Tutorial – Recozer arame

Fiz um video que mostra como recozer arame de cobre fino. O mesmo método pode ser utilizado para recozer prata e latão. Para recozer arame mais grosso convém enrolar o arame em espiral e atar com fio de ferro para evitar que a espiral abra à  medida que o arame aquece.

No và­deo utilizo uma base de soldar perfurada e outra branca mas não é preciso ter as duas. A base também pode ser um tijolo ou azulejo resistente ao calor com um carvão por cima. Só deixei de usar o carvão porque queima muito rapidamente.

Utilizo uma chapa de aço para proteger a madeira da minha mesa, por baixo da zona de soldadura, para o caso do metal quente cair para fora da base de soldar. Tenho também tijolos resistentes ao calor a rodear a base de soldadura para concentrar o calor e evitar acidentes.

O maçarico de mão que uso no video é da Clarke Weld e foi encomendado de Inglaterra. Qualquer maçarico serve para este efeito desde que permita controlar a intensidade da chama. Para fio mais grosso ou chapa é necessário um maçarico maior que produza mais calor.

Neste caso, a chama deve estar relativamente baixa para evitar que o arame derreta, por ser tão fino. Convém também manter a chama em movimento constante para aquecer o metal uniformemente.

Depois de recozer o metal, coloco-o no là­quido de branqueamento aquecido, que é um ácido. Originalmente utilizava-se ácido sulfúrico mas hoje em dia utilizam-se ácidos mais fracos e mais seguros, que já não deixam buracos na roupa nem grandes queimaduras na pele. O meu branqueamento está num contentor eléctrico com termostato que mantém a temperatura constante. Um contentor de pirex sobre um fogão de campismo ou chapa portátil eléctrica também funciona bem mas é preciso ter atenção para não deixar aquecer demasiado porque o ácido queima e torna-se inútil.

Uso uma escova de dentes macia para lavar o arame depois de branquear porque não quero que endureça novamente com demasiada fricção. Para chapa metálica, que não sofre deste problema, utilizo uma escova de latão (catrabucha).

Aqui está o video (em inglês):

Annealing wire

I made  the above video to show how to anneal thin copper wire. The same method can be used for silver or brass and for thicker gauge wire. Thicker wire should be kept in a tight coil with the use of binding wire.

I use a honeycomb soldering base and a white soldering block, but you don’t need both. Even a heat resistant tile with some charcoal on top will do.

The wood surface of my table is protected by a sheet of steel in case hot metal falls off the soldering block. I have heat resistant bricks around the soldering area to concentrate the heat and avoid accidents.

The torch I use is a Clarke Weld mini torch, that I ordered from the UK, but any torch will do. For thicker wire you will need a larger torch that creates more heat.

Remember to keep the flame relatively low to prevent wire from melting, and keep the flame moving. The point is to heat the whole surface evenly.

After heating the wire I place it in a warm acid bath for a few minutes to clean the metal. I use safety pickle in an electrical container that keeps the temperature steady but a glass container over a heat plate will also work. Just remember to turn off the heat when you see vapour coming up. The acid will burn if it gets too hot and will become worthless.

I use a soft toothbrush to wash the wire because I don’t want to harden it again with too much scrubbing. For sheet metal, which doesn’t have that problem, I use a brass brush.

Dicas para wire weaving – sampler e formas de segurar os arames

Recentemente voltei ao trabalho em arame.

A joalharia é muito gira mas requer estar sentada na bancada, com a gaveta aberta sobre as pernas, a serrar, limar, polir, etc. à€s vezes apetece-me variar com algo que não requer tanto material ou postura tão rà­gida. O trabalho em arame é ideal nesse sentido. Só preciso de arame e dois alicates. Posso sentar-me no sofá a ver tv e vou fazendo uns pendentes. A técnica de wire weaving (tecer com arame), em particular, é algo demorado e repetitivo e é sempre bom ter alguma distração para parecer menos trabalho.

Para me ajudar no inà­cio de um projecto de wire weaving, em particular a escolher o padrão que quero usar, fiz um sampler das várias tramas. Quem conhece os meus posts anteriores sabe como gosto de ter tudo organizado e fazer samplers dos materiais, cores, pedras, etc, que tenho disponà­veis.

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Quando começo uma peça nova, especialmente quando tenho de trabalhar com muitos arames ao mesmo tempo, gosto de usar o punho de madeira para segurar os arames. Dá estabilidade e poupa-me as mãos que, sem aquilo, têm de fazer muita força para não deixar fugir os arames.

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Este punho de madeira é muito usado na joalharia para segurar anéis ou pequenas peças de chapa metálica enquanto se lima, mas é também uma grande ajuda para quem trabalha com arame.

A alternativa mais usada por quem não tem esta ferramenta é prender os arames com fita de pintor. Outros utilizam pinças ou grampos e até forceps cirúrgicos. É preciso sem criativo para poupar os dedinhos.

Wire weaving tips – sampler and ways to hold your wires

I’ve recently returned to wire work.

I love silversmith projects but I have to sit at my bench, with the drawer open over my legs, while I saw, file or polish. Sometimes I just want to get out of there for a bit and wire work is ideal because it doesn’t require a lot of tools. I can pick up a couple of pliers and some wire and sit on the couch, watching tv while I make a pendant. Wire weaving in particular is a very repetitive technique and it usually takes a few hours to complete a project, so it’s nice to be comfortable and entertained while I do it, otherwise it might start feeling like work.

To help me get started on a wire weaving project, in particular to help me choose the weaves I want to do, I decided to make a sampler. I folded a wire in half, with a loop on the folded side, so I can hang all the samples on a safety pin, so I don’t lose any.

Another tip I’d like to share is how I hold all the wires together when I start a weave. My favourite tool is a wooden ring clamp. It secures all the wires in place without marking them and I don’t hurt my hands trying to hold everything in place with just the strength of my fingers. The ring clamp is used a lot in silversmith work, to hold rings or small bits of sheet metal while filing and it can be very helpful for wire work as well.

Other alternatives for holding the wires in place are painter’s tape, spring clamps and even forceps. The important thing is to find ways to prevent too much stress on your hands and wrists.

O mito do feminino

Sabemos que as mulheres estão constantemente a ser bombardeadas com imagens dos media que as tentam a toda a força convencer que há qualquer coisa errada com o seu corpo, cara, estilo de vida, etc. Fazem-no para vender produtos – roupa, cosmética, etc – mas alguma vez pensaram na raiz do problema? O que deu origem a esta imagem deturpada do feminino?

É muito simples. Vivemos numa sociedade baseada na ameaça de violência fà­sica. Os homens são, na generalidade, fisicamente mais fortes do que as mulheres por isso eles é que ditam as regras. E as mulheres é bom que obedeçam, senão…

Não quero com isto dizer que a maioria dos homens ande por aà­ a pensar nisto e a tentar fazer as mulheres cair no molde. É mais subtil que isso. É algo que se tornou norma há tanto tempo que já ninguém pensa nisso, especialmente os homens.

As mulheres passam o tempo a tentar encaixar nas noções deturpadas de feminino porque todos queremos que gostem de nós. É uma necessidade humana básica. E quando crescemos com o mundo a dizer-nos que para gostarem de nós temos de ser bonitas e atraentes, não é difà­cil perceber de onde vem tanto empenho para chegar ao “ideal” que nos é imposto.

Essa ameaça fà­sica também funciona entre os próprios homens, que estão sempre em modo competitivo para provar que são mais fortes, viris, ricos, espertos, competentes, do que todos os outros. É o chamado “dick waving”. É a origem da maioria dos conflitos humanos desde sempre, até os da religião. Citando o fabuloso George Carlin, “My god has a bigger dick than your god”.

Como são fisicamente mais fortes, os homens definiram o que é “ser homem”, ou seja, as caracterà­sticas da masculinidade. Não é uma lista realista ou fácil de atingir, que resulta no conflito mencionado anteriormente.

Por contraste, e porque as coisas são mais fáceis de digerir quando encaixam em categorias bem definidas, os homens definiram também o que é o feminino. Mas não se basearam nas mulheres. A ideia de feminino vem apenas do contraste com o masculino. Ou seja:

Os homens são fortes e grandes portanto as mulheres têm de ser fracas e magras

Não interessa que haja mulheres mais fortes do que alguns homens. As mulheres não podem ser musculosas porque isso “não é atraente”. Como as regras são feitas pelos homens, ser atraente deve ser sempre a primeira prioridade da mulher. Portanto as mulheres são encorajadas a manter-se em forma, para não ficarem gordas – a maior ofensa que uma mulher pode oferecer à  sociedade, aparentemente – mas sem nunca desenvolver músculos visà­veis porque isso já não fica bem, é feio etc. É também uma forma de ter a certeza que as mulheres não se tornam uma ameaça ao poder masculino. Por contraste, os homens podem ser gordos à  vontade sem ofender ninguém porque um homens grande, seja com músculo, seja com gordura, é visto como forte e protector.

Até o vestuário e calçado feminino considerado mais atraente tem sido, ao longo da história, feito para manter a mulher controlada. Não se pode fugir de um atacante quando se usam saltos altos, saias até aos pés, espartilhos, etc.

Os homens são altos, por isso as mulheres são baixas

São inúmeras as histórias que já ouvi de mulheres a queixarem-se, com desgosto, que cresceram de repente na adolescência e ficaram mais altas dos que os rapazes todos. Que andavam dobradas para parecer mais baixas. Uma caracterà­stica que nos homens é assumida com orgulho, nas mulheres é razão de ansiedade e vergonha.

Os homens desenvolvem pêlos no corpo e rosto na puberdade, por isso as mulheres devem ter uma ausência total de pêlos

O tempo que uma mulher passa a fazer depilação é escandaloso. Chegou-se a um ponto em que nem a zona púbica se escapa, e se restam alguns pelos nessa área é preciso dar-lhes nomes tipo “landing strip” que fazem questão de sublinhar que só lá estão para chamar a atenção masculina para a zona genital, tipo seta em neon.

Os homens são inteligentes por isso as mulheres são parvinhas e ingénuas

Já ouviram piadas de loiras? Pois. E não há homens loiros no mundo? Claro que sim, mas aparentemente só as mulheres são atacadas pelo gene da estupidez. Porquê? Porque o cabelo loiro é considerado atraente mas uma mulher com opiniões e vontade própria não é, portanto as mulheres “desejáveis” têm de ser reduzidas a bonecas insufláveis para não serem intimidantes.

As mulheres, quando falam, raramente são levadas a sério e têm de estar sempre a desculpar-se por ter opiniões. Quando dizem algo claramente inteligente que não agrada aos homens são criticadas pelo aspecto fà­sico, como se uma coisa estivesse ligada à  outra. São inclusivamente criticadas por outras mulheres por terem a audácia de se chegar à  frente, como se a sua opinião de “mera” mulher contasse para alguma coisa. A nà­vel profissional este tipo de pressão para calar a opinião feminina é extraordinariamente claro e visà­vel. É a forma de controlo e rebaixamento mais frustrante com que uma mulher se depara.

Há muitos mais exemplos, mas acho que já chega para dar a ideia. Como espécie relativamente evoluà­da que somos ou acreditamos ser, acho que está na altura de acabar com estas noções arcaicas e construir um futuro de maior igualdade.

Pendente chave – cravação em coroa

Esta foi a peça onde comecei definitivamente a juntar as técnicas de joalharia ao design com os elementos e temas com que mais me identifico. Todas as peças são criadas a partir de escolhas pessoais – se gostamos mais de formas com bicos ou só curvas, grande ou pequeno, etc – mas aqui começou a solidificar-se aquilo que considero o meu estilo de jóias: uma mistura entre chapa e fio, com a pedra lindà­ssima como elemento central, oxidação da prata e muito detalhe e textura. O tema da chave ornamentada vem da inspiração steampunk, que me atrai há muito.
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Como o exercí­cio principal desta peça era criar uma cravação em coroa, comecei por escolher a pedra. Usei um topázio amarelo triangular que comprei na FIA há uns dois anos. A pedra foi cara mas gostei tanto do formato, cor e lapidação que não resisti a comprar. Uma pedra destas merecia uma peça especial, por isso desenhei diversas chaves até chegar a um projecto que me agradava. A “cabeça” da chave é também triangular, seguindo a forma da pedra.
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Comecei pela cravação da pedra, que iria determinar as dimensões do resto da peça. Apesar de ter feito o projecto à  escala real, é sempre bom ter o elemento central primeiro para ter a certeza que não fica demasiado apertado no final. Sem a cravação é mais fácil fazer pequenos erros de escala se não tivermos experiência ou cuidado suficientes.

Para a coroa usei chapa de 0,5 mm com a altura do pavilhão (parte de baixo da pedra, afunilada). Formei um triângulo com cantos arredondados, seguindo a forma e tamanho da pedra. Numa cravação de garras, esta base tem de ficar um pouco mais pequena do que a pedra porque as garras são soldadas por fora. No caso da cravação em coroa, o tamanho é um pouco maior. A pedra não pode caber completamente dentro da cravação mas quase.

Fazem-se cortes espaçados à  volta da chapa, primeiro com a serra e depois com a lima triangular. Esses cortes são depois alargados e arredondados com uma fresa ou lima de meia cana, formando assim as garras e a forma de coroa. No enfiamento vertical das garras são também cortadas pequenas fendas em baixo que são igualmente arredondadas para dar a ideia de pequenos Us entre cada duas garras. Vai-se limando a chapa até a forma estar aperfeiçoada. Por fim limam-se linhas verticais no centro de cada garra para parecer que estas são mais finas e o resultado ser mais delicado.

Devo dizer que, pelo menos na primeira vez, este foi um processo demorado, de grande cuidado e paciência. Nos cantos, em particular o que tem a soldadura, é preciso muito cuidado para não limar demasiado porque o ângulo é maior e a lima tem tendência a gastar mais metal de uma só vez.

Assim que a forma está regular e redondinha, faz-se uma forma igual em fio quadrado de 1 mm que é soldado por baixo da chapa, servindo de base à  coroa. É a este fio quadrado que vamos depois soldar os restantes elementos.
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Com a cravação feita foi a vez de começar a construir a chave. A estrutura geral foi feita em fio quadrado de 2 mm. Por dentro da linha curva do topo soldei um fio torcido. O torcido é feito a partir de dois fios de 0,8mm (ou um fio dobrado ao meio). Uma ponta é presa no torno e a outra no porta-cavilhas. Vamos rodando o porta-cavilhas, torcendo os fios e dando calor com o maçarico nas zonas que vemos que não estão a enrolar tão bem como o resto.
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O pé da chave foi feito com o mesmo fio quadrado de 2 mm e fio torcido. A junção do pé com a cabeça foi coberta com uma caixa composta por duas chapas de 0,5 mm em U curvas (uma em cima e outra em baixo) e duas paredes laterais, ou batas, com 0,8 mm de espessura. Primeiro soldam-se as laterais à  chapa de base e só depois se coloca esta estrutura no sí­tio para soldar a “tampa”. Para conseguir que as laterais, ou batas, fiquem verticais sobre a base, faz-se uma só bata em U e depois de soldar ambos os lados desse U corta-se o excesso.

Esta parte foi a mais complicada porque a solda inicial, que fica por dentro, não se consegue isolar e volta a correr quando se aquece novamente, o que na primeira tentativa entortou a chave e foi preciso repetir o processo com maior apoio nessa zona. O ideal será soldar com a peça assente em gesso para ter a certeza que não mexe.

Por cima dessa caixa coloquei mais um fio redondo e outro rectangular, com fim decorativo.
Na zona de baixo da chave, em vez de dentes criei uma peça decorativa com caracóis e S em fio redondo de 1 mm. Soldei também três pequenas secções de fio rectangular com 1,5 mm de lado e 0,45 mm de espessura sobre o pé, para dar mais detalhe a essa zona.
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Com a estrutura montada foi a vez de fazer os caracóis em S que iriam ligar a cravação à  estrutura. Foi um bocado como fazer filigrana só que com um fio mais grosso. Usei o mesmo fio de 1 mm para ter a certeza que a peça tinha estabilidade. Fiz também pequenas bolinhas de prata para preencher os cantos e dar um pouco mais de variedade (tudo isso já previsto no projecto inicial).
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Tendo o cuidado de isolar muito bem todos os caracolinhos com corrector, para não derreterem, soldei a cravação e por fim criei um L duplo em fio de 1 mm para servir de bilheira (peça de suporte por onde passa a corrente).

Para terminar a cravação é preciso fazer pequenos cortes no interior das garras para sustentar a pedra. Estes cortes têm de estar todos à  mesma altura e não podem ser demasiado fundos para evitar que as garras se partam ao dobrar sobre a pedra. É um processo que requer paciência e rigor.
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A peça foi oxidada e depois polida. O óxido fica nas reentrâncias, dando mais profundidade e realce ao relevo. O ultimo passo é a cravação da pedra e polimento da cabeça das garras, assim como eliminar algum risco accidental que tenha ocorrido durante a cravação.

Para cravar a pedra empurram-se as garras com cuidado, uma a uma, até assentarem na pedra. Se alguma ficar muito no ar pode-se passar a serra entre o metal e a pedra para gastar mais um bocadinho. Isto só se deve fazer se a pedra tiver dureza suficiente. Se fosse uma turquesa, por exemplo, não se poderia fazer isso porque a serra riscaria a pedra. Para verificar se a serra é segura com determinada pedra, consulte a minha tabela de durezas na escala de Mohs. As lâminas da serra são geralmente feitas de aço temperado, pelo que andam à  volta de um 7 na escala de Mohs. Isso quer dizer que já é arriscado usar a serra com uma ágata e completamente desaconselhado para pedras mais moles.
Fiquei muito satisfeita com esta peça e inspirada para fazer variações sobre o tema.

Key Pendant – crown setting

This was the piece where I finally began joining silversmith techniques with the elements and themes I most identify with. All jewellery pieces are designed from a personal perspective – whether we prefer pointy or round shapes, large or small, etc – but here I began to solidify what i feel is my style of jewellery: a combination between sheet metal and wire, with a gorgeous stone as the focal point, oxidized silver and lots of details and texture. The idea of the key comes from my appreciation of steampunk imagery.

As the main goal of the piece was to create a crown setting, I started by sellecting the gemstone. I used a lovely yellow topaz I had bought at an International crafts fair a couple of ears earlier. The gemstone was expensive but I liked the shape, color and cut so much I couldn’t resist buying it. Such a gemstone deserved a special setting, so I drew several keys before getting to a project I liked. I was particularly inspired by the amazing work of artists like Iza Malczyk. The head of the key follows the triangular shape of the stone.

The crown setting would determine the size of the other elements, so I started there to make sure the fit wouldn’t be too tight in the end. Even when the project is at a scale of 1:1 it’s good to have a physical element to help get the rest of the measurements right, especially because a drawing won’t give you the exact notion of metal thickness, for example. It’s tempting to start from the outside in but you risk making sizing mistakes if you’re not experienced or careful enough, so I took the safest route.

For the setting I used silver sheet with a thickness of 0,5 mm (24 AWG) and the height of the stone pavilion (the lower, tapered part of the stone). I formed a triangle with rounded corners, following the shape and size of the stone. When doing a prong setting you have to make sure the bezel is a little smaller than the stone because the prongs are soldered on the outside and should run straight up the side of the stone. In a crown setting like this one, you have to make the bezel a little larger. The stone shouldn’t fall down the middle but almost.

I decided how many prongs I wanted and made cuts between each one with a jeweller’s saw. Then I enlarged the cuts with a triangular file. These cuts are further enlarged and shaped with the help of round and half round files until you have a crown shape. At the bottom of the bezel, aligned with the middle of each prong, I made cuts that were also rounded and refined until the bezel looked like it was formed by several U shapes side by side. You just keep filing the metal until you get the shape right. It’s a long and careful process. Finally I filed vertical grooves from top to bottom, at the center if each prong. This is merely a decorative step to make it look like the prongs are thinner and more delicate than they actually are.

All this was a long and careful process that took great care and patience. At the corners I had to be especially careful not to file too much because the tighter angle makes it easier to remove more metal in one go.

As soon as the shape was all nicely regular and rounded I made a similar triangular shape out of 1 mm square wire for the base of the crown setting. It’s this square wire shape that is going to be soldered to the remaining design elements.

With the stone setting completed I was able to turn my attention to the rest of the design and start building the key. The overall structure was made from 2 mm square wire. Inside the top frame I soldered a twisted wire. It was made by twisting two 0,8 mm (20 AWG) wires together (or one wire folded in half). One end of the wires is attached to a pin vice and the other to a bench vice. You turn the pin vice and apply heat with the torch as you go to keep the twisting even and prevent the wires from breaking because they harden as you twist.

The long part of the key was made with the same 2 mm (12 AWG) square wire and twisted wire. I covered the area where this part meets the head of the key with a small box-like component made from silver sheet. I cut two U shape pieces out of 0,5 mm (24 AWG) sheet and curved them. I made the side walls out of another U shape (out of square wire). This helps to keep both walls in place while soldering. If I tried doing one at a time it would be a lot harder to solder them vertically. When the walls are in place, I covered the key skeleton and soldered the “lid” in place.

This part was the hardest because, as you heat up the “box”, the inner solder also heats up and wants to run. On my first try the key got all twisted and I had to try again with better support for all the different parts. I should probably have stabilized it in plaster to prevent such an issue.

The box componente was a bit bare so I decorated it with some bands of round and rectangular wire.
At the bottom of the key, instead of the traditional teeth, I made some wire swirls out of 1 mm round wire. Na zona de baixo da chave, em vez de dentes criei uma peça decorativa com caracóis e S em fio redondo de 1 mm. I also soldered three small sections of 1,5 mm x 0,45 mm rectangular wire around the long stem to add detail to the area.

The main structure was done so it was time to make the swirls that would connect the stone setting to the rest. It was almos like making filigree only with thicker wire. I ised the same 1 mm wire for stability. I also made some small silver balls to fill the negative space in the corners and add more detail.

To prevent the wire swirls from melting as I soldered each one, I covered them with correction fluid (it gets the metal dirty so it doesn’t melt as easily and previous solder doesn’t run). Swirl by swirl I soldered the setting to the base. Finally I created a double lower-case handwritten L shape out of 1 mm round wire to work as a bail.

To set the stone I had to make small cuts on the inside of the prongs, to keep the stone in place. These cuts need to be all at the exact same height and can’t be too deep to prevent the prongs from breaking when they bend over the stone. It’s a process that requires patience and precision.

The key was oxidized with liver of sulfur and then polished. The patina remains in the crevices and adds depth to the textures. The last steps are setting the stone and polishing the prongs to remove any accidental scratches made during the setting process.

The stone is set by carefully pushing each prong until they meet the stone, while making sure it remains level. If any of the prongs refuses to bend completely, you can take the jeweller’s saw and run it between the prong and the stone to remove a bit more metal and make it easier to bend. This should only be done if the stone is harder than the metal of the saw. It’s fine for quartz, topaz and other harder stones but you should be careful with anything softer – it’s risky for agates and mus’t be done at all with a turquoise or pearl. To check if the saw is safe around the stone you’re using, check out my mohs scale chart. Saw blades are usually made from hardened steel, so they fall around 7 on the Mohs hardness scale.

I was very happy with this piece and inspired to make variations on the theme.

O fim de uma geração

Ontem fui ao funeral da minha avó Cândida, que morreu ao final da tarde de 3 de Outubro, com 96 anos.

Era a última avó que ainda me restava e uma das poucas pessoas verdadeiramente boas que conheci. Ficam-me as recordações de infância, dos verões passados com ela a aprender a costurar e a fazer malha e filhoses, da paciência e disponibilidade que tinha para os netos.

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Apesar da sua vida doméstica, simples e pacata, viveu em diferentes cidades e até continentes, e criou três filhos. Acreditava em partilhar o que tinha e ajudar os outros.

Foi difà­cil assistir ao seu declà­nio durante os últimos anos em que aos poucos foi perdendo as faculdades que lhe permitiam relacionar-se e comunicar com o mundo e em particular a famà­lia. Teve nas minhas tias, principalmente, um apoio constante e dedicado que lhe permitiu continuar em casa até poucos meses antes de morrer, altura em que o seu estado era já demasiado debilitado para o cuidado recair apenas sobre a famà­lia.

Ontem foi um dia triste mas de certa forma custava mais vê-la naquela fase terminal em que já não se reconhecia a pessoa que nós conhecemos e amámos. Acredito que teve uma boa vida, com famà­lia e amigos que gostavam dela e a respeitavam.

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