O inà­cio da independência

Cada fase de desenvolvimento do Tiago vem acompanhada de novos desafios. A hora de comer e a hora de dormir são as alturas do dia que causam mais atrito e cada vez que acho que já consegui arranjar um sistema que funciona para uma delas muda tudo outra vez.

A comida últimamente tornou-se mais pacà­fica. A papa vai bem se ele estiver com fome. Senão é preciso dar-lhe um prato com bocadinhos de pão para o distrair enquanto lhe dou umas colheradas. Nos dias mais simples basta dar-lhe uma peça de lego para as mãos e é distracção suficiente.

O almoço e jantar passaram a ser menos combativos desde que o Tiago consegue efectivamente comer o que tem no prato. Como já faz pinça bastante bem comecei a fazer-lhe puré de batata com cenoura, feijão verde e carne ou peixe, que depois amasso em pequenas bolinhas que ele vai comendo enquanto lhe dou uma colher ocasional de sopa para complementar. Tem funcionado lindamente, até agora.

Entretanto, no principio do mês, o Tiago começou a por-se de pé apoiado nos móveis. Só se apoiava nas pontas dos pés mas lá estava ele em pé. 3 dias depois já estava a deslocar-se para o lado agarrado ao sofá, ainda em pontas. Mais 3 dias e começou a perceber que se apoiasse o pé todo dava muito mais jeito.

O problema era que ele conesuia subir mas não conseguia descer. Ficava a resmungar até se sentir agarrado e depois largava as mãos e deixava-se cair, apoiado por mim. Agora que passaram duas semanas começou a conseguir descer sozinho. Dobra os joelhos e desce mais ou menos suavemente conforme consegue ou não executar o movimento como quer. Ontem não fez mais nada o dia todo.

Acho impressionante a rapidez com que os miúdos conseguem evoluir. Pelo menos é um alà­vio saber que já não preciso de passar os dias de joelhos atrás dele à  espera que queira descer.

Também é um alà­vio o facto de o Tiago já conseguir brincar sozinho durante uns minutinhos sem necessitar constantemente de atenção. Já me permite respirar fundo e ir, por exemplo, lavar o prato do pequeno almoço sem ter que o ouvir a chorar o tempo todo porque não me vê. Não dá para muito mais que isso mas já é um grande avanço.

Até deixá-lo um bocadinho no parque começa a ser ligeiramente menos dramático. Comprámos uma cancela para a porta da cozinha mas mesmo assim não o posso deixar à  solta na sala porque ele por vezes trepa para cima da passadeira que está mesmo à  altura da cintura dele por isso é uma tentação. E hoje estragou o seu primeiro CD – Fui dar com ele de CD na mão já com bastantes riscos e dedadas e a gaveta do leitor aberta. E ainda não começou a fase de ligar os computadores, porque aà­ então vai ser lindo.

Dia ocupado

Hoje de manhã descobri que tinha de ir a Lisboa. Tive de arranjar rapidamente quem me ficasse com o Tiago e preparar uma série de coisas antes de sair.

Depois de alimentar a criança e o deixar em casa da minha mãe (que está em casa porque está doente, coitada) fui para Lisboa a correr. Tinha de ir à  loja do Bairro Alto buscar uns brincos para uma encomenda, voltar, enviar a encomenda e ir buscar novamente o Tiago antes das cinco da tarde. Felizmente consegui fazer tudo a tempo mas amanhã vou estar de rastos graças ao exercí­cio.

O Tiago, que tinha passado a tarde a gatinhar pela casa dos meus pais, estava exausto quando chegou por isso foi só mete-lo na cama o que me deu um bocadinho para descansar também.

Agora vou ver se ainda trabalho um bocadinho. Tenho andado a fazer stock de bolinhas de feltro e outros materiais caseiros para poder depois usar para fazer mais coisas bonitas.

As listas

Gosto muito de fazer listas. Quando me sinto perdida fazer uma lista ajuda-me a acalmar e voltar a sentir que é possível ter algum controlo da minha vida e repor ordem no universo.

Aquilo que gosto mais nas listas é riscar o que já está feito. Mas há outro tipo de listas. Aquelas em que se acrescenta coisas em vez de retirar. Enquanto que o primeiro tipo são geralmente listas de preocupações e problemas, o segundo são listas de coisas boas e que nos fazem felizes ou listas de coisas que já experimentámos, livros que lemos, etc.

Resolvi portanto fazer uma lista. Não porque precise. Já assumi que a minha vida agora é um caos e não há nada a fazer quanto a isso portanto o pouco tempo livre que sobra tem de ser espremido até ao último milésimo de segundo pelo que não vale a pena gastá-lo a fazer listas de coisas que depois não vou ter tempo para resolver.

Esta é o segundo tipo de lista. É apenas porque me diverte.

Há algum tempo que as séries de televisão começaram a ser mais interessantes do que muitos filmes. É capaz de haver um ou dois filmes por ano que gosto e de resto são um desperdà­cio de tempo. E como de qualquer forma há um ano que não tenho tempo para ir ao cinema mas não deixo de ser viciada em entertenimento visual, tenho visto muitas séries.

Resolvi então agrupá-las, não pela ordem que seria óbvia – comédia, drama, etc – mas pela ordem como vejo estas coisas. Como sei que fazer listas é uma daquelas coisas que os bloggers gostam muito porque dão um post em que não é preciso pensar muito mas que aparenta ter algo de muito pessoal, estão à  vontade para participar, copiar, etc.

Então as categorias são as seguintes:

1. Séries que vejo mas não gosto

Pode ser porque é o que está a dar quando se chega a casa e não apetece levantar do sofá, porque nos emprestaram o DVD, porque a namorada insiste que ‘se vires aposto que vais gostar’.

– Without a trace – não é má mas também não me diz muito.

– Gossip Girl – Por ser do mesmo criador do O.C. tinha esperança que tivesse piada mas é uma seca brutal. Enquanto que o humor salva o The O.C. esta não tem salva possível. É apenas drama adolescente com personagens de que nem seuer consigo gostar. E no entanto continuo a ver. Porquê????

– One Tree Hill – comecei a ver com uma certa esperança mas no fundo não gosto assim muito. Foi-se tornando um dramalhão cada vez maior. Não podiam ter cancelado antes esta?

– Grey’s Anatomy – ficou mais gira a partir da segunda série mas continua a não me fascinar. Dá para ver quando não há mais nada.

– Private Practice – Mais uma para ver ao lanche quando quero apenas sentar-me um bocadinho a descansar durante a sesta do Tiago.

2. Séries que pareciam muito giras e afinal não

– Lost – tem um primeiro episódio muito bom e depois é uma seca cheia de flashbacks e nada de história. E não tenho paciencia para aquela coisa do mistério que nunca mais é revelado. Quando finalmente começaram a explicar as coisas eu já não queria saber. Já tinha perdido completamente o interesse.

– Heroes – tinha potencial e a primeira série não é má apesar de ter algumas coisas irritantes. Mas comecei a ver a segunda e já não me apetece continuar. É mais do mesmo, não avança nada e não há paciência.

– Jericho – começou bem mas acabou por se tornar um western e perdi a paciencia. Ainda vi a primeira série até ao fim mas foi tempo desperdiçado.

– Weeds – disseram-me muito bem desta série por isso resolvi ver e não gostei minimamente. Gramei duas séries inteiras com esperança que melhorasse e continuei a não gostar. à€s vezes é assim.

3. Séries boas que depois perderam o interesse

– X-Files – adorava o X-Files e depois o Mulder desapareceu e eles continuaram à  mesma e estragaram tudo. Comprei há uns tempos as últimas séries que nunca tinha visto porque achei que se visse de seguida podia ser que gostasse mais mas não. Ficou definitivamente estragada. É pena.

– ER – gostava muito do ER mas agora já é quase um sacrificio ver aquilo. Ao fim destes anos todos e de terem desaparecido quase todos os personagens originais fico com a sensação que já não sabem o que fazer mais. Já não há casos interessantes e eu estou muito mais sensà­vel aos casos com crianças por isso é mesmo uma tortura ver aquilo. No entanto, continuo a ver, semana após semana. Parece que tenho algo de masoquista.

– Monk – começou muito bem e as primeiras duas séries são muito giras. Depois cairam no problema do costume que é ‘o que é que podemos fazer mais’. Para além disso despediram a actriz principal que foi substituida por outra sem metade da piada.

4. Séries que vejo alegremente

– Bones – é uma série gira apesar da obrigatória cena nojenta do princà­pio fazer com que não me apeteça muito ver aquilo ao jantar. Mas tem personagens com piada

– Dexter – há dias em que não tenho estomago mas no geral gostei imenso da primeira série do Dexter, o serial killer com código de honra.

– Nip/Tuck – comprei a primeira série sem conhecer e ainda não parei de ver. A mistura do absurdo, gore e humor é imbatà­vel.

– Prison Break – a primeira série é muito gira, a segunda mais ou menos e ainda não comecei a ver a terceira porque não quero ficar pendurada a meio. Vamos ver se não passa para a secção 2. Ao principio detestava o T-Bag mas passou a ser um dos personagens com mais piada durante a segunda série.

– Desperate Housewives – é uma série inofensiva e divertida. Não posso dizer que adoro mas é uma óptima maneira de passar o tempo quando não tenho energia para mais. E melhor que isso, dá para ver com o Tiago na sala.

4. Séries de que gosto mas tenho vergonha de admitir

São os guilty pleasures. Aquelas séries que sabemos que até são mazinhas mas que por qualquer razão nos atraem e não conseguimos parar de ver. Acho que é uma categoria excelente. O problema é que tenho vergonha de muito pouca coisa por isso só incluà­ uma.

– The O.C. – seria uma telenovela adolescente do mais foleiro se não fosse o humor ocasional. Sei que para muitos isso não chega mas fiquei viciada. Vi a season 1 de seguida em DVD e não descansei enquanto não comprei a segunda. Como sempre, cancelam todas as séries de que gosto. Raios.

5. Séries de que gosto mesmo

Penso que não precisa de explicação. Depende do gosto de cada um. Nesta categoria estão incluidas

– 24 – é viciante do principio ao fim e mesmo sabendo que a série seguinte vai ser mais do mesmo não resisto a ver.

– House – Desde o Blackadder que conhecia o Hugh Laurie como comediante e assim que li uma pequena descrição da série sabia que ia valer a pena e não me enganei.

– Buffy the vampire slayer – Começou na lista das que tinha vergonha de ver e depois tornei-me fã incondicional. Tem uns episódios mais fraquinhos mas o humor tà­pico de Joss Whedon compensa as falhas ocasionais. Fez a transição das séries em que acaba tudo bem no final de cada episódio para séries com continuação e sem medo de matar personagens principais ocasionalmente, incluindo a própria Buffy algumas vezes. Continuo a adorar o episódio musical. Bring Buffy back!

– Gilmore Girls – não há nada mais adocicado e cor de rosa que esta série e adoro-a por isso mesmo. É um conto de fadas com espà­rito e humor e mais uma que foi cancelada mesmo quando eu estava completamente viciada. Odeio cadeias de televisão…

– Chuck – Como as séries de que eu gostava foram todas canceladas andava à  procura de uma coisa nova e encontrei o Chuck. É exactamente o que precisava para aqueles dias em que quero uma coisa divertida e levezinha. Um geek armado em James Bond que podia ser o Seth Cohen do O.C., lutas com meninas pouco vestidas, um side-kick divertido e aqueles witty remarks ocasionais que faziam falta a muitas séries. Not bad so far.

É claro que isto é uma lista incompleta, como todas as listas. Mas isso não quer dizer que valha a pena bombardearem-me com comentários tipo ‘então e já viste esta?’. Não é esse o objectivo.

300

O Tiago dorme e eu vou escrevendo…

Não tinha grande curiosidade em ver o filme 300 porque sinceramente um filme sobre uma batalha em que já se sabe que os gajos morrem todos no fim parecia-me um bocado pointless. Mas pronto. Resolvi experimentar.

Visualmente o filme está muito bonito, e sendo uma adaptação da banda desenhada do Frank Miller, tentaram transpor o look estilizado das imagens utilizando alto contraste, pouca saturação de cor excepto no vermelho e uso da câmara lenta que nos leva a seguir a história quase quadradinho a quadradinho nas cenas mais importantes ou nas confusas cenas de batalha de forma a se poder apreciar em todo o pormenor cada decapitação ou esventramento.

O principio fez-me um bocado de confusão porque a ideia de matar bebés só porque não correspondem ao ideal de força e perfeição deixa-me um bocado enjoada, como é natural para uma mãe recente. Mas muitos destes pormenores estão descritos nos livros de história e apesar de aproveitarem apenas os mais brutais para o filme não os faz menos verdadeiros.

As cenas de batalha que compõem a maior parte do filme são cenas de acção violentas como seria de esperar e serão mais ou menos interessantes conforme o interesse de cada um para estas coisas.

De resto, o filme está cheio de over-acting e discursos teatrais, que é obviamente de propósito mas não deixa de ser cómico.

No geral o filme é altamente violento mas está bem feito e até tem partes divertidas. Para os homens é um bom filme de acção, para as mulheres é um catálogo de abdominais. No entanto não me parece que me vá apetecer ver uma segunda vez.

Death Proof

Como estive a escrever sobre o Transformers e já não escrevia sobre filmes há algum tempo agora fiquei com vontade, por isso aqui vai outro post 🙂

Vi recentemente o Death Proof do Tarantino. Não posso dizer que os filmes do Tarantino sejam dos meus preferidos mas acho que valem sempre a pena ver. Acho que em termos de cinema ver um filme do Tarantino é experimentar algo a que não se consegue ficar indiferente. Pode não ser uma experiencia inteiramente agradável mas não se sabe isso até ser tarde demais.

Este filme não é excepção. Parece ser um filme sobre gajas e carros e até é, mas depois…

O inicio do filme é lento e parece consistir principalmente de grandes planos de rabos de gajas. Não acontece nada durante meia hora a não ser aqueles diálogos tipicamente Tarantino, que parecem uma conversa vulgar mas têm sempre algum pormenor estranho. E de repente explode tudo de forma altamente brutal e uma pessoa fica a olhar para aquilo sem saber se há de rir ou quê.

A segunda parte do filme  parece ser a repetição da primeira só que com novos personagens mas afinal não é bem assim e o final é fabuloso, algo inesperado e sem dúvida divertido, de forma muito sádica.

Não é possível falar sobre este filme em mais pormenor sem spoilers, que é algo que não gosto muito de fazer. Acho que é preciso conseguir achar piada a cenas de gore para gostar deste filme. Pessoalmente fartei-me de rir, mas não posso garantir que o filme cause o mesmo efeito noutras pessoas. Mas para quem sabe o que pode esperar do Tarantino, acho que vale a pena ver.

Agora, aquilo que me fez confusão e que está apenas indirectamente ligado com o filme é isto. No meio de uma conversa com outras pessoas que viram o filme alguém se referiu à  actriz Vanessa Ferlito, na cena em que ela dança para o Kurt Russel, como ‘aquela gaja gorda’ porque tinha um bocadinho de celulite e a barriga dobrava por cima dos calções quando se dobrava.

Isso chocou-me um bocado. Desde quando é que aquilo é uma mulher gorda? Como é que chegámos ao ponto em que um ou dois pedófilos atraà­dos por meninas pré-adolescentes consegue ganhar poder suficiente para influenciar toda a sociedade ocidental ao ponto de uma mulher com um corpo perfeitamente normal e até atraente passar a ser apelidada como ‘aquela gaja gorda’? Será que o mundo anda todo cego?

Faz-me ainda mais confusão porque tenho andado a ver filmes do James Bond dos anos 60 (com o Sean Connery, claro) em que as mulheres são todas redondinhas e eram as modelos da época, com curvas como é suposto. Como é que se muda tanto em tão pouco tempo e para algo tão falso? E será possível mudar de volta?

Não tarde nada vão tentar convencer-nos que os homens devem ter todos abdominais como os Espartanos do 300.

Transformers

Vi ontem (e hoje de manhã, porque isso de ver um filme de uma só vez já acabou há algum tempo) o filme Transformers. Estava à  espera que fosse uma seca enorme, tipo Robocop 2, mas acabei por gostar do filme.

Não é uma obra prima mas é um filme divertido que é exactamente aquilo que se espera.  O herói é um adolescente esperto mas pouco popular que anda atrás de uma menina muito bonita que não lhe liga nenhuma e toda a primeira parte do filme fez-me sentir que este podia ser um filme tà­pico dos anos 80, tipo Karaté Kid, War Games ou qualquer filme do Spielberg.

Talvez por parecer um filme da minha adolescência tenha sido mais fácil ver um filme que é de facto juvenil. Mas não é só pela familiaridade. É pelo andamento. A história evolui devagarinho, dando tempo para ficarmos a conhecer os personagens, em vez de nos fazer sentir que estão a tentar despachar tudo nos primeiros 15 minutos para passar a próxima hora e meia com porrada entre robots. Toda a gente se queixou do Hulk porque o boneco só aparecia quase a meio do filme mas foi disso mesmo que gostei. Se não queriam um bom filme não deviam ter posto um cineasta daqueles a fazer um filme de pipocas.

Mas é interessante haver um tipo de filme tão caracterà­stico da década de 80. Suponho que é o resultado dos realizadores e escritores de filmes e séries actuais terem a minha idade e terem crescido a ver as mesmas coisas que eu. Já tinha reparado recentemente que muitas das referências que aparecem no Family Guy, por exemplo, são geralmente 80s que provavelmente passam ao lado de pessoas mais novas.

Mas um filme adolescente anos 80 sério seria uma verdadeira catástrofe hoje em dia. E um filme anos 80 sério com Robots pior ainda. Por isso, aquilo que ajuda este filme para além do andamento é o facto de não se levar demasiado a sério. Os personagens são exagerados os robots são altamente show-off mas o humor constante põe as coisas em perspectiva e evita que isto se transforme num Armageddon ou algo semelhante.

Depois de ter visto o Fantastic 4 recentemente não consigo deixar de pensar que se tentassem fazer mais filmes com pormenores humanos interessantes mas sem cair demasiado na lamechice safavam-se melhor.

Mas o cinema é como a música. A qualidade deixou de interessar e o público come o que lhe põe à  frente.

Finalmente em pé

O Tiago está quase a fazer 10 meses e foi ontem a mais uma consulta onde ficámos a saber que já tem 8,55 kg e 77 cm de altura. Quer dizer que se mantém no mesmo percentil de peso e que está a ficar um pouco mais gorducho apenas porque já não cresce tantos centimetros por mês. Mesmo assim está no percentil 90 de altura.

As outras novidades de desenvolvimento são aquelas coisas que se esperam nesta fase: choraminga assim que percebe que vou sair da sala porque não quer ficar sozinho nem um segundo, já não sorri à s pessoas que não conhece e ontem conseguiu finalmente por-se de pé, depois de algumas semanas de treino intensivo. Aliás, o Tiago tentava por-se de pé sem se agarrar a nada. Sentava-se sobre um pé e com a outra perna esticada, numa pose muito kung-fu e tentava subir. Deu montes de quedas até aprender a voltar à  posição de sentado mas o exercí­cio acabou por servir para ganhar força nas pernas.

E como tudo, assim que consegue algo pela primeira vez, passa a ser uma actividade comum. O que quer dizer que se ele já tinha alguns dias em que se fartava de cair, agora então ainda deve ser pior.

Felizmente já tem uma grande colecção de meias anti-derrapante. Infelizmente já aprendeu a tirá-las. Gosta imenso de tirar uma meia e depois gatinhar com ela na boca como um cãozinho.

Aliás, o Tiago começou finalmente a brincar. Até aqui limitava-se a agarrar em objectos e metê-los na boca. Conseguia tirar copinhos de dentro uns dos outros e recentemente começou a voltar a colocá-los dentro dos maiores e desde o Natal tenta fazer coisas como por a tampa no balde, empilhar objectos (que ainda falha mas a intenção já é bastante óbvia) mas são tudo tarefas que faz por curiosidade e não necessariamente por divertimento.

Só que a semana passada o Tiago começou efectivamente a brincar. Tapa a cara e depois destapa, fica à  espera da nossa reacção e farta-se de rir. Começou também a brincar à  apanhada. Gatinha para longe de nós, pára, olha para trás e fica à  espera de ser perseguido, algo que adora. Como se pode imaginar, gatinhar atrás de uma criança de 9 meses é uma actividade extremamente cansativa. Ele não parece cansar-se e faz a mesma coisa vezes sem conta. Ao fim de meia hora já só quero ir dormir e ele continua super divertido.

Uma das coisas mais perigosas é que o Tiago descobriu que se pode encostar aos objectos. O problema é que não distingue quais são sólidos o suficiente para aguentar o seu peso e quais escorregam deixando-o cair de costas. Felizmente ele já percebe bastante os nossos avisos e conseguimos evitar algumas catástrofes falando com ele.

O nà­vel de dificuldade parece aumentar de dia para dia e há dias em que aguento o ritmo e outros em que não. Como já não me lembro muito bem que até tinha alucinações com a falta de sono nos primeiros meses, tenho momentos em que penso que há uns tempos atrás era mais fácil. Nunca estamos satisfeitos 🙂

Miss you babe

Fiquei muito deprimida com o natal este ano. Sempre gostei do natal, mesmo depois de crescer. Há uns anos começou a perder um bocado a piada, como é costume quando se é adulto e já não se liga à s prendas. Depois em 2004 morreu o meu avà´ exactamente no dia 24 de Dezembro. Uns meses  depois perdi o meu primeiro filho e o Natal de 2005 foi algo que gostaria de ignorar completamente porque para além de ser o primeiro aniversário da morte do meu avà´ foi também um natal em que deveria ter o meu bebé e não tinha. O ano passado foi indiferente. Estava grávida e pensei ‘para o ano, com o bebé já devo achar mais piada’. Acho que por causa disso estava com muitas expectativas para este ano. Mas umas semanas antes comecei a acordar completamente deprimida e a pensar muito no Alex. Por mais que adore o Tiago não consigo deixar de sentir que uma parte de mim morreu e é irrecuperável e insubstituà­vel. Quanto mais perto do natal mais pensava nisso e mais deprimida fui ficando.

Num sábado de manhã em que acordei particularmente mal fui-me sentar na sala a ver um episódio do ER que continha uma história muito semelhante ao que me aconteceu – o Carter e a sua namorada perdem o bebé aos 7 meses com um nó no cordão. Odeio coincidências. É claro que na série deixam ficar o bebé no quarto até a mãe ganhar coragem para lhe pegar e eu nem tive essa hipótese. Nunca cheguei a pegar no Alex e vou sentir essa falta para sempre. Não é que fizesse a mà­nima diferença mas por muito mórbido que isso seja até sinto que devia ter uma foto do meu primeiro filho. Aliás, continuo a ter emoldurada a última foto que eu e o Pedro tirámos quando estava grávida porque é a única foto de famà­lia com o Alex que alguma vez vou ter e recuso-me a negar a sua existência.

Por mais que os anos passem continuo a ter saudades do meu primeiro filho e continuo a chorar por ele. Há dias em que ainda tenho problemas em aceitar o que se passou e que adormeço ou acordo a reviver os dias 7 e 8 de Setembro de 2005 tentando alterar mentalmente aquilo que acho que devia ter feito ou dito como se isso mudasse alguma coisa. E acho que o Natal me custou particularmente este ano porque toda a gente quer posse do Tiago que passou a ser o centro das atenções em todos os eventos familiares (inclusive nos aniversários de outras pessoas, algo que me faz um bocado de impressão, para dizer a verdade), e para mim há sempre um lado triste em tudo isso que não consigo explicar inteiramente. É como se sentisse que para o resto da famà­lia o que importa é que já há um bebé e não interessa qual é o bebé, e eu sei que isso é completamente injusto e falso mas tenho sempre a sensação que há qualquer coisa de errado com a cena, com o facto de estar toda a gente tão feliz menos eu. Não consigo evitar.

Mas nada disto importa. O que me importa é saber que não posso falar com o Alex e dizer-lhe o quanto gosto dele e quanto queria que ele estivesse aqui agora. E dou por mim a falar sozinha e a chorar na cozinha enquanto preparo a sopa do Tiago para ele não perceber que estou triste e o quanto estou farta de manter uma fachada cada vez que está alguém presente, incluindo o Pedro. E o quanto me sinto derrotada. Estou farta de chorar e estou farta de me sentir perdida mas não sou capaz de fazer de conta que já passou. Não sei se alguma vez serei capaz.

E fiquei sem vontade de voltar a festejar o Natal. Parece-me errado ter de fingir que estou feliz.

Brinquedos infernais

Até agora o ano 2008 tem sido passado ao som da colecção completa de brinquedos-que-fazem-barulho da chicco que deram ao Tiago este natal. Devia mandar cartões de agradecimento artilhados aos membros da famà­lia culpados desta atrocidade mas não o faço porque sei que a intenção até era boa. O problema é conseguir tirar a música das abelhas da cabeça depois de a ouvir 300 vezes num dia. Especialmente quando o Tiago se deita em cima dos brinquedos, activando o botão consecutivamente durante meia hora.

Os brinquedos até são giros e espero que sirvam o seu propósito de incentivar o uso de linguagem. E como são em Português e Inglês, é uma continuação do que já tenho andado a fazer desde que o Tiago nasceu que é falar com ele e ler-lhe nas duas linguas.

Mas há duas falhas com os brinquedos. A primeira é que aparentemente só interessa à s pessoas que fazem brinquedos para crianças ensinar nomes de animais, alguns dos quais os miúdos provavelmente nunca vão ver na vida, como girafas. Então e ensinar coisas mais práticas? Sapato, prato, tenho fome, porta, janela, isso doi? Compreendo que essa é a função dos pais, mas então deixem-se de tretas com essa conversa dos brinquedos didácticos.

A segunda falha é bastante mais grave: a senhora que faz a voz em Português fala mal. Diz coisas como ‘eu xou a lagarta’ em vez de ‘eu sou a lagarta’. Então o objectivo desta porra não é ensinar os miúdos a falar? Quem é que foi o imbecil que fez esta adaptação para português?

Mas pronto. Decidi dar ao Tiago apenas um brinquedo sonoro de cada vez para poupar a cabecinha. Vamos ver se funciona.

Dias maus

Ontem foi um dia mau. Não por ter acontecido alguma coisa desagradável ou até invulgar. Apenas porque estava muito cansada o que resulta em muito pouca paciência.

Depois de uma manhã a fazer os possà­veis por arrumar a casa antes de chegar a Augusta que afinal não apareceu e a preparar comida naquilo que parece ser uma tarefa interminável desde que o Tiago começou a ter 4 refeições de sólidos por dia e me comecei a esforçar por comer ao mesmo tempo que ele, o resto do dia, passado a impedir o Tiago de partir bocados do leitor de DVD e puxar fios de candeeiros e afins, começou a parecer-me um verdadeiro inferno. Queria descansar, queria pelo menos conseguir sentar-me mais de 5 minutos, queria parar de gritar ‘Tiago não!’ e queria acima de tudo conseguir ser a mãe perfeita que não perde a paciência e faz tudo de acordo com o que dizem os livros de pedagogia.

Infelizmente há dias em que isso é completamente impossível e ontem foi um deles. Fui aguentando o dia o melhor que pude, fazendo um esforço monumental para não perder a pouca paciência que ainda me restava, fechando os olhos e respirando fundo muitas vezes e telefonando ao Pedro quando achei que estava mesmo a ficar maluquinha. O Tiago continuava alegremente na sua, claro. Essa história de que eles sentem o nosso stress é um bocado tanga. E eu, apesar de sentir que o mundo vai acabar se não tiver dois minutos de silencio continuo a pegar-lhe ao colo e a dar-lhe muitos abraçinhos porque no fundo ele não tem culpa nenhuma da psicótica da mãe estar a ter um mau dia.

Mas tenho aqueles de momentos de pensar ’em que é que eu me fui meter? O que é que me fez pensar que conseguia ficar em casa a tomar conta de um miúdo sozinha? Eu não tenho jeito nenhum para isto!’

Tentei metê-lo no parque 5 minutos para poder escrever um mail a um cliente e ele passou o tempo a gritar histéricamente. Ao fim de uns minutos não aguentei mais, porque também não me conseguia concentrar, e acabei de escrever o mail com o Tiago ao colo enquanto tentava impedi-lo de arrancar mais teclas do meu mac.

Felizmente quando o Tiago foi para a cama à  noite e finalmente adormeceu, depois de uma mais uma birra, consegui ir tomar um banho à  luz das velas e depois dormi convenientemente esta noite por isso o dia de hoje já encaixa novamente na programação habitual.

É incrà­vel como deixo de funcionar quando não consigo dormir. Ainda me custa a acreditar que consegui sobreviver à queles primeiros meses depois do Tiago nascer sem magoar ninguém, mas também sei que o Pedro teve de aturar muito do meu mau humor quando tinha que me levantar à s 3 da manhã.

Sempre fui um bocado perfeccionista e gostava de ser perfeita, ou quase, mas ando muito longe disso. O máximo que posso dizer é que faz-se o que se pode…