Anel oco “fraldinha” com topázio – processo de construção

Este anel foi concluído há algum tempo mas só agora tive oportunidade de descrever o processo de construção.
Basicamente é um anel oco, com uma secção interna e outra externa. Este modelo é muitas vezes usado para fazer anéis de curso mas pode ser adaptado a projectos muito diferentes.


A parte externa é composta por uma só peça enrolada que também serve de base para a pedra. O desenho desta peça assemelha-se a uma “fraldinha”. Para determinar o tamanho fiz o desenho aproximado da peça em papel e depois ajustei, com cortes e fita-cola, até ter o molde com a dimensão certa.


Depois de cortar a forma em chapa de metal (usei chapa de 0,5 mm), enrola-se no embutidor até ter a forma aproximada do anel.


Depois cria-se um anel interior. Forma-se um tubo a partir da mesma chapa, mais comprido do que o necessário para termos alguma margem para cortar mais tarde. Este anel interior é que deve ter o tamanho do dedo. A “fraldinha” deve ser ligeiramente maior.


Nesta fase comecei a moldar o top do anel à pedra que tinha escolhido – um topázio em bruto. A escolha da pedra deu o tema para o aspecto do anel daí para a frente. Se fosse uma pedra facetada teria feito um anel completamente diferente.
Como a pedra era funda, optei por enterrá-la no anel. Se fosse baixinha teria ficado apenas assente no topo.


Soldei as abas laterais do anel.


Para o tubo interior entrar a direito dentro da parte externa é necessário limar a abertura até alargar o suficiente.


Quando o tubo entra justo e direito, pode-se marcar a zona a cortar. Deve-se deixar ainda uma pequena margem que será limada depois de soldar. É sempre mais seguro trabalhar com marges de segurança do que cortar tudo logo à medida e depois arriscar a que falte 1 mm no final.


Depois de cortado, foi altura de decorar o tubo interior. Com a serra, recortei umas formas irregulares que achei estarem de acordo com o aspecto que queria dar ao anel.


Soldei o tubo interno à parte externa.


Limei o topo para se adaptar às irregularidades da pedra e para eliminar o máximo de linha direitas.


Testei para ver se a pedra ficava bem enquadrada e apoiada.


Usei uma técnica interessante para criar elementos decorativos que iriam rodear a pedra. No atelier de joalharia chamavam-lhe “tirar a nata”. Basicamente consiste em fundir o metal num carvão e depois usar a pinça ou outro utensílio para puxar uma tira de metal líquido para o lado. Ao arrefecer formam-se peças texturadas interessantes. É preciso repetir o processo muitas vezes até se obterem elementos com o aspecto que queremos mas é divertido. Não consegui foi fotografar porque precisava das duas mãos.


Montei os diferentes bocados sobre plasticina, à volta da pedra, para planear o layout. As pontas mais compridas iriam servir de garras para segurar a pedra.
Fotografei de diversos ângulos para conseguir mais tarde refazer o encaixe, quando fosse soldar.


Aqui já se podem ver os vários elementos soldados ao anel. Fui soldando um a um, amarrando com fio de ferro e isolando as parte já soldadas com corrector para evitar que a solda voltasse a correr.


Depois de polir, cravei a pedra. Nalguns casos foi necessário limar um pouco por dentro para conseguir dobrar as garras irregulares.
E o anel estava terminado. Chamei-lhe o anel de gelo.
Até hoje continua a ser uma das minhas peças preferidas.

Mais tarde fiz uma versão mais simples, com uma azurite, para oferecer à minha mãe:

Existe um tutorial muito completo sobre a construção deste tipo de anéis (sem a parte da pedra, só com uma virola para cabochon) no site Ganoksin, para quem quiser ler mais sobre o assunto.

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