Um bocado farta do inverno

Há muito tempo que prefiro o inverno ao verão. O frio dá energia enquanto que o calor tira qualquer vontade de fazer seja o que for. Infelizmente, nos últimos dois anos, os invernos têm sido penosos porque o Tiago está sempre doente. Nuna é nada muito grave mas não deixa de ser cansativo ter o miúdo de nariz a correr desde Outubro até Abril, com febre semana sim semana não, tosse constante e muitos dias sem poder ir à escola.

A semana que passou foi exemplo disso mesmo. Na quarta feira começou com uma febre baixinha que foi subindo até chegar aos 40 na sexta à noite. Sábado começou o antibiótico, que ainda está a tomar, e só fiquei convencida que estava mesmo sem febre na terça.

Ontem voltou à escola com a birra habitual do menino que agora prefere mesmo é ficar em casa porque já não se lembra que até se diverte na escola. Assim que lhe disse que ia para a escola, só queria colinho e acabei por me esquecer de lhe dar o antibiótico e tive de voltar à escola quando eles já estavam a almoçar. Felizmente consegui que ele não me visse e a educadora lá goi dar o xarope enquanto eu esperava.

Na escola fez uma grande choradeira e não queria largar o pai mas acabou por ficar e ao fim do dia já era o contrário: não queria voltar para casa. Em vez de mudar os sapatos e vestir o casaco, voltou para a sala e foi-se sentar no tapete para ouvir mais uma história. Eu lá esperei e finalmente acabou por colaborar sem mais fitas.

A semana foi então dedicada quase exclusivamente a babysitting. Fizemos bolos de plasticina que no fim vão ao forno de brincar, vimos muita televisão naquelas fases em que a febre subia e o Tiago não conseguia fazer mais nada – ainda tentava ir brincar mas acabava deitado no chão a abanar um carrinho para a frente e para trás, a sentir-se mal demais para se sentar sequer – brincámos com carros, lápis de cor, autocolantes, lemos livros e assustámos o boneco do Mickey inúmeras vezes com a pantera de peluche.

Devo dizer que brincar com o Tiago se tornou bastante mais simples nos últimos tempos, apesar de não poder sair do uarto sem ele vir imediatamente atrás de mim a convencer-me a voltar para trás. Coisas como ir à casa de banho ou ir rapidamente ver o email são geralmente com companhia e perguntas tipo ‘o que estás a fazer?’.

A um mês do seu terceiro aniversário, o Tiago já diz muitas frases. nota-se alguma confusão quanto aos tempos verbais mas de resto faz-se entender muito bem. Geralmente tem tendencia para imitar aquilo que nos ouve dizer em vez de traduzir para a primeira pessoa, ou seja, ainda diz ‘faz tu’ quando quer dizer ‘faço eu’ e farto-me de rir quando se põe a queixar ‘doi alguma coisa!’ que é a pergunta que lhe faço quando está doente, mas depois responde o que doi quando pergunto.

Nos últimos dias tem dormido a noite inteira, excepto a passada noite em que voltou a acordar às 4 da manhã e foi para a nossa cama. O pai anda a fazer exercício todas as noites por isso estava demasiado pedrado para conseguir levar o Tiago de volta para a cama e ele não aceita que seja eu – a noite é do papá e manda-me muitas vezes sair do quarto quando é hora de dormir.

O Tiago já começou a ter paciencia e atenção suficiente para ver um filme de animação inteiro e seguir a história e nos últimos dias tem andado a ver os 101 dálmatas repetidamente. A repetição é uma característica típica das crianças e depois passa essa fase e ganha nova obcessão. Eu continuo a ser um bocado assim com algumas coisas, por isso compreendo perfeitamente – enquanto uma coisa nos diverte, porquê mudar?

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