Archive for the 'Filmes e séries' Category

New Moon

Wednesday, December 2nd, 2009

After watching Twilight I got curious enough to read the books. I bought the whole collection one saturday and read them all in little over a week. Then I read them again.Then I found the draft for Midnight Sun and read that (I thought it was a published book and was a bit disappointed when I couldn’t find it on sale anywhere. I wish Stephenie Meyer would finish the thing already).

Compared to the books, the movie really isn’t that great. My review still stands and the baseball and prom themes felt just as silly in the book as they did in the movie, but the intimate way the books are written, the level of detail and the sincerity and complete lack of mocking tone made me really get into the story. All the emotion is very melodramatic but the truth is that I do remember feeling that strongly as a teenager and it rings true in that sense.

That doesn’t mean I would recomend these books to anyone. What I said about the movie is true about the books: the target in mainly feminine. I’m sure a lot of older women like myself are able to enjoy the books as much as teens do because it’s easy to relate to feelings you’ve had in the past and feel like a teenager again as you read them.

One thing I didn’t expect is that I found some parts really funny. I’m not sure if that’s intentional or if it was just me but I actually laughed out loud a couple of times. One detail I liked was the way the chapter names change in Breaking Dawn when it changes from Bella to Jacob’s point of view – from chapters simply called ‘Gesture’ or ‘Unexpected’ we move to chapters like ‘why didn’t I just walk away? Oh right, because I’m an idiot’ or ‘You know things are bad when you feel guilty for being rude to vampires’.

I realise that admitting to liking something like the Twilight series makes me go down a few points in some people’s estimation but I fail to see why I should care about that. I’ve always been a fan of mindless escapism. I’ve read all the Harry Potter books, I loved Bridget Jones’ Diary and read the complete Princess Diaries series after I was 30, and don’t feel the need to apologize for any of it. I like harmless fun.

It all started with Jane Austen, actually. Just because her books are now considered classics, and therefore a more suitable read, doesn’t mean they don’t fit in the same category. I’m a huge fan of Pride and Prejudice and there’s no doubt that Twilight gets a lot of inspiration from it. Actually, there are very few romantic comedies that don’t actually steal from Miss Austen.

I’ve read other romantic classics after Austen, like Wuthering Heights, Jane Eyre, etc, and I like them too but none of them had the same innocence and optimism that I loved in Austen so I started looking elsewhere.

Even knowing the movies can never get close enough to the enjoyment I got from the books, because they’re too compressed, I couldn’t resist going to see New Moon last Saturday. As a movie, I think it’s better than Twilight. At least it’s a more ‘normal’ film. There’s less mushy stuff and more action but I still feel like laughing when I hear the people involved trying to sell it to guys – it’s still not a guy movie, I’m afraid. Less vampire, more werewolf but still a chick movie.

I liked that they kept it close enough to the book to not feel confusing after having just read it. It felt a little flat, emotionally, after the book, but that was probably just me. It’s a fun movie, well paced, well acted and with lots of half naked guys, so nothing much to complain about.

As for casting, even though I saw the Twilight movie before reading the books, I can’t really see some of the characters as the actors. Rosalie feels different and especially Bella and Edward, even though the actors did a great job, I just picture them differently. But quite frankly I couldn’t say what actor would look closer to the picture in my head so that’s hardly relevant.

The Fall

Friday, November 27th, 2009

Um filme visualmente fabuloso. A história passa-se num hospital, nos anos 20, em que um duplo de cinema recupera de uma queda. Uma menina com um braço partido convence-o a contar-lhe uma história para passar o tempo e a interpretação visual dessa história é lindíssima, apesar de ter desde o princípio um lado violento e perturbante.

Rapidamente sentimos que a tragédia é eminente, especialmente quando nos apercebemos que o Roy está cada vez mais deprimido, algo que tem influência tanto na história que conta como na relação com a criança, que começa a ser cada vez menos saudável e mais manipuladora. A história é sentida principalmente do ponto de vista da menina, uma actriz com uma naturalidade  e uma vulnerabilidade fabulosas, o que a torna mais perturbante porque conseguimos compreender factos que ela não consegue.

A história dentro da história vai mudando e os personagens vão-se transformando de acordo com a imaginação da menina, a identificação dos personagens com pessoas reais – o pai dela, o próprio Roy, a rapariga por quem ele está apaixonado, etc – e torna-se cada vez mais violenta. A menina revolta-se contra a forma como os personagens vão morrendo mas ao mesmo tempo quer desesperadamente saber como a história acaba, acreditando, contra toda a probabilidade, que ainda é possível um final feliz.

Acho que o filme vale a pena ver pelo lado visual. A história em si não é original o suficiente para poder ser considerado um grande filme mas a beleza das imagens dá-lhe um interesse extra.

Mirrormask

Friday, November 27th, 2009

Consegui finalmente acabar de ver o Mirrormask, ao fim de três tentativas. Conseguir ver um filme de seguida continua a ser uma impossibilidade devido a falta de tempo e uma criança impaciente.

A parceria Neil Gaiman/ Dave McKean é algo que dura há muitos anos e que culminou no filme Mirrormask, escrito pelo primeiro e realizado pelo segundo. Desde a faculdade que sigo aquill que o Neil Gaiman escreve e gosto muito de praticamente tudo. No entanto nem sempre gosto da interpretação visual das mesmas, preferindo ser eu a imaginar as personagens e histórias.

No que diz respeito ao Dave McKean, acho que ele tem um estilo muito próprio e um trabalho bastante interessante mas que está muito fora da minha zona de conforto. Por causa disso estava um pouco relutante em ver este filme, com receio que fosse demasiado grotesco visualmente.

A primeira frase que li sobre a história, muito antes do filme estar acabado, deixou-me logo com vontade de o ver: uma rapariga que quer fugir do circo e juntar-se à vida real. É a atitude típica do Neil Gaiman de agarrar em algo comum e virá-lo de pernas para o ar. A história é relativamente simples e tem muitos pontos em comum com a Alice nos País das Maravilhas e o Coraline – uma rapariga que se encontra de repente numa realidade alternativa e que vai encontrando diversos personagens estranhos pelo caminho, uns bons e outros maus.

Visualmente este é um dos filmes mais estranhos que já vi – há um ou dois do Peter Greenaway que considero igualmente estranhos mas que, ao contrário do Mirrormask, me deixaram com vontade de vomitar. O Mirrormask é estranho porque é inteiramente concebido dentro do estilo peculiar do Dave McKean, misturando imagens reais com ilustração, máscaras, gatos com cabeça de pessoas, pombos com corpo de gente e bicos que passam a vida a cair, e uma série de outros personagens e circunstâncias bizarros. No entanto, aquilo que eu mais temia, que toda esta estranheza desse ao filme um ambiente macabro, não chega a acontecer. É um conto de fadas, não é um filme de terror. A personagem principal consegue dar ao filme uma constante fonte de optimismo e esperança que nos faz sentir que vai tudo correr bem e o perigo nunca é inteiramente real. Suponho, porém, que possa mesmo assim ser um filme perturbante para crianças pequenas, especialmente se não tiverem idade suficiente para compreender bem a história.

A  minha cena preferida é quando a Helena, depois de ser capturada pela raínha negra, é vestida por um conjunto de robots a cantar ‘why do clouds suddenly appear…’ Achei fabuloso :)

Twilight

Wednesday, October 28th, 2009

On monday night I saw the movie Twilight. I would not have dreamt to see this in a theatre because, well, I have a toddler, a shortage of available babysitters and better things to do with my free time when I finally have some. It takes something potentially really good or fun to drag me to a movie theatre these days and some teen drama is not it.

I should start by saying that I never read any of  the books and so I’m speaking of the movie alone and not getting into the whole book versus movie thing a lot of the fans go on about. That’s a whole other matter.

The reason I finally got around to seeing this movie is because it’s been out for over a year and people are still talking about it, mostly to trash it, but still, and I figured it was time I decided for myself.

And guess what? I kinda liked it. Well, to be completely honest, when they get to the scene about vampires playing baseball it lost me a bit, but before that I was going along with the whole thing. Something about the movie spoke to my inner 14 year old girl.

I couldn’t possibly say this is a good movie. I am able to enjoy some pretty terrible ones but that doesn’t mean I go around telling people to watch them – I have seen a movie about a killer tongue and laughed my head off but would not recomend it. That said, Twilight is little more than the equivalent of porn to a teenage girl. But my question is: what’s wrong with that? Teenage girls are just as entitled to masturbatory aids as boys and  good ones are hard to come by.

I know times have changed and there are more 13 year olds out there having sex than we would care to imagine, but just because little girls are stupid enough to think that having sex before they’re ready makes them seem more grown up doesn’t mean they enjoy it as much as they enjoy the fantasy of some mysterious looking guy with intense eyes who says he can’t live without them. To a girl that’s probably more powerful than a pair of really big boobs to a boy. It is what it is and girls and boys have different switches. Doesn’t mean we don’t care about the male body, but the face, expression and emotion are just as important if not more.

The reason so many people hate Twilight is because it was promoted as a vampire movie when it isn’t. I love vampire stories. As a teenager I read Dracula,  in college I devoured Anne Rice’s vampire books (even ignoring the ridiculous notion to make Lestat a rock star) and my favourite Sting song in Moon over Bourbon Street. I say this to explain that I think I understand why vampire stories are so attractive to people and why they get upset when someone tramples on them. I think vampire fans like the fact that they know the rules to this alternate universe that has vampires in them and ‘no sunlight’ is a pretty big one. When the movie Bram Stoker’s Dracula came out with a vampire walking the streets during the day it was just as irritating. But I love that movie because the beginning, with the nosferatu-looking Gary Oldman and the shadow puppets, is really fun, and a lot of the main scenes are actually quite loyal to the book. But to have vampires that not only walk around in sunlight but go to high school! Now that’s just spitting in the face of the whole myth.

Some people also seem to look down on the movie because Twilight is not a horror film but there are two sides to the vampire theme. One is the straightforward monster who drinks human blood and kills to get it, but that is not the part that attracts people the most. The romantic and sexual component has always been very strong in vampire tales. The vampire who is drawn to a human for more than blood is a recurrent theme. Dracula travels the world in search of Mina – it’s a love story and it has always been. And that is the side that more recent movies and books has been exploring, now that the sexual component no longer needs to be hidden and disguised.

So to watch Twilight I had to ignore the vampire mythology and just treat it as any other romantic story to see where it took me. In Twilight, I think the vampire angle is only important in the sense that it adds an element of danger to the relationship between the two characters and danger can be exciting.

The reason the movie works is because the two leads are really good and the chemistry between them is amazing. The long lingering ’staring into each others eyes’ scenes, are exactly what is required for the perfect chick movie. Just the time it takes to get to that first kiss and the tension that builds until then is precisely why it’s a truly enjoyable movie for the right audience

As to editing, I think they go from hate to love a bit fast but maybe that’s also because I’m getting too used to watching tv shows that take forever to get anywhere. But the romance is dead on.

On the downside, the second half of the movie goes downhill a bit. There’s the baseball scene I mentioned earlier – tt’s unnecessary and stupid – and there’s the ending – at prom? Really? It’s been done in every single teen movie since the 80’s! Enough already!

The second half of the movie is the ‘action’ portion, with Bella on the run, facing the evil vampire with the ridiculous pony tail. I couldn’t stand the guy in the O.C and he’s even worse here. If only they had a villain to match the leads it wouldn’t be so bad.

Maybe I’ll try reading the book someday to see if it’s any better.

Life e Pushing Daisies

Tuesday, October 20th, 2009

Vi recentemente estas duas séries, que não conhecia, e fiquei fã. E como acontece com todas as séries de que descubro gostar, foram prontamente canceladas.

A série Life é um drama polícial típico, com um caso diferente em cada episódio mas tem 3 coisas de que gostei muito e que, para mim, separaram esta série das restantes do género. O que mais valoriza a série é o personagem principal, interpretado por Damian Lewis, um excelente actor, capaz de ser tão convincente como o vilão mais asqueroso ou o tipo mais simpático mudando, aparentemente, muito pouco. O personagem de Charlie Crews está muito bem escrito e interpretado, com um misto de inteligencia, loucura e humor que conseguem salvar algumas situações mais clichés neste tipo de séries.

Também gostei do ‘room-mate’ e da sua relação com a futura madrasta do Detective Crews, Olivia, interpretada por Christina Hendricks, que se eu fosse homem suspeito que consideraria a mulher perfeita, porque não só é lindíssima como tem mais curvas que uma estrada de montanha.

Por fim gostei de um ponto muito importante da estrutura da primeira season: em cada episódio a história avança mais um bocadinho em vez de meterem uma série de episódios de encher chouriços pelo meio. A segunda season já não é tão coerente nesse aspecto, o que pode ter contribuido para o seu cancelamento.

No geral não posso dizer que a série seja fenomenal mas tem bastantes mais pontos altos do que eu estava à espera quando experimentei ver e, mais importante que isso, deixou-me um sorriso nos lábios e vontade de a voltar a ver, o que para mim é bastante raro. Geralmente quando está visto, acabou.

A série Pushing Daisies acabei de ver na semana passada e neste momento é uma das minhas favoritas. É do criador do Dead Like Me, outra série que lida com a temática da morte de um ponto de vista baste ao lado do comum e com muito humor.

Os actores são impecáveis e adorei o look retro de cores garridas, o ambiente de comédia romantica antiquada e inocente, a originalidade de algumas das histórias e situações e o toque musical ocasional, com as interpretações sempre interrompidas da fabulosa Kristin Chenoweth, que vai tendo um decote cada vez maior a cada episódio.

O personagem principal é interpretado por Lee Pace, que entrou para a minha lista de actores favoritos. O pobre do Ned tem um ar sempre um bocado encolhido e inseguro, de sorriso ao lado e o poder de reavivar os mortos tocando-lhes, poder esse que só lhe traz complicações porque tem algumas regras em letras miudinhas.

A carreira de Anna Friel já sigo há muitos anos, desde o filme Land Girls e da série Our Mutual Friend, que adorei, e sempre gostei muito dela. Tem um ar alegre e simpático que é perfeito para esta série, apesar de sentir a falta do sotaque inglês. Ela dá ao papel da Chuck um ar muito decidido e despachado que feito por outra actriz poderia ter ficado pelos olhinhos de Bambi e pouco mais.

O actor Chi McBride é um daqueles que sei que já vi em diversas coisas mas só me lembrava dele na série The Nine e os papéis são tão opostos que nem parece a mesma pessoa. É um dos meus personagens preferidos pela sua expressividade.

A série tem o seu universo próprio, um bocado ao lado do nosso, com uma mistura de romance e mistério criminal sempre bem disposta e dando pouca importancia a pormenores que não interessam nada – um carro que usa flores como combustivel, por exemplo, seria impensável num mundo mais realista mas encaixa que nem uma luva neste – mas continua a tentar ser realista na sua resolução dos problemas, como as questões morais que levanta o poder de decidir sobre a vida e a morte e o problema mais pessoal de não poder tocar na pessoa de quem mais se ama.

É uma série excelente para ver depois de um mau dia e tenho pena que não continue, apesar de não saber durante quanto tempo é que seriam capazes de manter o nível da coisa.

Onde andam os novos bons actores?

Tuesday, September 29th, 2009

Ultimamente parece que só vejo actores ingleses nas séries americanas. É o House, o Life, o Flashforward, o Lost, enfim, andam a aparecer um pouco por todo o lado. Por mim tudo bem, porque gosto de muitos destes actores (o Joseph Fiennes, nem por isso, mas os outros sim)  e já deu para perceber que se safam melhor do outro lado do Atlantico do que se tivessem ficado em casa. É pena terem de abdicar do sotaque mas não há dúvida que muitos têm assim hipótese de fazer papeis mais interessantes. O Hugh Laurie passou muitos anos a fazer lindamente papel de imbecil – o meu favorito continua a ser o King George do Blackadder -  e com o House conseguiu finalmente obter o reconhecimento que merecia e estamos-lhe grato por isso. Desde que vi o trailer pela primeira vez que soube que ia ser uma série a seguir.

Mas no meio disto penso: onde é que estão os novos actores americanos? O país é tão grande e tem uma tradução de cinema e tv tão entranhada que devia aparecer pelo menos um gajo novo com jeitinho todas as semanas. Onde é que eles andam? O Ashton Kutcher, que não suporto mas se tornou muito cotado, veio de uma série de TV e passou para o cinema mas não me lembro assim de repente de muitos casos destes que tenham acontecido recentemente. Também é verdade que vejo menos séries e filmes adolescentes do que há uns anos, mas os únicos ‘novos actores de que me lembro são o Hayden Christensen, que já anda por aí há uns anos, o Shia LaBeouf idem, temos as meninas do Gossip Girl e pouco mais.

Historicamente falando, a televisão é onde acabam os actores que estão velhos de mais para fazer papeis principais no cinema. Isso parece continuar a acontecer hoje em dia – casos obvios são a Glenn Close e o Alec Baldwin, por exemplo – mas as séries têm melhorado muito de qualidade nos últimos anos ao ponto de isso já não ser vergonha nenhuma, muito pelo contrário, dá a excelentes actores a oportunidade de continuar a mostrar porque se mantiveram no topo durante tanto tempo e outros que nunca foram assim tão famosos (como William Petersen, por exemplo) , a hipotese de mostrar o que valem.

Mas a TV era também o sítio onde começavam os novos actores a fazer currículo e não tenho visto muitos a sair da obscuridade ultimamente. Parece que têm vindo mais actores de fora – ingleses e australianos – do que aqueles novos actores americanos que conseguem meter o pé na porta. O meio sempre foi difícil e fechado mas parece-me que, tal como na música, o negócio anda a gritar mais alto do que o talento e não se está a dar grande oportunidade a que os novos mostrem o que valem, preferindo apostar em ‘material mais seguro’. Quando aparecem actores novos parece-me sempre que é mais pela bonita cara (a Megan Fox é um excelente exemplo) do que por qualidades dramáticas – ou seja, apostar mais uma vez no que é vendável.

Isso leva-me a outro ponto: tenho saudades dos filmes dos anos 70 em que os actores pareciam pessoas normais, usavam óculos e nos davam a oportunidade de acreditar que viviam no mesmo planeta que nós.

Enfim, estou a ficar velha.

The Moguls

Wednesday, April 1st, 2009

Já vi este filme há algum tempo mas ainda não tinha escrito nada e acho que merece. Não fazia ideia do que era mas li o resumo e pareceu-me interessante – um homem que está constantemente a tentar novos esquemas de fazer dinheiro convence os habitantes de uma pequena cidade a fazer um filme porno. Este tipo de premissa podia dar uma grande fantochada mas conhecendo os filmes anteriores do Jeff Bridges, achei que valia a pena tentar.

Acabei por gostar imenso do filme que está recheado de personagens estranhos mas interessantes e humanos e com uma história invulgar e divertida. Fez-me lembrar um bocado os personagens secundários da série Gilmore Girls, que davam vida à cidade de Stars Hollow e que, na minha opinião, eram a parte mais interessante da série.

Este é um daqueles filmes em que estamos constantement à espera do momento em que vai correr tudo mal – que acontece, claro – mas que apesar disso consegue não se tornar um dramalhão insuportável a partir daí, mantendo o andamento e o espírito positivo do filme até ao final. Acabei de ver o filme com um sorriso nos lábios e a sensação de ter ficado agradavelmente surpreendida.

Adorei o facto de no final do filme aparecer ‘directed by some guy’. Até nos créditos se mantiveram fieis à história.

I am Legend

Wednesday, April 1st, 2009

Este post tem muitos spoilers, que não costumo fazer, mas como o filme já é antigo arrisco.

Vi no fim de semana o filme I am Legend. Não sabia muito sobre este filme para além de ter uma ideia que era o Will Smith basicamente sozinho no mundo depois do resto da humanidade ter sido exterminada por uma qualquer catástrofe. Tinha receio que fosse uma coisa muito lamechas (com o Will Smith nunca se sabe se é tiros e explosões ou um grande dramalhão) e na altura em que o filme apareceu tinha mais com que me preocupar. Aquilo que não esperava era que fosse um filme de zombies. E mais – até nem é um mau filme de zombies, apesar do final não estar de acordo com o estilo.

O filme tem algumas pequenas falhas (que aposto que são falhas de edição do filme) mas as cenas de suspense estão muito bem feitas e conseguiram enterrar-me na cadeira a prestar atenção ao filme em vez de estar a dobrar arame ou o que quer que seja que costumo fazer enquanto vejo filmes. O nosso primeiro encontro com os zombies, quando o Will Smith anda por corredores escuros sem nós sabermos o que lhe vai aparecer à frente, é uma óptima cena de suspense para quem gosta de estar ali com o coraçãozinho a bater durante um bocado – apesar de ter passado o tempo a pensar que ele é mesmo muito estúpido. Eu tornei-me muito mais sensível a estas coisas desde que o Tiago nasceu (acho que a maternidade me tornou bastante mais ansiosa e alerta à possibilidade de perigo, mesmo que simulado no ecran) por isso estive a roer as unhas durante um bocado.

Tanto nos animais como nos zombies o filme abusa dos efeitos especiais mas não me incomodou. Há outros pormenores que me incomodaram mais. Em primeiro lugar, o casting do Will Smith como o tipo que por acaso é imune ao virus e tem de aprender a sobreviver está OK. Nada contra. Mas fazê-lo também militar e também o cientista que procura a cura é que já é demais. Não tenho nada contra o Will Smith. Acho que é um bom actor e tenho visto tanto os seus filmes de acção e comédia como os papeis mais dramáticos e é um actor muito natural. Aquilo que não tem é um ar muito inteligente. Não que pareça estúpido mas não me convence como o cientista brilhante que passa os dias no laboratório. Especialmente porque durante o filme demonstra algumas falhas básicas de raciocício. Por exemplo, quando captura a mulher infectada para a sua experiencia mais recente e vê um dos outros a expor-se ao sol, nunca lhe ocorre que este ficou irritado por ele ter capturado a mulher. A nós parece-nos óbvio que é isso que irritou aquele zombie mas ele passa completamente ao lado dessa hipotese falando antes de falta de comida (apesar deles terem acabado de devorar um veado).

Para além disso, também não pára para pensar que se os zombies são assim tão desprovidos de intelecto como ele acha, como é que aprendem o truque do carro, como é que sabem que o manequim será isco suficente para o interessar, etc? Sei que o homem estava perturbado por causa do cão e tal, mas mais uma vez parece-me um bocado falta de jeito.

E por fim, a conversa sobre deus no final era completamente desnecessária. Compreendo que as pessoas quando estão desesperadas se viram para deus porque precisam de qualquer coisa que lhes dê uma razão para se continuarem a levantar de manhã mas neste caso não era preciso ir por aí. Um homem que já perdeu tudo porque está obcecado com encontrar a cura também é capaz de fazer o sacrificio final para que o seu trabalho não seja em vão. Bastava o acto heroico simples, não era preciso ouvir vozes.

Finalmente, uma das coisas que pensei durante o filme, numa das partes em que o personagem fala sobre a destruição da humanidade, foi: e ele sabe lá se isto não é apenas a evolução da espécie. Achei piada quando descobri que o livro termina efectivamente dessa forma e tenho pena que o filme não tenha mostrado essa ideia.
Pelos vistos há um final alternativo menos esperançoso e provavelmente mais interessante que tenho de ver se descubro.

Dobragens

Saturday, February 28th, 2009

Nunca gostei de dobragens. Também nunca gostei muito de ler livros traduzidos. às vezes tem de ser porque sei muito poucas linguas, mas quando posso prefiro sempre ver e ler na lingua de origem.

Não é um preconceito contra a nossa lingua. É apenas uma sensação de que está alguém a meter-se entre mim e o autor do livro ou filme. Isso é muito óbvio em situações em que é necessário traduzir certas expressões que não existem na nossa lingua e para as quais os tradutores inventam algo que lhes parece equivalente. Isso é muito comum quando é preciso traduzir letras de musicas em livros de BD, por exemplo, em que muitas vezes preferem substituir pela letra de uma música portuguesa em vez de traduzir a letra original.

O tradutor toma estas decisões para adaptar o conteúdo ao público nacional mas ao faze-lo está a mudar o conteúdo original, tornando-se parcialmente autor da obra pela sua interferencia. Por isso, eu prefiro sempre que possivel, ter uma conversa mais directa com o autor, sem intermediários.

No que diz respeito à dobragem de filmes a interferência é ainda maior do que na tradução de livros porque para além do texto, o timbre e entoação da voz são extremamente importantes. É por isso que até para os desenhos animados são escolhidos bons actores para fazer as vozes (sim, também é para angariar público, mas não só).

Os actores portugueses não são grande coisa. São pouco naturais e parece que estão sempre a fazer teatro, mesmo quando é para televisão: têm alguma tendencia para declamar (especialmente os mais velhos), são bastante monotónicos e tornam-se pouco convincentes impedindo que consigamos mergulhar na história em vez de passar o tempo a pensar ‘este gajo é mesmo mauzinho’. Se compararmos com os actores das novelas brasileiras, por exemplo, a diferença é tão obvia que se torna chocante. Os brasileiros também têm maus actores, claro, mas já fazem novelas há tanto tempo que desenvolveram um estilo de televisão muito mais natural e convincente e a maior parte dos actores são bastante naturais. Os portugueses, porém, ainda têm muito que aprender.

Assim sendo, quando chegamos à dobragem dos desenhos animados, perde-se muito. As vozes são geralmente esganiçadas, gritadas e pouco variadas. Algumas são verdadeiramente irritantes.

No último ano tenho visto muitos desenhos animados dobrados e alguns são muito dificeis de aturar por causa da dobragem. Nalguns casos é porque embirrei com a voz que accho irritante, como é o caso do Noddy e do Leo dos Little Einsteins. É a mania de usar gajas para dobrar as vozes de crianças. O Tiago nunca ligou ao Noddy mas por acaso até gosta dos Little Einsteins e eu tenho que gramar aquilo. Estou a considerar arranjar o original para não ter de aturar aquela voz.

Por outro lado as dobragens do Mickey Mouse Club House ou do Handy Manny não me chateiam nada. Mas a entoação de muitos dos desenhos animados é sempre a mesma e torna-se monótono e repetitivo. Os miúdos não ligam mas eu também tenho de aturar aquilo portanto custa um bocado.

Pior do que dobragens com vozes irritantes é dobragem das músicas infantis por pessoas que não sabem cantar. Já alguém ouviu a música de um programa chamado a Dinossaura Doroteia ou algo do estilo? Que coisa tão desafinada! Como é que alguém deixa aquela gaja cantar fora do duche? Cada vez que aquilo começa tenho de ir a correr mudar de canal antes que o meu cérebro derreta. Eu também não canto muito bem mas pelo menos consigo perceber onde é que desafinei e tentar vezes sem conta melhorar até conseguir. Estes gajos fazem uma música para a TV e ficam-se pelo primeiro take que a mulher das limpezas arranhou ao microfone? Poupem-me

Por tudo isto o Tiago anda a ver muito mais o Baby TV do que os outros canais de bonecos. Ele gosta, vai aprendendo inglês e eu não sofro tanto.

Cinderella

Friday, February 20th, 2009

Ontem estive a ver um bocado da Cinderella da Disney com o Tiago. Acho que foi o único filme do estilo que fui ver ao cinema em criança e gostei muito. Anos mais tarde voltei a ver e fiquei muito decepcionada por causa da dobragem. Agora arranjei o filme no original e tem efectivamente muito mais piada por causa do estilo das vozes usadas nas músicas que são muito típicas da época.

Acho que continuo a preferir estas animações mais antigas às versões recentes 3D porque sempre gostei muito deste tipo de desenho, semelhante à ilustração de publicidade dos aons 40 e 50. As mulheres têm uma grande elegancia, e o desenho das mãos em particular sempre me fascinou.

O Tiago obviamente não ligou nada à Cinderella mas adorou as cenas de perseguição com o gato e os ratos. Em vez de estar no sofá a vegetar esteve o tempo todo de pé a dar grandes saltos de entusiasmo e a dizer olá cada vez que aparecia um dos animais no ecrã. Giro :)

Quando começou a parte do baile o Tiago perdeu o interesse e fomos para o quarto brincar.