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Farta da crise

Friday, February 17th, 2012

Estou farta da conversa da crise. Estou farta de ter a vida completamente lixada por causa de uma cambada de incompetentes que nem são capazes de gerir um orçamento doméstico quanto mais um país, apesar de muitos terem curso de economia. Estou farta de políticos a defender leis que não fazem sentido nenhum porque não percebem minimamente do que estão a falar – ver a história da PL118 e afins. Estou farta de aumentos constantes de impostos e taxas aqui e ali, sempre aos mesmos, que estão a destruir ainda mais a economia, numa tentativa vã de cobrir o buraco criado pelos acima referidos incompetentes ao longo das últimas décadas.

Toda a gente gosta de culpar o Sócrates. Eu percebo porquê – o gajo é altamente arrogante e aquele ar superior irrita as pessoas. O facto de ter passado o tempo todo a dizer que estava a resolver a situação enquanto o buraco abria cada vez mais também não ajudou. Mas faz-me impressão como a memória da população é tão curta ou a falta de interesse tão pequena que acreditem que a situação actual se possa dever inteiramente ao governo anterior. O problema começou com o Cavaco como primeiro ministro que esbanjou rios de dinheiro e ninguém se lembra ao ponto de elegerem o gajo uns anos mais tarde para Presidente – e depois voltarem a eleger. Que população tão parvinha que nós temos. É mesmo caso para dizer que temos os lideres que merecemos senão tinham mandado o gajo para casa com o rabo entre as pernas com a mensagem clara ‘já estragaste o que podias, não te queremos cá mais’.

Será que ninguém vê que a governação do nosso país é feita pelos mesmos gajos, rotativamente, desde que acabou a ditadura? Se já desapareceram alguns foi porque morreram de velhos ou reformaram-se, senão ainda estavam agarrados ao tacho. É que nem os que são claramente criminosos são impedidos de se voltar a candidatar e ser eleitos para novos cargos políticos. Como é que isto é sequer possível!

Governar um país é uma tarefa difícil. É um trabalho chato e ingrato e nunca se consegue agradar a toda a gente. Logo, a maioria das  pessoas decentes e inteligentes não querem ir para uma carreira política. Para quê? Para se estarem sempre a chatear e a ser insultados? Quem é que tem paciência para isso? É simples. Os gajos que querem dinheiro e poder acima de tudo o resto. Para esses, governar um país é uma delícia, especialmente em países como Portugal em que o assassinato político não passa de uma fantasia ocasional em conversas de café.

Desviar uns fundozitos, dar trabalho aos amigos e fazer passar leis que facilitem a roubalheira mesmo depois de saírem dos cargos que ocupam é a principal função dos políticos. Depois constroem umas rotundas para calar a malta e poderem falar de obras públicas e ninguém abre o bico. E reclamar para quê? Não há alternativas no actual sistema. Os partidos são sempre os mesmos e não representam ninguém a não ser eles próprios. Vamos votar em quem?

E entretanto as empresas pequenas vão à falência porque não conseguem ter trabalho a um preço minimamente justo e vai tudo para os impostos – o PEC continua-me atravessado – as empresas grandes não contratam mais ninguém e a maior parte dos empregados que têm é a recibos verdes e a ganhar mal. As pessoas não têm emprego ou são mal pagas, as que estão a recibos verdes, apesar de estarem efectivamente a trabalhar por conta de outrem, largam grande parte em impostos e segurança social mas depois não têm direito a subsidio de desemprego, nem maternidade, nem doença, nem férias nem porra nenhuma. O IVA aumenta nos bens essenciais e o dinheiro da população em geral deixa de ser suficiente para pagar as mesmas despesas que tinha há um ano atrás.

Cá em casa aguentámos os últimos cinco anos sem grandes problemas. O dinheiro não dava para grandes luxos mas como não íamos de férias para lado nenhum sempre dava para poupar algum ocasionalmente. Neste ultimo ano, apesar de termos feito muito bem as contas, acabou-se. Não só deixámos de conseguir poupar um tostão que seja como passámos a gastar mais do que o dinheiro que entra mensalmente. O que eu ganho é pouco e irregular e sinto que preciso de arranjar um emprego mais estável mas a minha profissão não é geralmente bem paga e não encontro nada que pague sequer perto do necessário para cobrir os custos de ir trabalhar  – transportes, almoços, etc – e que ainda sobre o suficiente para cobrir o nosso buraco orçamental. Já para não falar no facto de ir piorar o nível de vida dos meus filhos que não têm culpa nenhuma e que vão passar a ter de ficar na escola até às 8 da noite ou mudar para uma escola diferente que não seja tão cara onde terão de se adaptar novamente e perder os amigos que já têm.

Começa a apetecer ir buscar a caçadeira mas nem saberia por onde começar.

Nut Factory

Friday, February 10th, 2012

Ecran principal

Há cerca de um ano o meu irmão começou a fazer um jogo chamado Nut Factory para ipod e iphone. Pediu ajuda para os gráficos e a música. Eu fiz um ritmozinho e gravei umas melodias e uns primeiros sons para o fogo e pregos mas o meu envolvimento ficou um bocado por aí porque aquilo precisava de mais do que eu era capaz de fazer. O meu marido, por essa altura, atirou-se ao trabalho afincadamente, fazendo toda a parte gráfica, música, sons e ajudando também o meu irmão na definição dos detalhes do jogo. Tudo isto em horário pós-laboral, geralmente entre as 10 da noite e as 3 da manhã. Dormir, aparentemente, é para os fracos.

O jogo foi tomando forma e acho que o resultado ficou fantástico visualmente e bastante viciante a nível de jogo. O jogo em si é simples – trabalhamos numa fábrica, numa linha de montagem, e a nossa função é cortar troncos antes destes chegarem ao fogo. À medida que vamos subindo de nível, a coisa vai-se complicando. Há pregos espetados nos troncos que é preciso tirar, pinhas que explodem e até um castor malandreco que não quer largar os troncos e precisa de uns abanões (suaves).

Artsy cut

Quem gosta dos achievements também deve ficar feliz porque há uma série deles, assim como artsy cuts, ou seja, quando se corta um grupo de troncos formando uma determinada figura (um triangulo, por exemplo) ganhamos pontos por isso.

Ou seja, o Nut Factory é um jogo simples mas muito bem pensado e com muitos pormenores que nos fazem querer jogar de novo para conseguir chegar ao jogo perfeito. Como cada nível tem um look fixo, é possível ir aprendendo e melhorando cada vez que se joga.

É bom ver portugueses provar que por cá sempre se conseguem fazer coisas giras com trabalho e força de vontade.

O jogo tem uma página de facebook onde podem ir acompanhando as novidades. Podem ver o trailer do jogo no fórum, onde se podem colocar questões ou dar sugestões para os updates do jogo, e que também tem alguns screen shots e depois espero que vão fazer o download na App Store.

Mudança de guarda

Monday, January 30th, 2012

A nossa empregada, a Augusta, passou a ter que fazer mais horas no seu emprego principal e deixou de poder vir limpar a nossa casa na tarde semanal que fazia há cerca de uns 10 anos. Eu tinha imensa confiança na Augusta que é tímida mas honesta, eficiente e com uma ética de trabalho como não se vê muitas vezes e ao fim de tanto tempo quase que fazia parte da família. As crianças já a conheciam e eu já há muito tinha conseguido ultrapassar aquela sensação desagradável de ter uma pessoa estranha cá em casa. Ao longo dos anos trocámos histórias, ajudei-a a preencher o IRS, ela trazia iogurtes para os miúdos, etc. Tenho pena que não possa continuar connosco e esperava que a despedida fosse emocional mas não ao ponto de chegar às lágrimas, que foi o que acabou por acontecer. Apesar da escolha de nos deixar não ter sido minha, fiquei, por qualquer razão, cheia de sentimentos de culpa, como se devesse ter conseguido arranjar outra solução.

Hoje foi o primeiro dia da M., uma rapariga mais nova que eu, de origem romena que já trabalha para o meu irmão há algum tempo. Parece muito simpática e acho que nos vamos dar bem. Ontem o Pedro estava a gozar com a situação dizendo que eu devia pedir-lhe logo para lavar as paredes (algo que a minha mãe fez a uma empregada no primeiro dia e a senhora nunca mais voltou). Nem me passaria pela cabeça fazer tal coisa, muito menos no primeiro dia. Tinha pensado mais numa de limpar o pó por cima das estantes, etc, aspirar e pouco mais.

Ela chegou quando estávamos a preparar-nos para levar os miúdos à escola. Mostrei novamente onde estavam as coisas mas não dei nenhuma instrução particular. Ela ficou e nós fomos. Eu tinha umas voltas para dar -  enviar uma encomenda, fazer umas compras, etc – e quando voltei, adivinhem o que ela estava a fazer? A lavar as paredes com lixívia. Fartei-me de rir :)

Mais ou menos bom ano

Tuesday, January 3rd, 2012

Bom ano de 2012

Durante a semana entre o natal e o ano novo o Pedro esteve de férias, o que cá por casa quer sempre dizer que esteve doente – não me perguntem porquê mas nunca falha – e os miúdos também.

Depois de ter passado o fim de semana bem, a Joana voltou a ter febre na segunda feira e todos os dias seguintes até quinta, mas só ao fim do dia, mais ou menos de 24 em 24 horas. Go figure. O Pedro também andou de rastos e até eu andei um bocado mais mole que o normal, mas felizmente seja lá que virus for, não me atingiu com a mesma intensidade e consegui aguentar-me.

Depois da confusão do natal passei dias a arrumar a casa e lavar roupa, incluindo uma reorganização completa das caixas de brinquedos do quarto do Tiago e alguma mudança de móveis (não pode passar um ano sem mudarmos qualquer coisa de sítio). Pode parecer uma forma de auto-tortura mas é também uma maneira de lidar com o facto de ter as crianças a casa e não saber já o que fazer aos quilos de tralha que eles largam pela casa toda. Achei que fazendo caixas temáticas – carros, aviões, armas, bakugans, etc – também se tornaria mais simples para mim arrumar o que vou apanhando pelos cantos.

Pelo meio fomos vendo uns filmes de desenhos animados, o Pedro foi jogando PS3 com o Tiago e eu fui brincando com ele durante as sestas da Joana porque se nota que ele precisa de atenção exclusiva de vez em quando.

A passagem de ano foi em casa dos meus sogros, como é costume. Tem a vantagem de uma varanda virada para o rio Tejo de onde podemos ver o fogo de artifício sem ser preciso ir gelar para a rua. O Joana aguentou até às onze e depois teve que ir dormir. O pior foi acordá-la para voltar para casa e depois outra vez para sair do carro. Quando finalmente aterrou na cama esteve longos momentos a expressar o seu descontentamento sob a forma de uma grande gritaria mas lá acabou por adormecer outra vez, coitada. O Tiago esteve acordado até chegar a casa mas assim que entrou foi para o quarto, vestiu o pijama e deitou-se sozinho. Não há cá ir à casa de banho nem lavar os dentes, queria mesmo era ir dormir.

No dia de ano novo é que as coisas se complicaram. Acordei com o Pedro aos gritos agarrado à cabeça, com uma dor tão forte que nem conseguia falar comigo de forma coerente. Fiquei um bocado assustada e sem saber o que fazer. Fui buscar-lhe os comprimidos para as dores que ele costuma tomar e liguei aos meus sogros para lhes dizer o que se passava e saber se podia fazer mais alguma coisa. Eles ficaram igualmente preocupados e vieram ver o Pedro que passou o dia na cama a contorcer-se com dores, sem conseguir suportar luz ou sequer virar os olhos. Eu fiz o que pude, tentando manter os miúdos entretidos e alimentados mas o Tiago estava obviamente preocupado.

Ontem as dores continuavam apesar de já ter melhorado um bocadinho mas foi preciso umas doses cavalares de analgésicos, injecções disto e daquilo e o resto é tempo e paciência. Que início de ano fantástico, de facto. O coitado do Pedro já vai na terceira semana consecutiva com uma doença qualquer. Espero que fique por aqui.

Natal acidentado

Tuesday, January 3rd, 2012

No dia 23 de Dezembro fui comprar ingredientes para fazer os doces de natal, que nesta casa passam mais por um cheesecake diferente do de toda a gente (porque é feito com queijo fundido em vez de requeijão ou queijo creme, e que eu gosto muito mais) e tarte de natas com ananás (fica parecido com bavaroise de ananás mas dá muito menos trabalho) em vez de filhoses e sonhos. Devemos sempre iguais a nós próprios e criar as nossas tradições em vez de seguir as dos outros, especialmente quando não nos dizem nada. Aliás, o próprio natal não me diz grande coisa a não ser pela reunião familiar e pelo gozo de ver os meus filhotes com os olhinhos a brilhar a abrir as prendas. Fora isso devo admitir que é uma grande seca e só dá é trabalho, mas adiante.

Isto era o aspecto no primeiro dia. No dia seguinte estava quase preto :P

Quando cheguei a casa com as compras, fui arrumar o pão na dispensa. Ao abrir a porta, esta bateu na minha bota e o meu cérebro que não se apercebeu a tempo que a passagem não tinha ficado inteiramente desimpedida, deu o OK para avançar e bati com o olho em cheio na esquina da porta. Passada mais de uma semana ainda dói e na altura foi daquelas dores agudas que nos fazem perder completamente a cabeça. Fiquei de tal forma furiosa que dei um bruto pontapé na porta – porque tal como o meu filho de 4 anos, continuo a achar que vale sempre a pena castigar os objectos inanimados quando nos magoam – e atirei com o pacote de pão para a outra ponta da casa. O resultado foi que em vez de ficar só com uma bruta dor de cabeça que acabaria por passar, fiquei também com um dedo do pé todo roxo que me deixou a coxear durante dois dias. E fiquei também a saber que isso de chocar com as portas não é só desculpa para gajas que levam porrada dos maridos. Good to know.

Apesar do pé magoado, passei o resto da manhã na cozinha a fazer cheesecake e massa para biscoitos que o Tiago ajudou a fazer quando voltou da escola.

Biscoitos para o natal. Yum!

Quando o cheesecake saiu do forno, o Pedro quis ir almoçar fora. A meio do almoço toca o telefone. Como o dia estava a correr sabia logo que não iam ser boas notícias. Era da escola a dizer que a Joana estava com febre. Lá fomos buscar os miúdos logo depois de acabar de comer e voltei para a cozinha onde estive até à noite a fazer tabuleiro atrás de tabuleiro de biscoitos.

Quem me conhece sabe que odeio cozinhar, mas não consigo resistir à tentação de fazer biscoitos apesar da trabalheira que dá, especialmente se tiverem formas giras ou forem decorados de alguma maneira. Nunca consegui que ficassem mesmo como eu queria mas os deste ano, com massa de duas cores, ficaram muito giros mesmo sem a cobertura de chocolate colorida que nunca consigo fazer (alguém sabe onde comprar corante em pó? É que os liquidos estragam o chocolate).

A Joana estava de facto com bastante febre mas estranhamente no dia seguinte já não tinha nada. Fomos então jantar a casa dos meus tios Fernando e Isabel. O Tiago integrou-se relativamente bem com os miúdos dos meus primos e a Joana, depois de lhe passar a timidez inicial também já andava para lá a passear toda satisfeita. A certa altura estavam as outras meninas todas (que são mais crescidas) de volta da Joana a por-lhe ganchinhos no cabelo e sei lá mais o quê, como se ela fosse uma boneca. Achei o máximo :)

Como os nossos filhotes são os mais novos foi preciso fazer alguma pressão para acelerar a distribuição das prendas porque a tradição familiar é fazer as crianças sofrer até à meia noite (ou o mais perto possível disso), mas a Joana só tem um ano e não aguenta, e acabávamos por ter que nos ir embora sem prendas, o que seria um grande golpe para o Tiago.

A primeira prenda do Tiago foi livro de histórias infantis escrito pela irmã da minha tia. Eu adorava passar tardes a ouvir as histórias da Clara quando era miúda e acho que o Tiago também vai gostar de as ouvir, mas como não era um brinquedo, o Tiago ficou desapontado e disse logo ‘não gosto nada disto’. Decididamente o meu filho sai à mãe na honestidade brutal (ao fim destes anos todos acho que comecei finalmente a aprender que ser bem educado é por vezes mais importante do que ser honesto mas devo dizer que ainda me custa. Já estava a fazer beicinho quando recebeu finalmente dois ou três brinquedos e lá acalmou. Queria abrir logo as caixas mas por essa altura a Joana estava mais que pronta para ir para a cama e tivemos que voltar para casa.

A manhã do dia 25 foi passada a limpar a casa e preparar o resto da comida para a tarde. Fomos almoçar a casa da minha sogra e depois veio toda a gente cá para casa, incluindo os meus pais e a família do meu irmão. A distribuição de prendas só começou já perto das cinco da tarde e durou até às sete ou oito, com as pessoas a fazer pequenos intervalos para petiscar. Os doces que eu tinha feito ficaram praticamente intactos já que depois das sobremesas do almoço ninguém se queria empanturrar com mais coisas doces – outra boa razão para fazer só docer que eu gosto: sou eu que tenho de fazer o sacrifício de os comer quando sobra :)

A maior parte das prendas eram para os miúdos e foi giro vê-los a ocupar o chão da sala com toda a espécie de aviões, dinossauros, robots, bonecas, etc. O Tiago vai andar meses sem se aperceber sequer que tem alguns dos brinquedos até os encontrar novamente um dia destes.

Dia de limpeza

Thursday, December 15th, 2011

Todas as quintas feiras perco pelo menos duas horas da minha vida a arrumar a casa porque de tarde vem a mulher a dias limpar. Para aqueles senhores que não têm de se preocupar com estas coisas e gostam de mandar bocas sobre como as mulheres são malucas e limpam a casa toda para a mulher a dias, aqui fica o esclarecimento: eu não limpo nada durante estas duas horas. O que tenho de fazer é andar pela casa toda a apanhar brinquedos e roupa que (principalmente) os miúdos deixam por todo o lado e arrumar no sítio certo – caixas dos brinquedos ou cesto da roupa suja, conforme o caso. Depois ponho a loiça na máquina, algo que já faz parte da rotina em qualquer outro dia, e é tudo. Só que enquanto nos outros dias posso fazer de conta que não vejo um ou outro brinquedo no meio do chão, nos dias de limpeza é preciso ter superfícies livres para conseguir limpar alguma coisa. Se a mulher já passa 6 horas cá em casa, tinha que passar cá a noite para conseguir limpar tudo sem esta arrumação inicial.

O que me espanta no meio disto é o facto de perder duas horas mesmo nos dias em que parece que a casa não está assim tão mal. Há dias em que o quarto do Tiago é um caos tal que não se consegue entrar lá dentro sem pisar qualquer coisa. Nesses dias são duas horas só para o quarto dele. Mas ele até arrumou o quarto no fim de semana (ficou tão orgulhoso que andou a mostrar a toda a gente) e desde então a coisa tem-se mantido relativamente estável. Assim sendo, onde é que perdi duas horas? Cada vez que entrava na sala para ver se já estava tudo, encontrava mais uma peça de lego e lá tinha que ir arrumar mais isso. Como a casa é grande, farto-me de andar para fazer estas coisas simples e chego ao fim com a sensação de ter ido ao ginásio (especialmente quando há coisas para arrumar no sotão).

Bom, agora não olho para mais nada e vou mas é trabalhar nas músicas senão já não tenho tempo hoje :P

Exames

Tuesday, December 13th, 2011

Desde que engravidei da primeira vez que fiquei com a prolactina aumentada. Esta hormona, responsável pela produção de leite, é suposto aumentar durante a gravidez e depois reduzir. No meu caso mantem-se com um valor que so seria normal num segundo trimestre de gravidez, mesmo ao fim de 6 meses após a Joana ter parado de amamentar e apesar de ter tomado medicação para tentar normalizar a situação, medicação essa que na maioria das mulheres funciona em 15 dias e em mim nem ao fim de 2 meses. O valor reduz mas assim que paro os comprimidos volta tudo ao mesmo.

Para além de continuar a ter leite, a prolactina inibe a ovulação e como tal não tenho ciclos menstruais meses a fio. Foi graças a isto de tive dificuldade em engravidar, implicando medicação para ovular no caso do Tiago e para reduzir a prolactina no caso da Joana. Mas isso hoje em dia até seria a parte boa da coisa se não existissem outros efeitos secundários do aumento da hormona que não me deixam tão feliz. As variações de peso estão quase certamente ligadas com isso mas o pior são mesmo as mudanças emocionais. Estas alterações são as mais difíceis de explicar mas são também as que mais me preocupam. Fico desligada emocionalmente, perco grande parte da empatia (cuja única vantagem é que posso ver os filmes mais horrorosos sem me fazer grande confusão), passo a funcionar um bocado em modo automatico. Faço as coisas porque tenho de as fazer e não porque quero. E como não quero saber de nada também é mais fácil deixar passar coisas, algo que nunca me aconteria há uns anos atrás. A criatividade e libido também caem a pique e basicamente sinto que deixo de existir como pessoa. Por outro lado não me preocupo muito com nada, não fico triste com facilidade nem tenho grande ansiedade. Deve ser um bocado como andar a tomar anti-depressivos. Nem highs nem lows.

Quando tomo o raio dos comprimidos noto uma diferença tremenda. Parei para ver se a coisa normalizava por si e só não voltei a tomar porque queria fazer os exames primeiro mas se não decobrirem nada prefiro tomar aquilo o resto da vida do que andar tipo zombie mais um minuto que seja.

Depois de uma consulta e ecografia para confirmar que não estou grávida – quase impossível uma vez que fiz laqueação mas em casos raros acontece – fui fazer mais análises, que estão todas normais excepto para a prolactina, e hoje fui fazer um TAC para ver se encontram alguma coisa que possa estar a causar este problema. Agora é esperar pelo resultado e eventual consulta.

Flattery will get you everywhere

Friday, November 18th, 2011

Conversa de pequeno almoço:

Eu: Joana, tens as mãos todas sujas, não faças isso!

Tiago: O que é que a Joana fez?

Eu: Sujou-me a camisola com as mãos sujas de leite.

Tiago: A camisola que tens vestida é muito linda.

Eu: (a rir) Obrigada Tiago, és muito querido. Sabes, ganhas sempre pontos quando elogias a roupa das senhoras.

Tiago: Mãe, ficas sempre linda com as tuas roupas.

- Lição aprendida -

Sempre a andar

Sunday, November 6th, 2011

No passado fim de semana a Joana parece ter decidido finalmente que isso de gatinhar era para bebés e ela já era crescida e passou a andar consistentemente.

Ao fim de uma semana, vê-la a gatinhar passou mesmo a ser raro, apesar das quedas ocadionais. É o máximo vê-la a andar, com aquele ar desengonçado e muito pequenina (especialmente considerando o tamanho do irmão).

Também já come quase sempre sozinha, até os cereais de pequeno almoço (porque isso das papas também já não lhe interessa). Faz muita porcaria e come cereais com leite e outras coisas mais com a mão do que a colher, mas já posso ir fazendo outras coisas enquanto ela come sem ter de estar ali de colher em punho durante meia hora ou sempre de olho no prato para não entornar. Como também gosta de beber dos pacotes de sumo pequeninos, já faz uma refeição quase sem ajuda nenhuma. A limpeza no final demora um bocado, mas é um alívio tão grande ela ter mais esta independencia que nem me importo.

A guerra agora é com os brinquedos do irmão. Para além de não serem para a idade dela, que ainda mete tudo na boca, o Tiago não gosta particularmente de partilhar os seus brinquedos com a irmã mais nova e há alguma tensão ocasional. Daqui a mais um ano isso deixa de ser um problema, nem que seja porque já vai dar para comprar igual para os dois se for preciso, mas até lá vai ser o ano do terror, por este e outros motivos (não lhe chamam os ‘terrible twos’ por nada).

Locked out

Thursday, November 3rd, 2011

Com a pressa de levar os miúdos à escola de manhão, agarrei na mala e nem verifiquei mais nada. Quando voltei é que vi que não tinha chaves… nem telemóvel… nem ipod, nem coisa nehuma que desse jeito naquele momento.

Com telefone ainda podia ligar ao Pedro antes dele ir para lisboa, ou mandar uma mensagem pelo ipod, um email, qualquer coisa, porque à porta de casa aposto que ainda tinha rede. Nada disso.

Bom, pensei eu, pelo menos a minha mãe tem uma cópia da chave. Fui até lá, à chuva, claro, e tive sorte de a apanhar em casa. Voltei então para casa armada de chave extra e, já que estava a perder tempo de qualquer forma, resolvi parar no supermercado para comprar uma sopa para o almoço. Notei que o tempo hoje está bastante bipolar porque entrei no Pingo Doce com chuva e vento e saí uns minutos depois com sol e céu azul. Go figure.

Cheguei ao prédio, entrei, subi e meti a chave na porta. Rodou a primeira meia volta e parou. Por mais que tentasse não conseguia que a chave desse a restante meia volta. Raios, pensei eu, a Augusta bem que se tinha queixado que não conseguia abrir a porta com a chave nova, mas eu já tinha experimentado a dela, bem como a minha, e funcionam. Custa um bocado a encaixar ao princípio mas depois rodam bem. Esta, pelos vistos, não. Ainda considerei ficar por ali, na escada, o resto da manhã à espera que a Augusta chegasse mas não tinha nada para fazer, nem sequer o Kindle para ler um bocadinho, e só me apetecia era dar cabeçadas na parta ou mandar arrombar a fechadura. Felizmente não tinha o telefone portanto a febre passou-me antes de o conseguir fazer.

Fui à procura de uma cabine telefónica, encontrei uma moedinha na mala e liguei à minha mãe para verificar se ainda estava em casa e se não se importava que eu fosse acampar lá em casa o resto da manhã. Quando lá cheguei, liguei ao Pedro para ele não ficar preocupado se me tentasse contactar pelo telemóvel e ele acabou por fazer o sacrifício de voltar o caminho todo para trás desde o escritório em Lisboa para me ir abrir a porta de casa e depois voltar tudo de volta para o trabalho :(

Ao fim de mais de três horas já cá estou, finalmente. Já arranjei uma chave que funciona para devolver à minha mãe e um ganchinho para pendurar uma chave ao pé da entrada para não ter que usar a minha para destrancar quando alguém me vem bater à porta (como aconteceu ontem).

É claro que se tiver que voltar a acontecer não há nada que eu possa fazer para o evitar, mas durante uns tempos vou ser um bocadinho mais atenta com estas coisas. Uma manhã perdida e muita gente incomodada são razão suficiente para tentar evitar outra dose.