Remodelação do atelier

Viver num último andar tem algumas desvantagens. uma delas é o risco de infiltrações. Há algum tempo começámos a notar humidade no canto do meu atelier. Essa humidade alastrou e transformou-se numa parede completamente encharcada. Fizemos obras no telhado para alargar a caleira, que não tinha caudal suficiente para suportar as chuvas mais intensas, e o problema parece ter ficado resolvido. O problema é que a parede por dentro ficou uma desgraça. O estuque apodreceu todo e tinha de ser substituído.

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Em cima, o estrago causado pela infiltração. Em baixo, o que foi preciso partir.

Assim, em Dezembro, fizemos uma obra para substituir o estuque e pintar a sala. A princípio tentei fazer eu, mas quando percebi a verdadeira extensão do estrago achei que era melhor contratar profissionais.

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Foi necessário desmontar e retirar todos os móveis da sala. A casa ficou um caos, com móveis e caixas por todo o lado. Tive de encontrar um cantinho na sala para conseguir trabalhar.

Como foi preciso tirar tudo da sala resolvi que era a altura certa para reorganizar o atelier e por aquilo não só mais funcional como também mais bonito. Criei um quadro de Pinterest com montes de ideias e comecei a planear.

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Em cima, o estuque novo e em baixo, a sala pintadinha.

Comecei por pintar o interior das estantes com o turquesa claro. Primeiro tentei usar vinil mas não gostei do resultado, por isso optei por esmalte aquoso.

Pintei o fundo das estantes na cor escolhida.

Aquilo que mais gostei nos exemplos que vi foi o painel perfurado. Comecei por comprar dois mas acabei com três, para ocupar grande parte da parede por cima das mesas. Ter as ferramentas e alguns dos materiais à vista e à mão torna o processo de criação muito mais eficiente e a limpeza muito mais rápida. Pintá-lo da mesma cor das estantes era inevitável.

Por cima do painel coloquei uma prateleira a todo o comprimento da sala que é excelente para expor as minhas jóias.

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Depois pensei no que queria colocar em cada caixa e qual a melhor colocação. Aquilo que uso com mais frequência está mesmo atrás da cadeira e as caixas que são apenas de arrumação de materiais menos usados ou de peças prontas ficam mais para cima. A prateleira de baixo é onde arrumei os livros e outros materiais de referência.

Algumas das caixas que estão sempre abertas porque ando sempre a tirar ou por coisas lá dentro, como as das canetas ou dos cortadores da sizzix, ficaram mesmo sem tampa para evitar ter um elemento inútil que só atrapalha.

Alguns materiais mais coloridos, como os marcadores, botões ou washi tape, resolvi por à vista.

Gostei tanto de pintar com spray que nem a bigorna se safou.
Gostei tanto de pintar com spray que nem a bigorna se safou.

Tentei escolher o tamanho das caixas de acordo com o que precisava de por lá dentro. Assim sendo, a caixa dos materiais de embalagem e onde guardo as máquinas fotográficas e acessórios para fotos são grandes, enquanto as caixas para almofadas de carimbo e carimbos de madeira são baixinhas. Ajustar as caixas aos materiais é muito importante para uma arrumação eficiente. Coloquei etiquetas em todas as caixas para saber o que está lá dentro.

Em dois pequenos elementos de gavetas guardei as colas, ecolines, gouaches, réguas, etc. Num módulo de gavetas com rodas que sempre tive ao pé do computador tenho o equipamento de escritório na primeira gaveta – clips, agrafador, post-its, elásticos, calculadoras, carregadores. Usei caixas de cereais cortadas para agrupar os objectos semelhantes em vez de ter tudo ao molho.

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Na gaveta do meio guardo a papelada que vai chegando para mais tarde arquivar – contas, cartas do banco, etc. na gaveta de baixo tenho os blocos A3 de papel vegetal e milimétrico assim como os projectos de peças que já fiz ou que estou a desenvolver.

Os papéis e cartolinas de tamanho A4 ficaram em suportes de revistas, organizados por cores. As folhas maiores ainda não têm uma arrumação definitiva. Por enquanto estão numa prateleira, no móvel onde tenho o forno do Fimo, o tumbler e a máquina de ultrassons. Tenho outra caixa para papel de formato A5 ou mais pequeno. Geralmente são papéis já trabalhados, para usar como fundos em projectos – pintados, com textura, embossed, etc.

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O que deu mais trabalho foi pintar as caixas. Escolhi um turquesa claro como cor para a sala e achei que as caixas todas pretas ficavam mal nesse contexto. O problema é que não podia pintar no terraço porque de vez em quando chove sem aviso e na sala só tinha superfície para pintar três caixas de cada vez.

Pintei as caixas de plástico e metal com spray e as de cartão com rolo. Acho que valeu o esforço. O Chewie estava sempre lá para ajudar.
Pintei as caixas de plástico e metal com spray e as de cartão com rolo. Acho que valeu o esforço. O Chewie estava sempre lá para ajudar.

As mesas são as mesmas que já tinha. São umas secretárias que sobraram do antigo escritório da Nitro e que tenho usado desde então. Em frente à porta fica uma mais pequena onde coloquei o computador e as impressoras. Isso permitiu-me ter uma mesa comprida livre para trabalhar nos diversos projectos. Com 1,80m de comprimento, consigo ter dois ou três projectos a decorrer ao mesmo tempo sem precisar de estar sempre a arrumar as coisas. Isso dá particular jeito quando são projectos com tintas que necessitam de tempo para secar. Assim posso continuar a trabalhar noutra coisa enquanto aquilo seca.

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Como as mesas são fundas, e apesar de não querer encher o tampo de tralha, coloquei a sizzix, a máquina de costura e o ferro de engomar na mesa para estarem sempre à mão. Isto para evitar aqueles momentos em que a preguiça é tanta que prefiro arranjar outra solução do que estar a perder montes de tempo a montar coisas.

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Ao fundo da sala tenho uma mesa mais pequena onde coloquei o laminador e serve de apoio à minha cómoda transformada em bancada de joalheiro. Ainda preciso de cortar a chapa de aço à medida para forrar a mesa mas de resto já está tudo funcional.

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Por trás dessa zona ficam as caixinhas com as pedras e contas. Basta virar-me e está lá tudo.

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Fiquei assim com 4 ou áreas de seguida ao longo da sala: computador, trabalho em papel, costura e joalharia. Por trás de cada zona da mesa estão as caixas com os materiais correspondentes.

Já fiz alguns projectos depois de ter o atelier montado e devo dizer que estou muito feliz com o resultado. É fantástico ter lugar para tudo e conseguir arrumar tudo de volta no sítio quando acabo sem grande sofrimento. Na maior parte dos casos nem tenho de me levantar da cadeira.

Ando aos poucos a tentar estender a arrumação lógica ao resto da casa e já fiz algumas pequenas melhorias, como criar uma gaveta para o papel de desenho e livros de actividades dos miúdos, colocar cabides para os panos de cozinha que andavam sempre pendurados nos puxadores das gavetas, etc mas é algo que leva tempo.

No atelier ainda falta construir uma plataforma para elevar as impressoras de forma a poder arrumar o portátil por baixo, de forma a criar mais uma área de trabalho livre para o Tiago poder fazer os TPCs quando eu estou a trabalhar em algo. E falta pendurar coisas na parede – um quadro de cortiça e algumas molduras. Enfim, pequenos detalhes finais. Mas entretanto já se pode trabalhar aqui dentro, e isso é que importa.

2 Replies to “Remodelação do atelier”

  1. Está fantástico, adoro! Excelente trabalho na remodelação, adoro a escolha da cor e nota-se bem a patinha do teu ajudante Chewie em todo o atelier, que bom ajudante que tiveste! 🙂

    1. Obrigada. Isto nos posts nunca mostra a trabalheira que as coisas realmente dão 🙂
      Foram meses nisto e ainda há coisinhas por acabar.

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