O metro de Almada já está em funcionamento desde o final de Novembro e ainda não tinha dito nada sobre o assunto. Achei que precisava de algum tempo e distancia para formar uma opinião mais fundada que não fosse tão influenciada pelo horrivel ano de obras que tivemos de aturar.
Desde o principio que achei boa ideia a construção do metro na cidade. Em Lisboa ando sempre de metro e detestava ter de andar de autocarro em Almada, preferindo geralmente andar a pé mesmo quando eram grandes distancias, perdendo assim pelo menos meia hora para chegar a algum lado.
As obras foram de facto muito incómodas mas até trouxeram alguns benefàcios, nomeadamente o facto de agora já se poder circular na avenida 25 de Abril com um carrinho de bebé sem ter de passar o tempo todo a subir ou descer degraus. Até certo ponto acabaram os carros estacionados em todos os passeios, o que dá muito jeito. Infelizmente aparecem sempre alguns imbecis de vez em quando – principalmente ao fim de semana quando não há fiscalização – que estacionam no passeio, muitas vezes sem deixar espaço para as pessoas passarem. Por este motivo perguntei-me desde o inicio porque raio não puseram pinos no passeio se o objectivo era não haver estacionamento naquela zona. É só para ganhar uns trocos com a multa ocasional? Não faz muito sentido. Esperar que os cidadãos se comportem de forma civilizada o tempo todo é o mesmo que esperar que o cão se levante de manhã e vá lavar os dentes. A subtileza não funciona no que diz respeito ao estacionamento selvagem.
Os passeios rebaixados junto à s passadeiras, que mais uma vez dão muito jeito para carrinhos de bebé e cadeiras de rodas, tornaram-se a rampa de estacionamente preferida de alguns rafeiros da zona. Quando apanho um ainda dentro do carro leva logo uma enxorrada de insultos. Pode não fazer nada mas pelo menos não tem a desculpa de que não sabia ou que não reparou que não dava jeito estacionar ali.
É claro que se tornou muito mais dificil estacionar o carro na avenida e respectivas pracetas que sempre estiveram cheias e agora com menos lugares ainda pior. E há alguns lugares de estacionamento que foram eliminados sem fazer muito sentido. O caso mais óbvio é no último quarteirão da avenida, nos prédios do canecão. Ao contrário dos outros prédios mais acima, esta arcada não tem escadas pelo que o passeio fora da arcada poderia continuar a funcionar como estacionamento sem incómodo para os peões. Compreendo que ter carros a entrar e sair do estacionamento numa avenida que passou a ter apenas uma faixa de rodagem em cada sentido poderia entupir o transito mas isso acontece à mesmo porque continuam a estacionar ali. Mais uma vez: ninguém previu isto? Será possível?
Mas isto são pequenos pormenores. O maior problema de transito que vem das alterações pós-metro é a chamada ‘zona pedonal’. Cortaram o transito à avenida principal da cidade passando a circular-se apenas por ruas secundárias que ficam rapidamente entupidas e que obrigam a dar umas voltas inaceitáveis para se conseguir chegar a algum lado, enquanto o centro da cidade está à s moscas.
Compreendo, mais uma vez, que estão a tentar incentivar as pessoas a usar o metro mas isso nunca vai funcionar por dois motivos. Primeiro porque o metro não chega a pontos suficientes da cidade nem tem paragens suficientes pelo caminho. Entre a praça gil vicente e a praça S. João Baptista temos duas avenidas longas sem uma única paragem. O que é que lhes deu? Acham que toda a gente tem 20 anos e pode subir ou descer aquilo tudo a pé?
Para além disso, ao querer renovar o comércio no meio da cidade (comércio esse que as obras do metro mataram e vamos lá ver se renasce) – criando uma zona pedonal onde é OBRIGATà“RIO andar a pé porque os carros não podem passar e não há paragens de metro, não fizeram o metro ir até ao Fórum Almada, que é o destino principal dos habitantes locais ao fim de semana. Eu sei que o contro comercial é a concorrencia das lojas locais mas este tipo de visão idealista é muito limitada, pouco prática e nada realista. Se o metro fosse onde as pessoas querem ir então talvez se tornasse de facto num transporte alternativo. Assim sendo é apenas um incómodo que destruiu o transito da cidade e que passa de vez em quando e nos acorda a meio da noite porque resolveram construir-nos uma linha de comboio à porta de casa.
Nas zonas em que se pode andar de carro ao longo da linha, a faixa de rodagem automóvel parece que foi projectada por um gajo cego que levou uma série de encontrões durante o desenho. Cada passadeira obriga os carros a fazer uma pequena curva que é verdadeiramente perigosa. De noite estas saliencias nos passeios não se vêem e são dificeis de evitar. No mànimo deveriam ter colocado reflectores no lado do passeio destas zonas mas parece que soluções práticas, tal como os pinos nos passeios não tiveram lugar no planeamento destes detalhes.
Outro exemplo disso são os novos caixotes do lixo e reciclagem que foram plantados ao longo da linha do metro. São de facto muito práticos do ponto de vista em que, tendo o contentor debaixo do chão este pode ter maior capacidade. Infelizmente a tampa tem uma falha de design grave: quando abre fica na vertical em vez de dobrar completamente para trás. Isso faz com que seja muito mais fácil partir as tampas e também faz com que estas se fechem sozinhas com o vento tàpico das avenidas quando se está a por o lixo lá dentro. Era assim tão dificil arranjar umas dobradiças com um ângulo maior? Usem a cabeça e testem as coisas, raios!
Para mim que até estava confiante que o metro ia dar imenso, jeito fiquei decepcionada. A paragem do Parque da Paz é demasiado longe e para chegar ao parque é preciso subir e descer escadas, impossível com o carrinho de bebé. A paragem que me dava jeito para ir ao dentista ou levar o Tiago ao jardim de almada não existe – é na praça do MFA, no meio do ‘percurso pedonal’. E a escola do Tiago fica num sítio onde o metro não passa.
Não quero com tudo isto dizer que acho o metro inútil ou uma má ideia. Acho que deve dar jeito a muita gente, especialmente quem quer ou pode ir para Lisboa de comboio ou de barco, mas não posso negar que tem algumas limitações e que muitos dos detalhes foram mal pensados. Como alternativa aos autocarros, tenho ouvido principalmente a queixa de que é mais caro, apesar de ser obviamente mais confortável e provavelmente muito mais rápido, o factor monetário continuará a ter bastante impacto para uma grande fatia da população.
Em resumo acho que o maior problema actual é que o metro é um pouco limitado como transporte dentro da cidade. Faltam-lhe algumas paragens cruciais e para os percursos mais comuns de muita gente continua a ser mais prático andar a pé ou de carro, o que na minha opinião é uma pena porque eu estava cheia de vontade de começar a andar de metro por aqui.