Jóias de leite materno

Comecei há algum tempo a fazer jóias de leite materno.
O interesse por este tipo de peças tem sido imenso e permitiu-me pôr os meus conhecimentos de joalharia ao serviço de um tipo de peça que, para as mamãs, tem um grande valor sentimental.
Muitas mães gostam de ficar com uma recordação desta época tão especial que é a fase de alimentação dos seus bebés, e se for integrado numa jóia bonita que podem usar sempre que desejarem, melhor ainda.

Tudo começou quando a minha cunhada comprou um kit para fazer um anel de leite materno. Teve receio de não conseguir fazer todo o processo sozinha por isso pediu-me para o fazer por ela.

Eu tinha conhecimento da existência das jóias de leite materno e a minha experiência prévia com resina deixou-me curiosa sobre o processo. Basicamente não compreendia como seria possível adicionar o leite em estado líquido à resina, quando toda a informação que eu tinha indicava que a resina se dá muito mal com água.

Segui as instruções e lá fiz o anel. Aparentemente funcionou tudo bem. Ficou branquinho e a resina curou sem problemas.
Como tinha leite extra e a quantidade a misturar era muito pequena, fiz uma experiência adicional com a resina epoxy que eu já utilizara antes, para ver se fazia diferença. Correu tudo igualmente bem.

O problema ocorreu mais tarde. Passado um mês, a experiência que tinha feito com a resina epoxy começou a amarelecer. A amostra adicional que eu tinha guardado, feita com a resina do kit, continuava branquinha.
Ocorreu-me então que a diferença estava na resina, o que hoje em dia sei que também é verdade. Só que uns meses mais tarde mesmo a mistura feita com a resina do kit também começou a ficar amarela. Mais devagarinho mas o resultado final seria o mesmo.
Por esta altura falei com um colega da joalharia que é formado em química e discutimos o processo. Comecei a fazer experiências e pesquisa para encontrar um método mais estável e durável para esta técnica.

Finalmente cheguei, depois de muita experimentação, a um método que funciona. Mudei para resina poliester e o leite passa por um processo anti-bacteriano e antifúngico e é desidratado e moído antes de ser misturado com a resina. Ao retirar o líquido e prevenindo a multiplicação de micro-organismos, consegui finalmente chegar a um produto final mais durável.
Fico sempre com uma amostra de cada dose que faço para ir avaliando o resultado com o passar do tempo e até agora não tem havido grande alteração das amostras mais antigas.

É claro que o leite não é completamente branco e nalguns casos, dependendo da percentagem de gordura, há logo algumas zonas mais amarelas desde o início. Isso é perfeitamente natural e faz parte da composição do próprio leite. O importante é que se mantenha com o passar do tempo. O meu objectivo é fazer jóias duráveis que possam ser usadas e apreciadas durante muito tempo.

Os corações são muito populares por isso já fiz diversas variações.

Quem quiser ver mais exemplos, pode consultar a página do portfolio.

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