Grávida

Depois de uns meses a fazer tratamento hormonal para ver se punha tudo no sí­tio outra vez, estava convencida que não estava a funcionar até começar a reparar em certas mudanças, tais como pele e cabelo mais oleosos, uma grande soneira, muito menos energia e finalmente, esta semana, o inà­cio das nauseas. Já sabia mas andei a adiar o teste. Acho que queria fazer de conta que não era nada durante mas uns dias.

Hoje o Pedro fartou-se de esperar e foi comprar um teste de gravidez. É um daqueles que é suposto demorar 5 minutos mas foi quase imediato, não deixando margem para dúvidas. Para estar com enjoos já devo estar pelo menos no segundo mês, por isso o nà­vel da hormona deve ser altà­ssimo.

E pronto. Começa tudo de novo – as análises mensais, consultas, ecografias, tentar reaver algumas das coisas de bebé que fui distribuindo à  medida que não precisava, mais uns dias desagradáveis no hospital e mais dois anos de fraldas. Vou ficar deprimida porque vou engordar outra vez, vou deixar de dormir e vai ser tudo muito mais difà­cil porque já temos o Tiago. Provavelmente temos que arranjar uma casa maior, etc, etc. É impossível não começar logo a fazer planos e a stressar com tudo isto.

Por outro lado, porque já tenho o Tiago e tudo correu bem com ele, acho que vou ter muito menos ansiedade do que na gravidez anterior. Acho que se correr alguma coisa mal não vai ser tão horrà­vel como foi da primeira vez.

E é bom saber que o Tiago vai ter um mano com quem brincar (estou convencida que vai ser outro rapaz apesar que estar desejosa que saia uma menina, para variar).

Acho que ainda estou um bocado em choque mas aconteceu aquilo que já estava à  espera: assim que se confirma que já não há nada a fazer, acabam-se as dúvidas. O difà­cil é tomar as decisões. Quando deixa de depender de mim é muito fácil adaptar-me à  realidade e fazer o que é preciso.

Portanto, estou grávida outra vez. Oh boy!

The Fall

Um filme visualmente fabuloso. A história passa-se num hospital, nos anos 20, em que um duplo de cinema recupera de uma queda. Uma menina com um braço partido convence-o a contar-lhe uma história para passar o tempo e a interpretação visual dessa história é lindà­ssima, apesar de ter desde o princà­pio um lado violento e perturbante.

Rapidamente sentimos que a tragédia é eminente, especialmente quando nos apercebemos que o Roy está cada vez mais deprimido, algo que tem influência tanto na história que conta como na relação com a criança, que começa a ser cada vez menos saudável e mais manipuladora. A história é sentida principalmente do ponto de vista da menina, uma actriz com uma naturalidade  e uma vulnerabilidade fabulosas, o que a torna mais perturbante porque conseguimos compreender factos que ela não consegue.

A história dentro da história vai mudando e os personagens vão-se transformando de acordo com a imaginação da menina, a identificação dos personagens com pessoas reais – o pai dela, o próprio Roy, a rapariga por quem ele está apaixonado, etc – e torna-se cada vez mais violenta. A menina revolta-se contra a forma como os personagens vão morrendo mas ao mesmo tempo quer desesperadamente saber como a história acaba, acreditando, contra toda a probabilidade, que ainda é possível um final feliz.

Acho que o filme vale a pena ver pelo lado visual. A história em si não é original o suficiente para poder ser considerado um grande filme mas a beleza das imagens dá-lhe um interesse extra.

Mirrormask

Consegui finalmente acabar de ver o Mirrormask, ao fim de três tentativas. Conseguir ver um filme de seguida continua a ser uma impossibilidade devido a falta de tempo e uma criança impaciente.

A parceria Neil Gaiman/ Dave McKean é algo que dura há muitos anos e que culminou no filme Mirrormask, escrito pelo primeiro e realizado pelo segundo. Desde a faculdade que sigo aquill que o Neil Gaiman escreve e gosto muito de praticamente tudo. No entanto nem sempre gosto da interpretação visual das mesmas, preferindo ser eu a imaginar as personagens e histórias.

No que diz respeito ao Dave McKean, acho que ele tem um estilo muito próprio e um trabalho bastante interessante mas que está muito fora da minha zona de conforto. Por causa disso estava um pouco relutante em ver este filme, com receio que fosse demasiado grotesco visualmente.

A primeira frase que li sobre a história, muito antes do filme estar acabado, deixou-me logo com vontade de o ver: uma rapariga que quer fugir do circo e juntar-se à  vida real. É a atitude tà­pica do Neil Gaiman de agarrar em algo comum e virá-lo de pernas para o ar. A história é relativamente simples e tem muitos pontos em comum com a Alice nos Paà­s das Maravilhas e o Coraline – uma rapariga que se encontra de repente numa realidade alternativa e que vai encontrando diversos personagens estranhos pelo caminho, uns bons e outros maus.

Visualmente este é um dos filmes mais estranhos que já vi – há um ou dois do Peter Greenaway que considero igualmente estranhos mas que, ao contrário do Mirrormask, me deixaram com vontade de vomitar. O Mirrormask é estranho porque é inteiramente concebido dentro do estilo peculiar do Dave McKean, misturando imagens reais com ilustração, máscaras, gatos com cabeça de pessoas, pombos com corpo de gente e bicos que passam a vida a cair, e uma série de outros personagens e circunstâncias bizarros. No entanto, aquilo que eu mais temia, que toda esta estranheza desse ao filme um ambiente macabro, não chega a acontecer. É um conto de fadas, não é um filme de terror. A personagem principal consegue dar ao filme uma constante fonte de optimismo e esperança que nos faz sentir que vai tudo correr bem e o perigo nunca é inteiramente real. Suponho, porém, que possa mesmo assim ser um filme perturbante para crianças pequenas, especialmente se não tiverem idade suficiente para compreender bem a história.

A  minha cena preferida é quando a Helena, depois de ser capturada pela rainha negra, é vestida por um conjunto de robots a cantar ‘why do clouds suddenly appear…’ Achei fabuloso 🙂

Fim de semana

No sábado de manhã estivemos a desmontar a passadeira para nos livrarmos dela de vez, já que ocupa uma parcela significativa do espaço da nossa sala. Os meus sogros quiseram ficar com ela, porque costumam ir correr mas durante o inverno torna-se um bocado desagradável e assim ficam com uma alternativa caseira. Transportar aquilo foi um pesadelo, porque é super pesada, e no dia seguinte o Pedro estava todo partido.

à€ noite tivemos a companhia do meu irmão e famà­lia para jantar. O Gabriel já anda, todo feliz, e passou o tempo atrás do Tiago. O Tiago, por outro lado, andou o tempo todo a agarrar nos brinquedos que não queria mesmo ver nas mãos do Gabriel, e foi preciso andar de olho nele para ver se não magoava o mais pequenino. Estas coisas causam-me sempre um stress enorme porque sei que o Tiago pode ser um bruto se não quer que alguém se aproxime demasiado. Felizmente não aconteceu nada de grave e ao fim de um bocado parecia que já se estavam a entender melhor. à€ sobremesa o Tiago até ofereceu um bocado do seu gelado ao Gabriel para ele provar e mais tarde estiveram os dois alegremente a dançar.

Na segunda o Tiago ficou em casa porque estava com umas manchas estranhas e era preciso ter a certeza que não era nada de contagioso antes de o poder levar à  escola. Parece que afinal são umas quantas coisas não relacionadas, mas nada de grave. A maior parte das manchas é o acne infantil de que o Tiago sofre desde que nasceu e que é mais feio do que preocupante. Depois tem uma pequena infecção numa das pestanas – provavelmente coçou o olho com as mãos sujas ou algo do estilo – e é uma questão de por uma pomada uns dias e esperar que passe. A minha mãe veio vê-lo de manhã e trouxe uma daquelas folhas de autocolantes decorativos para a parede, com uma árvore de natal e respectivos adornos. Colei a árvore na porta do quarto dele e estivemos a decorá-la. A minha mãe fartou-se de insistir com o Tiago para por as decorações em cima da árvore, mas ele achou mais piada colocar à  volta. Acho que não percebeu bem a ideia da coisa mas também não acho que se deva insistir com as crianças para cumprirem  o guião – é melhor deixá-las explorar como lhes apetece enquanto ainda podem.

O Tiago começou a puxar a minha mãe a dizer ‘anda, avó’ e percebia-se que queria ir passear. Ela levou-o durante um bocado, o que foi óptimo porque eu tinha uma encomenda para preparar. Quando o veio trazer esqueceu-se do ursinho e foi preciso ir lá buscá-lo ao fim do dia.

O pior foi quando percebi que o Tiago estava com sono e queria o ursinho para dormir. Tentei servir de substituto e ele adormeceu ao meu colo. Teria dormido mais tempo mas foi acordado pelo telefone, hora e meia depois, e ficou de muito mau humor.

à€ noite, quando fomos buscar o urso a casa dos meus pais, o meu pai deu-lhe uma mota em miniatura que o Tiago ainda não largou. Já tinha muitos carros mas nada de motas e parece ter achado piada.

O meu pai já está melhor e, apesar de o fazer contra ordens médicas, já anda a apoiar o pé no chão para se conseguir mexer. Enfim, espero que não abuse….

Manhã burocrática

Na terça de manhã o meu pai teve um acidente. Ia de mota para o trabalho, como sempre, num cruzamento onde passa todos os dias. O piso estava molhado e ele atravessou o cruzamento mais lentamente do que o normal para não escorregar. Levou com um carro em cheio no lado direito, ficando coom o pé preso entre a mota e o carro. A senhora que ia a conduzir o carro até travou, mas como o chão estava molhado, o carro derrapou e e não conseguiu parar a tempo.

O meu pai foi para o hospital com o pé feito num oito dentro de uma bota que ficou completamente desfeita, mas felizmente não partiu nenhum osso – o médico até fez o raio-x duas vezes para ter a certeza que não tinha escapado nada. Agora está em casa, onde tem de ficar uns dias com o pé elevado.

Como convém tratar das tretas dos seguros depressa, hoje fui à  seguradora entregar os papeis de declaração de sinistro. Era suposto ser uma coisa simples mas acabou por levar a manhã toda.

Primeiro, quando cheguei à  morada indicada, dei com um aviso a dizer que tinham mudado de localização. Estava na duvida qual era a rua indicada (porque apesar de viver nesta cidade desde que nasci não ligo nenhuma aos nomes das ruas) mas foi fácil de encontrar. Descobri rapidamente onde era o novo escritório, entrei, tirei senha e esperei. Quando fui finalmente atendida disseram-me que faltava uma assinatura e mandaram-me embora.

Voltei para casa do meu pai para ele assinar – porque raio é que eles precisam de duas assinaturas na mesma folha? – e acabar de preencher mais umas coisas e voltei à  seguradora.

Estive 20 minutos à  espera. Durante esse tempo não atenderam uma única pessoa. Tinham 5 mesas de atendimento distribuidas da seguinte forma: 1 para pagamentos, que não atendia mais nada, outra com um homem que esteve a atender a mesma pessoa praticamente todo o tempo que estive à  espera e quando acabou foi meter conversa com a colega do lado em vez de passar à  pessoa seguinte, uma com uma tipa que esteve a engonhar até ser meio dia, hora de almoço dela, e que mesmo assim saiu 5 minutos antes. A última mesa pareceu ser a única com alguém a trabalhar mas que também estava a tratar algo de demorado.

Só quando um dos homens que estava à  espera se queixou é que os dois que estavam na conversa se deram ao trabalho de voltar a atender pessoas.

Depois disto tudo foi só entregar os papeis, receber uma cópia e sair. Comprovei com isto que os serviços em Portugal continuam a ser a mesma merda de sempre.

Fim de semana

Os meus fins de semana ultimamente parecem sempre mais preenchidos do que as semanas…

Tive mais um workshop no sábado de manhã e depois fui visitar a Carla, que foi muito simpática e me fez um delicioso almoço.

De tarde fui ao Chiado comprar umas botas da Fly. Ia comprar o modelo ‘Midas’, que tem um salto baixinho, mas não tinham o meu número, como de costume, por isso escolhi antes as ‘Yule’, que têm um salto mais alto mas são tão molinhas na perna que parece que estou de meias em vez de botas. Não sei se vou conseguir andar de saltos todos os dias mas até agora não me senti desconfortável.

Antes de voltar para casa a Carla levou-me à  Xocoa, uma loja de chocolates artesanais em frente à  estação de metro da baixa. Comprei uns quadrados de chocolate branco com arroz tufado no fundo e uma bolacha tipo gingerbread man para o Tiago. Acho que vou lá voltar para comprar umas prendinhas de Natal deliciosas.

Como andei a vadiar no sábado, o domingo teve uma grande dose de tarefas domésticas para compensar.

susto

Ainda estou com o coraçãozinho a bater.

Estava a preparar-mepara atravessar a estrada em  frente à  escola do Tiago, prestando atenção ao transito para ter a certeza que não vinha nenhum carro, quando o carro que estava estacionado à  minha esquerda começou a recuar e quase atropelou o Tiago, que ia à  minha frente no carrinho. Consegui puxá-lo de volta para o passeio mesmo a tempo mas fiquei completamente estupefacta.

Não estava à  espera porque o carro não tinha luzes acesas nem ouvi o som do motor a arrancar nam nada. Como aquilo é uma descida, o tipo estava a deixar descair o carro para depois arrancar em frente e por isso nem se acenderam as luzes de marcha atrás. Como o carrinho de bebé é baixinho, o homem nem deve ter dado por nada.

Faz-me um bocado de confusão porque aqueles carros são todos de pessoas que vão ali deixar os filhos na escola e como tal tinham obrigação de ter mais cuidado, mas também sei que eu própria devia ter prestado mais atenção ao facto de estar alguém dentro do carro em vez de achar que era seguro só porque estava parado.

Eu ando sempre com tanto cuidados, tendo a certeza que os condutores me vêem antes de atravessar, mesmo em passadeiras, e agora pelos vistos tenho de começar a ter igual cuidado com os carros estacionados porque nunca se sabe.

O Tiago não deu por nada, felizmente. Foi mesmo uma coisa de segundos. Eu é que fiquei ligeiramente verde e com muita dificuldade em acalmar-me.

Também acho que devia haver uma passadeira em frente à  escola porque é sempre impossível atravessar ali, com a quantidade de carros parados por todo o lado. à€s vezes é quase impossível conseguir arranjar espaço suficiente para passar entre dois carros.

Enfim. Ainda não foi desta e isso tem de chegar.

Música

Tenha andado bastante inspirada para escrever músicas novas últimamente – principalmente bocadinhos mas sairam uma ou duas mais completas lá no meio.

A par disso também comecei com vontade de ouvir coisas novas – novas para mim, claro, visto que passei os últimos anos a ouvir pouco mais do que Tori Amos, Fiona Apple, NIN, Sarah McLachlan, Placebo, Zero 7 e Glenn Miller. É um bocado limitado.

O Pedro aconcelhou-me os The Hives e estou a gostar bastante. É um rock’roll com um bocadinho de punk, muito directo, sem grandes artifà­cios, uma voz agradável (eu tenho grande dificuldade em gostar de vozes masculinas, por alguma razão), algo old-fashioned e mais divertido do que zangado ou deprimido.

Também me aconselhou Elysian Fields, que tem uma voz feminina lindà­ssima e quando me passar esta necessidade por algo mais mexido entrará certamente na minha lista de favoritos porque é mais na linha do que já costumo ouvir, mas de momento apetece-me algo um bocadinho diferente.

Normalmente tenho grandes dificuldades em aceitar sugestões de música, principalmente porque as pessoas têm tendência para ser fanáticas da música que gostam e não aceitam que ninguém os contrarie. Nunca é ‘gosto muito disto, experimenta ouvir’. É sempre ‘tens que ouvir isto, é muito bom’. Só que para mim a música é algo que causa uma sensação fà­sica e ou cai bem ou não cai. É exclusivamente sobre como me faz sentir, independentemente de estilo, hype ou qualidade perceptà­vel. Se calhar é por isso que não adiro facilmente a coisas novas. Quando oiço música que não gosto causa-me um desconforto semelhante a náuseas. Se fico com uma música que não gosto na cabeça ando em sofrimento durante dias por isso tento proteger-me. Sou capaz de andar deprimida durante semanas por causa de uma música, por exemplo. Sei que parece um bocado ridà­culo mas explicar reacções emocionais em palavras soa sempre ridà­culo. É sempre uma aproximação com demasiadas falhas.

Sintomas do último mês

Assim que o tempo mudou o Tiago começou imediatamente a dar sinal. Ao fim de quase seis meses perfeitamente saudável, o último mês tem sido uma preview do que vai ser o inverno. Ainda não teve nada de grave e parece ser só um sintoma de cada vez mas é um por semana, sem falta.

Começou com uma laringite, no domingo seguinte vomitava tudo o que comia, na semana passada teve febres altà­ssimas e esta semana tem diarreia. Acabei de ir fazer as compras necessárias para ver se começamos a controlar isto porque já vai em quase uma semana – arroz, bananas, actimel… Felizmente é tudo coisas que ele gosta.

Começo a temer os fins de semana, que é quando ele parece adoecer sem falha. Suponho que é qualquer coisa que traz da escola na sexta e que demora um dia ou dois a chocar. Enfim, é a vida com crianças pequenas.

Esta noite foi outra vez um horror. O Tiago acordou à  meia noite, à s duas foi para a nossa cama e à s 5 fez xixi na cama, pela primeira vez desde que largou as fraldas. Depois de mudar roupa, lençois, etc e de ele ir ao bacio, ainda tive de estar com ele um grande bocado até adormecer. Já passava das seis da manhã quando consegui voltar para a cama.

Hoje vou passar grande parte do dia a lavar roupa…

Shopping spree

No sábado à  tarde deixámos o Tiago com os meus sogros e fomos à s compras. As crianças crescem a uma velocidade incrà­vel e a cada seis meses é preciso comprar um guarda-roupa novo ao Tiago porque deixa tudo de lhe servir.

Começámos pela Zara, que tem roupa muito gira para miúdos a um preço bastante mais simpático do que as outras lojas. Comprámos uns conjuntos muito rock’r’roll, com jeans gastos, camisas de flanela e terminando num fabuloso casaco de cabedal que ele provavelmente nunca vai estir, mas enfim. Já não me divertia a comprar roupa para o Tiago desde que ele nasceu, porque os meus sogros adiantam-se sempre, e foi giro poder escolher umas peças mais modernaças para o miúdo.

Depois fomos comprar calças para nós. Eu entrei em guerra com a moda das calças de cintura descaà­da que deixei de poder usar pós-parto mas é incrà­velmente dificil encontrar modelos com uma cintura mais baixa, até nas lojas que sei que fazem esses modelos. A salsa, por exemplo, só vende calças de cintura mais subida no Corte Inglês. Aqui no fórum, nem vê-las, a não ser um novo modelo elástico que é suposto encolher a barriga (yeah, right). Acabo sempre na Levi’s, que finalmente passou a ter um stock mais completo do estilo do que tinhamos visto em NY há uns 6 ou 7 anos e que já permite escolher melhor o modelo que nos fica melhor. A única falha é não terem as alturas todas e ainda ser preciso fazer baà­nhas.

O Pedro comprou uns skinny jeans que acho que lhe ficam lindamente porque ele tem umas pernas fininhas e as calças normais direitas são largas demais para ele. Ainda não vi fora do provador porque tive que lavar tudo primeiro mas acho que ficam muito sexy 🙂

Quando chegámos ainda fui lavar roupa e à  noite só queria ler o meu livrinho – sempre comprei os livros do Twilight no fim de semana passado e já vou no Breaking Dawn. Não posso dizer que sejam fabulosos mas são certamente viciantes. Mesmo nas partes em que estou a pensar ‘está bem, já chega, vamos mas é andar com isto’, estou com vontade de saber o que acontece a seguir. Acabei por ficar a ler até perto das duas da manhã. Estava cansada mas não tinha sono e tive de me obrigar a apagar a luz e dormir.

Ontem passei a manhã a limpar e arrumar e durante a tarde fiz o mà­nimo possível, tentando descansar um bocado. O Tiago adormeceu no sofá à s 6 da tarde, como é costume, e nós aproveitámos para ver o filme do Wolverine. Não achei grande coisa – demasiados clichés e umas cenas de tiros e perseguições que me deram sono. O actor safa-se bem e tem o aspecto certo mas a história não ajuda. Não conheço grande coisa dos comics mas por acaso até tinha lido o Weapon X e, apesar de não ter gostado do fim, com aquela coisa do ‘foi tudo um sonho’, acho que o livro consegue ter mais suspense do que o filme inteiro.

Acumulação de tralha inútil

Ando a lutar com o facto de acumular demasiadas coisas. Gostava de conseguir ter uma casa mais minimalista mas parece impossível. Por vezes faço uma razia aos armários e deito sacos e sacos de coisas fora mas parece que nunca faz diferença e que o espaço ganho fica preenchido novamente numa questão de minutos. Chego a deitar fora certas coisas que até tinham alguma valor ’emocional’ numa tentativa extrema de me desprender de tudo o que não seja essencial mas no fim sinto sempre uma grande sensação de falhaço.

As coisas mais complicadas são aquelas que foram caras ou que ainda funcionam mas que não usamos. É difà­cil deitar fora esse tipo de coisas. Não me importava nada de as dar a quem queira, uma alternativa muito mais simples para mim do que deitar fora, mas não conheço pessoas suficientes ou com os mesmos gostos ou necessidades.Costumava dar muitas coisas aos meus pais até perceber que isso fazia com que começassem eles a acumular tralha inútil e por isso desisti. A minha mãe já tem problemas suficientes em deitar coisas fora sem ter alguém como eu a alimentar-lhe o và­cio de fazer ninho.

Comprámos uma passadeira que nos ocupa metade da sala e que usámos pouco tempo e depois deixámos de ter paciencia. Eu odeio exercí­cio fà­sico com todas as minhas forças mas ainda fiz um esforço, mesmo sabendo que ia ser algo temporário e que a certa altura iria acabar. Agora a passadeira não é mais do que um incómodo, um monstro que ocupa espaço que não temos e mais uma coisa para ter de limpar. Continua a funcionar lindamente mas o Tiago já arrancou os logos todos e por isso também não está num estado suficientemente novo para a conseguirmos vender.

Como este exemplo, temos vários. Há 5 ou 6 caixas de peças de computador – placas gráficas, motherboards, etc, – dos vários computadores que o Pedro foi montando ao logo dos anos e de que não tem coragem de se livrar, sempre com aquela fantasia que um dia destes vai juntar tudo e montar um computador para o Tiago ou algo do estilo. Mas a verdade é que não tem tempo e se for preciso alguma peça nova o mais provavel é já não ser compatà­vel com as antigas e tudo aquilo não passa de tralha.

Enfim, os exemplos são infinitos e o conflito que nos causam também. Temos um teclado midi com uma tecla que não toca (o Pedro entretanto ofereceu-me um novo, muito melhor mas aquele continua por aqui), tenho a minha mesa de trabalho e caixas e caixas de contas e materiais, que não quero deitar fora mas que gostava que estivessem um pouco mais fora do caminho, etc. A verdade é que odeio acumular coisas, odeio não conseguir ter a casa arrumada, especialmente porque passo praticamente todo o meu tempo aqui.

Desde que o Tiago nasceu o problema piorou. A roupa e sapatos estão sempre a deixar de servir, já tivemos que mudar a cama  e comprámos um carrinho mais leve, por isso o original tornou-se apenas ‘tralha’. Felizmente algumas das coisas foram para o meu irmão quando o Gabriel nasceu e na semana passada dei o carrinho da chicco com todos os acessórios à  Diana que vai ter bebé em Janeiro. É bom poder ajudar e melhor ainda ganhar algum espaço com isso. Sinto logo que a casa fica mais leve, mas dura pouco tempo.

Esta semana, se continuar com esta febre, vou tentar deitar fora metade da casa. Vamos ver se consigo.

Daydreaming

I’ve been feeling really weird lately, like I’m not actually here, inside my own body. I walk around completely dazed and if I ever cross anyone I know on the street I’m not sure I’ll even see them.

I feel like I’m not in control of my emotions and have weird, exaggerated reactions to the most basic normal stuff. I hate feeling like this, so out of control, so vulnerable, so needy, so unable to focus on anything. Hours go by and I have no idea what I did with the time.

I’m not feeling depressed or anything, in fact it’s partially the opposite. It’s like I feel too much all the time and I can’t deal with it. I think I was numb and sleepwalking for two and a half years thanks to a freaky hormone imbalance and now I’m doing this treatment and it’s like everything I didn’t feel is coming back all at once. It’s too strange and I seriously want it to stop. I was perfectly content in my controlled bubble before and I want it back.

It’s particularly hard to be in mommy mode when I feel like this. I had finally achieved the appropriate amount of patience necessary to deal with a toddler and now it’s all gone again.

OK. Done venting now.