Final de dia com duas crianças

Resolvi registar aqui aquilo que é um fim de dia típico com os dois miúdos porque eles crescem depressa e uma pessoa acaba por se esquecer de alguns pormenores.

Tudo começa com ir buscar o Tiago á escola. Penduro a Joana ao peito, no marsupio, para não ter de navegar as ruas com o carrinho de bebé, e vou a pé até à escola. Ultimamente o Tiago tem-se portado muito bem e vem a pé o caminho todo de mão dada sem problemas. Já aprendeu mais ou menos que tem de ver se vêm carros antes de atravessar a rua e tornou-se tudo muito mais simples por causa disso.

Pelo caminho o Tiago pede geralmente um gelado ou qualquer outra coisa. Umas vezes lembro-me de levar dinheiro outras digo que não pode ser sempre. Hoje perguntou se podia tirar uma pera quando passámos na mercearia. Expliquei que era preciso pagar e não tinha dinheiro mas podiamos ir a casa buscar a carteira e voltar. Quando chegámos a casa ele já não queria voltar a sair, como é costume, por isso não insisti.

O Tiago pede então para eu ir brincar com ele. Digo que tem de lavar as mãos primeiro e ele já vai sem fita. Depois vou buscar um copo de água, porque o caminho até á escola e regresso ainda é longo, deito a Joana na cama do Tiago para não ficar sozinha e, com sorte consigo beber um bocadinho de água até o Tiago pedir qualquer coisa que me obriga a levantar outra vez – ou precisa de ir à casa de banho, ou tem fome ou quer ajuda a encontrar um brinquedo. Hoje queria os doces que vieram na mochila da escola porque um dos meninos fez anos. Disse que podia escolher duas ou três gomas e os restantes doces ficavam para amanhã. Neste aspecto tenho um miúdo impecável porque nunca faz birra por estas coisas. Aceita e geralmente não volta a pedir mais. Quando pede mais doces digo-lhe que se tem fome vou fazer o jantar e ficamos por aí.

Fui então por água ao lume para fazer o esparguete do jantar e depois passei no computador e vi que tinha um email de um cliente com um problema qualquer de password do email que não estava a funcionar. Ia começar a ver se percebia qual era o problema quando a Joana começou a chorar. Fui buscá-la para lhe dar de mamar mas quando o leite começa a correr às vezes sai mesmo em jacto e ela engasga-se. Depois fica furiosa porque tem fome e teve de parar de mamar e começa a berrar. Eu entretanto tenho de arranjar maneira de parar o leite que desata a espirrar por todo o lado . Sinto-me como um sistema de rega automático nestas situações…

No meio disto tudo toca o telefone (geralmente é a minha mãe que tem uma pontaria fenomenal para acertar nas alturas mais confusas) e percebo que a água já está a ferver. Atendo o telefone enquanto tento abrir um pacote de esparguete antes que a água evapore toda. A Joana continua a berrar na sala e o Tiago vem pedir para ver o Wall-E.

Lá consigo despachar o telefonema, por o espaguete a fazer e o tempo a contar e vou dar de mamar à Joana. O Tiago continua à espera do filme por isso vou-lhe pedindo os diversos comandos que preciso para ligar as coisas (temos um comando universal mas alguns dos botões deixaram de funcionar e acabo por ter que usar uma série deles à mesma). Quando toca o tempo do esparguete a Joana já acabou de mamar mas agora estou a mudar-lhe a fralda, por isso quando finalmente consigo voltar à cozinha já a água evaporou toda e o esparguete agarrou ao fundo e está a começar a queimar. Também ficou todo agarrado porque não tive oportunidade de o ir mexer durante a cozedura.

Ponho a bolonhesa no micro-ondas e a Joana começa outra vez a chorar porque não quer ficar sozinha. Finalmente consigo por a comida nos pratos e chamar o Tiago para a mesa. Ele queixa-se que não consegue ver a TV (sim, já sei que é mau hábito mas eu sempre comi em frente à TV por isso não me vou armar em hipócrita e recusar isso ao miúdo) porque temos a casa cheia de caixas que bloqueiam o campo de visão e lá vou eu arrastar o movel para o meio da sala.

Com sorte, por esta altura consigo comer mas antes de chegar ao fim  a Joana farta-se de estar no baloiço e quer colo.

E assim continua infinitamente até o Pedro chegar, altura em que, com sorte, conseguimos dividir um miúdo para cada um e acalmar um bocadinho a coisa.

4 Comment

  1. É uma fase complicada esta…
    E tomar duche? comigo também era um filme 😉

    Bjos

  2. É incrível como as mães têm sempre uma pontaria brutal para ligar nas horas mais impróprias. Durante a minha licença de maternidade, a minha mãe conseguia ligar SEMPRE às 11h da manhã ou às 14h e, conforme a escolha dela, eu estava SEMPRE a dar de mamar… há coisas que nunca vou perceber, enfim!
    Quanto à rotina de final de dia, é sempre bom encontrar estes “testemunhos”. Eu só tenho um, mas estou muitas vezes sozinha, por motivos profissionais do meu marido e há dias em que quase dou em doida. Noutro dia, o meu filho de 10 meses passeava-se na aranha pela cozinha. Viu o prato dele e entrou em transe. Miudo a berrar (porque tem fome psicológica e já tinha visto o prato da sopa). A desviar-me da aranha, viro o prato da sopa no chão. Eu a tentar limpar ao mesmo tempo que afastava o garoto na aranha da zona suja e ele sempre a berrar pela sopa… Um filme.
    Votos de boas mudanças e um excelente começo na casa nova!

  3. ufa… e ando eu a tentar ter outro filho.. lol fiquei cansada de ler este post!! Mas na casa nova com as coisas arrumadinhas vai, de certeza, ser mais fácil.. bjinho

  4. Eu só tenho 1 e às vezes também me sinto assim um bocado pró desorientada!

    E o duche normalmente é à pressa porque ele se lembra sempre de acordar assim que acabei de me molhar…

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