Mudança de guarda

A nossa empregada, a Augusta, passou a ter que fazer mais horas no seu emprego principal e deixou de poder vir limpar a nossa casa na tarde semanal que fazia há cerca de uns 10 anos. Eu tinha imensa confiança na Augusta que é tímida mas honesta, eficiente e com uma ética de trabalho como não se vê muitas vezes e ao fim de tanto tempo quase que fazia parte da família. As crianças já a conheciam e eu já há muito tinha conseguido ultrapassar aquela sensação desagradável de ter uma pessoa estranha cá em casa. Ao longo dos anos trocámos histórias, ajudei-a a preencher o IRS, ela trazia iogurtes para os miúdos, etc. Tenho pena que não possa continuar connosco e esperava que a despedida fosse emocional mas não ao ponto de chegar às lágrimas, que foi o que acabou por acontecer. Apesar da escolha de nos deixar não ter sido minha, fiquei, por qualquer razão, cheia de sentimentos de culpa, como se devesse ter conseguido arranjar outra solução.

Hoje foi o primeiro dia da M., uma rapariga mais nova que eu, de origem romena que já trabalha para o meu irmão há algum tempo. Parece muito simpática e acho que nos vamos dar bem. Ontem o Pedro estava a gozar com a situação dizendo que eu devia pedir-lhe logo para lavar as paredes (algo que a minha mãe fez a uma empregada no primeiro dia e a senhora nunca mais voltou). Nem me passaria pela cabeça fazer tal coisa, muito menos no primeiro dia. Tinha pensado mais numa de limpar o pó por cima das estantes, etc, aspirar e pouco mais.

Ela chegou quando estávamos a preparar-nos para levar os miúdos à escola. Mostrei novamente onde estavam as coisas mas não dei nenhuma instrução particular. Ela ficou e nós fomos. Eu tinha umas voltas para dar –  enviar uma encomenda, fazer umas compras, etc – e quando voltei, adivinhem o que ela estava a fazer? A lavar as paredes com lixívia. Fartei-me de rir 🙂

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