Informações úteis > Artesanato
Há certas informações que nos servem de referencia quando estamos a efectuar uma peça artesanal ou a preparar-nos para comprar material e como a memória nem sempre é perfeita achei que era bom ter um sítio onde reunir todos essas pequenas informações úteis para não ter de andar constantemente a consultar livros e sites para refrescar a memória
Paralelamente aproveito para deixar algumas dicas de limpeza das peças e pequenas ideias para quem gostaria de experimentar fazer algumas peças em arame.
A ideia é ir acrescentado informação à medida que tiver tempo e novas informações.
Grossura de arame > transformar gauge em mm
Há muita informação sobre bijutaria em arame e principalmente wire wrapping em sites e livros americanos que usam indicam a grossura do arame em ‘gauge’ em vez de milimetros por isso dá jeito ter à mão a tabela de conversão para milimetros das medidas mais utilizadas.
14 gauge = 1,62mm
15 gauge = 1,45mm
16 gauge = 1,29mm
18 gauge = 1,02mm
20 gauge = 0,81mm
21 gauge = 0,72mm
22 gauge = 0,64mm
24 gauge = 0,51mm
26 gauge = 0,40mm
28 gauge = 0,32mm
30 gauge = 0,25mm
Noções básicas sobre arame de prata
A prata em forma pura é um material muito mole e quebradiço e por isso é geralmente misturada com outro metal (geralmente cobre) que a torna mais maleável e ao mesmo tempo mais resistente.
A prata mais utilizada em joalharia é geralmente Prata de Lei 925. Este termo que quer dizer que a liga é composta por um mínimo de 92.5% prata e 7,5% de outro metal, geralmente cobre. Recentemente apareceu a liga de prata Brilliant que contém 93,5% de prata não contém cobre. Esta liga não oxida tão facilmente já que a oxidação da prata se deve principalmente à presença do cobre.
Existe arame de prata duro, meio duro e mole. O arame duro só serve para fazer peças que precisem de ser muito resistentes e não necessitem de ser muito trabalhadas, como as molas das pregadeiras, por exemplo.
O arame meio duro é o mais utilizado e serve para fazer tudo desde anzois de brincos, aneis, elos de ligação em colares, brincos e pulseiras, fechos, etc.
O arame mole é usado por exemplo quando se quer tricotar arame fino porque precisa de ser bastante maleável. Também existe arame mole grosso mas só deve ser utilizado em peças que não estejam em tensão porque pode deformar. Num fecho nunca se usaria arame mole porque este não manteria a forma com o peso da restante peça.
Porém, há quem prefira trabalhar com arame mole porque é mais maleável e magoa menos os dedos, e endurecer a peça no final.
O arame pode ser endurecido de diversas formas. A mais óbvia é enquanto está a ser trabalhado. O arame ao ser manuseado vai-se tornando cada vez mais rigido e se for dobrado e torturado demasiado pode mesmo partir. Quanto mais fino mais fácil é isso acontecer.
Também se pode tornar o arame mais rigido martelando-o. Pode usar-se um martelo direito metálico quando queremos espalmar o arame (em fechos, por exemplo) mas se a peça for maior do que a face do martelo por dicar marcada. Para endurecer o arame sem alrerar a forma (quando queremos dar mais rigidez a uma espiral, por exemplo) pode-se martelar com um martelo de nylon ou semelhante que não marca.
Para fortalecer uma peça acabada pode usar-se um ‘tumbler’ que é uma máquina rotativa (tipo máquina de lavar roupa em ponto pequeno) utilizada principalmente para polir pedras. A peça ao rolar dentro da máquina, juntamente com pequenas bolinhas metálicas, vai endurecendo o que faz com que não deforme tão facilmente se levar uma pequena pancada. Antes de proceder a este tipo de tratamento à peça convém verificar se as pedras ou outros eventuais componentes suportam o tratamento.
Limpeza da prata
Há diversas formas de limpar prata. No supermercado vendem-se líquidos de limpeza de diversas marcas que são eficazes na maioria dos casos. Para peças que sejam só de prata o mais eficaz são os liquidos que permitem mergulhar a peça. Esta fica imersa na solução de limpeza durante algum tempo e depois é lavada e limpa com um pano seco.
Quando pa peça tem pedras estas podem ficar estragadas com os químicos do banho de limpeza por isso é preferível usar um pano ou cotonete com liquido de limpeza que é aplicado apenas nas zonas metálicas. Convém sempre lavar a peça depois da limpeza para retirar restos de químicos.
Também existem panos embebidos em líquidos de limpeza para polir peças pouco oxidadas. Estes panos vão ficando pretos com o uso mas não devem ser lavados porque isso retira o polidor e impede que o pano possa ser reutilizado.
Por vezes nenhuma destas soluções resulta bem com peças tipo correntes finas que têm demasiados recantos e onde é dificil os panos de limpeza entrarem. Uma solução relativamente barata para essas situações é a limpeza com bicabornato de sódio: coloca-se a corrente num tabuleiro plano (tipo tabuleiro para lasagna) e cobre-se a corrente com bicabornato de sódio. Depois deita-se àgua a ferver por cima o que causa uma reacção química imediata que limpa a prata. É possível que tenha de se repetir a operação algumas vezes para obter um resultado perfeito mas é um método simples, rápido e económico. Só é preciso cuidado para não respirar os vapores que sobem quando se deita a água.
Na ponta oposta do espectro, há máquinas de ultrasons para limpeza de joias que são usadas por profissionais. Mas tais como os químicos, algumas pedras podem ser danificadas por este processo de limpeza.
Oxidação do cobre
O cobre é um metal com uma cor muito bonita utilizado há imenso tempo em adornos pessoais. Há quem prefira o cor brilhante do cobre novo e há quem prefira o cobre mais escuro, depois de algum tempo de oxidação. Se quiser ver como fica a peça oxidada, deixe-a ao ar durante uns dias. A oxidação do cobre é relativamente rápida. Depois de oxidada a peça pode ser limpa novamente se quisermos que retome o brilho original ou pode ser limpa apenas em certas àreas para dar maior realce à sua forma e selada nessa altura.
Também se pode oxidar a peça utilizando produtos químicos mas estes processos necessitam de alguns cuidados para segurança do utilizador e de um ambiente bem arejado. Como tenho uma criança pequena em casa evito utilizar químicos para oxidar as peças.
O cobre não se dá bem com humidade, oxidando facilmente e criando uma pelicula esverdeada que passa para a pele quando suamos e estamos a usar uma peça de cobre.
Para evitar esta situação as peças de cobre podem ser terminadas com um verniz para selar o metal. A altura para colocar o verniz depende do gosto de cada um relativamente ao nível de oxidação do cobre.
Há vernizes especiais para metais de bijutaria mas o mais simples é utilizar verniz de unhas transparente. Convém dar pelo menos duas camadas e reaplicar ocasionalmente se a peça for muito usada.
Fazer anéis > Substitutos para adrastas
Fazer a base de um anel é muito simples. Basta encontrar um objecto cilindrico do tamanho do dedo e enrolar o arame à volta desse objecto uma, duas, três vezes, para fazer a base e depois trabalhar a parte de cima com contas, espirais ou qualquer coisa que nos apeteça.
O objecto cilindrico que se utiliza para formar os aneis chama-se em português adrasta. Em inglês chama-se ‘mandrel’ (para quem quiser comprar online porque cá parece que a maioria das empresas e lojas ainda não descobriu as vantagens de ter uma loja online).
As adrastas também podem ser quadradas, triangulares, octogonais, etc. e também existem em tamanhos grandes para fazer pulseiras. No entanto não é preciso ir a uma loja de materiais para joalharia e comprar uma adrasta quando queremos experimentar fazer um anel. É muito mais fácil procurar na gaveta dos utensílios de cozinha ou na caixa de ferramentas que decerto encontramos um objecto com a forma certa – eu já usei o cabo de uma chave de fenda, o cabo de um afiador de facas e uma secção de canalização de cobre ou PVC.
É claro que quando se trabalha profissionalmente a adrasta dá jeito porque permite-nos fazer vários tamanhos de aneis, já que tem uma forma cónica, mas quando fazemos para nós próprias não é necessário ter mais uma despesa.
