– When we moved to this apartment, we decorated the kids’ rooms with wall stickers. Joana’s room had fairies and bunnies and Tiago’s room had dinosaurs.
As they grow and their tastes change and focus, a change was needed. The problem was changing the decor without having to paint and repair holes on the walls every year or so.
I opted for something quite simple: picture frames with their favorite cartoons at the moment. It’s easy to change the image according to their taste and I only have to hammer nails into the walls once.
As such, Tiago has his Gumball, Minecraft and monsters, Joana has Monster High, Princesses and Winx without much fuss. When they get outgrow these, We’ll be able to change them in an instant.
Quando nos mudámos para esta casa, decorámos os quartos dos miúdos com autocolantes de parede. O quarto da joana tinha fadas e coelhinhos e o do Tiago tinha dinossauros. Mas à medida que eles vão crescendo e os seus gostos se vão modificando e apurando, começa a haver alguma necessidade de mudança.
O problema é mudar a decoração sem ter que andar a pintar e tapar buracos nas paredes a cada ano que passa.
Optei por algo muito simples: molduras na parede com os bonecos do momento. É fácil de mudar de acordo com os gostos e só tenho de esburacar uma vez.
Assim, o Tiago tem o seu Gumball, o Minecraft e outros monstros e a Joana tem as monster High, princesas e Winx sem ser preciso um grande investimento. Quando se fartarem, troca-se num instante.
Tiago loves cats. Either reals cats like our pets or the ones he makes up in drawings and stories.
Recently he began making a card collection with his cats. These include TNT cat, Gills cat, spider cat, and so on.
His cats are always square, which reminded me of my Stuffed Squares plush collection, so I decided to make a plush doll out of one of his drawings. He made a larger drawing of Fermium cat because the periodic table is one of his recent interests.He liked the doll so much he promised one to a friend and gave another one to my friend Carla when she came to visit on Monday. I think I’ll be busy making cats for a while.
O Tiago adora gatos. Tanto os gatos reais que tem em casa como os que inventa em desenhos e histórias.
Começou a fazer uma caderneta de cromos dos seus gatos, que incluem o gato TNT, o gato guelras, o gato aranha, etc.
Os gatos do Tiago são quadrados, o que me lembrou a minha colecção de bonecos Stuffed Squares. Resolvi fazer um gato de peluche baseado num dos seus desenhos. Ele fez o desenho em grande do gato Fermio porque um dos seus interesses recentes é a tabela periódica. Ele gostou tanto do gato que já prometeu um a um amigo e ofereceu outro à minha amiga Carla quando nos veio visitar na segunda feira. Acho que vou estar ocupada por uns tempos, a fazer gatos.
He talks of nothing else for hours on end, has the books, the Legos and watches tons of youtube videos to learn new tricks. He builds giant cats and secret passages made out of wool and full of booby traps. He builds spaceships, houses with multiple tiers, including one that’s filled with water, and fences to corral monsters. He has a pet slime and has slain the dragon.
His sister also plays with him but not with the same enthusiasm. However, after about half an hour of gameplay, running around the house pretending to dig up minerals and destroy monsters is a lot more fun and they both participate equally. To help them with this real life minecraft, my son asked me to make them some swords. I drew the project on graph paper, cut it out of Bristol board and glued some white musgami rubber on both sides, to make it less flimsy. I drew pencil squares on the musgami and my son painted them with markers. This is the resulting diamond sword:
O meu filho Tiago é um grande fã de Minecraft.
Não fala de mais nada horas a fio, tem os livros, o Lego e vê vàdeos no youtube para aprender truques novos. Constrói gatos gigantes e passagens secretas feitas de lã e cheias de armadilhas. Faz naves espaciais, casas com múltiplos pisos em que um deles está cheio de água e corrais para monstros. Tem um slime de estimação e já matou o dragão.
A irmã já joga com ele, apesar de não ter o mesmo entusiasmo. No entanto, ao fim de meia hora de jogo, andar pela casa a fazer de conta que escava minerais e destrói monstros é muito mais divertido e também brincam os dois de forma mais igual. Para os ajudar no minecraft de vida real, o meu filho pediu-me para lhes fazer espadas. Fiz o desenho em papel milimétrico, recortei em cartolina Bristol e depois colei musgami branco dos dois lados para reforçar. Desenhei os quadrados no musgami e ele pintou com marcadores. Assim ficou a espada de diamante:
Como primeira peça do curso profissional de Joalharia, fiz um anel oco. A diferença principal em relação ao anel anterior é que este tem um forro enquanto o outro tinha apenas as batas. Acho que acaba por ser mais confortável assim mas tem uma complexidade técnica adicional.
Começa-se, como sempre, de dentro para fora. Como o anel tem uma medida fixa, a peça que assenta sobre o dedo (neste caso o forro) é a que se faz primeiro. Fiz o forro com uma tira de chapa de 0,5 mm.
Em cima do forro assentam as batas, que são as paredes do anel. Fiz um fio quadrado de 2 mm que depois laminei até ficar com 1 mm de altura. Ao laminar, o fio esticou, transformando-se numa placa de 1×2,8 mm. Não é necessário trabalhar com uma bata tão larga mas não só dá mais estabilidade como dá jeito porque podemos limar à vontade para aperfeiçoar o anel sem correr o risco de ficar fina demais.
A bata é depois transformada num càrculo. Dobrar metal de forma a arredondar a parte mais larga não é tarefa fácil. Foi preciso agarrar com dois alicates e ir forçando, bocadinho a bocadinho, sempre com cuidado porque a tendência é para o metal querer dobrar pelo lado mais fino.
Quando consegui formar dois càrculos aproximadamente do tamanho certo, cortei-os ligeiramente mais pequenos do que o necessário – como ainda é preciso bater para formar um càrculo perfeito e limar o interior para retirar as marcas do arame, a dimensão tem de ser sensivelmente 1,5 mm mais pequena do que a medida do forro. Soldei as batas, formei os càrculos e depois limei-as de forma a ficarem mais grossas no topo e mais finas em baixo, para o anel ficar mais confortável.
Com as batas terminadas, fiz um novo cilindro de chapa, desta vez para a cobertura do anel. É aqui que se define se o anel é todo da mesma largura ou se é mais fino em baixo e mais largo em cima. Também se pode arredondar esta chapa para dar volume extra. Optei por fazer o anel mais fino em baixo, novamente por uma questão de conforto, mas deixei a superfàcie plana.
As batas foram então soldadas à cobertura. Começa-se por “apontar”, que significa colocar apenas um ponto de solda para permitir ajustar a posição da bata na restante secção do anel. Só depois é que se solda o resto. Nesta fase convém abusar da quantidade de solda porque há tantas soldaduras futuras que se a solda não for suficiente, e mesmo que se protejam as soldaduras anteriores, vai deixar pequenos poros que ficam feios no final. Isso pode acontecer à mesma, se existir alguma sujidade presente nas partes a soldar.
Com ambas as batas soldadas à cobertura do anel, inseri o forro e marquei os limites. Dentro desses limites fiz um desenho formado por pequenos càrculos, que furei com brocas de diferentes tamanhos. É um pormenor decorativo mas também tem uma função prática. O forro necessita de ter sempre pelo menos um furo porque ao soldar cria-se pressão dentro do anel, que é oco, e este pode rebentar se não tiver um ponto de escape. Para ajudar a furar o forro prendi-o no punho de madeira, que ajuda a estabilizar sem deformar. Depois soldei o forro, serrei o metal em excesso e a base do anel estava concluàda. Um anel sem pedra ficaria por aqui, tirando a parte de limar e polir.
Para este anel faltava criar a cravação da pedra. A pedra escolhida foi uma ametista linda que a minha sogra me ofereceu no Natal do ano passado. Para a base, laminei fio de 2 mm até obter uma chapa com 2,80×0,65mm e formei uma oval que não se via ao espreitar por cima da pedra. Como a pedra era muito alta foi necessário recortar um pouco do anel para inserir a cravação porque ficaria com demasiado volume se ficasse toda de fora. Esta parte demorou muito tempo porque o encaixe tinha de ser rigoroso, por isso era preciso limar um bocadinho, experimentar e repetir o processo as vezes necessárias até as duas peças encaixarem perfeitamente. Soldei a cravação à base do anel e depois soldei duas “tampinhas” semi circulares na base da cravação, na zona que sai para fora da base do anel.
Cortei também uma oval no forro para a luz passar pela pedra. É algo que se faz sempre com pedras transparentes ou translúcidas. Por fim soldei as garras de chapa com 0,88×1,9mm, feitas a partir de fio de 1,5mm, duas a duas, formando um U por cima da cravação, o que ajuda a mantê-las no sítio durante a soldadura. Solda-se uma de cada vez e verifica-se a posição da seguinte antes de continuar.
Com as soldaduras principais terminadas, começou o trabalho de aperfeiçoar a superfàcie do anel. Foi preciso limar até desaparecerem todas as junções, restos de solda e arestas. Quando estava tudo limpo fiz um pequeno lingote de ouro que laminei primeiro em fio quadrado de 2,5mm e depois em chapa até ficar com 3,40×0,60mm. Soldei esta chapa centrada ao longo de toda a superfàcie do anel. Nas pontas ficou ligeiramente levantada e foi soldada em cima da base da cravação.
Acabei de limar e lixar e comecei o longo processo de polimento. A pior parte de polir prata é a maldita mancha cinzenta, a que os ingleses chamam firestain, e que se forma abaixo da superfàcie do metal durante a soldadura, graças à oxidação do cobre presente na liga. É preciso gastar o metal até a mancha desaparecer, utilizando o sabão de polimento castanho, e não é nada fácil, especialmente em recantos onde as escovas não chegam. Depois de horas e horas de volta dessa fase lá consegui eliminar cerca de 90% da mancha. As peças que vemos à venda nas joalharias têm muitas vezes um banho de prata para cobrir a mancha. Há outros métodos mais industriais para remover a mancha mas implicam ácidos e máquinas que não são acessàveis a um pequeno atelier.
Antes do polimento final foi preciso cravar a pedra. Para tal é preciso retirar um pouco do metal no interior das garras para que estas dobrem sem dificuldade sobre a pedra. Para a cabeça da garra assentar completamente é geralmente necessário inserir a serra entre a pedra e a garra e gastar o metal mais um pouco, seguindo a forma da pedra. Algures durante este processo devo ter-me entusiasmado um bocadinho demais porque uma das garras partiu. Provavelmente por serem em chapa e não em fio, como as que tinha feito anteriormente, devo ter retirado demasiado metal. Foi preciso retirar aquela e soldar uma nova. Não custou muito mas a maldita mancha cinzenta voltou a aparecer e tive de polir tudo de novo. Ficaram alguns pequenos poros aqui e ali que foram impossàveis de evitar mas quando o professor diz que estou a ser demasiado perfeccionista tenho de aceitar e deixar de obcecar por isso 🙂
Por fim lá terminei o anel e até fiquei satisfeita com o resultado. É muito volumoso, mas como a pedra era grande precisava de uma base com um aspecto sólido o suficiente para a sustentar.
English:
As my first piece for the jewellery professional course I made a hollow ring. The main difference to the previous ring is that this one has an inner tube while the other had only the walls. It’s a more comfortable ring this way but it has additional technical difficulties.
You begin, as always, from the inside out. Since the ring has a fixed size, the inner tube must fit the finger and so you start with that. I made the inner tube from 0,5 mm silver sheet metal.
The walls of the ring now have to fit snugly on top of the inner tube. I made a 2mm square wire and turned it into a 1×2,8mm strip by putting it through the rolling mill which flattens and stretches the wire. It’s not necessary to use such a thick wall but it adds stability and it’s also handy in the final stages because you can sand it freely without making it too thin.
The strip is then bent into a circle. Bending a metal strip along the thicker edge is a tricky business. I had to grab it with two pairs of pliers and force it along, bit by bit, always very careful not to let it bend the wrong way. When I finally managed to form two circles of approximately the right size, I cut them slightly smaller than the size I needed because I still had to hammer them into shape and that process will stretch the metal further. the inside will also need to be filled to remove any dents, which will also increase the inner diameter. So the size of the ring should be about 1,5mm smaller than the size of the inner tube.
When they were done, I soldered the circles shut, hammered them on a ring mandrel to make them perfectly round and filled them so that the underside would be thinner than the top, to make the ring more comfortable.
With the walls complete, I made a new silver tube, this one for the outer shell. At this stage you must decide if the ring is going to be all the same thickness, if it will be flat or rounded. I decided to make the ring thinner on the bottom and thicker on top, again for a matter of comfort, but I left the surface flat.
The walls were then soldered to the shell. I started by soldering only one point in the circle so I could adjust the rest of it to the correct position before soldering the whole thing. At this stage it’s advisable to use a great deal of solder because if you use too little you risk having gaps later on because even if you protect each previous joint during subsequent soldering, the solder still tends to move a little each time. Small pores may also show up on the solder joints if there’s any dirt present when soldering. Keeping the metal clean is extremely important.
With both walls soldered to the outer shell, I inserted the inner tube and marked a line around the edges where it will be later soldered and cut. I defined the inner perimeter this way. within that perimeter, I marked and drilled several round holes in a random pattern using drill bits of different sizes. It’s a decorative detail but it’s also a practical matter. Hollow rings need to have at least one opening because when you solder it shut, gases build up inside the ring and if there isn’t an exhaust hole, it will explode. To help drill the holes, I placed the tube in a wooden holder that stabilises the ring while drilling. I soldered the inner tube to the walls and cut away he excess metal. The ring base was concluded. A ring without a stone would be concluded at this point, apart from filing and polishing.
For this ring it was time to make the stone setting. The gemstone i selected was a beautiful amethyst my mother-in-law gave me for Christmas last year. For the base, I flattened some 2 mm wire on the rolling mill until I had a 2,80×0,65mm strip, and formed an oval shape that could not be seen when you looked down from the top of the stone. Since the stone was very high, I had to cut away some of the ring shell and walls to sink the setting into it. This part took the longest because it had to be a very tight fit so I had to file away some of the metal, test the fit and then repeat over and over again until it was done. I soldered the stone setting to the ring base and then soldered some half circles to the bottom of it, to cover the parts that protrude beyond the ring.
I also cut away an oval shape in the inner tube so that light could shine through the gemstone. It’s something that should always be done for transparent or translucent stones. Finally I soldered the claws onto the stone setting. The claws were made from a 0,88×1,9mm strip, formed by flattening 1,5mm wire. I formed a U shape which allowed me to stabilise the wire and solder the claws in pairs. I soldered the first one then checked the position of the other before soldering it as well.
With all the main soldering done, it was time to perfect the ring. This meant filing away joints, solder piles and edges. When the outer shell was clean I made a small gold nugget and rolled it first into 2,5 mm square wire and then flattened it into a 3,40×0,60mm strip. I soldered this strip to the centre of the shell, all around the ring. The ends lifted slightly and were soldered to the top of the stone setting, leaving a little gap on the sides.
Finally I finished filing and sanding the whole ring and began polishing. The worst part about polishing silver is removing firestain. Firestain is a grey stain that forms just beneath the surface of silver during soldering, due to the oxidisation of copper present in the metal. To remove it you have to also remove all the metal till bellow the stain, by using tripoli. It’s not easy to remove it on small corners where the brushes won’t reach. After spending hours on this stage, I finally managed to remove around 90% of the stain. The jewellery we see in stores is often electroplated to cover the stain with a fine film of silver. There are other industrial methods to remove firestain but they use acids and machines that are not affordable for a small studio.
Before the final polishing stage I had to set the stone. The claws need to be filled a little on the inside so the metal bends easily over the stone. For the tip of the claw to bend completely over the stone it’s usually necessary to insert the jeweller’s saw between the stone and the metal and remove a little more metal, following the contour of the stone. Somewhere along this process I must have gotten a little overenthusiastic and one of the claws broke. Because the claws were made from a strip of metal rather than the usual wire, I may have removed a little too much metal from that one. It was necessary to remove it and solder a new one in its place. It wasn’t hard but the damn firestain that I had already removed was back and I had to polish it all over again. A few small pores were also visible that hadn’t been there before but I have to take my teacher’s word for it when he tells me I’m being too much of a perfectionist and stop obsessing over it 🙂
I finally finished the ring and was quite pleased with the result. It’s a bit big but the stone was rather large so it needed a ring that looked solid enough to support it.
Este ano só a Joana se interessou pelo Carnaval. Na sexta feira foi para a escola vestida à Elsa do Frozen, de cabeleira loira e tudo. O vestido tinha sido prenda de natal da tia Luisa e a cabeleira foi comprada pelos avós, por isso não tive trabalho nenhum este ano 🙂
Mas como não consigo ficar quieta, acabei por fazer uma saia de bailarina. Com um bocado de tule em tons de rosa e branco, e um elástico para a cintura, contruà uma saia super simples mas que ela adorou.
Na terça feira, dia de Carnaval e também de aniversário da avó paterna, a Joana vestiu a sua nova saia para ir a casa da tia Marta cantar os parabéns à avó e ver a nova prima Clara que nasceu na quarta feira. A prima Ema também estava vestida de bailarina e as duas divertiram-se imenso juntas, apesar da visita ser curta para não incomodar demasiado os pobres papás que precisam é de descanso e não da famàlia toda lá em casa.
No sábado acordei a pensar que já não ia à Gulbenkian há imenso tempo. Falámos nisso mas o tempo vai passando e nada. Precisava desesperadamente de algo diferente, de fugir à rotina, por isso fomos.
O Tiago andou felicàssimo pelo jardim a explorar todos os caminhos que encontrava, o que me causou algum nervosismo porque ele desaparecia e era preciso andar atrás dele a chamá-lo. Foi daà que nasceu a conversa de arranjar GPS para os miúdos. Presumo que no futuro já nasçam com eles incorporados mas até lá temos de nos safar de alguma maneira. Seja no casaco ou nas cuecas, à s vezes parece essencial, especialmente porque eu não posso perseguir o Tiago mais depressa sem deixar para trás a Joana que só tem 4 anos e pernas pequeninas.
Depois de uma grande volta pelos jardins, que teria sido mais agradável sem vento mas não foi má, tivemos um intervalo para lanche e casa de banho antes de visitar o museu. Eles estavam interessados no inàcio mas depressa se cansaram e estavam mais interessados em sentar-se do que olhar para arte.
Há muitos anos que já não visitava o museu e gostei de rever algumas obras e ver com outros olhos a exposição do Lalique que tem peças fabulosas com pedras lindàssimas.
Foi só uma manhã mas voltámos para casa com duas crianças estoiradas e vontade de regressar quando o tempo estiver mais simpático.
No domingo tive um impulso semelhante, mas desta vez em relação a marcar finalmente as férias deste ano. Começmos a falar nisso quando regressámos do Gerês no verão passado, e até agora não tinhamos decidido nada. Tinhamos falado em Paris e ir à Disney mas sinceramente não me estava a apetecer. Gosto mais de Londres e estava com vontade de regressar. Como o meu irmão vive em Inglaterra e está farto de nos convidar para fazer uam visita, fazia sentido juntar as duas coisas. E como já não vamos à Disney e a Joana ia ficar decepcionada, que tal visitar antes a Legoland? Ou seja, um plano que tem um bocadinho que agrade a cada um para não me sentir demasiado egoàsta por querer ir a Londres. Tàpico.
Em teoria a coisa era simples. Hoje em dias faz-se tudo online – reservas de hoteis, aviões, bilhetes e comboios. O pior é que é uma burocracia fenomenal. É preciso criar conta em cada site das companhias aéreas, a Legoland não deixa marcar o hotel pelo site se não se tiver um código postal do paàs e foi preciso fazer tudo por telefone, e escolher uma combinação de preço, hora de và´o e aeroporto que funcione, é uma dor de cabeça. No total gastámos umas 5 horas e para o fim eu já só queria desistir, chorar ou saltar da janela. Já para não falar que o custo da brincadeira implica que não há mais férias durante os próximos 7 ou 8 anos. Mas pronto, ao fim de 8 anos fechados em casa a limpar rabinhos, lavar roupa, etc, acho que já merecàamos umas férias decentes.
Sei que a Joana se vai cansar facilmente e o Tiago vai passar o tempo a dizer que é tudo uma seca, mas não quero saber. É o que disse ao Pedro: em ultima análize fazemos turnos de Babysitting e vamos dar uma volta pela cidade alternadamente. O importante é ter um objectivo. Precisava de qualquer coisa para planear, para sentir que há algo bom no futuro. Sem isso não sei o que faria.
Ultimamente tenho-me sentido triste. E quando digo triste quero dizer ter dias em que não consigo parar de chorar, nada faz sentido, sou uma falhada, não tenho futuro e visito sites que explicam em detalhe como cometer suicàdio sem fazer asneira (só para o caso de vir a ser preciso). Não interessa se alguma dessas coisas é verdade ou não. Não interessa as razões. Só vejo o lado negro.
Passei anos a dizer que não tinha tendências depressivas porque as minhas fases de tristeza são geralmente passageiras e por uma razão clara. Nunca cheguei áquele ponto em que não consigo levantar-me da cama seja pelo que for. Pelo contrário, compro rigorosamente as minhas obrigacões e tarefas, independentemente do estado de espàrito. Ansiedade tenho certamente mas depressão nem por isso. Sempre que ficava triste arranjava algo que me permitia dar a volta à questão, nem que fosse ficar furiosa comigo mesma por estar a ser tão parva.
Aquilo que tenho sentido ultimamente vai bastante além da tristeza normal e ocasional que todos temos e nunca tinha estado assim antes, nem percebo muito bem porque é que me deu para isto agora. Razões há muitas, mas para quem já perdeu um filho e não chegou a este ponto, porquê agora?
A maior parte o tempo tenho uma máscara impenetrável que me permite interagir com o mundo exterior e bloquear grande parte das minhas emoções, mas se fico sozinha é impossível continuar a fazer de conta e não sei como parar, como me sentir melhor. Tenho tendência para desatar a chorar sem provocação e grande dificuldade em evitá-lo nas situações mais inconvenientes, como em público ou a meio de uma aula. O isolamento, que nunca me fez impressão antes, passou a ser uma coisa verdadeiramente opressiva, mas ao mesmo tempo a última coisa que quero é ter de falar com alguém porque isso implica que lá vou ter que fazer de conta que está tudo bem. Sei, racionalmente, que a minha vida não é metade do drama por que muitos passam mas há alturas em que isso não faz a mais pequena diferença. Enfim, nada que se possa dizer quando nos cruzamos com alguém na rua que pergunta “então, tudo bem?”
Falei com o Pedro, que tentou ajudar, mas nestas coisas acho que pouco ajuda. Ele sabe bem como isso é e eu, que tenho o defeito de entrar sempre em modo de resolução de problemas, também já aprendi que tentar resolver os problemas dos outros é inútil. Podemos ouvir ou dar um abraço e pouco mais. A única coisa que me fez parar a choradeira foi um telefonema de uma amiga que me deu uma pequena tarefa para fazer. O facto de ser forçada a colocar de novo a máscara e de me sentir momentaneamente útil, de ter um objectivo a cumprir, apesar de ser por algo mànimo, ajudou a controlar a espiral descendente por alguns instantes.
Ao fim do dia, com uma dor de cabeça monumental, os olhos inchados e vontade de desistir de vez, dei a mim mesma permissão para tentar lutar contra esta tendência por mais uns dias antes de admitir derrota.