Semana interminável

Depois de uma semana em full time com os dois miúdos, não consigo evitar pensar que se calhar não fui mesmo feita para ser mãezinha. Não fiz mais do que muitas mulheres fazem desde sempre e estou absolutamente exausta.

E nem me posso queixar muito porque o bebé, que é quem devia dar mais trabalho, aproveitou esta semana para se começar a portar bem e passou a dormir a noite toda e a comer sem dar luta. Deve ter percebido que a mãe estava a dar em louca com o irmão que, mesmo com varicela, não pára um minuto. Como vê a irmã ao colo também quer colo, como me vê dar-lhe de comer também quer que eu lhe dê a comidinha à boca, passa os dias a correr pela casa a gritar, faz grandes birras por pura teimosia ou  porque adormeceu e quando acordou já era de noite e não queria noite, ou algo do estilo, impossível de resolver.

Passo o tempo a chamar a atenção para tudo isto, a ter de ralhar e por vezes zangar-me a sério sem grande efeito. No momento até liga e acalma mas passados uns minutos volta tudo ao mesmo.

Ontem dei-lhe banho de manhã, porque na noite anterior foi impossível graças a uma dessas birras monumentais. O Pedro filmou tudo. É bom ter munição para quando ele for adolescente.  Aproveitei também para lhe cortar o cabelo que já estava a chegar aos olhos e até se portou bem nessa parte.

A Joana, felizmente, continua a ser uma menina muito calma e bem disposta e o Tiago farta-se de fazer show para ela se rir. Não é um miúdo muito meigo – nada de beijinhos ou abracinhos e faz queixinhas se ela lhe toca, mesmo acidentalmente – mas gosta de ter público para as suas palhaçadas e ela segue tudo o que ele faz e adora.

Esta manhã aproveitei a sesta da irmã para tentar por o Tiago a fazer o trabalho da escola. Os meninos trocaram um livro uns com os outros e agora têm de ler o livro que trouxeram e fazer um trabalho de apresentação sobre o que leram. Parece-me algo super complexo para 3 anos e quem acaba por ter de fazer os trabalhos são os pais, como é obvio. Ainda por cima o livro do Tiago é só matemática – é sobre uma família que vai trocando uns animais por outros – 1 vaca por 2 ovelhas, as ovelhas por 4 porcos, etc.

Tentei arranjar uma forma de apresentar aquilo que ainda tivesse alguma colaboração do Tiago mas que fosse o mais simples possível. Arranjei uma cartolina e fui escrevendo o número e nome dos animais e o Tiago fez um animal de cada em plasticina – com moldes, claro – para colar ao lado. Os últimos já eram complicados e não tinha nenhum molde de avestruz, por exemplo, por isso andei a desenhar os animais e ele pintou com o pincel. Foi tudo um esforço enorme para ele se concentrar no que até era uma tarefa simples porque ele só queria era fazer casaquinhos de plasticina para os seus robots e estava-se nas tintas para os animais.

No final era tinta por todo o lado, plasticina pelo chão e o Tiago ainda encontrou um carimbo que lhe deram na escola (uma mãzinha achou que aquilo era uma boa ideia de prendinha para os outros meninos quando o seu fez anos) e andou a carimbar as mãos, cara, etc. Veio ter comigo a dizer ‘mamã!’ e com o seu sorriso mais sacana mas não dizia mais nada. Depois mostrou-me as mãos….

2 Comment

  1. Pois…entendo-te. Eu com três às vezes parece que enlouqueço… são mais velhitos mas mesmo assim fazem trinta por uma linha.
    É normal que o Tiago chame à atenção. É próprio dos três anos e dos quatro, ainda para mais ao ver a atenção da mamã dividida.
    Não penses que não és talhada para ser mãe…eu digo isto mas às vezes também o penso de mim.
    Bj, força, coragem.

  2. Sabes como é, é o cansaço a falar. E o primeiro ano com um bebé é um tormento. Os bebés são muito giros mas sinto-me desaparecer por não conseguir fazer mais nada. Com o Tiago foi a mesma coisa. Felizmente sei que isso passa e a coisa melhora.

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