérola era de meio furo e seria colada no final.

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Soldei os grampos que iriam segurar a madrepérola à estrutura da mesma, tendo o cuidado de não tapar o desenho triangular da bata, e depois cobri toda a estrutura da peça com gesso para poder soldar as ligações em segurança, sem os elementos se mexerem.

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Por fim foi a vez de fazer o alfinete da pregadeira. Comecei pelo clique, que é a parte do fecho. Em vez de um caracol simples, como na primeira pregadeira, desta vez fiz um fecho rotativo.

Comecei por fazer um canuvão (tubo) ao qual cortei uma pequena secção. Soldei uma chapa para servir de base ao fecho e cortei duas linhas paralelas no lado oposto da peça, para entrar o espigão rotativo.

Depois tornei o resto do canuvão um pouco mais fino, até caber dentro da peça do fecho, e soldei o espigão. Inseri o espigão na ranhura do fecho e soldei uma peça quadrada para servir de “pega”. Foi necessário serrar um quadrado no centro dessa chapa quadrada que tinha de ficar rente ao espigão. É um pormenor mas algo que pode demorar uma eternidade a fazer porque é muito fácil alargar de mais e assim ter de fazer outro (que foi o que aconteceu da primeira vez. Quando essa chapinha estava no sítio, serrei o resto do canuvão que estava a mais.

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O pé e o gonzo da pregadeira foram feitos da mesma forma da anterior pregadeira. Fiz também uma argola extra para a peça poder igualmente ser usada como pendente.

Soldei tudo à parte inferior da peça e foi altura de passar aos acabamentos – limar, lixar, oxidar e polir. Para oxidar apenas parte da peça, a melhor técnica é aquecer ligeiramente o metal com o maçarico e depois aplicar o óxido com um pincel. Isso permite uma aplicação bastante precisa, sem ser preciso gastar tanto com o polimento para ter o resultado pretendido.

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Por fim cravei a pedra, colei as pérolas nos espigões e cravei também o rebite do pé da pregadeira. E pronto, mais uma peça terminada. Esta demorou bastante tempo porque tinha muitos detalhes técnicos e muitos elementos que tinham de encaixar perfeitamente.

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