A melhor fase

Fiquei com o Tiago dois dias no principio da semana e estava com medo que fosse um pesadelo porque há 6 meses, antes dele entrar para a escola, eu já estava perto de dar em doida. Ele estava já muito independente mas tinha imensos problemas a concentrar-se numa actividade mais do que 5 minutos e era preciso uma ginastica enorme para o manter entretido sem grandes birras.

Ao fim de semana não é tao complicado porque está cá o Pedro para ajudar e também podemos ir passear mais, o que reduz o tempo de potencial aborrecimento para o Tiago.

Felizmente o miúdo mudou muito nestes 6 meses e agora já consegue sentar-se a fazer colagens ou a brincar com qualquer coisa durante mais tempo e consegui passar grande parte do tempo a mostrar-lhe pormenores dos vários jogos e a sugerir para ele experimentar certas coisas com bastante sucesso e sem ele se irritar de frustração tantas vezes como costumava acontecer.

Mas os brinquedos favoritos dele continuam a ser os pais e eu tentei dar-lhe o máximo de brincadeiras físicas que consegui. Ele gosta de ser perseguido, virado de cabeça para baixo, adora brincar com o meu cabelo, especialmente puxá-lo para me tapar a cara e depois ver-me soprar, fazendo o cabelo ondular. Também gosta de me meter um boneco, bolacha, chucha ou outra coisa na boca para eu cuspir fora, de preferencia com um som tipo ‘ptui’. Farta-se de rir e repete até à exaustão. De vez em quando anda a distribuir chuchas por toda a gente, que temos mesmo que por na boca.

Acho que esta deve ser a melhor fase de ter um bebé. Ainda é pequenino o suficiente para ser fofinho mas já dá para comunicar com ele e para começar a fazer brincadeiras em conjunto. E como se diverte com coisas simples, como as descritas acima, tenho o gozo de ouvir aquelas gargalhadas maravilhosas com muito pouco esforço 🙂

Resolvemos deixar de nos preocupar com a questão da televisão porque o Tiago já aprendeu a ligar aquilo e não vale a pena fazer de conta que pertence a uma familia tradicional que come à mesa e não vê tv. Eu vejo televisão enquanto faço as minhas peças de bijutaria (ou melhor, oiço – porque raramente consigo olhar para lá) e o resto do tempo estou ao computador, tal como o pai. Comemos no sofá, de tabuleiro no colo e não vale a pena ser hipócrita e tentar convencer o nosso filho que não pode fazer o que nós fazemos.

É claro que não sento o Tiago no sofá para comer. Ele tem a sua cadeira e uma mesa. Só que a meio da refeição levanta-se, passa-me o prato para as mãos e senta-se no sofá a ver televisão enquanto espera que eu lhe dê as últimas colheradas que já não teve paciencia para comer sozinho. Resolvemos então adiar a compra do novo sofá até ele parar de entornar comida 🙂

Ainda referente à televisão, começámos a reparar que ele diz olá ao Mickey e bate palmas nas cenas certas do Little Einsteins. Manda beijinhos a todos os gatos que veja na TV, já que os nossos são geralmente muito rápidos para se conseguir aproximar (mas ainda dá uns abracinhos ao Jones de vez em quando). No fundo acha piada aos bichos, principalmente gatos e cães, mas demasiada proximidade ainda o deixa um pouco desconfortável às vezes.

A rotina da cama também parece ter-se alterado permanentemente. Anda a precisar de muitos mimos e já não dá para o por na cama depois de ler a história e sair. Agora tenho de ficar com ele ao colo um bocado, no escuro, até ele começar a fechar os olhinhos e só depois é que me deixa deitá-lo na cama. Mas pronto, é preciso ir adaptando as rotinas às necessidades dele e se ele se sente mais confortado assim melhor. Temos é que começar a preparar a ida para a cama mais cedo a contar com isto.

Na sexta feira tivemos uma reunião da escola, que consistiu em quase duas horas de filmagens do que eles fazem quando não estamos lá para ver.
Ficámos um bocadinho apreensivos ao reparar que em diversas actividades de grupo o Tiago, em vez de participar, estava algures no fundo da sala a vaguear sozinho. Hoje fui perguntar à educadora se isso era comum e se seria motivo para preocupação. Ela garantiu-me que não. Diz que nas actividades de trabalhos manuais e com música ele participa e gosta e que até segue instruções como ajudar a arrumar, etc. Às vezes pode não lhe apetecer, o que é normal. Em certas coisas como quando estão a ler livros é que se distrai com facilidade porque prefere estar ao colo (como quando está em casa) do que sentado no tapete com os outros meninos a ver o livro ao longe.

Acho que mesmo as birras não têm andado tão más ultimamente. Vou tentando conversar com ele e explicar-lhe porque é que não pode fazer qualquer coisa e quando tudo falha vou para outra sala durante um bocadinho para lhe dar tempo de acalmar. Ou ele vem ter comigo e fica tudo bem ou eu volto passado um bocadinho e geralmente já consigo falar com ele e levar as coisas para a normalidade.

O pior continuam a ser as birras na rua, quando se atira para o chão e se recusa a andar mais. Está muito pesado para andar com ele ao colo, não posso deixá-lo fazer birra e afastar-me porque ele pode correr para a estrada e sou obrigada a continuar a levá-lo de carrinho para todo o lado em vez dele andar mais a pé. É frustrante mas ainda não consegui arranjar uma solução mais prática.

Acho que ao fim de quase dois anos já consigo lidar com esta guerra constante que é educar uma criança com muito mais calma. Já não me irrito facilmente e às vezes o problema maior é conseguir não me rir com algumas das birras. Acho que é uma grande vitória para alguém com tendencia natural para gritar e partir a loiça sempre que as coisas correm mal. No fundo precisei de aprender a parar de fazer birra para poder agora ensinar ao Tiago como é que se faz 🙂

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