Terceiro dia de escola

Isto era suposto ir melhorando mas hoje sinto-me mais destruida do que no primeiro dia. Depois de deixar o Tiago a chorar mais uma vez vim eu para casa chorar e ainda não consegui parar.

Ontem, quando fui buscar o Tiago ele estava bem e até já tinha almoçado convenientemente. Comecei a sentir-me um pouco mais confiante. A educadora aproveitou para comentar que ele andava por ali – fora do recinto dos bebés – porque já sabia que estava na hora de o ir buscar e que eles se habituam às rotinas. Isto veio no seguimento da conversa que tivemos quando eu fui lá pela primeira vez em que ela expressou a opinião que isso de fasear não serve de nada e que é melhor deixá-los logo lá o dia todo porque assim habituam-se mais depressa. Eu optei por deixá-lo só de manhã até ver e percebi que ela não concorda porque acha que assim vai ser necessário todo um segundo periodo de adaptação quando ele ficar também para a sesta e lanche.

Eu percebo a ideia dela e o seu ponto de vista. Se eu vou buscar o Tiago todos os dias à mesma hora, no dia em que não for ele vai passar toda a tarde em ansiedade sem perceber porque é que eu não estou lá. Fiquei então com a dúvida: será melhor começar já a deixá-lo para a tarde?

Como sou a pessoa mais indecisa e influenciável do mundo estive até hoje a pensar nos dois lados da questão e a tentar pesar o factor egoísmo – é mais egoista deixá-lo ficar lá para ter mais tempo livre ou não o deixar ficar para eu não ter tanta ansiedade? – para tentar chegar a alguma conclusão.

Por um lado ele parece que fica bem, após o choque inicial. Por outro lado duvido que consigam po-lo a dormir. De qualquer forma em termos de tempo para mim, tenho duas horas de manhã para fazer coisas fora de casa e durante a sesta consigo trabalhar um bocadinho em casa. Não é muito mais do que já tinha mas sempre é qualquer coisa. Continuo a ter algumas limitações (não dá para ir a Lisboa comprar materiais, por exemplo, que é uma coisa que preciso de fazer há meses) mas também é só uma questão de tempo.

A confiança no infantário não é uma questão que se ponha. O Tiago está a agir normalmente, continua a comer e a dormir e nem sequer anda a procurar mais atenção nem tenta passar o tempo todo ao colo. No tempo que passa comigo não notei até agora qualquer alteração de comportamento. Sendo assim, ficar ou não mais tempo no infantário é mais uma questão emocional do que outra coisa. Exactamente porque as crianças se habituam a rotinas é que não me pareceu boa ideia alterar a rotina dele de uma forma tão drástica que implique de repente passar o dia todo longe de mim quando não é preciso. E assim dorme na sua cama em vez de num sítio que ele ainda considera estranho.

No entanto, hoje de manhã saí daqui praticamente com a certeza que hoje ou amanhã iria experimentar deixar lá o Tiago para a tarde. A rotina matinal decorreu normalmente excepto pelo facto de ele ter comido menos que o costume. Mas foi sentar-se no carrinho sozinho e esteve muito bem até entrar na sala da escola. Aí começou a choramingar e não parou até eu me ir embora. Estive a arrumar roupa dele no cacifo, a dobrar o carrinho e depois tive de o entregar a uma auxiliar e sair.

Vim o caminho todo a fazer um esforço enorme para não chorar que só resultou até eu meter a chave na porta. Já nem as tarefas que defini para hoje conseguem evitar a avalanche. Já não consigo fazer de conta que não custa. Sinto que estou a forçá-lo a fazer uma coisa que ele obviamente não quer e já nem consigo ver as razões que levaram a essa decisão.

Já nem consegui pensar na possibilidade de o deixar lá para a tarde, nem hoje, nem amanhã nem no futuro próximo. Enquanto ele não demonstrar que gosta de lá estar ou pelo menos que se sente confortado por alguma das pessoas que lá trabalha, não vou conseguir deixá-lo um dia inteiro.

Agora é com ele.

3 Comment

  1. Olá Dee
    O Gabriel começou a ir para a creche muito mais pequenino, tinha só 4 meses e meio. Antes de ir eu perguntei à educadora como seria a melhor forma para a adaptação. Ela disse claramente que o bebé se adapta rapidamente e de preferência sem os pais por perto, mas deixou-nos sempre completamente à vontade para lá ficarmos o tempo que fosse preciso (os pais :), não o gabriel).
    No primeiro dia ficou uma hora, ao segundo dia duas horas que já incluia o almoço. Depois três horas e depois já ficava todo o dia.
    A adaptação é mais dos pais que dos miúdos, embora seja mais difícil na idade que o tiago tem agora, é provavelmente o período mais forte de ansiedade de separação e ele nunca teve que lidar com isso.
    Mas os miúdos também passam por fases diferentes. Houve uma altura em que eu chegava e ele não me ligava nenhuma, e pior não queria largar o colo das auxiliares, isto deixava-me triste mas sabia que ele estava bem.
    O gabriel agora, apesar de estar mais que habituado à escola deu-lhe para chorar forte e feio assim que me vê ir embora e até fugir da sala. No entanto ele estica os bracinhos para o colo das auxiliares e fica o resto do dia feliz da vida. E quando me vê chegar à tarde faz um sorriso enorme e corre para mim.
    Sobre o dormir, compreendo-te perfeitamente, o gabriel durante vários meses dormia zero na creche, depois lá se habituou e dorme a sesta depois do almoço, mas dorme muito agitado e muito menos que todos os outros meninos (em casa dorme duas sestas, num total de 3h).
    Por outro lado ao chegar mais cansado a casa também o podes deitar mais cedo e ficar com um pouco de tempo para ti e para o pedro.
    Espero que a adaptação seja rápida 🙂 para a mãe e para o filho.

  2. Olhe Dee eu não sou mãe e por isso não posso saber como será essa sua sensação de ansiedade completa. Vista do lado de fora parece-me um pouco exagerada, mas como digo, acredito que quando se é mãe isso seja simplesmente assim e pronto.
    No entanto acho que deve pensar antes de mais no bem estar do Tiago, e acredito que para ele o melhor será mesmo passar por este processo o mais rapidamente possível. Sabe, eu acho que se a Dee continuar à espera de uma reacção positiva da parte dele ao ficar na escola ainda vai ter de esperar muito… porque na realidade entre ficar lá e ficar com a mãe… a dúvida para ele não existe!
    Tenho dois sobrinhos, um já na escola (com 7 anos) e outro ainda no infantário (com 4). Ambos tiveram que passar por essa fase bastante cedo, mas ainda actualmente, há dias em que o mais pequeno fica lá com pouca vontade. Claro que a minha irmã fica toda triste, mas eu acho que faz parte do processo de crescimento eles terem que lidar com coisas que nem sempre são agradáveis e que não são aquelas que lhes apetece fazer.
    Não tente pensar apenas naquilo que ele gosta, tente pensar que está a formar um homenzinho e que quanto mais forte o fizer melhor ele resistirá aos embates futuros.
    Desculpe o texto longo e boa sorte para o resto do processo.

  3. oi,

    percebo-te tão bem!!!!!!!!!

    fiz exactamente o mm com a maria, qd decidi que aos 18m era bom para ela estar com meninos.

    durante o ano todo só foi 2 manhãs por semana, e passado um mês apenas de adaptação já me pedia para ir para lá!

    claro que toda agente acha isso estranho, em portugal, eu optar só 2x por semana e só de manhã. a questão é q eu posso e preferi.

    passados 4 meses passou a dormir tb. e não queria. mas na altura eu não conseguia ir buscá-la a meio do dia. e adaptou-se muito depressa, sei lá, uma semana, só!

    portanto não deixes que te stressem com o ritmo de adaptação. se podes e queres só meio dia, maravilha!

    felicidades*

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