Onde andam os novos bons actores?

Ultimamente parece que só vejo actores ingleses nas séries americanas. É o House, o Life, o Flashforward, o Lost, enfim, andam a aparecer um pouco por todo o lado. Por mim tudo bem, porque gosto de muitos destes actores (o Joseph Fiennes, nem por isso, mas os outros sim)  e já deu para perceber que se safam melhor do outro lado do Atlantico do que se tivessem ficado em casa. É pena terem de abdicar do sotaque mas não há dúvida que muitos têm assim hipótese de fazer papeis mais interessantes. O Hugh Laurie passou muitos anos a fazer lindamente papel de imbecil – o meu favorito continua a ser o King George do Blackadder –  e com o House conseguiu finalmente obter o reconhecimento que merecia e estamos-lhe grato por isso. Desde que vi o trailer pela primeira vez que soube que ia ser uma série a seguir.

Mas no meio disto penso: onde é que estão os novos actores americanos? O país é tão grande e tem uma tradução de cinema e tv tão entranhada que devia aparecer pelo menos um gajo novo com jeitinho todas as semanas. Onde é que eles andam? O Ashton Kutcher, que não suporto mas se tornou muito cotado, veio de uma série de TV e passou para o cinema mas não me lembro assim de repente de muitos casos destes que tenham acontecido recentemente. Também é verdade que vejo menos séries e filmes adolescentes do que há uns anos, mas os únicos ‘novos actores de que me lembro são o Hayden Christensen, que já anda por aí há uns anos, o Shia LaBeouf idem, temos as meninas do Gossip Girl e pouco mais.

Historicamente falando, a televisão é onde acabam os actores que estão velhos de mais para fazer papeis principais no cinema. Isso parece continuar a acontecer hoje em dia – casos obvios são a Glenn Close e o Alec Baldwin, por exemplo – mas as séries têm melhorado muito de qualidade nos últimos anos ao ponto de isso já não ser vergonha nenhuma, muito pelo contrário, dá a excelentes actores a oportunidade de continuar a mostrar porque se mantiveram no topo durante tanto tempo e outros que nunca foram assim tão famosos (como William Petersen, por exemplo) , a hipotese de mostrar o que valem.

Mas a TV era também o sítio onde começavam os novos actores a fazer currículo e não tenho visto muitos a sair da obscuridade ultimamente. Parece que têm vindo mais actores de fora – ingleses e australianos – do que aqueles novos actores americanos que conseguem meter o pé na porta. O meio sempre foi difícil e fechado mas parece-me que, tal como na música, o negócio anda a gritar mais alto do que o talento e não se está a dar grande oportunidade a que os novos mostrem o que valem, preferindo apostar em ‘material mais seguro’. Quando aparecem actores novos parece-me sempre que é mais pela bonita cara (a Megan Fox é um excelente exemplo) do que por qualidades dramáticas – ou seja, apostar mais uma vez no que é vendável.

Isso leva-me a outro ponto: tenho saudades dos filmes dos anos 70 em que os actores pareciam pessoas normais, usavam óculos e nos davam a oportunidade de acreditar que viviam no mesmo planeta que nós.

Enfim, estou a ficar velha.

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