A guerra dos botões

Não, não tem qualquer relação com o filme francês do mesmo nome (que por sinal a minha mãe me levou a ver quando era miúda e que detestei de tal forma que até hoje acho que deve ser a origem da minha raiva ao cinema europeu). É apenas o que se passa cá em casa desde que o Tiago aprendeu a carregar em botões, especialmente botões com luzes que incluem o da televisão, do amplificador, dos leitores de DVD entre outros. Vai lá de dedinho espetado e come a ligar, desligar, ligar, desligar…

De tal forma que decidimos ir comprar um movel novo para a TV com portas de vidro atrás das quais possamos esconder as aparelhagens. Isto, claro, até o Tiago aprender a manipular as portas deslizantes.

Entretanto passo o tempo a criar barreiras em frente à s coisas mas nada funciona. Ele sabe o que quer, onde está e como lá chegar e o resto não interessa. Já percebe que não deve fazer e quando digo para não mexer começa a fazer beicinho mas passados dez minutos já está a tentar outra vez. Por isso mesmo ultimamente a brincadeira tem sido limitada ao quarto dele, onde tem uma estante cheia de coisas em que pode efectivamente mexer. Ele desarruma tudo, eu volto a arrumar e começa tudo de novo, vezes sem conta, todos os dias.

Pelo menos na sala podia ter ocasionalmente a TV ligada. Assim passo horas no chão do quarto do Tiago entre brincar para ele e limitar-me a observá-lo quando ele está a brincar sozinho, sem grandes hipoteses de fazer seja o que for. Tenho colocado um dos colares celtas no bolso e vou dando uns nozitos enquanto ele não está a olhar, mas assim que se vira tenho de meter aquilo no bolso outra vez antes que seja tarde e ele agarre naquilo e tente meter na boca.

Ainda por cima ando cheia de vontade de fazer coisas e não consigo mesmo. É um bocado frustrrante. Mas pronto. Pelo menos o que estou a fazer é importante.

Ontem filmei o Tiago de pé sem estar apoiado em nada. Já se aguenta uns segundos e por vezes até já se baixa sem apoio, em vez de cair. Não me parece que esteja com muita pressa para andar porque gatinha muito mais depressa mas está a ganhar equilibrio e confiança que é o que precisa de fazer por agora.

Esta semana é só boas notà­cias

Ontem, quando voltava de ir enviar uma encomenda, subi no elevador com o vizinho de cima e muito espontaneamente ele deu-me aquilo que eu achei que era a boa notà­cia do ano – Os meus vizinhos barulhentos do andar de cima vão-se mudar, tendo comprado casa noutro lado! Consegui fechar a porta de casa antes de começar a rir descontroladamente. Tenho pena dos próximos vizinhos mas paciência. Acho que é a vez de outros os aturarem.

Mas hoje tive uma notà­cia ainda melhor: a familia vai crescer mais um bocadinho porque vem aà­ mais um elemento. Não vou dar pormenores porque ninguém me disse que podia mas fiquei muito muito feliz.

E começo a sentir finalmente algum controlo sobre a minha vida porque resolvi instituir horários mais rà­gidos ao Tiago. Como ele acorda sempre mais ou menos à  mesma hora foi só uma questão de estipular horário de refeições e uma única sesta por dia a partir das duas da tarde. Isto porque quando ele ainda dormia sesta ao meio dia lixava o horário do almoço e do resto da tarde. Ficava comsono outra vez à s 6 e por essa altura se o deixava dormir era depois um sacrà­ficio mete-lo na cama à  noite. Assim fica acordado 4 a 5 horas de manhã e outro tanto de tarde e pode ser que páre de acordar a meio da noite porque eu e o Pedro precisamos desesperadamente de dormir.

– Feltro e nós celtasFeltro e nós celtas

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Desenvolvimento e preferencias

Começa finalmente a ser possivel ver quais as preferencias alimentares do Tiago. É claro que isso vai mudar à  medida que ele cresce, mas acho giro ir apontando quais são a cada idade.

De momento, com onze meses, o Tiago gosta bastante de feijão verde e é a primeira coisa que come quando lhe ponho o prato à  frente. Até vai tirando outros bocados de comida, que deita fora imediatamente, até chegar a um bocado de feijão verde.

Também gosta de massa mas acho que é mais pelo valor de entretenimento. Come bem tanto peixe como carne mas já não gosta da carne picada misturada com batata. Prefere a carne cortada em bocados pequenos mas que dê para mastigar. Como só tem dentes à  frente começou a mastigar com eles, o que dá umas caretas muito giras. E não gosta de cenoura. Inicialmente era o que comia melhor, acho que por ser colorido, mas agora limita-se a esborrachar a cenoura na mão e deitar para o chão. Felizmente temos duas gatas sempre de serviço a comer tudo o que cai.

Continua a comer bem a fruta mas não consigo dizer se há uma fruta especifica que goste mais porque normalmente são várias coisas misturadas. Também é grande fã da sopa de feijão da minha sogra. Fecha os olhos, abre a boca e desata a espernear enquanto espera pela colherada. Para um miúdo a quem normalmente era preciso enganar para comer uma colher de sopa, isto é um grande avanço.

Em resumo, de momento a alimentação vai bastante bem. É uma junção de auto-alimentação com umas colheradas dadas por nós e o Tiago já percebeu para que serve a colher mas só a usa se eu a carregar de comida primeiro porque essa parte ele ainda não consegue fazer.

De resto, o desenvolvimento está a decorrer normalmente. O uso das mãos está cada vez mais refinado e o Tiago diverte-se a por coisas dentro de outras coisas. Já conseguiu algumas vezes colocar copinhos com formas (quadrado, triangular, etc) na tampa do balde recortada para essas formas, mas como isso dá muito trabalho e ele é um miúdo esperto, prefere tirar a tampa do balde, colocar a peça lá dentro sem passar pela tampa e voltar a tentar colocar a tampa no balde. Ou seja, já percebeu o objectivo mas não está muito interessado em lidar com a frustração de tentar uma tarefa que pode ainda não conseguir concretizar.

Este tipo de decisões dizem muito do desenvolvimento mental. Ele está a começar a raciocinar e a resolver problemas em vez de se limitar a reagir à s coisas e é muito giro ver isso a acontecer.

Também já carrega no botão para abrir a tampa do leitor de cds, tira o cd e volta a mete-lo no sí­tio (depois de o esfregar no chão umas quantas vezes para ter a certeza que nunca mais volta a tocar, como é obvio) e fecha a tampa.

E já é também bastante óbvio que ele compreende uma série de palavras e comandos. Já consigo evitar que ele suba para cima da passadeira simplesmente falando com ele. É claro que isso não funciona sempre e por vezes ele prefere usar a técnica da birra quando é contrariado. Vamos lá ver quanto tempo dura essa fase até ele perceber que não funciona.

Fica fascinado com o comando da televisão e a técnica de lhe dar um outro comando sem pilhas para ele brincar já não funciona. É mesmo aquele que ele quer.

Quanto aos dentes, anda a experimentá-los mordendo o móvel da TV que já tem uma série de marcas de dentes. Também adora comer papel e uma caixa preta de cartão do IKEA que tenho debaixo da minha mesa já está toda ratada. Também gosta de amarrotar papel por isso só lhe posso dar livros de cartão ou tecido porque ele destroi os livros normais em 30 segundos. Gostava muito que esta fase do papel passasse…

Aquilo em que ele estará eventualmente mais atrasado é a falar mas não me preocupa muito. Estou a começar a conseguir comunicar com ele e vou insistindo nos nomes dos objectos com que ele lida diariamente por isso um dia destes, quando lhe apetecer, começará a falar.

Manhã comprida

O dia de ontem começou com uma recolha de informação sobre as creches que há aqui na zona. Não é necessariamente para já mas convém estar informada porque nunca se sabe quando vai ser preciso. A que é mais perto e de que ouvi falar bem é também a mais cara.

Depois de almoço o Tiago ficou muito irritado e resolvi deitá-lo para a sesta. Mas ele recusou-se a dormir por isso foi preciso ir buscá-lo e tentar outra vez passado um bocado. Como anda a comer bem outra vez agora voltou à  birra para dormir.

à€s sete da tarde voltou a fazer birra. Estava acordado há pouco mais de duas horas e ainda experimentei voltar a deitá-lo mas não pegou. Fui buscá-lo ao fim de 15 minutos. Ainda chorou mais um bocado no meu colo mas depois foi para o chão brincar e aguentou-se bem até o Pedro chegar. Eu estava exusta de andar a persegui-lo pela casa e por isso fui tomar banho enquanto o Pedro lhe deu o jantar.

à€ hora do costume, pouco depois das nove, fomos dar o banho ao Tiago para o meter na cama. Começou novamente a chorar e não parou mais. à€ noite, quando uma pessoa já está cansada, estas birras são mesmo esgotantes. Felizmente estava tão cansado que acabou por adormecer depressa e dormiu a noite toda.

Eu, por outro lado, acordei a meio da noite com cólicas por isso hoje estou cheia de sono.

A manhã foi então um grande desafio. Andar a perseguir o Tiago quando me doi o corpo todo não é fácil. E quando fui por roupa a lavar deixei-o entrar para a cozinha para ele não ficar lá fora a chorar. Grande asneira. Foi directo à  tomada de parede. E eu até já tinha tapado aquela, mas como a Augusta precisa de ligar o aspirador ali acabei por ter de tirar a protecção e ficou assim. É mais um daqueles casos em que fico horas com o coração aos pulos a pensar ‘e se não estivesse a olhar para ele?’

Para além disso começou a gostar de abrir e fechar as portas. Ando sempre a meter travões nas portas para não fecharem totalmente porque já percebi que ele tem uma grande tendencia para entalar os dedinhos. Geralmente é no leitor de cds, que também gosta de abrir (daqueles em que a tampa abre para cima) e depois fecha com uma mão enquanto a outra está lá dentro.

Eu sei que não é possivel impedir tudo e que só com as experiencias é que se aprende que os actos têm conseguencias mas não há dúvida que custa. Acho que se ele se magoasse a sério nunca mais me perdoava.

Pouco antes do meio dia começou outra birra de sono. Tem-me custado identificar porque o choro mudou nos últimos dias. Deixou de ser um choramingar tà­mido para passar imediatamente à quele choro de estão-me a matar. Primeiro ainda pensei que se tivesse magoado, porque foi de repente, mas como estou sempre a vigiar, quando cai ou bate em qualquer coisa costumo dar por isso. Lá foi outra vez para a cama contrariado mas o esfregar dos olhos e outros sintomas não deixavam dúvidas e adormeceu depressa. E eu queria aproveitar e estender-me um bocadinho mas chegou a Augusta por isso acho que não vai dar.

Para onde foi o bebé?

O Tiago fez ontem 11 meses.

Ainda custa a acreditar que já nasceu há quase um ano. E é muito difà­cil habituar-me à  velocidade com que ele cresce e se modifica. Ocasionalmente, quando estou a aproveitar a sesta do Tiago para trabalhar e estou absolutamente concentrada no que estou a fazer, quando ele acorda e o vou buscar à  cama estou ainda à  espera de encontrar um bebé deitado de costas com um ar indefeso. Em vez disso vou dar com um rapazinho alto e esguio de pé na cama, com os cotovelos apoiados no topo das grades e um ar muito determinado que parece dizer ‘até que enfim! Tira-me daqui depressa que eu tenho muito que fazer hoje’.

Para mim o Tiago já não é um bebé. Os bebés limitam-se a comer e dormir. Por outro lado o Tiago já sabe o que quer e o que gosta (que pode mudar de dia para dia mas no momento não deixa de ser verdade), já se desloca sozinho, já brinca interagindo com outras pessoas, já reconhece palavras como ‘fruta’ e está com uma vontade desgraçada de começar a falar perceptivelmente.

Continua a ser um desafio diário estar em casa com ele. Tem partes divertidas mas é também muito cansativo. É muito frustrante não conseguir fazer nada quando ele está acordado porque quer toda a atenção para si. Tem todo o direito de a exigir mas isso implica que tenho de abdicar de muito de mim para estar sempre presente com boa disposição e paciencia. A maior frustração é a sensação de estar constantemente a dizer ‘não’. Por mais que se proteja a casa parece que há tanta coisa em que ele não pode mexer! Eu tento explicar porque é que não deve brincar com fios eléctricos, porque é que não pode arrancar as teclas do computador, por o comando da televisão na boca, subir para cima da passadeira ou comer os discos de algodão na esperança que ao fim de umas quantas repetições ele compreenda e páre de fazer, mas é claro que ele gosta muito mais de mexer no que não deve porque é a desafiar a autoridade que vai conquistando a sua independencia e que se lixe o perigo.

Quanto à s birras para comer e dormir, vão variando. Uns dias está tudo bem outros é uma guerra. Mas parece que é mesmo suposto ser assim por isso deixei de me chatear. O Pedro é que anda um bocado lixado com o banho porque o Tiago agora só quer estar de pé na banheira o que torna coisas como lavar o cabelo muito complicadas. Mas pronto. são fases. Quando chegar a hora do treino de bacio vai ser outro grande desafio de paciencia e por aà­ fora.

Uma das coisas que reparei no comportamento do Tiago, que não sei se é tà­pico da personalidade dele ou algo comum a todos os bebés é que ele está sempre muito mais interessado na parte de trás dos brinquedos do que na parte da frente com todas as luzes e botões. A primeira coisa que faz é virar o brinquedo para ver como é do outro lado e passa muito mais tempo a explorar aquilo que para nós parece ser a parte menos interessante. Será curiosidade sobre como aquilo funciona?

Mas o mais interessante é que, apesar de por vezes estar distraidamente ainda à  espera de encontrar o bebé que ele era quando o vou buscar ao quarto, a verdade é que não tenho pena nenhuma que ele esteja a crescer. Muito pelo contrário. Apesar de dar cada vez mais trabalho acho que quanto mais crescido e interactivo ele se torna, mais interessante fica. Gosto muito de ter um ser humano novo cá em casa com quem possa comunicar e a quem possa ensinar coisas ocasionalmente. De outra forma arranjava outro gato e pronto.

Estou aos poucos a habituar-me ao papel de mãe e a perceber o que é que isso implica verdadeiramente. Não há dúvida que o nà­vel de responsabilidade mudou radicalmente. E com responsabilidade quero dizer coisas que tenho mesmo de fazer por mais que não me apeteça. É a maior diferença entre ser só o casal ou ser responsável por outro ser humano totalmente dependente de nós que precisa de comer e dormir a horas certas, ser limpo, entretido e ensinado.

De momento estou à  espera que hegue uma fase em que ele se consiga concentrar em qualquer coisa por mais de 15 segundos de cada vez. E apesar de saber que vou ficar com o chão, paredes e moveis todos riscados, estou desejosa de o ver de lápis e papel a riscar alegremente. Já não falta muito.

– Colares novosColares novos

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Sempre gostei da decoração celta e por isso ando a aprender a fazer nós celtas adaptados a bijutaria. Este colar é de cabedal.

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Corrente de cobre artesanal com pendente turquesa. Dá trabalho mas adoro fazer todos os componentes de uma peça incluindo as correntes e fechos.

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E aqui fica um colar de cobre tricotado com contas de vidro azuis. Este já tem dono mas posso fazer mais, com contas iguais ou de outra cor. Basta enviar um email.

Mais informações em www.stuffedsquares.comcolar_cabedal_celta.jpg

Sempre gostei da decoração celta e por isso ando a aprender a fazer nós celtas adaptados a bijutaria. Este colar é de cabedal.

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Corrente de cobre artesanal com pendente turquesa. Dá trabalho mas adoro fazer todos os componentes de uma peça incluindo as correntes e fechos.

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E aqui fica um colar de cobre tricotado com contas de vidro azuis. Este já tem dono mas posso fazer mais, com contas iguais ou de outra cor. Basta enviar um email.

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Mais aneis de arame e outros

Novos aneis de arame e de feltro. Nos de feltro queria fazer também o aro em feltro mas deixava de ser ajustável, o que dificulta um bocado as coisas. Acabei por optar por usar uma base metálica.

O último é um anel feito a partir de um nó celta em fio de algodão encerado e pode ser feito noutras cores.

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Mais informações em www.stuffedsquares.com

Farta de feltro

Ando há semanas a recortar e montar flores e outras peças de feltro e já não aguento mais. Decididamente dá muito trabalho até se chegar ao ponto em que se pode finalmente começar a montar uma peça com os componentes criados. E como tenho cada vez menos tempo, graças a um miúdo que decidiu que está demasiado crescido para dormir a sesta, está mesmo a demorar muito tempo.

Para descontrair fui fazendo umas pequenas peças pelo meio, como mais uns aneis de arame entre outras pequenas coisas. Espero que esta trabalheira toda valha a pena mas começo a desanimar porque comecei com o feltro a pensar em fazer uma colecção de inverno e já estamos quase na primavera. Pelo andar da coisa ainda fica para o próximo inverno 🙂

Aqui ficam umas fotos da minha mesa de trabalho em plena ebulição:

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