O fim do buraco da cozinha

Suponho que era inevitável…Agora estou eu doente.

O Tiago ficou em casa na segunda feira mas já estava bom, ou pelo menos não voltou a ter febre apesar de continuar com o nariz entupido, que é a parte que demora mais a passar.

Segunda feira esteve um dia muito estranho em termos metereológicos. Eu precisava de ir enviar uma encomenda e, apesar do Tiago estar ainda a recuperar, como o correio é mesmo aqui ao pé de casa resolvi arriscar. Vesti-lhe o casaco, enfiei-lhe o chapéu e quando olho pela janela antes de sair estava a chover. Foi de repente, sem grande aviso. O Tiago estava todo entusiasmado por sair mas tive que o decepcionar porque se já achava arriscado sair com ele num dia de vento, com chuva era impensável. Passados 15 minutos não só tinha parado a chuva como estava sol. Estes dias bipolares são muito confusos.

Enfim, lá arriscámos sair de casa. O Tiago, que com os avós se farta de andar, comigo, assim que sai de casa quer colo e tenho que o levar ao colo o caminho todo. É frustrante e cansativo. Se não lhe pego atira-se para o chão e começa a berrar, Não me incomoda minimamente mas como não o posso deixar para trás e não me apetece ficar ali especada o resto do dia, lá tenho que agarrar nele. A idade das birras é uma chatice.

Nessa noite comecei a sentir dor de garganta. Se é o mesmo que o Tiagop teve só não percebo porque é que demorei tanto tempo a desenvolver sintomas.

Ainda na segunda à  noite, como estava a começar a sentir-me pior, fui tomar um duche quentinho antes de ir para a cama, para aquecer. O esquentador apagou-se 4 vezes num espaço de 5 ou 10 minutos. Acabei gelada e de muito mau humor.

O mais provavel é ser apenas uma pilha gasta mas como o esquentador já tem uns 12 anos, veio com a casa e não temos garantias que esteja bom, resolvemos que estava na altura de comprar um novo. Para além disso o Pedro começou com a paranoia de que estava a sair CO para a cozinha. Como temos há um ano um buraco na parede com um bocado de betão a segurar a cabeça de cavalo que liga as tubagens do escape do exaustor e do esquentador à  chaminé, betão esse que caiu há uns dias, fazendo o tubo descair e causando uma ruptura no tubo de escape do exaustor, achámos que estava na altura de resolver o problema de uma vez por todas antes de morrermos todos.

Já tentámos arranjar quem nos tapasse o buraco da cozinha por diversas vezes mas só nos apareceram gajos incompetentes ou que não estavam para se chatear a fazer aquilo bem. Achámos que para ficar mal feito mais valia sermos nós por isso fomos comprar cimento, tijolos e os restantes materiais necessários e passámos o dia a tapar o buraco, metódicamente, construindo a parede aos poucos de baixo para cima até estar terminada. Encontrámos um cimento de secagem rápida que funcionou lindamente e com uns tijolos refractários pelo meio para tapar as áreas maiores, acho que aquilo até ficou um trabalho bastante decente. Não garanto que não caia tudo daqui a uns tempos mas não me parece. O Pedro tem fotos para os mais curiosos.

Ao fim do dia estava toda partida, entre a constipação e o esforço de passar o dia a misturar cimento e a subir e descer do escadote e do banco. Hoje acordei menos partida do que estava à  espera mas a constipação está no seu auge. Espero que acabe depressa porque tenho uma cozinha para acabar e um workshop no sábado e convém conseguir falar.

Ainda falta lixar, estucar e pintar e montar o esquentador mas isso já se faz nas calmas. Só não decidimos ainda se vem cá alguém montar o esquentador, só por uma questão de precaução. Sinceramente já não confio nestes supostos ‘especialistas’.

Pelo meio fiquei com vontade de escavacar a casa toda e fazer finalmente todas as obras que temos planeado ao longo dos anos e nunca fizemos – mudar o chão da casa toda, pintar o quarto, etc. Infelizmente hoje de manhã acordei com os vizinhos de cima a destruir a cozinha. Mas porquê?  Quem é que parte uma cozinha inteira numa casa alugada!!!

Tiago doente outra vez

Já tinha passado mais de um mês por isso estava na altura do Tiago adoecer novamente. Começou, como sempre, com o nariz a pingar, na quinta feira, e sexta à  noite estava com febre. No sábado de manhã parecia melhor por isso arriscámos fazer umas compras absolutamente indispensáveis, mas a meio ele começou a ficar quente e com um ar muito abatido por isso tivemos que dirigir-nos rapidamente para a caixa mais próxima e voltar para casa.

Quando chegámos o Tiago bebeu um leitinho e comeu uma mini bolacha e foi directo para a cama. Não havia maneira de se aguentar para almoçar convenientemente. Nessa noite tinhamos o jantar de aniversário da Bela a que tivemos que faltar porque o Tiago não estava em condições. Lanchou mal mas esteve bem disposto o resto da tarde só voltando a ficar com febre mais à  noite. Apesar disso comeu bem o jantar, que foi um pouco mais cedo do que o costume porque ele já parecia novamente muito cansado e adormeceu rapidamente. Acordou algumas vezes durante a noite – com sede e a suar – e ontem esteve alternadamente com febre e com periodos em que parecia bem. Continua com o nariz entupido e falta de apetite mas de resto não tem mais sintomas pelo que espero que passe depressa. De qualquer forma hoje ficou em casa e vamos ver como correm as coisas.

Chocada

Como faço peças em arame, nada faz mais sentido do que fazê-las em arame de prata. A prata é mais cara do que o arame de cobre folheado mas dura mais, pode ser martelada à  vontade e obviamente resulta numa peça mais valiosa que pode ser passada para a geração seguinte em ver de uma peça que é vista como algo para usar apenas durante algumas estações.

Já sabia que as peças em metais preciosos necessitam de ser contrastadas, ou seja têm de ser avaliadas por uma contrastaria e marcadas com uma marca que diz qual a percentagem de metal precioso na liga. Como sou muito certinha resolvi ler a legislação relativamente ao comércio e contraste de artefactos em prata. Como só falavam em industria e importação de ourivesaria e aquilo que planeava fazer são peças artesanais pequenas, ainda por cima em arame, que não é obrigado a ter marca na sua forma original, resolvi telefonar para a contrastaria de Lisboa para obter mais informações.

A resposta que obtive foi um choque. Estava à  esper que existisse muita burocracia para conseguir obter uma licença e criar uma marca de responsabilidade mas não esperava que fosse algo quase impossível.

Disseram-me que primeiro que tudo tenho de ter 10 anos de experiencia de trabalho com metais preciosos ou um dos dois cursos aprovados pelo ministério da educação – um da António Arroio e o outro não me lembro mas deve ser o da Contacto Directo. Depois do curso preciso de ter um local de trabalho, com uma bancada de ourives que esteja de acordo com as normas. Esse local de trabalho tem de ser inspeccionado e aprovado pela constrataria. Depois disso preciso de criar uma marca de fabricante/marca de responsabilidade e só então é que se parta para a larga burocracia de licenças, etc.

Ou seja, como não comecei a pensar nisto logo aos 15 anos agora estou lixada.

Compreendo que seja importante contrastar as peças para que as pessoas se sintam seguras de que estão a comprar aquilo que o vendedor diz mas tornar esse acto tão complicado não faz sentido nenhum. Se não pertences à  sociedade secreta, tough luck. E eu que pensava que estas coisas pertenciam à  idade média.

O Natal perdeu a piada

Quando era miúda gostava muito do Natal porque era uma noite passada em casa da minha avó Cândida, de quem eu sempre gostei muito, com jogos e prendras. Quando somos miúdos não podemos comprar o que queremos e como tal a ideia das prendas, de nos darem aquilo que desejamos num dia especial, é razão para entusiasmo. É claro que há anos em que temos mesmo aquele brinquedo com que andávamos a sonhar há meses e outros anos em que temos meias e cuecas, mas como nunca se sabe, a expectativa e antecipação sempre foi estimulante.

Com o passar dos anos a coisa perdeu um bocado o interesse. Passamos a comprar o que queremos (dentro das possibilidades) e torna-se mais dificil fazer uma lista de Natal. Há geralmente uns livros ou uns filmes que ainda não temos mas fora isso o que queremos para nós próprios são coisas que são dificeis de serem outras pessoas a comprar.

Resta então o outro lado: passamos a ser nós a escolher prendas para dar a outras pessoas. Nos primeiros anos isso até foi uma tarefa agradável mas ao fim de dez ou mais anos começa a ser complicado. Não se encontra nada de diferente nas lojas, é dificil comprar roupa para outras pessoas porque nunca sabemos o número ou se vão gostar e o Natal começa a ser uma chatice – não o dia em si mas o mês e meio que o antecede em que todos os fins de semana são passados em peregrinação ao centro comercial, entrando e saindo de lojas sem encontrar um pingo de inspiração.

Fazer compras de natal deixou de ser dar algo especial a alguém de quem gostamos para passar a ser ‘resolver problemas’. Quando se encontra finalmente algo que poderá ser considerado aceitável como prenda é um respirar de alivio – pronto, já resolvemos mais um problema. É triste porque acabamos por gastar montes de dinheiro em coisas que provavelmente as pessoas nem querem.

Estou desejosa de chegar à  idade em que possa simplesmente começar a dar o envelopezinho  com dinheiro sem parecer que não estive para me chatear. Já agora que idade será aceitável hoje em dia? Tenho de esperar até ser avó?

O Natal em si, quando a questão das prendas já está arrumada, não é mau mas é bastante cansativo. Como festa religiosa a coisa não me diz nada e acabamos por celebrar esta data porque é o que faz toda a gente. É uma desculpa como outra qualquer para uma reunião familiar, quando nem nos aniversários tal coisa é possível. Como há duas familias temos dois natais – um no dia 24 e outro no dia 25. Até gosto de estar com a famà­lia, até porque há pessoas que só vejo mesmo nesta altura do ano, mas depois apetece-me dormir durante uma semana.

Quando chega o Ano Novo é que já não tenho paciencia. Quero lá saber que venha aà­ um ano novo que vai ser exactamente igual ou pior que o anterior. Vou ficando mais velha, mais cansada e com menos paciencia. Acho que por esta altura entro um bocado em overload e a minha forma favorita de celebrar a passagem de ano é ficar em casa a ver filmes e comer snacks, à  boa maneira das Gilmore Girls.

Para piorar as coisas, a minha mãe anda a tentar convencer-nos a instituir ainda mais uma festa familiar, no ‘dia de reis’ porque sente-se lesada  – o Natal é em casa dos meus tios e em casa dos pais do Pedro e ela está a fazer beicinho porque não é a anfitriã de festa nenhuma. É claro que vamos sempre lá almoçar no ano novo ou à  volta disso, mas aparentemente não chega.

Eu sei, eu é que sou anti-social e isso tudo. Nunca fui o tipo de pessoa de gostar de fazer jantares nem nada disso. Não tenho nada contra pessoas ou estar com pessoas mas acho que é uma coisa que deve ser doseada e o mês de Dezembro é um exagero.

– Beach glass necklace and bracelet

– A friend asked me to make a couple of pieces out of some glass she found at the beach. It’s broken glass from some bottles that has been smoothed by the action of the sea and the sand – a natural tumbler: it may take a bit longer but gets the work done.

Since these bits of glass were irregular in size and shape and some were very small I wouldn’t risk drilling them, so the obvious choice was to make a wire net with a thicker wire at the back to link them together.

It took quite a few days to get these pieces done but I love the technique and feel the outcome is worth the work. I didn’t bother making the nets too even because the irregularity of it matches the random shape of the glass making it a much more organic piece.

Beach glass braceletFor the bracelet I simply added a lobster claw clasp to the last link. For the necklace I added a chain that has big enough links to make the length adjustable so that it can be worn longer or shorter, as a choker.

I actually liked these pieces so much I feel like making one for myself if I ever get the time and materials.

– Branch necklace

– After making the branch earrings it was only a matter of time until I could make a matching necklace. It took a bit longer and my fingers were very sore from coiling all that wire but I’m proud of the result. It looks different from anything I’ve seen and it’s pretty and elegant (I’m not being very modest, I know).

The necklace is fairly flexible so it can be adjusted to any neck size or shape and it’s not particularly heavy.

O drama das refeições

New ToysDe vez em quando o Tiago volta à  luta da refeição. Recusa-se a comer, farta-se de gritar, se eu agarro na colher é ainda pior e isto prolonga-se à s vezes por uma hora ou mais. Umas vezes ignoro outras vezes ralho com ele, a tentar perceber se há alguma técnica que funcione melhor mas sempre que penso que a coisa acalmou, passados uns dias volta ao mesmo.

A refeição continua então a ser a pior altura do dia para todos nós. O Tiago também tinha começado a fazer birra para se vestir de manhã mas consegui dar a volta à  situação mantendo-o sentado ou em pé o máximo de tempo possível e dando-lhe um livro para o entreter. Ele esconde-se atrás do livro e aponta para os objectos e lá vou conseguindo avançar.

No banho não gosta de lavar o cabelo porque tem medo de se deitar para trás na banheira e detesta quando leva com um pingo de água na cara.

De resto a generalidade do tempo que passo a brincar com ele, que últimamente são as 3 horas entre chegar da creche e o jantar, até nem correm mal mas continuo a não conseguir que ele colabore em actividades. Muito pelo contrário, recusa-se a fazer seja o que for que pareça cooperação, obediencia ou seguir regras. E acho que é só comigo porque na escola ninguém se queixa e quando falo nas birras e tudo o mais a educadora fica com ar de quem nunca viu. Já li que é mesmo assim e que eles na escola progridem e em casa regridem mas não deixa de ser frustrante para mim, que acompanhei o seu desenvolvimento quase 24 horas por dia durante ano e meio, agora apanhar um Tiago que só me quer dar pontapés e ver televisão (só vê um bocadinho antes da hora do jantar mas isso não o impede de passar a tarde a ir para a sala tentar a sorte).

Basicamente ando muito cansada e a precisar de férias que nunca vou ter.

Mas pronto, desabafos à  parte, o Tiago continua a crescer bem, com os seus 89 cm de altura aos 20 meses e está a prender a saltar. Também começou a arrastar objectos pela casa – um camião, o banco na cozinha porque faz um barulho irritante a arrastar no chão e ele adora (escusado será dizer que a vizinha de baixo nos odeia, mas como tem a televisão no quarto no volume máximo todas as noites também não tenho pena nenhuma dela).

Para quem estiver interessado, coloquei novas fotos no Flickr.

Adoro o Outono

Sei que é mais comum gostar-se da Primavera porque é quando o frio começa a desaparecer e as pessoas gostam mesmo é de calor para poderem ir para a praia lagartar, mas para mim a altura do ano ideal é agora, quando começa a ficar frio e já é preciso vestir o casaco antes de sair mas o céu ainda está azul muitas vezes.

Gosto de sentir o frio na cara quando ando na rua, frio esse que também muda o cheiro que paira no ar. Gosto de chapéus e cachecois e luvas e de me embrulhar numa mantinha à  noite depois do jantar.

Gosto do facto do duche quente saber muito melhor quando está frio e de ficar ali a levar com a água quente na cabeça montes de tempo (sei que não é muito ecológico mas não há prazeres na vida sem uma ponta de sentimento de culpa).

E gosto de já não estar dependente do ar condicionado para ter uma temperatura decente dentro de casa. Viva o Outono!

Fim de semana de compras

Este fim de semana fomos comprar brinquedos para o Tiago. O miúdo está quase com 20 meses e continua a ter apenas brinquedos já demasiado infantis para ele. Achei que esperar mais dois meses pelo Natal era uma chatice e lá fomos nós estoirar dinheiro. Já tinhamos procurado alguns brinquedos especà­ficos e não encontrámos nada mas com o Natal à  vista as lojas enchem-se de novidades e o dificil foi deixar alguma coisa nas lojas.

Comprámos o tal brinquedo com arames e contas de madeira que o Tiago adora desde que entrou para a escola, um conjunto de puzzles com duas ou três peças para ele começar a perceber os encaixes, as letras iman, um tabuleiro de madeira com formas que saem para encaixar outra vez na silhueta e que ele faz já quase à  primeira – pelo menos reconhece o sí­tio das peças quase todas. à s vezes não consegue é rodar a peça para ficar na posição em que encaixa.

E comprámos finalmente o tal computador de actividades. Fomos para um da Oregon mas quando chegámos a casa reparámos que estava em brasileiro e dizia coisas como ‘insira seus iniciais’ em vez de ‘suas iniciais’. Para um miúdo que está a aprender a falar seria uma barbaridade dar-lhe uma coisa destas por isso fomos trocar. Tinhamos escolhido aquele por ter um aspecto mais realista, sem bonecos mas acabámos por voltar com o do Ruca que nos pareceu em termos de funcionamento e actividades o que teria mais flexibilidade para ser usado desde agora até ele ser mais crescido: tem 26 músicas – uma por cada tecla de letras, tem uma escala musical nos botões de números, dá para desenhar no ecran, tem uma secção para aprender letras e números em inglês, tem jogos de memória e de lógica do estilo de escolher o simbolo que não pertence ao grupo e está falado em Português.

Vai demorar algum tempo até o Tiago perceber o que pode fazer com aquilo mas logo na primeira vez, depois da timidez inicial que lhe é caracterà­stica, já esteve a carregar nos botões e a dançar ao som das músicas.

Quando fomos trocar o computador acabámos por trazer mais coisas – um ábaco porque o Tiago adora passar as bolinhas de madeira de um lado para o outro e placas de borracha coloridas com letras e números para forrar o chão do quarto que ficou muito mais giro, mais quente, mais almofadado e mais seguro assim. É tanto para o Tiago como para nós que acabamos por passar o tempo sentados no chão do quarto dele e ao fim de um bocadinho já doi 🙂

Aproveitei também para começar as compras de Natal. Devo dizer que estou com grande dificuldade em entrar em modo de Natal. Isto do Natal agora começar logo no iniciio de Outubro irrita-me um bocado. O Fórum já está impossível ao fim de semana e acho que ainda vou acabar por ir fazer as compras a outro lado. Será que as pessoas não arranjam outro sí­tio para ir passear?

Nikita, a destruidora

Desde que o Tiago começou a andar que passámos a deixar as portas das várias divisões abertas para ele poder circular livremente e ficar a conhecer a planta da casa. Como efeito secundário desta decisão, os gatos ficaram também muito mais à  solta e com permissão para encher de pelo camas e sofás e comer as plantas que vomitavam de seguida, muitas vezes nas já referidas camas e sofás.

Acabei, obviamente, com as plantas. Fui-me ‘esquecendo’ de as regar e acabaram por ir todas fora. É preciso escolher que espécies quero manter vivas e neste caso animal e vegetal são incompatà­veis. Como começava a sentir que iria estrangular o próximo gato que me vomitasse um bocado de folha na cama achei que era o mal menor livrar-me dos vasos.

Seria de esperar que as coisas acalmassem depois disso mas a Nikita arranjou outra forma de me irritar diariamente: começou a abiri o roupeiro e vai-me roubar camisolas, que estão penduradas em cabides, e arrasta-as para debaixo da cama para as matar e comer, claro. Se tiverem alguma espéci de atilhos ou fitas são particularmente apetecà­veis. A irmã Buffy também não se fica atrás, com a sua preferencia por caçar meias e comer tops de seda. Por este andar vamos ficar sem roupa antes do final do inverno.

Já comecei a fechar o quarto novamente mas isso dificulta a actividade de arejar a casa, algo que tinhamos finalmente conquistado com a instalação das redes nas janelas. Enfim. Se me irritam muito começo a faechá-las em caixas de transporte quando fazem asneira (digo eu sabendo perfeitamente que não há animal mais vingativo do que um gato e que no dia seguinte ia encontrar a cabeça de um rato morto na cama e um carrinho do Tiago colocado estrategicamente num sí­tio de passagem escuro onde não conseguisse evitar tropeçar).

Update Tiagal de Novembro

O Tiago está quase a fazer 20 meses e achei que estava na altura de fazer mais um apanhado da sua evolução deste mês.

A maior diferença foi que começou definitivamente a comer tudo sozinho – sopa, papa, sólidos, beber água pelo copo. Já não quer ajuda para nada e até fica irritado quando tento. E nem sequer faz muita porcaria. A única excepção é quando tem uma birra, que durante uma semana ou duas foi frequente à  hora das refeições. Estava cheio de fome mas assim que lhe punha a comida à  frente esticava-se todo na cadeira e começava a berrar em vez de comer. Felizmente a técnica de o ignorar quando grita e voltar a dar-lhe atenção quando se cala parece funcionar e hoje já comeu sem problemas.

Já tem uma série de dentes, como seria de esperar: os 4 da frente, em cima e em baixo, os dois caninos e os dois pré-molarers de baixo e estão agora a romper os de cima. Já lhe lavamos os dentes há pelo menos um ano e ele agora já gosta de pegar na escova de dentes e tentar sozinho mas passa mais tempo a chupar a escova do que a esfregar e por isso temos de ser nós a acabar, o que geralmente dá origem a mais uma birra.

Continua a levar o ursinho para todo o lado e apesar de já gostar de mais um ou outro boneco aquele é que é e não aceita substitutos, especialmente à  hora de dormir.

Já sabe identificar os olhos, nariz, boca, lingua, dentes, orelhas, cabelo, cabeça, mãos, pés, sabe quem é a mamã e o papá e a lista de objectos, alimentos e animais que reconhece aumenta diariamente. Comprei um livro daqueles de dicionário por imagens que tem um bocadinho de tudo – animais, flores, frutos, electrodomésticos, peças de vestuário, mobiliário, transportes, etc – e é o livro preferido do momento. Já tem páginas normais em vez de em cartão e ele já as vira sem problema. Nós começámos a dar a volta ao jogo pedindo-lhe para identificar os diversos objectos em vez de sermos nós a dizer o nome quando ele aponta e é incrà­vel como reconhece coisas que eu nem sabia, mesmo olhando para uma ilustração que nunca viu antes.

É claro que continua a não falar mas pelo menos já começou a parlar novamente. Parece-me que ele parou isso tudo como reacção à  entrada para a creche e agora que já se ambientou voltou ao normal.
Já está completamente ambientado à  creche. Já não chora e nem se preocupa quando me vê sair da sala, algo que faço sempre com um sorriso e dizendo adeus. Como o vou buscar sempre à  mesma hora e ele responde muito bem a rotinas acho que até já gosta de ir para a escola. Nunca mais foi mordido e na semana passada até levou um livro para ler lá – foi buscar o livro mesmo antes de sairmos e foi com ele na mão o caminho todo 🙂

A outra novidade é que começou a conseguir encaixar as peças de lego. Antes gostava muito de separar as peças mas não conseguia encaixá-las e esta semana já percebeu como funciona. à€s vezes a peça não está bem no sí­tio e ele fica muito frustrado por não encaixar mas daqui a uns dias aposto que já não falha.

Sinto que preciso de lhe arranjar brinquedos mais estimulantes porque ele já ultrapassou tudo o que tem. Continua a gostar de fazer torres e colocar os copos todos dentro uns dentro dos outros ma precisa de mais coisas com desafio porque aborrece-se dos puzzles e problemas que já resolve à  primeira. Ainda não tem muita noção dos tamanhos mas já reconhece a silhueta dos objectos. Está na altura de arranjar um brinquedo de enfiar formas diferentes porque a tampa do balde com 4 formas já não dá desafio e o barquinho que a minha mãe lhe deu com 10 formas diferentes já foi para o lixo porque ele partiu aquilo tudo num instante.

A outra coisa interessante que reparei este mês é que ele começou a interessar-se por letras e números. Comprámos os números magnéticos e ele tem brincado com aquilo todos os dias ao ponto de já reconhecer quase todos. Quanto à s letras, já aponta para elas uma a uma, nas capas dos livros, por exemplo, para dizermos o nome. As letras são mais mas acho que pelo menos as vogais já ele sabe.

Por este andar ainda aprende a ler antes de dizer a primeira palavra 🙂