Gosto muito de comprar roupa e gosto de vestir coisas bonitas. E não tenho nada contra o conceito de moda no geral. Se as modas não mudassem ainda tinha que usar espartilho (algo que prefiro usar só quando me apetece) e não podia vestir calças.
Aquilo que não compreendo é a forma como a moda parece ser por vezes uma coisa restritiva em vez de algo que nos dá mais liberdade de escolha e a forma como as pessoas aderem à ultima moda sem pensar.
A roupa deixou há muito de ser meramente funcional. Passou a ser uma forma de comunicação, uma forma de nos identificarmos como pertencendo a um determinado grupo ou uma expressão visual de como nos vemos a nós próprios. E se uma determinada imagem é por vezes mais importante do que ter bom aspecto muitas pessoas parecem falhar em ambas as categorias.
Há pessoas que aderem à s modas sem se preocupar com se a mesma está de acordo com a sua personalidade ou, mais importante, a sua estrutura fàsica. E então criam-se verdadeiras aberrações visuais. O exemplo mais comum do momento são as senhoras gordas e baixinhas que insistem em usar calças curtas. Não há nada pior para encurtar visualmente uma pessoa. Aliás, acho que é um look que não fica bem a ninguém com mais de 20 anos, mas desde que se tenha a estrutura correcta suponho que até se safa. Só que as pessoas que vejo mais com este look são senhoras acima dos 30 ou 40 e geralmente a cometer uma atrocidade ainda maior: calças curtas brancas quando se tem um rabo que vale por dois é o equivalente a pegar na moda em questão e dar-lhe um tiro entre os olhos. Isto porque o branco aumenta, claro.
Aquilo que acho interessante é que o branco está na moda este ano, mas as pessoas que vejo com calças ou saias brancas têm todas mais de 35% de gordura corporal. As miúdas magras geralmente usam jeans ou calças pretas. Está tudo ao contrário.
Mas como se não fosse suficiente, esta aberração tem mais uma agravante: este tipo de calças não é usado com ténis mas sim com strappy sandals com um salto fininho, dando a impressão de um elefante em pontas.
Poderiam dizer que as pessoas têm o direito de usar o que gostam (e têm de tal forma que o fazem constantemente) e que provavelmente gostam do aspecto que têm. Aquilo que me parece é que estas pessoas têm uma auto imagem muito deturpada e não fazem ideia do aspecto que têm. Ninguém anda com aquelas sandálias, algo bastante desconfortável, e se está nas tintas para a imagem que projecta. Estas pessoas aderem à moda porque querem ter bom aspecto e acabam com o efeito contrário. É para casos destes que existe o ‘What not to Wear‘.
E podem-me dizer ‘então e as pessoas têm de deixar de usar roupa que gostam só porque não foi feito para o seu tipo de corpo?’. A resposta curta é sim. A resposta comprida é eu não acredito nisso. Se as pessoas gostam tanto dessas peças porque é que só as usam no ano em que está na moda? Quando se gosta de uma peça usa-se sempre, até estar com tão mau aspecto que temos de parar. Não é este o caso. Isto é mais poder usar coisas que sabemos que ficam mal e que não teriamos lata de usar normalmente mas agora podemos porque está na moda. É como se a sociedade desse autorização. E como está na moda ninguém diz nada e passa alegremente.
A segunda coisa que me irrita na moda é o oposto a usar só porque está na moda. É o não poder usar porque não está. Por exemplo, gosto muito de chapéus mas se sair à rua com um chapéu fica toda a gente a olhar para mim como se fosse um sinal do fim do mundo. Excepto, claro, no ano em que os chapéus estão na moda.
Se uma peça não é desajustada à pessoa, porque é que não se pode usar? OK, algumas peças serão um pouco exageradas talvez – um vestido de 1800, apesar de poder ter a sua piada é capaz de se enquadrar um bocado mal. Mas nem é disso que falo. Falo de coisas como usar uma mala pequena no ano em que a moda são malonas enormes, por exemplo. Qual é o mal? E se eu não tiver muita coisa para por na mala?
Nestes casos escolho ignorar e fazer o que me apetece, correndo o risco de ser comentada e criticada e colocada na categoria das pessoas que não têm noção do que se está a passar no mundo no momento. Não quero ser In. Até sei o que está na moda. Leio as revistas e presto atenção nas lojas. Mas à s vezes prefiro ignorá-lo e usar o que me fica bem e o que gosto. E um dia destes vai aparecer uma moda se encaixa comigo e durante cinco minutos vou estar integrada. É mesmo assim.